Frei Betto *
Adital - Sua Santidade ressuscitou o que o concílio Vaticano II havia enterrado: a missa em latim. Uma exigência do Monsenhor Lefebvre, arcebispo suíço excomungado em 1988, por negar-se a aceitar as reformas conciliares.
Quando criança, assisti a muitas missas em latim, com o celebrante de costas aos fiéis, segundo o rito tridentino de meu co-irmão, o papa Pio V, que foi dominicano. Por que permitir a volta ao latim? Quantos fiéis dominam este idioma? Jesus não falava latim. Falava aramaico. Talvez algo de hebraico. E por viver em uma região dominada por Roma, é certo que conhecia alguns vocábulos latinos, como a saudação romana ‘Ave!’, que foi introduzida na oração mais popular do catolicismo, a Ave Maria.
Assim como o grego se universalizou através do Mediterrâneo, graças às campanhas de Alexandre, o Grande, o latim se propagou através das conquistas do Império Romano. Segundo esta lógica, não seria mais adequado adotar hoje em dia o inglês?
Pois bem, a grande maioria dos fiéis católicos encontra-se atualmente na América Latina. E não entende grego, nem latim, nem inglês. Não seria aconselhável que participassem da missa em sua língua natal?
Considerando o empenho de inculturação da Igreja, não é contraditório voltar a missa em latim? Tenho um amigo, ateu até a medula, que gosta muito de assistir a missas em latim. Para ele a liturgia se reduz a um espetáculo, quanto mais glamuroso, melhor. É uma questão de estética, não de uma ponte comunitária entre o nosso coração sedento e o Transcendente. Me inquieta sua (do Papa) afirmação de é "uma praga" casar-se pela segunda vez e proibir aos católicos o acesso à eucaristia. Os evangelhos ensinam que Jesus comungou com pessoas que, vistas daqui e agora, estavam longe da moral vaticana. E defendeu uma mulher adúltera que ia ser apedrejada pelos moralistas da época. Curou a hemorragia de uma mulher da Cananéia sem exigir previamente a adesão dela à fé que pregava. Curou também um servo de um centurião romano sem lhe impor antes a obrigação de repudiar aos deuses pagãos. Jesus fez o bem, sem olhar a quem.
Tenho amigos e amigas que casaram pela segunda vez. Todos por razões muito sérias, que seriam melhor compreendidas por sacerdotes e bispos se estes, como acontecia na Igreja primitiva, tivessem mulher e filhos. (Convém lembrar que Jesus escolheu homens casados para apóstolos, posto que curou a sogra de Pedro).
Contrair matrimônio é algo tão importante que a Igreja fez dele um sacramento. Acontece que, antes de ser uma instituição, o matrimônio é um ato de amor. E há uniões que fracassam, pois todos somos frágeis e pecadores, e nossas opções, sujeitas a chuvas e tempestades, deveriam merecer a misericordiosa compreensão da Igreja.
Tenho amigos e amigas divorciados que reconstruíram suas relações afetivas e se negam a acatar a proibição de comungar. Minha amiga D., três meses depois do matrimônio sofreu com seu marido um grave acidente de trânsito. Ele ficou tetraplégico. Dois anos depois, com a concordância dele, ela contraiu uma nova relação, uma vez que escutou o homem com quem se havia casado na Igreja dizer: "Porque te amo, quero ver-te plenamente realizada como mulher e mãe". Ela e seu novo esposo visitavam periodicamente o homem acidentado, que sobreviveu sete anos e foi o padrinho do primeiro filho do casal. Devo dizer a essa amiga que Deus, que é Amor, não está em comunhão com ela e que, portanto, trate de ficar distante da mesa eucarística, pois a Igreja a considera "uma praga"?
Certa noite me encontrava na Boca do Acre, em plena selva amazônica, numa celebração em uma comunidade eclesial de base. Dona Raimunda, mãe de seis filhos, cujo marido havia ido para a Transamazônica em busca de trabalho e onde ficou quatro anos sem dar sinais de vida (e ela soube que ele havia constituído outra família lá) - disse na missa, no momento da oração dos fiéis: "Quero agradecer a Deus por haver me dado outro marido, que é um pai bondoso para meus filhos". Dona Raimunda se uniu a outro homem que a ajudava na sobrevivência e na educação dos filhos em uma situação de extrema penúria. Deveria dizer a ela que não se aproximasse da mesa eucarística? Naquele mesmo momento, o Papa Paulo VI, em visita ao Chile, dava a comunhão ao general Pinochet.
Querido papa: leio na primeira Carta de João que "Deus é Amor. Quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele" (4,16). Essas pessoas que citei, e tantas outras que conheço, amam e, portanto Deus permanece nelas. Devo adverti-las que não são amadas pela Igreja e que, por isso mesmo, estão proibidas de receber o pão e o vinho transubstanciados no corpo e no sangue de Jesus, o Senhor da compaixão e da misericórdia?
Frei Betto é escritor, autor, junto com Leonardo Boff, de "Mística e espiritualidade", entre outros livros.
* Frei dominicano. Escritor
terça-feira, março 20, 2007
O império contra ataca ---A viagem de Bush pela América Latina
Yo no te digo tío, Don Samuel ----- Porque hermano de mi patria usted no es
E, então, os olhos do governo estadunidense se voltaram para a América Latina. Depois de anos matando iraquianos civis, sob o argumento de que são malvados terroristas, e ainda disseminando pela mídia prostituída outras tantas mentiras acerca do Irã, George W. Bush decidiu dar um passeio pelo quintal de casa, visto que, para ele, algumas ervas daninhas estão crescendo para além da conta e é preciso passar a ceifadeira.
O jornal New York Times mostrou, em detalhes, à nação do norte que a Venezuela anda gastando muito dinheiro com materiais militares e, segundo os analistas, isso se configura um abuso. É claro que o mesmo jornal não dá uma linha sobre o material bélico produzido anualmente pelos Estados Unidos. Bom, isso não é novidade. Para os estadunidenses, o país ter o maior arsenal de armas do mundo, inclusive atômicas, é muito natural. São a polícia do mundo. Eles podem ter bombas atômicas. O Irã ou qualquer outro país, não.
Pois é para tentar cortar as "asinhas" do presidente venezuelano (a erva daninha em questão) que Bush faz um rápido ecorrido pelo sul do continente. A ascendência "maléfica" de Chávez sobre Evo Morales, na Bolívia, e Rafael Correa, no Equador, está fugindo ao controle, pensam os conselheiros do governo estadunidense. Além disso, pelas beiradas, Chávez vem fazendo acordos com países que, apesar de não guinarem muito para a esquerda, estão buscando novas parcerias, livres das garras da águia, como a Argentina, por exemplo, com quem firmou contratos bilaterais bastante significativos, além do compromisso de também apoiar a idéia de uma nação única, latino-americana, configurando um grande bloco de poder.
Outros países do Caribe e da América Central têm fechado acordos envolvendo trocas comerciais dentro dos moldes da ALBA, a Alternativa Bolivariana para as Américas, que propõe um novo modelo de contratos, sempre levando em consideração a realidade social, econômica e cultural dos povos, sem imposições vantajosas apenas para quem tem maior poder de barganha. O oposto da ALCA, sonhada pelo governo dos Bush, desde o pai.
A viagem do presidente estadunidense é paradigmática. Funcional tal como no passado funcionavam os passeios dos Césares. O império se fazendo ver, o grande olho a observar e a dizer: estamos aqui. Bush visita a Colômbia, com quem mantém estreita relação. Como um bom vassalo, Uribe segue cumprindo as ordens do senhor imperial, reprimindo os movimentos de libertação, fortalecendo o Plano Colômbia - de ocupação massiva por parte dos soldados estadunidenses - desalojando famílias, removendo o terror entre os lutadores sociais. É um parceiro estratégico porque está na fronteira da Venezuela e do Equador, dois dos países considerados "perigosos", subsumidos na "onda vermelha". Passa também pelo Uruguai onde Tabaré Vasquez se configura uma promessa. Já firmou acordo de livre comércio e pode ser um bom aliado na parte sul. Pode ser convencido a não sucumbir aos encantos chavistas e, de quebra, ajudar o parceiro brasileiro nesta empreitada.
Bush ainda vai dar um pulinho na Guatemala, país amigo e uma força a barrar os avanços de Chávez na América Central. Visita também o México, de Felipe Calderón, presidente eleito a partir de eleições fraudulentas, como denunciam os movimentos sociais daquele país. Talvez por isso tenham muito que conversar. Experiências semelhantes. Além disso, o México é a parte mais próxima do quintal. Precisa, mais do que qualquer zona, manter-se limpo das ervas socialistas.
E, o que nos interessa particularmente, Bush visita o Brasil. Vai conversar com o "companheiro" Lula, com quem conta para ajudar a frear o "Efeito C". Na imprensa brasileira já pipocam as análises acerca dos "grandes benefícios" que o imperador traz na bagagem. Uma delas é a possibilidade de um acordo para negócios envolvendo o álcool. Os usineiros já se preparam para, finalmente, entrar no mercado do norte, até então fechado, visto que os EUA fabricam seu próprio álcool. É a "energia do futuro" o grande "produto" no qual a águia está de olho, uma vez que sabe ser o petróleo um bem em extinção, além de causador dos males que o planeta vem vivendo, entre eles o aquecimento global.
Então, os arautos do imperador já se apressam em falar dos "fabulosos" negócios que os empresários da cana poderão fazer, pelo menos em médio prazo, caso os EUA abram mesmo seu mercado. Para os trabalhadores também há vantagens incríveis no horizonte, visto que o número de cortadores de cana deverá aumentar extraordinariamente. A mídia cortesã já saúda o fato de voltarmos aos tempos da casa grande e senzala. O Brasil como um imenso canavial, produzindo a energia limpa que o planeta tanto necessita.
Mas, no meio desta euforia colonizada, as vozes dissonantes já começam a soar. Alguns analistas questionam a idéia de usar produtos comestíveis como combustível. Cana ou óleo de plantas saem da lógica alimentar e passam a ser produtos geradores de energia para sustentar o capital. Há quem diga ser um paradoxo a expressão "desenvolvimento sustentável". Paradoxo e impostura. Não existe. Não nesse modelo capitalista predador. “Haveria que se pensar o que o Samir Amin chama de desconexão”. Um outro modelo de vida, despegado da lógica capitalista. Mas é coisa para muito debate.
De qualquer forma, essa conversa de abrir mercado para o Brasil nos EUA certamente é só um truque no qual apenas uma imprensa cortesã, colonizada e autista pode cair. O que está em questão mesmo é a paralisação da influência de Chávez nos "países amigos". Manter os gerentes dos quintais de rédea curta, bem ao estilo texano, é o objetivo central. Mostrar quem manda, prometer uma migalha aqui e outra ali, inflamar as vaidades, provocar a cizânia e, quem sabe, até acertar algum trato de "combate ao terrorismo", visto que este tipo de coisa já está aparecendo por aqui também, como alardeiam imprensa e governantes.
A grande ameaça comunista que foi o mote para uma série de retrocessos e ferozes ditaduras militares financiadas pelos EUA nos anos 50 e 60 do século passado, agora tem outro nome. É Chávez. Um presidente que tem petróleo e uma proposta de mudança muito concreta, desconectada do império. Não é nem o socialismo, mas já incomoda um bocado. Resta saber qual vai ser a atitude de Lula. Alguém arrisca um palpite?
Entre os movimentos sociais tudo já está claro. E os protestos devem acontecer em todo o país. Não só pelas questões singulares que envolvem o Brasil, mas, solidariamente, em nome de todos os que sofrem os efeitos de um sistema imperial opressor, destrutivo, manipulador e irracional.
O OLA é um projeto de observação e análise das lutas populares na América
Latina. www.ola.cse.ufsc.br
E, então, os olhos do governo estadunidense se voltaram para a América Latina. Depois de anos matando iraquianos civis, sob o argumento de que são malvados terroristas, e ainda disseminando pela mídia prostituída outras tantas mentiras acerca do Irã, George W. Bush decidiu dar um passeio pelo quintal de casa, visto que, para ele, algumas ervas daninhas estão crescendo para além da conta e é preciso passar a ceifadeira.
O jornal New York Times mostrou, em detalhes, à nação do norte que a Venezuela anda gastando muito dinheiro com materiais militares e, segundo os analistas, isso se configura um abuso. É claro que o mesmo jornal não dá uma linha sobre o material bélico produzido anualmente pelos Estados Unidos. Bom, isso não é novidade. Para os estadunidenses, o país ter o maior arsenal de armas do mundo, inclusive atômicas, é muito natural. São a polícia do mundo. Eles podem ter bombas atômicas. O Irã ou qualquer outro país, não.
Pois é para tentar cortar as "asinhas" do presidente venezuelano (a erva daninha em questão) que Bush faz um rápido ecorrido pelo sul do continente. A ascendência "maléfica" de Chávez sobre Evo Morales, na Bolívia, e Rafael Correa, no Equador, está fugindo ao controle, pensam os conselheiros do governo estadunidense. Além disso, pelas beiradas, Chávez vem fazendo acordos com países que, apesar de não guinarem muito para a esquerda, estão buscando novas parcerias, livres das garras da águia, como a Argentina, por exemplo, com quem firmou contratos bilaterais bastante significativos, além do compromisso de também apoiar a idéia de uma nação única, latino-americana, configurando um grande bloco de poder.
Outros países do Caribe e da América Central têm fechado acordos envolvendo trocas comerciais dentro dos moldes da ALBA, a Alternativa Bolivariana para as Américas, que propõe um novo modelo de contratos, sempre levando em consideração a realidade social, econômica e cultural dos povos, sem imposições vantajosas apenas para quem tem maior poder de barganha. O oposto da ALCA, sonhada pelo governo dos Bush, desde o pai.
A viagem do presidente estadunidense é paradigmática. Funcional tal como no passado funcionavam os passeios dos Césares. O império se fazendo ver, o grande olho a observar e a dizer: estamos aqui. Bush visita a Colômbia, com quem mantém estreita relação. Como um bom vassalo, Uribe segue cumprindo as ordens do senhor imperial, reprimindo os movimentos de libertação, fortalecendo o Plano Colômbia - de ocupação massiva por parte dos soldados estadunidenses - desalojando famílias, removendo o terror entre os lutadores sociais. É um parceiro estratégico porque está na fronteira da Venezuela e do Equador, dois dos países considerados "perigosos", subsumidos na "onda vermelha". Passa também pelo Uruguai onde Tabaré Vasquez se configura uma promessa. Já firmou acordo de livre comércio e pode ser um bom aliado na parte sul. Pode ser convencido a não sucumbir aos encantos chavistas e, de quebra, ajudar o parceiro brasileiro nesta empreitada.
Bush ainda vai dar um pulinho na Guatemala, país amigo e uma força a barrar os avanços de Chávez na América Central. Visita também o México, de Felipe Calderón, presidente eleito a partir de eleições fraudulentas, como denunciam os movimentos sociais daquele país. Talvez por isso tenham muito que conversar. Experiências semelhantes. Além disso, o México é a parte mais próxima do quintal. Precisa, mais do que qualquer zona, manter-se limpo das ervas socialistas.
E, o que nos interessa particularmente, Bush visita o Brasil. Vai conversar com o "companheiro" Lula, com quem conta para ajudar a frear o "Efeito C". Na imprensa brasileira já pipocam as análises acerca dos "grandes benefícios" que o imperador traz na bagagem. Uma delas é a possibilidade de um acordo para negócios envolvendo o álcool. Os usineiros já se preparam para, finalmente, entrar no mercado do norte, até então fechado, visto que os EUA fabricam seu próprio álcool. É a "energia do futuro" o grande "produto" no qual a águia está de olho, uma vez que sabe ser o petróleo um bem em extinção, além de causador dos males que o planeta vem vivendo, entre eles o aquecimento global.
Então, os arautos do imperador já se apressam em falar dos "fabulosos" negócios que os empresários da cana poderão fazer, pelo menos em médio prazo, caso os EUA abram mesmo seu mercado. Para os trabalhadores também há vantagens incríveis no horizonte, visto que o número de cortadores de cana deverá aumentar extraordinariamente. A mídia cortesã já saúda o fato de voltarmos aos tempos da casa grande e senzala. O Brasil como um imenso canavial, produzindo a energia limpa que o planeta tanto necessita.
Mas, no meio desta euforia colonizada, as vozes dissonantes já começam a soar. Alguns analistas questionam a idéia de usar produtos comestíveis como combustível. Cana ou óleo de plantas saem da lógica alimentar e passam a ser produtos geradores de energia para sustentar o capital. Há quem diga ser um paradoxo a expressão "desenvolvimento sustentável". Paradoxo e impostura. Não existe. Não nesse modelo capitalista predador. “Haveria que se pensar o que o Samir Amin chama de desconexão”. Um outro modelo de vida, despegado da lógica capitalista. Mas é coisa para muito debate.
De qualquer forma, essa conversa de abrir mercado para o Brasil nos EUA certamente é só um truque no qual apenas uma imprensa cortesã, colonizada e autista pode cair. O que está em questão mesmo é a paralisação da influência de Chávez nos "países amigos". Manter os gerentes dos quintais de rédea curta, bem ao estilo texano, é o objetivo central. Mostrar quem manda, prometer uma migalha aqui e outra ali, inflamar as vaidades, provocar a cizânia e, quem sabe, até acertar algum trato de "combate ao terrorismo", visto que este tipo de coisa já está aparecendo por aqui também, como alardeiam imprensa e governantes.
A grande ameaça comunista que foi o mote para uma série de retrocessos e ferozes ditaduras militares financiadas pelos EUA nos anos 50 e 60 do século passado, agora tem outro nome. É Chávez. Um presidente que tem petróleo e uma proposta de mudança muito concreta, desconectada do império. Não é nem o socialismo, mas já incomoda um bocado. Resta saber qual vai ser a atitude de Lula. Alguém arrisca um palpite?
Entre os movimentos sociais tudo já está claro. E os protestos devem acontecer em todo o país. Não só pelas questões singulares que envolvem o Brasil, mas, solidariamente, em nome de todos os que sofrem os efeitos de um sistema imperial opressor, destrutivo, manipulador e irracional.
O OLA é um projeto de observação e análise das lutas populares na América
Latina. www.ola.cse.ufsc.br
segunda-feira, março 19, 2007
ANÚNCIO PARA ARRUMAR NAMORADA
Matéria publicada em um jornal de circulação diária, do Estado do Ceará.
(Leia também a resposta da pretendente).
Homem descasado procura...
Homem de 40 anos, que só gosta de mulher, após casamento de sete anos, mal sucedido afetivamente, vem através deste anúncio, procurar mulher que só
goste de homem, para compromisso duradouro, desde que esta preencha certos requisitos:
O PRETENDIDO exige que a PRENTENDENTE tenha idade entre 28 e 40 anos, não descartando, evidentemente, aquelas de idade abaixo do limite inferior, descartando as acima do limite superior.
Devem ter um grau razoável de escolaridade, para que não digam na frente de estranhos: "menas vezes", "quando eu si casar”, "pobrema no úter", "eu já si
operei de apênis", "é de grátis", "vamo dea pé", "adoro tar com você" e outras pérolas gramaticais.
Os olhos podem ter qualquer cor, desde que sejam da mesma e olhem para uma mesma direção. Os dentes, além de extremamente brancos, todos os 32, devem permanecer na boca ao deitar e nunca dormirem mergulhados num copo d'água.
O seios devem ser firmes,
do tamanho de um mamão papaia, cujos mamilos olhem
sempre para o céu, quando muito para o purgatório,nunca para o inferno.
Devem ter consistência tal que não escapem pelos dedos, como massa de pão. Por motivos óbvios, a boca e os lábios, devem ter consistência macia, não confundir com beiço. A barriga, se existir, muito pequena e
discreta, e não um ponto de referência.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE seja sexualmente normal, isto é, tenha orgasmos, se múltiplos melhor, mas mesmo que eventuais, quando acontecerem, que ela gema um pouco ou pisque os olhos, para que ele sinta-se sexualmente interessante.
Independentemente da experiência sexual do PRETENDIDO, este exige que durante o ato sexual a PRETENDENTE não boceje, não ria, não fique vendo as horas no rádio relógio, não durma ou cochile.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE não tenha feito nenhuma sessão de análise, o que poderia camuflar, por algum tempo, uma eventual esquizofrenia.
A PRETENDENTE deverá ter um carro que ande, nem que seja uma Brasília, que tenha dinheiro para o táxi, uma vez que pela própria idade do PRETENDIDO, ele não tem mais paciência para levar namorada de madrugada para casa.
Enviar cartas com foto recente, de corpo inteiro
frente e costas, da PRETENDENTE, para a redação deste jornal, para o codinome: "CACHORRO MORDIDO DE COBRA TEM MEDO ATÉ DE BARBANTE".
************************************
Resposta da Pretendente, publicada dias após, no mesmo periódico Cearense:
Prezado HOMEM DESCASADO...
Li seu anúncio no jornal e manifesto meu interesse em manter um compromisso duradouro com o senhor, desde que (é claro) o senhor também preencha outros
“certos” requisitos que considero básicos!
Vale lembrar que tais exigências se baseiam em conclusões tiradas acerca do comportamento masculino em diversas relações frustradas, que só não deixaram marcas profundas em minha personalidade, porque "graças a Deus", fiz anos de terapia, o que
infelizmente contraria uma de suas exigências!
Quanto à idade convém ressaltar que espero que o senhor tenha a maturidade dos 40 anos e o vigor dos 28, e que seu grau de escolaridade supere a
cultura que porventura tenha adquirido assistindo aos programas do "Show do Milhão"...!
Seus olhos podem ser de qualquer cor desde que vejam algo além de jogos de futebol e revistas de mulher pelada. E seus dentes devem sorrir mesmo quando
lhe for solicitado que lave a louça ou arrume a cama.
Não é necessário que seus músculos tenham sido esculpidos pelo halterofilismo, mas que seus braços sejam fortes o suficiente para carregar as compras.
Quanto à boca, por motivos também óbvios, além de cumprir com eficiência as funções a que se destinam as bocas no relacionamento de um casal, devem
servir, inclusive, para pronunciar palavras doces e gentis e não somente:
“PEGA MAIS UMA CERVEJA AÍ, MULHER!".
A barriga, que é quase certo que o senhor a tenha, é tolerável, desde que não atrapalhe para abaixar ao pegar as cuecas e meias que jamais deverão ficar no chão. Quanto ao desempenho sexual espera-se que corresponda ao menos polidamente à "performance" daquilo que o senhor "diz que faz" aos seus amigos!
E que durante o ato sexual, não precise levar para a cama livros do tipo: "Manual do corpo humano" ou "Mulher, esse ser estranho"!
No que diz respeito ao item alimentação, cumpre estar atualizado com a lista dos melhores restaurantes, ser um bom conhecedor de vinhos e toda espécie de
iguarias, além de bancar as contas, evidentemente.
Em relação ao carro, tornam-se desnecessários os trajetos durante a madrugada, uma vez que, havendo correspondência nas exigências que por ora
faço, pretendo mudar-me de mala e cuia para a sua casa... meu amor!
Ass.: A COBRA
(Leia também a resposta da pretendente).
Homem descasado procura...
Homem de 40 anos, que só gosta de mulher, após casamento de sete anos, mal sucedido afetivamente, vem através deste anúncio, procurar mulher que só
goste de homem, para compromisso duradouro, desde que esta preencha certos requisitos:
O PRETENDIDO exige que a PRENTENDENTE tenha idade entre 28 e 40 anos, não descartando, evidentemente, aquelas de idade abaixo do limite inferior, descartando as acima do limite superior.
Devem ter um grau razoável de escolaridade, para que não digam na frente de estranhos: "menas vezes", "quando eu si casar”, "pobrema no úter", "eu já si
operei de apênis", "é de grátis", "vamo dea pé", "adoro tar com você" e outras pérolas gramaticais.
Os olhos podem ter qualquer cor, desde que sejam da mesma e olhem para uma mesma direção. Os dentes, além de extremamente brancos, todos os 32, devem permanecer na boca ao deitar e nunca dormirem mergulhados num copo d'água.
O seios devem ser firmes,
do tamanho de um mamão papaia, cujos mamilos olhem
sempre para o céu, quando muito para o purgatório,nunca para o inferno.
Devem ter consistência tal que não escapem pelos dedos, como massa de pão. Por motivos óbvios, a boca e os lábios, devem ter consistência macia, não confundir com beiço. A barriga, se existir, muito pequena e
discreta, e não um ponto de referência.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE seja sexualmente normal, isto é, tenha orgasmos, se múltiplos melhor, mas mesmo que eventuais, quando acontecerem, que ela gema um pouco ou pisque os olhos, para que ele sinta-se sexualmente interessante.
Independentemente da experiência sexual do PRETENDIDO, este exige que durante o ato sexual a PRETENDENTE não boceje, não ria, não fique vendo as horas no rádio relógio, não durma ou cochile.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE não tenha feito nenhuma sessão de análise, o que poderia camuflar, por algum tempo, uma eventual esquizofrenia.
A PRETENDENTE deverá ter um carro que ande, nem que seja uma Brasília, que tenha dinheiro para o táxi, uma vez que pela própria idade do PRETENDIDO, ele não tem mais paciência para levar namorada de madrugada para casa.
Enviar cartas com foto recente, de corpo inteiro
frente e costas, da PRETENDENTE, para a redação deste jornal, para o codinome: "CACHORRO MORDIDO DE COBRA TEM MEDO ATÉ DE BARBANTE".
************************************
Resposta da Pretendente, publicada dias após, no mesmo periódico Cearense:
Prezado HOMEM DESCASADO...
Li seu anúncio no jornal e manifesto meu interesse em manter um compromisso duradouro com o senhor, desde que (é claro) o senhor também preencha outros
“certos” requisitos que considero básicos!
Vale lembrar que tais exigências se baseiam em conclusões tiradas acerca do comportamento masculino em diversas relações frustradas, que só não deixaram marcas profundas em minha personalidade, porque "graças a Deus", fiz anos de terapia, o que
infelizmente contraria uma de suas exigências!
Quanto à idade convém ressaltar que espero que o senhor tenha a maturidade dos 40 anos e o vigor dos 28, e que seu grau de escolaridade supere a
cultura que porventura tenha adquirido assistindo aos programas do "Show do Milhão"...!
Seus olhos podem ser de qualquer cor desde que vejam algo além de jogos de futebol e revistas de mulher pelada. E seus dentes devem sorrir mesmo quando
lhe for solicitado que lave a louça ou arrume a cama.
Não é necessário que seus músculos tenham sido esculpidos pelo halterofilismo, mas que seus braços sejam fortes o suficiente para carregar as compras.
Quanto à boca, por motivos também óbvios, além de cumprir com eficiência as funções a que se destinam as bocas no relacionamento de um casal, devem
servir, inclusive, para pronunciar palavras doces e gentis e não somente:
“PEGA MAIS UMA CERVEJA AÍ, MULHER!".
A barriga, que é quase certo que o senhor a tenha, é tolerável, desde que não atrapalhe para abaixar ao pegar as cuecas e meias que jamais deverão ficar no chão. Quanto ao desempenho sexual espera-se que corresponda ao menos polidamente à "performance" daquilo que o senhor "diz que faz" aos seus amigos!
E que durante o ato sexual, não precise levar para a cama livros do tipo: "Manual do corpo humano" ou "Mulher, esse ser estranho"!
No que diz respeito ao item alimentação, cumpre estar atualizado com a lista dos melhores restaurantes, ser um bom conhecedor de vinhos e toda espécie de
iguarias, além de bancar as contas, evidentemente.
Em relação ao carro, tornam-se desnecessários os trajetos durante a madrugada, uma vez que, havendo correspondência nas exigências que por ora
faço, pretendo mudar-me de mala e cuia para a sua casa... meu amor!
Ass.: A COBRA
domingo, março 18, 2007
Vaticano condena teólogo da libertação
12.03.07 - EL SALVADOR
Adital - O arcebispo de San Salvador, Fernando Sáenz Lacalle, confirmou que a Congregação para a Doutrina da Fé notificou Sobrino sobre a proibição de que ministre aulas em qualquer centro católico "até que revise suas conclusões".
Sáenz Lacalle disse que o Vaticano "há algum tempo estuda os escrito de Sobrino e que há muitos anos faz advertências a ele".
Explicou que "o que diz a Santa Sé é que as conclusões dos estudos teológicos sobre Cristo que o padre Sobrino publicou não estão de acordo com a doutrina da Igreja e que ele não poderá ensinar teologia em nenhum centro católico até que revise suas conclusões".
Por sua parte, Sobrino se negou, no momento, a fazer comentários à imprensa sobre a medida do Vaticano, que, segundo outras fontes eclesiásticas, será divulgada na próxima quinta-feira.
Quem é Jon Sobrino
Nascido em Bilbao (Espanha) em 27 de dezembro de 1938, Jon Sobrino reside em El Salvador há cinqüenta anos, dedicado, em grande parte, ao trabalho docente na UCA e a escrever numerosas obras, principalmente sobre a Teologia da Libertação.
Foi um dos criadores da Universidad Centroamericana de San Salvador e um dos maiores propagadores da Teologia da Libertação, sobre a qual escreveu uma dezena de livros.
Heresia
O órgão eclesiástico que elaborou a condenação - era dirigido pelo cardeal Ratzinger e a partir da indicação dele como Papa Bento Dezesseis, em abril de 2005, pelo cardeal Joseph Levada - acusa Sobrino de «falsear a figura de Jesus», e mais concretamente de «não afirmar abertamente sua consciência divina»; quer dizer, a Congregação para a Doutrina da Fé - sucessora da Inquisição - afirma que o jesuíta vasco-salvadorenho caiu na «velha heresia» de acentuar demasiado o lado humano da figura de Jesus de Nazaré e de «ocultar sua divindade». Por isso, o Vaticano aprovou um texto no qual decidiu que ele está proibido, como uma forma de «penitência», dar aulas em centros eclesiais ou publicar livros com o «nihil obstat» da autoridade eclesiástica, com a intenção depois de condená-lo ao «silêncio mais absoluto».
Ao que parece tanto a Companhia de Jesus - à qual pertence Sobrino - como o próprio teólogo conheciam a notícia de antemão, já que, seguindo o procedimento habitual nestes caos, o Vaticano pediu previamente a Sobrino que retificasse seu comportamento por escrito. Entretanto, depois de pensar sobre o assunto e até de consultar o diretor geral da Companhia de Jesus, Sobrino se negou fazer tal retificação.
Teologia da Libertação
Toda essa confusão criou uma grande comoção tanto na Companhia de Jesus como no restante da classe eclesiástica, porque Jon Sobrino hoje, é um dos máximos expoentes da doutrina conhecida com Teologia da Libertação, um movimento de caráter religioso, político e social surgido na época do Concílio do Vaticano de 1962-1965 e que, afinal, não é mais do que um movimento em favor dos pobres e marginalizados e que propõe a justiça social.
A Teologia da Libertação se desenvolveu rapidamente por toda a América Latina, apesar de a hierarquia da Igreja Católica ter se oposto a ela desde o primeiro momento.
Adital - O arcebispo de San Salvador, Fernando Sáenz Lacalle, confirmou que a Congregação para a Doutrina da Fé notificou Sobrino sobre a proibição de que ministre aulas em qualquer centro católico "até que revise suas conclusões".
Sáenz Lacalle disse que o Vaticano "há algum tempo estuda os escrito de Sobrino e que há muitos anos faz advertências a ele".
Explicou que "o que diz a Santa Sé é que as conclusões dos estudos teológicos sobre Cristo que o padre Sobrino publicou não estão de acordo com a doutrina da Igreja e que ele não poderá ensinar teologia em nenhum centro católico até que revise suas conclusões".
Por sua parte, Sobrino se negou, no momento, a fazer comentários à imprensa sobre a medida do Vaticano, que, segundo outras fontes eclesiásticas, será divulgada na próxima quinta-feira.
Quem é Jon Sobrino
Nascido em Bilbao (Espanha) em 27 de dezembro de 1938, Jon Sobrino reside em El Salvador há cinqüenta anos, dedicado, em grande parte, ao trabalho docente na UCA e a escrever numerosas obras, principalmente sobre a Teologia da Libertação.
Foi um dos criadores da Universidad Centroamericana de San Salvador e um dos maiores propagadores da Teologia da Libertação, sobre a qual escreveu uma dezena de livros.
Heresia
O órgão eclesiástico que elaborou a condenação - era dirigido pelo cardeal Ratzinger e a partir da indicação dele como Papa Bento Dezesseis, em abril de 2005, pelo cardeal Joseph Levada - acusa Sobrino de «falsear a figura de Jesus», e mais concretamente de «não afirmar abertamente sua consciência divina»; quer dizer, a Congregação para a Doutrina da Fé - sucessora da Inquisição - afirma que o jesuíta vasco-salvadorenho caiu na «velha heresia» de acentuar demasiado o lado humano da figura de Jesus de Nazaré e de «ocultar sua divindade». Por isso, o Vaticano aprovou um texto no qual decidiu que ele está proibido, como uma forma de «penitência», dar aulas em centros eclesiais ou publicar livros com o «nihil obstat» da autoridade eclesiástica, com a intenção depois de condená-lo ao «silêncio mais absoluto».
Ao que parece tanto a Companhia de Jesus - à qual pertence Sobrino - como o próprio teólogo conheciam a notícia de antemão, já que, seguindo o procedimento habitual nestes caos, o Vaticano pediu previamente a Sobrino que retificasse seu comportamento por escrito. Entretanto, depois de pensar sobre o assunto e até de consultar o diretor geral da Companhia de Jesus, Sobrino se negou fazer tal retificação.
Teologia da Libertação
Toda essa confusão criou uma grande comoção tanto na Companhia de Jesus como no restante da classe eclesiástica, porque Jon Sobrino hoje, é um dos máximos expoentes da doutrina conhecida com Teologia da Libertação, um movimento de caráter religioso, político e social surgido na época do Concílio do Vaticano de 1962-1965 e que, afinal, não é mais do que um movimento em favor dos pobres e marginalizados e que propõe a justiça social.
A Teologia da Libertação se desenvolveu rapidamente por toda a América Latina, apesar de a hierarquia da Igreja Católica ter se oposto a ela desde o primeiro momento.
Ciclos
Aos 5 anos tocava piano
Aos 10 anos falava inglês
Aos 15 debutava
Aos 18 engravidava
Aos 20 separava
Aos 25 tornava a se juntar
Aos 30 fazia análise
Aos 35 se emancipava
Aos 40 pensava
Aos 50 olhava para trás
Aos 55 engordava
Aos 60 criava netos
Aos 65 chorava
Aos 70 tocava piano
Aos 80 falava inglês
Mário Sérgio de Souza Andrade
Aos 10 anos falava inglês
Aos 15 debutava
Aos 18 engravidava
Aos 20 separava
Aos 25 tornava a se juntar
Aos 30 fazia análise
Aos 35 se emancipava
Aos 40 pensava
Aos 50 olhava para trás
Aos 55 engordava
Aos 60 criava netos
Aos 65 chorava
Aos 70 tocava piano
Aos 80 falava inglês
Mário Sérgio de Souza Andrade
segunda-feira, março 12, 2007
Poemas de Manoel de Barros

O catador
Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,
ou de lado,
ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais - o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar
pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter.
Tratado geral das grandezas do ínfimo, Editora Record - 2001, pág. 43.
A namorada
Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.
Texto extraído do livro "Tratado geral das grandezas do ínfimo", Editora Record - Rio de
Janeiro, 2001, pág. 17.
sábado, março 10, 2007
A lição do perdão
R E F L E X Ã O - 378
De todas as Divinas lições passadas pelo Mestre Jesus, sem dúvida, a que mais dificilmente a humanidade consegue assimilar e aplicar, se refere ao perdão.
“Reconciliai-vos o mais depressa com o vosso adversário, enquanto estais com ele no caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao ministro da justiça, e que não sejais aprisionados”
Severas dissensões e, não raro, tragédias que comprometem mais de uma geração, somente ocorrem pela incapacidade de perdoar, o que invariavelmente estabelece sentimentos de ódio e vingança. Efetivamente não é fácil, principalmente quando a ofensa tem como nascedouro alguma atitude traiçoeira que parte de pessoa até então merecedora de plena confiança; dessas que desfrutam de ampla e irrestrita intimidade.
O ódio e o rancor expõem o predomínio da ausência de grandeza na alma do ofendido. Quem consegue exercitar e aplicar o perdão certamente se posiciona acima dos insultos que se lhe podem dirigir. É óbvia a existência daquele que aparenta exercer a misericórdia, mas compromete-se ainda mais diante das Leis Divinas, expondo publicamente a concessão que supõe tratar-se de um ato de “perdão”. Ostentação para si e humilhação para a outra parte. Tais situações denotam plena ausência da generosidade e indiscutível prevalência do orgulho. Na prática de qualquer ação generosa não pode haver espaço nem tempo para se calcular quais as perdas ou lucros decorrentes do ato, pois seu autor não se lembrará da ofensa, nem terá qualquer sentimento de orgulho a respeito, isto é, não exibirá o mérito de ser misericordioso.
Segundo Maktub (personagem de Paulo Coelho) o mosteiro de Sceta assistiu certa tarde, a um raríssimo fato, quando, para surpresa de todos, um monge ofendeu a outro com palavras grosseiras.
O superior do mosteiro, abade Sisois, no cumprimento de sua missão educativa, pediu humildemente ao monge ofendido que perdoasse seu agressor.
- De jeito nenhum – respondeu o monge – Ele fez, ele terá que pagar.
No mesmo instante, o abade Sisois levantou os braços para o céu e começou a orar:
“Jesus, Divino Mestre, não precisamos mais de Ti, nem das Leis de Deus.
Já somos capazes de fazer os agressores pagarem por suas ofensas. Já somos capazes de
tomar a vingança em nossas mãos, e cuidar do Bem e do Mal. Portanto, o Senhor pode
afastar-se de nós, sem problemas”
Diante da surpreendente cena, envergonhado, o monge perdoou imediatamente o seu irmão. A paz voltou ao conjunto e todos aprenderam mais uma maravilhosa lição.
Pecajo – 09.03.07
De todas as Divinas lições passadas pelo Mestre Jesus, sem dúvida, a que mais dificilmente a humanidade consegue assimilar e aplicar, se refere ao perdão.
“Reconciliai-vos o mais depressa com o vosso adversário, enquanto estais com ele no caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao ministro da justiça, e que não sejais aprisionados”
Severas dissensões e, não raro, tragédias que comprometem mais de uma geração, somente ocorrem pela incapacidade de perdoar, o que invariavelmente estabelece sentimentos de ódio e vingança. Efetivamente não é fácil, principalmente quando a ofensa tem como nascedouro alguma atitude traiçoeira que parte de pessoa até então merecedora de plena confiança; dessas que desfrutam de ampla e irrestrita intimidade.
O ódio e o rancor expõem o predomínio da ausência de grandeza na alma do ofendido. Quem consegue exercitar e aplicar o perdão certamente se posiciona acima dos insultos que se lhe podem dirigir. É óbvia a existência daquele que aparenta exercer a misericórdia, mas compromete-se ainda mais diante das Leis Divinas, expondo publicamente a concessão que supõe tratar-se de um ato de “perdão”. Ostentação para si e humilhação para a outra parte. Tais situações denotam plena ausência da generosidade e indiscutível prevalência do orgulho. Na prática de qualquer ação generosa não pode haver espaço nem tempo para se calcular quais as perdas ou lucros decorrentes do ato, pois seu autor não se lembrará da ofensa, nem terá qualquer sentimento de orgulho a respeito, isto é, não exibirá o mérito de ser misericordioso.
Segundo Maktub (personagem de Paulo Coelho) o mosteiro de Sceta assistiu certa tarde, a um raríssimo fato, quando, para surpresa de todos, um monge ofendeu a outro com palavras grosseiras.
O superior do mosteiro, abade Sisois, no cumprimento de sua missão educativa, pediu humildemente ao monge ofendido que perdoasse seu agressor.
- De jeito nenhum – respondeu o monge – Ele fez, ele terá que pagar.
No mesmo instante, o abade Sisois levantou os braços para o céu e começou a orar:
“Jesus, Divino Mestre, não precisamos mais de Ti, nem das Leis de Deus.
Já somos capazes de fazer os agressores pagarem por suas ofensas. Já somos capazes de
tomar a vingança em nossas mãos, e cuidar do Bem e do Mal. Portanto, o Senhor pode
afastar-se de nós, sem problemas”
Diante da surpreendente cena, envergonhado, o monge perdoou imediatamente o seu irmão. A paz voltou ao conjunto e todos aprenderam mais uma maravilhosa lição.
Pecajo – 09.03.07
domingo, março 04, 2007
Eu sou aquela mulher

Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou.Ensinou a amar a vida e não desistir da luta,recomeçar na derrota renunciar a palavras e pensamentos negativos.Acreditar nos valores humanos e ser otimista.
Creio na força imanente que vai gerando a família humana,numa corrente luminosa de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana,na superação dos erros e angústias do presente.Aprendi que mais vale lutar do que recolher tudo fácil.Antes acreditar do que duvidar.
Cora Coralina
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Você é rico?
Adital - Quase todo mundo gostaria de ser rico. Este sonho abastece loterias, bingos e certas igrejas que, em troca dos minguados recursos dos fiéis, prometem prosperidade na Terra e confortável eternidade no Céu. Pena que ser rico é, para muitos, uma questão de sorte, como nascer numa família abastada ou ganhar na mega-sena; para outros, uma questão de oportunidade, como os corruptos; para uns poucos, fruto de inteligência e trabalho, como é o caso de Bill Gates, que largou a faculdade para distrair-se com informática na garagem de casa e teve seu pedido de cartão de crédito recusado pela American Express por falta de renda suficiente. Calcula-se que a fortuna da espécie humana, somados rendas e patrimônios, atinja, hoje, algo em torno de US$ 133,25 trilhões de dólares. Mais da metade está em mãos de apenas 2% da população mundial, ou seja, 13 milhões de pessoas, a população da capital paulista. Na outra ponta, metade das pessoas mais pobres, que somam cerca de 4 bilhões, dispõem de apenas 1% da riqueza do mundo, o equivalente a US$ 133,5 milhões. Os dados são do Instituto Mundial de Pesquisa Econômica do Desenvolvimento, vinculado à Universidade da ONU, que funciona na Finlândia. Se você possui patrimônio superior a R$ 135 mil, saiba que faz parte do seleto clube dos 10% mais ricos da população mundial. Dá para chamar Bill Gates de colega, embora o patrimônio dele seja equivalente ao que o Brasil possui de reserva cambial: US$ 80 bilhões. Gates, contudo, integra também um outro clube, fechadíssimo, o que reúne 1% de adultos (37 milhões de pessoas) com patrimônio superior a US$ 500 mil. Se seu patrimônio é de R$ 4,8 mil, considere-se felizardo, pois você faz parte da metade superior da escala mundial de riqueza. A riqueza mundial está de tal modo concentrada em tão poucas mãos que, se fosse equitativamente distribuída, cada habitante do planeta embolsaria US$ 20,5 mil, ou seja, algo em torno de R$ 45 mil. Quase 90% da fortuna mundial pertencem aos habitantes dos EUA, do Canadá, da Europa, do Japão e da Austrália. Apesar de os EUA e o Canadá abrigarem apenas 6% da população adulta do mundo, ela embolsa 34% do patrimônio domiciliar total. Quase 1/3 (32,6%) da riqueza dos 10% mais ricos do mundo concentra-se nos EUA. Não é à toa que tantos miram aquele país como as caravanas do deserto enxergam oásis em cada duna de areia... E o Brasil? Possui apenas 1,3% da riqueza mundial, embora reúna 2,8% da população da Terra. Aqui, os 10% mais ricos têm patrimônio equivalente a 1,5% do patrimônio dos 10% mais ricos do mundo. Se a comparação é feita com os 10% mais pobres do mundo, nosso país fica com 1,9% do patrimônio. A China não figura entre os mais ricos porque o patrimônio médio de sua população é modesto e a distribuição de renda equilibrada, segundo os padrões internacionais. Quando um país enriquece, modifica-se a maneira de sua população reter patrimônio. Nas nações emergentes, como a nosso, os ricos o preferem na forma de imóveis, terrenos e terras (haja latifúndio!). Nas de renda média, predominam a poupança e aplicações financeiras. Nos mais ricos, como EUA e Reino Unido, as fortunas são multiplicadas através de ações e aplicações financeiras sofisticadas, mantém-se o dinheiro em paraísos fiscais ou investe-se em países pobres, ansiosos por atrair capital estrangeiro. Contudo, uma boa notícia para os mais pobres: sua população é menos endividada, não por precaução das pessoas, e sim porque as instituições financeiras não costumam oferecer crédito a quem não tem renda nem patrimônio. A pesquisa da ONU demonstra que estamos longe da justiça global. O egoísmo (eu primeiro, depois eu e, em seguida, os demais) encontrou no capitalismo sua fértil e expansiva cultura. O que é um mal passou a ser um direito: o de acumular riqueza em detrimento da pobreza alheia. Até quando os pobres suportarão tamanha injustiça? Na América Latina a resposta começa a ser esboçada: com 40% de sua população condenada à pobreza e à miséria, os eleitores manifestaram nas urnas, este ano, que preferem presidentes eleitoralmente comprometidos com mudanças sociais. Resta saber se administrativamente haverão de corresponder às expectativas ou preferirão chocar o ovo da serpente.
Frei Betto é escritor, autor de "Treze contos diabólicos e um angélico" (Planeta), entre outros livros.
* Frei dominicano. Escritor.
Frei Betto é escritor, autor de "Treze contos diabólicos e um angélico" (Planeta), entre outros livros.
* Frei dominicano. Escritor.
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Conto de fadas para as mulheres do século 21

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse:- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa málançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre. Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: Nem morta!
Luís Fernando Veríssimo
domingo, fevereiro 18, 2007
Arte de amar - Manoel Bandeira
Dom Erwin - O profeta do Xingu
Quarenta e um anos e Altamira, no Pará dão-lhe a autoridade para falar em defesa dos povos e da natureza da Amazônia como poucos brasileiros poderiam. Mas é austríaco (naturalizado brasileiro) e veio para o nosso país com 26 anos, para trabalhar na prelazia do Xingu (a maior diocese do mundo: 368 mil quilômetros quadrados), presidida, na época, por seu tio dom Eurico, ao qual sucedeu em 1981. Estamos falando de dom Erwin Kräutler, uma das figuras mais significativas da Igreja amazonense.
Ultimamente, seu nome tem a parecido na mídia, devido às ameaças de que está sendo objeto em reação às suas fortes e documentadas denúncias contra as violações dos direitos humanos e do ambiente. Mas estas não sãos novidades: em 1983, foi preso por defender os canavieiros da Transamazônica; em 1987, sofreu um acidente de carro, claramente intencional, no qual outro padre morreu e ele ficou hospitalizado por seis meses.
Como ele mesmo declarou, em um documento de 18 de julho de 2006, as causas principais do ódio de seus inimigos são principalmente três:
1) A exigência de se esclarecer completamente o assassinato de Irmã Dorothy Stang: “Não nos contentamos como a prisão dos executores e de três acusados de serem os mandantes [...] Os culpados não são a penas os que estão presos, condenados e aguardando julgamento. Há muito mais gente envolvida nesse crime, inclusive políticos que hoje, como prefeitos e vereadores, exercem seus mandatos sem serem importunados.”.
2) A oposição à realização do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, que afetaria a vida de índios e ribeirinhos e a sobrevivência do rio Xingu. Escreve dom Erwin: “Os idealizadores e promotores deste tipo de projeto estariam bem mais à vontade se, em pleno terceiro milênio, esses índios “da era da pedra lascada” e esses ribeirinhos “atrasados e obsoletos” desaparecessem de uma vez por todas”.
3) O abuso sexual de menores. Entre 1989 e 1994, dom Erwin acompanhou a apuração de um terrível crime de emasculação de 20 meninos. Dois médicos, o filho de um comerciante e um ex-PM foram condenados de 35 a 77 anos de reclusão. Atualmente já estão soltos. Agora, diante de outra denúncia de abuso sexual contra menores, o bispo reagiu “sejam quais forem os criminosos e tenham eles acentuado poder político fi nanceiro, exigimos das autoridades judiciárias que tomem, com máxima urgência, as medidas necessárias para elucidar esses crimes contra a dignidade humana, identificar e prender todos os criminosos para livrar a sociedade altamirense desses monstros”. Como se vê, dom Erwin não é adepto da “diplomacia”, que esconde ou escamoteia a verdade; sua linguagem é “sim, sim, não”, por isso, muitos homens poderosos, atingidos pelas suas denúncias, não estão encontrando palavra para se defender a não ser a ameaça, e ameaça de morte. Numa entrevista a Isto é de 20 de setembro de 2006, à pergunta se ele não tinha medo, o bispo respondeu: “Medo não é a palavra correta. Digamos que a gente não se sente bem nesse contexto. Recebi proteção pessoal durante algumas semanas, mais isso, na minha função de bispo, é impensável; o pessoal está acostumado e receber o bispo, com alegria, com abraços e beijos. Se de repente, eu chego numa comunidade com dois soldados? Isso é absurdo! Não tem jeito, eu tenho que enfrentar a situação. Tenho fé em Deus;”
Este é o fiel retrato de dom Erwin.
Texto retirado da revista Mundo e Missão de janeiro e fevereiro 2007-02-17
Ano 14 – N 109
Ultimamente, seu nome tem a parecido na mídia, devido às ameaças de que está sendo objeto em reação às suas fortes e documentadas denúncias contra as violações dos direitos humanos e do ambiente. Mas estas não sãos novidades: em 1983, foi preso por defender os canavieiros da Transamazônica; em 1987, sofreu um acidente de carro, claramente intencional, no qual outro padre morreu e ele ficou hospitalizado por seis meses.
Como ele mesmo declarou, em um documento de 18 de julho de 2006, as causas principais do ódio de seus inimigos são principalmente três:
1) A exigência de se esclarecer completamente o assassinato de Irmã Dorothy Stang: “Não nos contentamos como a prisão dos executores e de três acusados de serem os mandantes [...] Os culpados não são a penas os que estão presos, condenados e aguardando julgamento. Há muito mais gente envolvida nesse crime, inclusive políticos que hoje, como prefeitos e vereadores, exercem seus mandatos sem serem importunados.”.
2) A oposição à realização do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, que afetaria a vida de índios e ribeirinhos e a sobrevivência do rio Xingu. Escreve dom Erwin: “Os idealizadores e promotores deste tipo de projeto estariam bem mais à vontade se, em pleno terceiro milênio, esses índios “da era da pedra lascada” e esses ribeirinhos “atrasados e obsoletos” desaparecessem de uma vez por todas”.
3) O abuso sexual de menores. Entre 1989 e 1994, dom Erwin acompanhou a apuração de um terrível crime de emasculação de 20 meninos. Dois médicos, o filho de um comerciante e um ex-PM foram condenados de 35 a 77 anos de reclusão. Atualmente já estão soltos. Agora, diante de outra denúncia de abuso sexual contra menores, o bispo reagiu “sejam quais forem os criminosos e tenham eles acentuado poder político fi nanceiro, exigimos das autoridades judiciárias que tomem, com máxima urgência, as medidas necessárias para elucidar esses crimes contra a dignidade humana, identificar e prender todos os criminosos para livrar a sociedade altamirense desses monstros”. Como se vê, dom Erwin não é adepto da “diplomacia”, que esconde ou escamoteia a verdade; sua linguagem é “sim, sim, não”, por isso, muitos homens poderosos, atingidos pelas suas denúncias, não estão encontrando palavra para se defender a não ser a ameaça, e ameaça de morte. Numa entrevista a Isto é de 20 de setembro de 2006, à pergunta se ele não tinha medo, o bispo respondeu: “Medo não é a palavra correta. Digamos que a gente não se sente bem nesse contexto. Recebi proteção pessoal durante algumas semanas, mais isso, na minha função de bispo, é impensável; o pessoal está acostumado e receber o bispo, com alegria, com abraços e beijos. Se de repente, eu chego numa comunidade com dois soldados? Isso é absurdo! Não tem jeito, eu tenho que enfrentar a situação. Tenho fé em Deus;”
Este é o fiel retrato de dom Erwin.
Texto retirado da revista Mundo e Missão de janeiro e fevereiro 2007-02-17
Ano 14 – N 109
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Não furtes - Pecajo
R E F L E X Ã O – 375
Há roubos de variada natureza, jamais catalogados nos códigos de justiça daTerra.
Furto de tempo aos que trabalham.
Assaltos à tranqüilidade do próximo.
Depredações da confiança alheia
Invasões aos interesses dos outros.
Apropriações indébitas, através do pensamento
Espoliações da alegria e da esperança
Com chaves falsas da intriga e da calúnia, da crueldade e da má-fé, almas impiedosas existem, penetrando sutilmente nos corações desprevenidos, dilapidando-os em seus mais valiosos patrimônios espirituais...
Por esse motivo, a palavra do apóstolo Paulo se reveste de sublime e abrangente significação: “Aquele que furtava não furte mais”
As pessoas que aceitam os princípios cristãos, que dizem abraçar o Evangelho por norma de elevação da vida, devem procurar, acima de tudo, ocupar as mãos com atividades edificantes, a fim de que possam ser realmente úteis aos que necessitam.
Na preguiça está sediada a gerência do mal.
Quem alguma coisa faz, sempre tem algo a repartir.
Quem busca cumprir dignamente suas obrigações de cada dia para se fazer merecedor do posto que ocupa, atendendo especialmente aos deveres diante do Senhor, atravessa o caminho terrestre sem furtar a ninguém.
Há quem consiga furtar a si próprio, isto é, furta o próprio sentido da vida, perambulando pelas sombras da morte sem morrer. Trânsfugas da evolução, cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum. Privam-se voluntariamente da alegria que produz o amor ao próximo
Mergulham em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e ilusão. Se vitimados pela tentação da riqueza moram em túmulos de cifrões, se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades de sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais.
Quem não quiser furtar a utilidade da própria vida deve participar do cotidiano coletivo, sair de si mesmo e buscar sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias do irmão; não se galvanizar no próprio “eu”.
Em qualquer parte do universo somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências. Temos que ceder em favor de outros, porque sempre há muitos que fazem por nós.
Fonte – Chico Xavier
Há roubos de variada natureza, jamais catalogados nos códigos de justiça daTerra.
Furto de tempo aos que trabalham.
Assaltos à tranqüilidade do próximo.
Depredações da confiança alheia
Invasões aos interesses dos outros.
Apropriações indébitas, através do pensamento
Espoliações da alegria e da esperança
Com chaves falsas da intriga e da calúnia, da crueldade e da má-fé, almas impiedosas existem, penetrando sutilmente nos corações desprevenidos, dilapidando-os em seus mais valiosos patrimônios espirituais...
Por esse motivo, a palavra do apóstolo Paulo se reveste de sublime e abrangente significação: “Aquele que furtava não furte mais”
As pessoas que aceitam os princípios cristãos, que dizem abraçar o Evangelho por norma de elevação da vida, devem procurar, acima de tudo, ocupar as mãos com atividades edificantes, a fim de que possam ser realmente úteis aos que necessitam.
Na preguiça está sediada a gerência do mal.
Quem alguma coisa faz, sempre tem algo a repartir.
Quem busca cumprir dignamente suas obrigações de cada dia para se fazer merecedor do posto que ocupa, atendendo especialmente aos deveres diante do Senhor, atravessa o caminho terrestre sem furtar a ninguém.
Há quem consiga furtar a si próprio, isto é, furta o próprio sentido da vida, perambulando pelas sombras da morte sem morrer. Trânsfugas da evolução, cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum. Privam-se voluntariamente da alegria que produz o amor ao próximo
Mergulham em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e ilusão. Se vitimados pela tentação da riqueza moram em túmulos de cifrões, se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades de sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais.
Quem não quiser furtar a utilidade da própria vida deve participar do cotidiano coletivo, sair de si mesmo e buscar sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias do irmão; não se galvanizar no próprio “eu”.
Em qualquer parte do universo somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências. Temos que ceder em favor de outros, porque sempre há muitos que fazem por nós.
Fonte – Chico Xavier
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Em tempo
EM TEMPO
Rápida reflexão a cerca do problema da menoridade e maioridade
Outra vez a sociedade brasileira é acometida por um acontecimento que a deixa estarrecida e sensibilizada. Estou me referindo, sobretudo ao ocorrido no Rio de Janeiro, quando alguns rapazes, ao efetuarem um assalto, acontece, infelizmente, de arrastarem uma criança que ficou presa ao cinto de segurança. Diante dos fatos, parte da sociedade se mobiliza com manifestações de protestos, diante de instituições políticas. Usando do meio de comunicação e outros, no intuito de chamar a atenção de autoridades competentes para os fatos e assim pressionar que se reveja à questão da idade penal, que hoje estabelece a idade de 18 anos como referência mínima. É isso que eu estou entendendo. Que pena mesmo que as reflexões a cerca desse assunto se intensifica justamente ao calor de acontecimentos bárbaros, como os que vêem acontecendo no Rio de Janeiros! Entendo que é preciso ser sereno e profundo, para não incorrer num erro de avaliação e talvez ai cometer injustiça. Além de perder tempo com mediocridades.
Sabe, penso que a reflexão deve ser aprofundada, atingindo todos os seguimentos da sociedade brasileira. O interesse coletivo não deve ser confundido com interesses particulares. É preciso ainda observar e analisar todas as realidades envolvidas sem sensacionalismo, sem mágoa e mantendo imparcialidade.
Veja os fatos: dos que assassinaram aquele garoto depois que o arrastaram, um só tem menos de 18 anos. Por que esse alvoroço agora? E mais, os maiores criminosos do nosso país e por que não dizer do mundo, realmente não são os menores de idade. Em alguns lugares, como em alguns Estados dos EUA o fato de terem abaixado a idade penal não resolveu o problemas da violência. Então não tem sentido essa discussão. No mais, entendo que esse problema deve nos levar a refletir mais na raiz da questão!
Aqui no Brasil, o que mais nos assusta é a impunidade, o sentimento de impotência em relação à justiça que não poucas vezes é morosa, parcial e às vezes corrupta e incompetente. A justiça é cega! A balança pende sempre onde se coloca mais dinheiro. Como dizem “a justiça tem o seu preço”. Disso todos nós sabemos, até as crianças.
Então não entendo por que fazer um cavalo de batalha com essa questão agora! Sabemos que é de praxe de alguns meios de comunicação fazerem terrorismo dando cobertura aos fatos num tom exacerbado de sensacionalismo. Então esses não devem ser a referência para uma discussão equilibrada e serena.
É preciso considerar que há centenas e milhares de crianças que estão abandonadas, que vivem nas ruas perambulando, outras que morrem vítima da desnutrição, do mau atendimento médico. Veja o caso os Curumins (primeiros donos destas terras) no Mato Grosso do sul e no Tocantins! Se não cuidados bem dos nossos meninos por que agora queremos dar a eles um tratamento igual aos grandes? Por que ele ainda devem pagar por erros cometidos por gente adulta?
É oportuna a gente lembrar de criminosos como, um tal jornalista que disparou contra a sua ex-namorada e continua ai vivendo livremente, ainda que já condenado pela justiça, (“justiça”?) Não é menor de idade. Do ex-juíz Nicolau que desviou “desviou”? (será que não roubou?) mais de 140 milhões e ale de não ter ressarcido a união, continua livre. Coitado, está doente demais pra se preso na cadeia. Então está em sua “casinha”, uma mansão num bairro nobre de São Paulo. Nota: Não é menor de idade. Ainda me lembro de como ele debochava de todos os brasileiros mostrando uma de suas casas nos EUA. (detalhe: até as torneiras eram folhadas a ouro) Quer mais: é um tal político bem conhecido nosso que é liso como “porco ensebado” e escapa sempre! Não conseguem prender o homem. (será por quê?) Agora ficou ainda mais difícil já que a elite paulista o elegeu deputado usando o antigo bordão “rouba mais faz”. Esse também não é menor de idade!
Conclusão: a questão da maioridade ou menoridade é séria. Não pode ser confundido com mediocridade. Não devíamos colocar em discussão nessa situação. Mais o Brasil tem fama de agir assim e isso é realmente uma pena. Corre-se o risco, de tampar o sol como a peneira, como já ocorreu outras vezes. Além do mais por que penalizar uma parte da sociedade, que por si só já vem sendo penalizada ao longo dos anos. A “corda só arrebenta do lado mais fraco”,
Pe. Carlos Ferreira da Silva, CSs
Missionário no Tocantins.
Rápida reflexão a cerca do problema da menoridade e maioridade
Outra vez a sociedade brasileira é acometida por um acontecimento que a deixa estarrecida e sensibilizada. Estou me referindo, sobretudo ao ocorrido no Rio de Janeiro, quando alguns rapazes, ao efetuarem um assalto, acontece, infelizmente, de arrastarem uma criança que ficou presa ao cinto de segurança. Diante dos fatos, parte da sociedade se mobiliza com manifestações de protestos, diante de instituições políticas. Usando do meio de comunicação e outros, no intuito de chamar a atenção de autoridades competentes para os fatos e assim pressionar que se reveja à questão da idade penal, que hoje estabelece a idade de 18 anos como referência mínima. É isso que eu estou entendendo. Que pena mesmo que as reflexões a cerca desse assunto se intensifica justamente ao calor de acontecimentos bárbaros, como os que vêem acontecendo no Rio de Janeiros! Entendo que é preciso ser sereno e profundo, para não incorrer num erro de avaliação e talvez ai cometer injustiça. Além de perder tempo com mediocridades.
Sabe, penso que a reflexão deve ser aprofundada, atingindo todos os seguimentos da sociedade brasileira. O interesse coletivo não deve ser confundido com interesses particulares. É preciso ainda observar e analisar todas as realidades envolvidas sem sensacionalismo, sem mágoa e mantendo imparcialidade.
Veja os fatos: dos que assassinaram aquele garoto depois que o arrastaram, um só tem menos de 18 anos. Por que esse alvoroço agora? E mais, os maiores criminosos do nosso país e por que não dizer do mundo, realmente não são os menores de idade. Em alguns lugares, como em alguns Estados dos EUA o fato de terem abaixado a idade penal não resolveu o problemas da violência. Então não tem sentido essa discussão. No mais, entendo que esse problema deve nos levar a refletir mais na raiz da questão!
Aqui no Brasil, o que mais nos assusta é a impunidade, o sentimento de impotência em relação à justiça que não poucas vezes é morosa, parcial e às vezes corrupta e incompetente. A justiça é cega! A balança pende sempre onde se coloca mais dinheiro. Como dizem “a justiça tem o seu preço”. Disso todos nós sabemos, até as crianças.
Então não entendo por que fazer um cavalo de batalha com essa questão agora! Sabemos que é de praxe de alguns meios de comunicação fazerem terrorismo dando cobertura aos fatos num tom exacerbado de sensacionalismo. Então esses não devem ser a referência para uma discussão equilibrada e serena.
É preciso considerar que há centenas e milhares de crianças que estão abandonadas, que vivem nas ruas perambulando, outras que morrem vítima da desnutrição, do mau atendimento médico. Veja o caso os Curumins (primeiros donos destas terras) no Mato Grosso do sul e no Tocantins! Se não cuidados bem dos nossos meninos por que agora queremos dar a eles um tratamento igual aos grandes? Por que ele ainda devem pagar por erros cometidos por gente adulta?
É oportuna a gente lembrar de criminosos como, um tal jornalista que disparou contra a sua ex-namorada e continua ai vivendo livremente, ainda que já condenado pela justiça, (“justiça”?) Não é menor de idade. Do ex-juíz Nicolau que desviou “desviou”? (será que não roubou?) mais de 140 milhões e ale de não ter ressarcido a união, continua livre. Coitado, está doente demais pra se preso na cadeia. Então está em sua “casinha”, uma mansão num bairro nobre de São Paulo. Nota: Não é menor de idade. Ainda me lembro de como ele debochava de todos os brasileiros mostrando uma de suas casas nos EUA. (detalhe: até as torneiras eram folhadas a ouro) Quer mais: é um tal político bem conhecido nosso que é liso como “porco ensebado” e escapa sempre! Não conseguem prender o homem. (será por quê?) Agora ficou ainda mais difícil já que a elite paulista o elegeu deputado usando o antigo bordão “rouba mais faz”. Esse também não é menor de idade!
Conclusão: a questão da maioridade ou menoridade é séria. Não pode ser confundido com mediocridade. Não devíamos colocar em discussão nessa situação. Mais o Brasil tem fama de agir assim e isso é realmente uma pena. Corre-se o risco, de tampar o sol como a peneira, como já ocorreu outras vezes. Além do mais por que penalizar uma parte da sociedade, que por si só já vem sendo penalizada ao longo dos anos. A “corda só arrebenta do lado mais fraco”,
Pe. Carlos Ferreira da Silva, CSs
Missionário no Tocantins.
A solidão
Alguma vez você já se sentiu só? Você já procurou entrar fundo nesse sentimento de solidão para perceber o que acontece?
No vocabulário de língua portuguesa a palavra "solidão" significa: estado de quem se sente ou está só.
A solidão é um estado interno, a princípio um sentimento de que algo ou alguém está faltando. Uma sensação de separatividade e desconexão com algo ainda inconsciente, sendo que numa visão espiritualista é a separação de Deus, Eu Superior, Self, Vida ou o Todo.
Atualmente, existem em algumas cidades muitas pessoas que já moram só e que apresentam um a vida bastante independente. Não podemos dizer que são pessoas solitárias, desde que elas se sintam em paz com essa situação. Entretanto, o que se mostra é que o sentimento de solidão pode estar presente em qualquer lugar ou situação. A pessoa pode sentir solidão durante uma festa com os amigos, no trabalho e até mesmo dentro de casa com a própria família.
Cada ser humano vem sozinho ao mundo, atravessa pela vida como uma pessoa separada e morre finalmente sozinho. As fases de passagem pela vida física e para além dela trazem muitas experiências, onde tudo é passageiro e impermanente. As situações, os encontros e os fatos da vida surgem, permanecem por algum tempo e se vão.
Portanto, procure refletir quando estiver sentido solidão. Com o que você ainda está resistindo no seu momento atual? Existe algo que precisa partir e você ainda não percebeu ou não aceitou essa possibilidade?
A idéia da separação e do estar só é apenas uma ilusão, pois nada se vai totalmente e nada está separado. Ficará sempre a lembrança no qual contém toda a experiência e vivência ocorrida o que é muito rico.
Perceber que você está se sentindo só é muito importante para o seu crescimento. Utilize desse sentimento como uma alavanca para assumir plenamente a sua vida, para agir a partir de si, fortalecer a sua base e seguir em frente, manifestando a sua própria força dentro dos seus objetivos.
Tenha a sua própria companhia, dê atenção, escute, e acolha aquilo que você é e manifesta. Seja o seu melhor amigo. A partir de então, você perceberá que a solidão deixará de existir naturalmente.
Autora: Elaine Lilli Fong
Instituto União
http://www.institutouniao.com.br
No vocabulário de língua portuguesa a palavra "solidão" significa: estado de quem se sente ou está só.
A solidão é um estado interno, a princípio um sentimento de que algo ou alguém está faltando. Uma sensação de separatividade e desconexão com algo ainda inconsciente, sendo que numa visão espiritualista é a separação de Deus, Eu Superior, Self, Vida ou o Todo.
Atualmente, existem em algumas cidades muitas pessoas que já moram só e que apresentam um a vida bastante independente. Não podemos dizer que são pessoas solitárias, desde que elas se sintam em paz com essa situação. Entretanto, o que se mostra é que o sentimento de solidão pode estar presente em qualquer lugar ou situação. A pessoa pode sentir solidão durante uma festa com os amigos, no trabalho e até mesmo dentro de casa com a própria família.
Cada ser humano vem sozinho ao mundo, atravessa pela vida como uma pessoa separada e morre finalmente sozinho. As fases de passagem pela vida física e para além dela trazem muitas experiências, onde tudo é passageiro e impermanente. As situações, os encontros e os fatos da vida surgem, permanecem por algum tempo e se vão.
Portanto, procure refletir quando estiver sentido solidão. Com o que você ainda está resistindo no seu momento atual? Existe algo que precisa partir e você ainda não percebeu ou não aceitou essa possibilidade?
A idéia da separação e do estar só é apenas uma ilusão, pois nada se vai totalmente e nada está separado. Ficará sempre a lembrança no qual contém toda a experiência e vivência ocorrida o que é muito rico.
Perceber que você está se sentindo só é muito importante para o seu crescimento. Utilize desse sentimento como uma alavanca para assumir plenamente a sua vida, para agir a partir de si, fortalecer a sua base e seguir em frente, manifestando a sua própria força dentro dos seus objetivos.
Tenha a sua própria companhia, dê atenção, escute, e acolha aquilo que você é e manifesta. Seja o seu melhor amigo. A partir de então, você perceberá que a solidão deixará de existir naturalmente.
Autora: Elaine Lilli Fong
Instituto União
http://www.institutouniao.com.br
terça-feira, fevereiro 06, 2007
O filósofo e o missivista
Pensadores nos ensinam a acertar a mão em cartas e e-mails
por OSCAR PILAGALLO
Caro leitor, se você algum dia hesitou em relação ao tom que deveria adotar num e-mail, leia esta carta. Você verá que não estava sozinho naquele momento de dúvida. Um recadinho de bate-pronto por e-mail todos damos conta várias vezes por dia, mas quando o assunto exige alguma elaboração muitos de nós nos perdemos. O que fazer?Não é uma questão menor. Pelo menos, vários pensadores e filósofos gastaram tinta e tutano refletindo sobre "a arte de escrever cartas". O que vai entre aspas é o nome de livrinho de Emerson Tin que a Unicamp está lançando. "Livrinho" é elogio. Com menos de 200 páginas, o autor mostra que aprendeu com os mestres citados no livro que um dos segredos da boa carta (e de resto de qualquer discurso) é a concisão, a brevidade.Tin não cita Gustave Flaubert. O autor francês que passou a vida atrás da palavra exata está fora do escopo dele. Mas, a propósito de cartas, lembrei de Flaubert que certa vez se desculpou com um amigo por ter lhe enviado uma longa carta. "Não tive tempo de escrever uma curta", anotou no PS. Faz sentido.O livro de Tin é erudito, puxa um fio histórico que tem origem na Antigüidade. É interessante por demonstrar que a nossa dificuldade em mandar um e-mail bacana hoje tem equivalente nos tempos dos pergaminhos e afins. Apesar do título, o livro não é um manual. Isso não impede que se possa dele extrair uma lista do que se deve (e não se deve) fazer ao escrever uma carta.Para começar, a carta deve ser simples. Demétrio, no século quarto antes de Cristo, já sugeria um estilo pedestre, "de maneira que mais se aproxime de uma conversa entre amigos do que da demonstração pública de um orador".Sêneca concordava, com uma qualificação. Dizia que o tom deve ser coloquial, mas advertia contra o completo despojamento do estilo epistolar. A questão do tom adequado é central. Erasmo de Rotterdam, no século XVI, abordou o tema exortando o missivista a fugir do que ele chamava de "grandiloqüência trágica". Chega a aconselhar o uso de um truque: construir um estilo tão simples que chegue a ser descuidado, mas no sentido de um descuido estudado. "Uma carta deve parecer não trabalhada e espontânea: aqueles que ansiosamente procuram palavras obsoletas ou incomuns revelam ser bárbaros."A graça é um ingrediente que não pode faltar para acrescer leveza ao texto. Gregório Nazianzeno a receitava no século IV. O problema é acertar a mão com os artifícios. Para Gregório, eles devem ser usados do mesmo modo que os fios de púrpura nos mantos, ou seja, com parcimônia.Talvez o melhor conselho seja o de Caio Júlio Victor, um dos primeiros a tratar de cartas em latim. O capítulo que fala dos destinatários é tão atual que você pode imprimir o trecho e colar na moldura do computador. Diz ele: "Uma carta escrita a um superior não deve ser jocosa; a um igual, não deve ser descortês; a um inferior, não deve ser soberba. A carta a um culto não deve ser descuidadamente escrita, nem a carta a um inculto deve ser indiferentemente composta, nem deve ser negligentemente escrita a um amigo íntimo, nem menos cordial a um não amigo".É isso, sigo o conselho dos filósofos, e não me estendo.
Abraço do Oscar.
pilagallo@duettoeditorial.com.br
A OBRA:Título: A arte de escrever cartasAutores: Anônimo de Bolonha , Erasmo de Rotterdam e Justo Lípsio Emerson Tin (organização) Editora Unicamp
por OSCAR PILAGALLO
Caro leitor, se você algum dia hesitou em relação ao tom que deveria adotar num e-mail, leia esta carta. Você verá que não estava sozinho naquele momento de dúvida. Um recadinho de bate-pronto por e-mail todos damos conta várias vezes por dia, mas quando o assunto exige alguma elaboração muitos de nós nos perdemos. O que fazer?Não é uma questão menor. Pelo menos, vários pensadores e filósofos gastaram tinta e tutano refletindo sobre "a arte de escrever cartas". O que vai entre aspas é o nome de livrinho de Emerson Tin que a Unicamp está lançando. "Livrinho" é elogio. Com menos de 200 páginas, o autor mostra que aprendeu com os mestres citados no livro que um dos segredos da boa carta (e de resto de qualquer discurso) é a concisão, a brevidade.Tin não cita Gustave Flaubert. O autor francês que passou a vida atrás da palavra exata está fora do escopo dele. Mas, a propósito de cartas, lembrei de Flaubert que certa vez se desculpou com um amigo por ter lhe enviado uma longa carta. "Não tive tempo de escrever uma curta", anotou no PS. Faz sentido.O livro de Tin é erudito, puxa um fio histórico que tem origem na Antigüidade. É interessante por demonstrar que a nossa dificuldade em mandar um e-mail bacana hoje tem equivalente nos tempos dos pergaminhos e afins. Apesar do título, o livro não é um manual. Isso não impede que se possa dele extrair uma lista do que se deve (e não se deve) fazer ao escrever uma carta.Para começar, a carta deve ser simples. Demétrio, no século quarto antes de Cristo, já sugeria um estilo pedestre, "de maneira que mais se aproxime de uma conversa entre amigos do que da demonstração pública de um orador".Sêneca concordava, com uma qualificação. Dizia que o tom deve ser coloquial, mas advertia contra o completo despojamento do estilo epistolar. A questão do tom adequado é central. Erasmo de Rotterdam, no século XVI, abordou o tema exortando o missivista a fugir do que ele chamava de "grandiloqüência trágica". Chega a aconselhar o uso de um truque: construir um estilo tão simples que chegue a ser descuidado, mas no sentido de um descuido estudado. "Uma carta deve parecer não trabalhada e espontânea: aqueles que ansiosamente procuram palavras obsoletas ou incomuns revelam ser bárbaros."A graça é um ingrediente que não pode faltar para acrescer leveza ao texto. Gregório Nazianzeno a receitava no século IV. O problema é acertar a mão com os artifícios. Para Gregório, eles devem ser usados do mesmo modo que os fios de púrpura nos mantos, ou seja, com parcimônia.Talvez o melhor conselho seja o de Caio Júlio Victor, um dos primeiros a tratar de cartas em latim. O capítulo que fala dos destinatários é tão atual que você pode imprimir o trecho e colar na moldura do computador. Diz ele: "Uma carta escrita a um superior não deve ser jocosa; a um igual, não deve ser descortês; a um inferior, não deve ser soberba. A carta a um culto não deve ser descuidadamente escrita, nem a carta a um inculto deve ser indiferentemente composta, nem deve ser negligentemente escrita a um amigo íntimo, nem menos cordial a um não amigo".É isso, sigo o conselho dos filósofos, e não me estendo.
Abraço do Oscar.
pilagallo@duettoeditorial.com.br
A OBRA:Título: A arte de escrever cartasAutores: Anônimo de Bolonha , Erasmo de Rotterdam e Justo Lípsio Emerson Tin (organização) Editora Unicamp
terça-feira, janeiro 30, 2007
A Amazônia perto do fim - Roberto Porto
A AMAZÔNIA PERTO DO FIM
O Brasil é um país em que as pessoas estão queimando as árvores. Antônio Carlos Jobim (1927-1994)
Os habituais leitores do Direto da Redação devem imaginar o que ocorreu com a gigantesca Terra de Vera Cruz logo após Pedro Álvares Cabral (1467-1562) nela ter desembarcado a 22 de abril de 1500. É verdade que hoje está mais do que provado que o genovês Américo Vespúcio (1454-1512) e o espanhol Vicente Yanéz Pinzón (1460-1508) passearam por ela pouco antes de Cabral, todos tentando tirar o maior proveito possível do famoso Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494. Mas a história pouco mudou. As primeiras vítimas foram os índios – mortos ou aprisionados pelas tripulações e levados para Portugal e Espanha como curiosas e estrambóticas figuras humanas – e das índias, quase sempre nuas, violentadas e estupradas. Logo depois, os portugueses encarregados da colonização decidiram atacar as árvores. Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (secretaria criada em 1990), a Terra de Vera Cruz, logo depois chamada de Brasil, era riquíssima em madeiras nobres, como o Pau Brasil (hoje em extinção), Mogno, Cedro, Imbuia, Cerejeira, Ipê, Jatobá, Sucupira, Jacarandá e Pau-Ferro, entre outras. Mas a primeira vítima foi o Pau Brasil. De acordo com Edgardo Otero, que lançou, em 2006, pela Panda Books, o livro 'A Origem dos Nomes dos Países', a Ibira-Pitanga (nome que os tupi-guaranis davam ao Pau Brasil), chegava a atingir 30 metros de altura e seu tronco poderia chegar a um metro de diâmetro. Pois bem: nos primeiros 375 anos de colonização, de 1500 até 1875, os portuguêses cortaram 70 milhões de árvores, num total de 15 mil 555 por mês ou 518 por dia. Hoje o panorama pouco ou nada mudou. As madeireiras atacam indiscrimidamente as florestas brasileiras com o objetivo de atender à demanda da construção civil e das fábricas de móveis finos – Mogno e Jacarandá, por exemplo – sem que os poucos fiscais do Ibama possam controlar o tráfego de caminhões repletos de gigantescas toras que rodam pelas estradas do país. Nos últimos tempos – os anúncios invadiram a Internet – surgiram construtoras vendendo casas de madeira, pintadas ou envernizadas, principalmente para São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Mas não são casas populares – longe disso. São verdadeiros palacetes, que alardeiam a vantagem da madeira sobre o tijolo, principalmente porque podem ser desmontadas e transportadas. E é bom não esquecer as enormes queimadas provocadas por fazendeiros, que precisam de espaço para o pasto do gado ou para plantações – e dos disfarçados fornos de carvão vegetal, que têm compradores certos: a classe baixa, sem recursos para comprar o carvão mineral. E para terminar os focos de riquezas mineirais – pedras preciosas e metais – estão cada vez mais presentes escondidos nas matas que já foram vírgens. E bota tempo nisso. Em poucas e resumidas palavras, as florestas brasileiras vão chegar ao fim, em menos de 70 anos, ajudando em muito o já acelerado aquecimento global. Coitados de nossos descendentes...
O Brasil é um país em que as pessoas estão queimando as árvores. Antônio Carlos Jobim (1927-1994)
Os habituais leitores do Direto da Redação devem imaginar o que ocorreu com a gigantesca Terra de Vera Cruz logo após Pedro Álvares Cabral (1467-1562) nela ter desembarcado a 22 de abril de 1500. É verdade que hoje está mais do que provado que o genovês Américo Vespúcio (1454-1512) e o espanhol Vicente Yanéz Pinzón (1460-1508) passearam por ela pouco antes de Cabral, todos tentando tirar o maior proveito possível do famoso Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494. Mas a história pouco mudou. As primeiras vítimas foram os índios – mortos ou aprisionados pelas tripulações e levados para Portugal e Espanha como curiosas e estrambóticas figuras humanas – e das índias, quase sempre nuas, violentadas e estupradas. Logo depois, os portugueses encarregados da colonização decidiram atacar as árvores. Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (secretaria criada em 1990), a Terra de Vera Cruz, logo depois chamada de Brasil, era riquíssima em madeiras nobres, como o Pau Brasil (hoje em extinção), Mogno, Cedro, Imbuia, Cerejeira, Ipê, Jatobá, Sucupira, Jacarandá e Pau-Ferro, entre outras. Mas a primeira vítima foi o Pau Brasil. De acordo com Edgardo Otero, que lançou, em 2006, pela Panda Books, o livro 'A Origem dos Nomes dos Países', a Ibira-Pitanga (nome que os tupi-guaranis davam ao Pau Brasil), chegava a atingir 30 metros de altura e seu tronco poderia chegar a um metro de diâmetro. Pois bem: nos primeiros 375 anos de colonização, de 1500 até 1875, os portuguêses cortaram 70 milhões de árvores, num total de 15 mil 555 por mês ou 518 por dia. Hoje o panorama pouco ou nada mudou. As madeireiras atacam indiscrimidamente as florestas brasileiras com o objetivo de atender à demanda da construção civil e das fábricas de móveis finos – Mogno e Jacarandá, por exemplo – sem que os poucos fiscais do Ibama possam controlar o tráfego de caminhões repletos de gigantescas toras que rodam pelas estradas do país. Nos últimos tempos – os anúncios invadiram a Internet – surgiram construtoras vendendo casas de madeira, pintadas ou envernizadas, principalmente para São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Mas não são casas populares – longe disso. São verdadeiros palacetes, que alardeiam a vantagem da madeira sobre o tijolo, principalmente porque podem ser desmontadas e transportadas. E é bom não esquecer as enormes queimadas provocadas por fazendeiros, que precisam de espaço para o pasto do gado ou para plantações – e dos disfarçados fornos de carvão vegetal, que têm compradores certos: a classe baixa, sem recursos para comprar o carvão mineral. E para terminar os focos de riquezas mineirais – pedras preciosas e metais – estão cada vez mais presentes escondidos nas matas que já foram vírgens. E bota tempo nisso. Em poucas e resumidas palavras, as florestas brasileiras vão chegar ao fim, em menos de 70 anos, ajudando em muito o já acelerado aquecimento global. Coitados de nossos descendentes...
O duque e o ladrão de galinha
O duque e o ladrão de galinha
Frei Betto *
Adital - O Duque de Charolais (1700-1760), nobre francês, ao retornar da caçada viu um homem que, de sua casa, observava o movimento da rua. Talvez porque naquele dia os animais lhe tenham enganado a pontaria, Charolais comentou com o cocheiro: "Vejamos se atiro bem naquele corpo!" Apontou e matou o estranho. No dia seguinte, o assassino rogou indulgência ao Duque de Orléans. Este o advertiu: "Senhor, a indulgência que solicitais deve-se à vossa distinção e qualidade de príncipe de sangue; ela vos será concedida pelo rei (Luís XV), mas ele a concederá ainda com maior presteza àquele que fizer o mesmo a vós." A impunidade é uma prerrogativa de quem possui poder. Essa é uma regra brasileira. Aqui, os Duques de Charolais são reiteradamente indultados pelo mesmo Poder Judiciário que se mostra implacável com os pobres. Nossas leis foram feitas para atenuar os crimes dos Charolais; nosso sistema prisional, para castigar impiedosamente quem furta uma lata de margarina ou é suspeita de misturar cocaína na mamadeira do bebê, embora a acusação tenha sido desmentida pelo laudo pericial. Políticos apropriam-se de recursos públicos; deputados fartam-se de emendas parlamentares; suplentes embolsam, em menos de um mês, o equivalente a 210 salários mínimos; eleitos ensinam empresas a burlarem o fisco via triangulação no exterior. Porque investidos de mandato federal, permanecem impunes até serem julgados pelo STF - que jamais mandou um deputado federal para a cadeia. Num desprezo cínico pelos eleitores, os partidos adotam uma postura conivente com os acusados, sem expulsá-los de suas fileiras e nem mesmo impedir que fossem diplomados. O que esperar das novas gerações se um importante jornalista assume que assassinou a namorada por motivo torpe e a condenação sequer lhe restringe a liberdade? Um banqueiro dá um calote de R$ 3 bilhões em seus correntistas e a Justiça o autoriza a desfrutar de sua suntuosa mansão. Um acidente aéreo mata 154 pessoas e ninguém vai para a cadeia. Uma cratera se abre nas obras do metrô de São Paulo, engolindo várias pessoas; a barragem de uma mineração se rompe, polui rios e arrasa cidades de Minas; rodovias se esfarelam - e a culpa é das chuvas, sem que qualquer pessoa seja responsabilizada e presa! Os exemplos poderiam se multiplicar. Bem conhecem o leitor ou a leitora outros tantos casos. A Polícia Federal faz o seu trabalho de investigação e detenção, o Ministério Público age em defesa da lei, mas o Judiciário, supremo intérprete do queijo suíço de nossa legislação penal, encontra sempre os buracos pelos quais os ratos passam impunemente. Assim, o jovem se pergunta: vale a pena ser honesto? Em vez de virtude e dever, a honestidade transforma-se em vergonha e humilhação. Felizmente há no Judiciário muitos com senso de justiça. E bom humor. É o caso do juiz Ronaldo Tavani, da Comarca de Varginha (MG), que em Carmo da Cachoeira concedeu liberdade provisória a um homem preso em flagrante por furtar duas galinhas e perguntar ao delegado: "Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?" Eis a sentença do magistrado: "No dia cinco de outubro / do ano ainda fluente, / em Carmo da Cachoeira / terra de boa gente, / ocorreu um fato inédito / que me deixou descontente. O jovem Alceu da Costa, / conhecido por "Rolinha", / aproveitando a madrugada, / resolveu sair da linha, / subtraindo de outrem / duas saborosas galinhas. Apanhando um saco plástico / que ali mesmo encontrou, / o agente muito esperto/ escondeu o que furtou, / deixando o local do crime / da maneira como entrou. O senhor Gabriel Osório, / homem de muito tato, / notando que havia sido / a vítima do grave ato, / procurou a autoridade / para relatar-lhe o fato. Ante a notícia do crime, / a polícia diligente / tomou as dores de Osório / e formou seu contingente, / um cabo e dois soldados / e quem sabe até um tenente. Assim é que o aparato / da Polícia Militar, / atendendo a ordem expressa / do delegado titular, / não pensou em outra coisa / senão em capturar. / E depois de algum trabalho / o larápio foi encontrado / num bar foi capturado. / Não esboçou reação, / sendo conduzido então / à frente do delegado. Perguntado pelo furto/ que havia cometido, / respondeu Alceu da Costa, / bastante extrovertido: / "Desde quando furto é crime / neste Brasil de bandidos?" Ante tão forte argumento / calou-se o delegado, / mas por dever do seu cargo / o flagrante foi lavrado, / recolhendo à cadeia / aquele pobre coitado. E hoje passado um mês / de ocorrida a prisão, / chega-me às mãos o inquérito / que me parte o coração. / Solto ou deixo preso / esse mísero ladrão? Soltá-lo é decisão / que a nossa lei refuta, / pois todos sabem que a lei / é pra pobre, preto e puta... / Por isso peço a Deus / que norteie minha conduta. É muito justa a lição / do pai destas Alterosas. / Não deve ficar na prisão / quem furtou duas penosas, / se lá também não estão presas / pessoas bem mais charmosas. Desta forma é que concedo / a esse homem da simplória, / com base no CPP, / liberdade provisória, / para que volte para casa / e passe a viver na glória. Se virar homem honesto / e sair dessa sua trilha, / permaneça em Cachoeira / ao lado de sua família, / devendo, se ao contrário, / mudar-se para Brasília!!!"
Frei Betto é escritor, autor de "Alfabetto - autobiografia escolar" (Ática), entre outros livros. *
Frei dominicano. Escritor.
Frei Betto *
Adital - O Duque de Charolais (1700-1760), nobre francês, ao retornar da caçada viu um homem que, de sua casa, observava o movimento da rua. Talvez porque naquele dia os animais lhe tenham enganado a pontaria, Charolais comentou com o cocheiro: "Vejamos se atiro bem naquele corpo!" Apontou e matou o estranho. No dia seguinte, o assassino rogou indulgência ao Duque de Orléans. Este o advertiu: "Senhor, a indulgência que solicitais deve-se à vossa distinção e qualidade de príncipe de sangue; ela vos será concedida pelo rei (Luís XV), mas ele a concederá ainda com maior presteza àquele que fizer o mesmo a vós." A impunidade é uma prerrogativa de quem possui poder. Essa é uma regra brasileira. Aqui, os Duques de Charolais são reiteradamente indultados pelo mesmo Poder Judiciário que se mostra implacável com os pobres. Nossas leis foram feitas para atenuar os crimes dos Charolais; nosso sistema prisional, para castigar impiedosamente quem furta uma lata de margarina ou é suspeita de misturar cocaína na mamadeira do bebê, embora a acusação tenha sido desmentida pelo laudo pericial. Políticos apropriam-se de recursos públicos; deputados fartam-se de emendas parlamentares; suplentes embolsam, em menos de um mês, o equivalente a 210 salários mínimos; eleitos ensinam empresas a burlarem o fisco via triangulação no exterior. Porque investidos de mandato federal, permanecem impunes até serem julgados pelo STF - que jamais mandou um deputado federal para a cadeia. Num desprezo cínico pelos eleitores, os partidos adotam uma postura conivente com os acusados, sem expulsá-los de suas fileiras e nem mesmo impedir que fossem diplomados. O que esperar das novas gerações se um importante jornalista assume que assassinou a namorada por motivo torpe e a condenação sequer lhe restringe a liberdade? Um banqueiro dá um calote de R$ 3 bilhões em seus correntistas e a Justiça o autoriza a desfrutar de sua suntuosa mansão. Um acidente aéreo mata 154 pessoas e ninguém vai para a cadeia. Uma cratera se abre nas obras do metrô de São Paulo, engolindo várias pessoas; a barragem de uma mineração se rompe, polui rios e arrasa cidades de Minas; rodovias se esfarelam - e a culpa é das chuvas, sem que qualquer pessoa seja responsabilizada e presa! Os exemplos poderiam se multiplicar. Bem conhecem o leitor ou a leitora outros tantos casos. A Polícia Federal faz o seu trabalho de investigação e detenção, o Ministério Público age em defesa da lei, mas o Judiciário, supremo intérprete do queijo suíço de nossa legislação penal, encontra sempre os buracos pelos quais os ratos passam impunemente. Assim, o jovem se pergunta: vale a pena ser honesto? Em vez de virtude e dever, a honestidade transforma-se em vergonha e humilhação. Felizmente há no Judiciário muitos com senso de justiça. E bom humor. É o caso do juiz Ronaldo Tavani, da Comarca de Varginha (MG), que em Carmo da Cachoeira concedeu liberdade provisória a um homem preso em flagrante por furtar duas galinhas e perguntar ao delegado: "Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?" Eis a sentença do magistrado: "No dia cinco de outubro / do ano ainda fluente, / em Carmo da Cachoeira / terra de boa gente, / ocorreu um fato inédito / que me deixou descontente. O jovem Alceu da Costa, / conhecido por "Rolinha", / aproveitando a madrugada, / resolveu sair da linha, / subtraindo de outrem / duas saborosas galinhas. Apanhando um saco plástico / que ali mesmo encontrou, / o agente muito esperto/ escondeu o que furtou, / deixando o local do crime / da maneira como entrou. O senhor Gabriel Osório, / homem de muito tato, / notando que havia sido / a vítima do grave ato, / procurou a autoridade / para relatar-lhe o fato. Ante a notícia do crime, / a polícia diligente / tomou as dores de Osório / e formou seu contingente, / um cabo e dois soldados / e quem sabe até um tenente. Assim é que o aparato / da Polícia Militar, / atendendo a ordem expressa / do delegado titular, / não pensou em outra coisa / senão em capturar. / E depois de algum trabalho / o larápio foi encontrado / num bar foi capturado. / Não esboçou reação, / sendo conduzido então / à frente do delegado. Perguntado pelo furto/ que havia cometido, / respondeu Alceu da Costa, / bastante extrovertido: / "Desde quando furto é crime / neste Brasil de bandidos?" Ante tão forte argumento / calou-se o delegado, / mas por dever do seu cargo / o flagrante foi lavrado, / recolhendo à cadeia / aquele pobre coitado. E hoje passado um mês / de ocorrida a prisão, / chega-me às mãos o inquérito / que me parte o coração. / Solto ou deixo preso / esse mísero ladrão? Soltá-lo é decisão / que a nossa lei refuta, / pois todos sabem que a lei / é pra pobre, preto e puta... / Por isso peço a Deus / que norteie minha conduta. É muito justa a lição / do pai destas Alterosas. / Não deve ficar na prisão / quem furtou duas penosas, / se lá também não estão presas / pessoas bem mais charmosas. Desta forma é que concedo / a esse homem da simplória, / com base no CPP, / liberdade provisória, / para que volte para casa / e passe a viver na glória. Se virar homem honesto / e sair dessa sua trilha, / permaneça em Cachoeira / ao lado de sua família, / devendo, se ao contrário, / mudar-se para Brasília!!!"
Frei Betto é escritor, autor de "Alfabetto - autobiografia escolar" (Ática), entre outros livros. *
Frei dominicano. Escritor.
terça-feira, dezembro 19, 2006
A festa pagã
Com certeza Jesus não nasceu no Natal. Nessa data comemorava-se o culto ao deus Mitra, muito popular em Roma, no século II. Mas a história do Natal começa bem antes, há aproximadamente 7000 anos antes de Cristo. Celebrava-se o solstício de inverno, que era a noite mais longa do hemisfério norte, no final de dezembro. A partir daí os dias ficavam mais longos, facilitando o plantio e a colheita. A festa durava dias, regada a muito comida e vinho.
O Papai Noel realmente existiu, chamava-se Nicolau de Myra e era um bispo. Diz a lenda que ele era um homem muito rico e que gostava de ajudar as pessoas. Viveu no século IV, na Ásia Menor. A imagem do religioso bonzinho só mudou no século XIX com o surgimento da publicidade natalina. Nessa época a imagem do religioso foi modernizada e substituída pelo Papai Noel que conhecemos hoje: gorducho, com roupas vermelhas e que mora no Pólo Norte. Na década de 30, sua imagem foi usada pela Coca-Cola e fez tanto sucesso, que passou a ser a figura mais popular do Natal. Além das compras, claro.
Hoje, o Natal é símbolo de todos os excessos: o comer de mais, beber sem limites, afundar-se no cartão de crédito, estourar o cheque especial. Sem falar na loucura que é entrar em um supermercado ou andar pelo centro comercial.
Alguém se lembra de Jesus? Aqueles que freqüentam alguma igreja, sim. Mas, a grande massa, ignara e frenética, que compra compulsivamente, só pensa em gastar. O que faz a alegria do comércio e da indústria. Aí, aparece na mídia aquelas campanhas, feitas por gente tão abnegada, recolhendo brinquedos, roupas e alimentos e, que não tem consciência de que estão só inflacionando as vendas, dando grandes lucros aos comerciantes.
Pergunto: se a civilização ocidental não tivesse o hábito de dar presentes, alguma criança ficaria infeliz? A própria sociedade cria vícios, hábitos e depois não é capaz de perceber seus resultados nefastos. E, ironicamente, tenta neutralizá-los com campanhas , ditas fraternais.
O Natal, para a maioria da população, já não é mais usado para lembrar o nascimento de Cristo. Mas sim, para uma frenética e consumista ilusão de fraternidade. Uma verdadeira farra pagã. Voltamos ao começo....
O Papai Noel realmente existiu, chamava-se Nicolau de Myra e era um bispo. Diz a lenda que ele era um homem muito rico e que gostava de ajudar as pessoas. Viveu no século IV, na Ásia Menor. A imagem do religioso bonzinho só mudou no século XIX com o surgimento da publicidade natalina. Nessa época a imagem do religioso foi modernizada e substituída pelo Papai Noel que conhecemos hoje: gorducho, com roupas vermelhas e que mora no Pólo Norte. Na década de 30, sua imagem foi usada pela Coca-Cola e fez tanto sucesso, que passou a ser a figura mais popular do Natal. Além das compras, claro.
Hoje, o Natal é símbolo de todos os excessos: o comer de mais, beber sem limites, afundar-se no cartão de crédito, estourar o cheque especial. Sem falar na loucura que é entrar em um supermercado ou andar pelo centro comercial.
Alguém se lembra de Jesus? Aqueles que freqüentam alguma igreja, sim. Mas, a grande massa, ignara e frenética, que compra compulsivamente, só pensa em gastar. O que faz a alegria do comércio e da indústria. Aí, aparece na mídia aquelas campanhas, feitas por gente tão abnegada, recolhendo brinquedos, roupas e alimentos e, que não tem consciência de que estão só inflacionando as vendas, dando grandes lucros aos comerciantes.
Pergunto: se a civilização ocidental não tivesse o hábito de dar presentes, alguma criança ficaria infeliz? A própria sociedade cria vícios, hábitos e depois não é capaz de perceber seus resultados nefastos. E, ironicamente, tenta neutralizá-los com campanhas , ditas fraternais.
O Natal, para a maioria da população, já não é mais usado para lembrar o nascimento de Cristo. Mas sim, para uma frenética e consumista ilusão de fraternidade. Uma verdadeira farra pagã. Voltamos ao começo....
Feliz Natal

Embora eu saiba muito bem e digo parafraseando, que o homem (Andros) é o ser que é capaz de ler a mensagem do mundo. Jamais é um analfabeto. É sempre aquele que, na multiplicidade de linguagem, pode ler e interpretar. Viver é ler e interpretar. No efêmero pode ler o permanente; no temporal, o Eterno; no mundo, Deus. Então o efêmero se transfigura em sinal de presença do Permanente; o temporal em símbolo da realidade do Eterno; o mundo em grande sacramento de Deus. Então, como se diz: Nada acontece por acaso. Tudo tem um propósito. Mas Deus não nos faz de marionetes. Ele não brinca conosco. Ele nos respeita naquilo que escolhermos. Pode ser a VIDA. Mas pode ser também a MORTE. Pode ser a FELICIDADE, mas pode ser também o contrário. Não é um Deus violento ou autoritário. Que usa do poder arbitrariamente. Por isso Ele respeita a vontade do ser criado. Ainda mais, somos um nó de relações e pulsões orientadas para todas as direções. Não estamos fixados nesse ou naquele objeto, mas na totalidade dos objetos. Por causa disto somos permanentes desertores de tudo que é estanque e limitados e eternos protestantes e contestadores dos mundos fechados. Em nós não há somente o ser, mas principalmente um poder-ser. Somos projeção e tendência para um sempre mais, para um Incógnito, para o novum e para o ainda-não. Não temos nada a temer. Aproveito a oportunidade para desejar a todos um FELIZ E SANTO NATAL! Que Deus confundido na realidade do Cristo que vem e nasce na manjedoura, encontre nos nossos corações o aconchego. Que o projeto de Deus exaurido nos ditos e fatos de Jesus, seja absorvido por nós de tal forma, que o resultado imediato seja traduzido através do amor e da bondade, explícitos nas relações de nós estabelecemos com o mundo e com as pessoas. Que o ano que se inicia, seja de fato novo e cheio de boas realizações. Que a vida se torne mais plena e abundante para todos.
Padre Carlos F. da Silva
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Para refletir
Vimos a morte de um ditador que matou, torturou e pilhou, para não dizer roubou (rico não rouba, desvia). Estou falando de Pinochet. Foi tarde. E infelizmente a igreja católica esteve lá, celebrando o quê? Somos a favor da vida. Há momentos na vida em que a consciência cristã deve anunciar e denunciar, ou peca diante de Deus, atraiçoando a verdade do homem e de Cristo. O cristão é chamado a testemunhar, no meio do mundo, o mistério sagrado do homem que foi assumido por Deus e, a defender o direito divino,identificado com o direito inviolável de cada homem de ser respeitado como pessoa. O calar diante das injustiças e violações, a sacralidade de cada homem significa cumplicidade; é mais cômodo e fácil; razões de ordem, de disciplina, de (falsa) unidade, de não-intromissão em questões políticas, são invocadas para justificar o absentismo. Arrostar todos os perigos, assumir as conseqüências da ousadia, superar medo inibidor, anunciar com destemor e denunciar com desassombro: isso é graça de Deus. Pinochet morreu sem ser penalizado pelos danos que causou. E mais, não restituiu aos cofres públicos tudo pilhou. Que pena!
sexta-feira, dezembro 08, 2006
O espanto
Tentando reler a obra moderna do filósofo francês Michel Foucault, "As Palavras e as Coisas", quis aplicá-la na atualidade dos acontecimentos e confesso que fiquei espantado! Não é que estamos vivendo um "fervilhão" de acontecimentos e às vezes, nem sequer damos conta da real importância de tudo? Fatos marcantes estão acontecendo e estão mudando o eixo da história, das relações no mundo. Somos testemunhas de um tempo impar na composição de uma era histórica nova e, temos dificuldades em perceber e quantificar tudo isso. As palavras, às vezes não traduzem o que dizem as coisas. Observem o que acontece da parte dos Estados Unidos em relação ao "resto" do mundo, mais precisamente o poder desastroso que exercem sobre o Iraque e o Afeganistão! Lá eles pilham, matam e destroem em nome da paz e do amor! O mundo assiste a tudo impassível. Paz e amor para quem? E, às vezes, interpretando os acontecimentos como sendo a única possibilidade de paz e ainda pior, incorporando um messianismo, "divino", disponibilizado da parte do próprio Deus, ao grande governo daquele país, como pretende uma grande corrente evangélica! E tudo fica como o governo daquele país quer. Nem a ONU exerce a sua função quando se trata ao menos de fiscalizar o que fazem. Meu Deus! No mais ainda temos que viver, sobretudo aqui no ocidente, com a invasão cultural programada e premeditada através dos seus "enlatados" e do “sonho americano", diga-se de passagem. Americano aqui, parece ser absolutizado em quem nasceu nos Estados Unidos, e não nas Américas, como a lógica sugere. Isso não é um espanto! E o caso da homérica briga entre Israel e Palestina? Outra vez verificamos a intromissão do Norte, sobretudo daqueles que continuam na diáspora, mas bancam economicamente a guerra e a matança sem fim entre judeus e palestinos. Vejam a ilusão do destino! Os mesmos que foram mortos aos milhões nas mãos de um louco chamado Hitler. No Chile, até hoje não conseguiram prender um criminoso da humanidade, Augusto Pinochet. Engraçado que nem o fruto da pilhagem, que ele fez naquele país, conseguiu-se rastrear e incorporá-lo aos cofres públicos. Mas o General está "ferido de morte." Agora não tem mais como escapar! Será que não vai tarde? Tantas mortes, tanta violência! Por ironia ele continua sendo querido, acolhido e protegido por muitos partidários. Não é à toa que vivem querendo ressuscitar o nazismo. Aqui no Brasil, alguns choram de saudades do tempo da ditadura militar. Alguns outros fatos marcantes, alegres, como consolo. No Brasil os pobres regozijam com a vitória do ex-operário do ABC paulista. Significa a vitória dos pobres contra uma "elite" privilegiada, que sempre fez de tudo para se manter no poder e nos privilégios. É um sinal de esperança! Precisa urgentemente incorporar as minorias, no processo de participação na história desse país - às vezes com políticas afirmativas, por que não? O que não se realiza pelo amor ou pela compreensão natural de que o mundo é de todos, então vai pela lei. Os negros, os índios, os que vieram mais recentemente para esse país. É preciso iniciar o processo progressivo de desconcentração de renda, criando um país de todos, eliminando os "sem" (sem terra, sem teto, sem comida, sem saúde, sem escola...) Nesse mesmo caminho podemos notar outros paises na caminhada. Evo Morales na Bolívia, Hugo Chávez na Venezuela, sendo eleito com mais de 60 por cento dos votos e, José Agenor na Colômbia. Tudo isso indica que as elites estão com o seu tempo contado no que se diz respeito aos seus privilégios. Podem gritar, podem espernear. A massa popular não quer mais permitir que as relações entre os diferentes, produzam desigualdade. Não tem cabimento. Sob essa ótica tenho procurado ler a obra prima do filósofo e olhar a realidade. As surpresas são muitas! Abre-se a possibilidade de ver nas entre linhas, de ver as coisas e as palavras como um "novum", como um eterno “porvir".
P Carlos Ferreira da Silva
Guarai-TO 03 de dezembro de 2006
P Carlos Ferreira da Silva
Guarai-TO 03 de dezembro de 2006
quinta-feira, novembro 16, 2006
Dia Nacional da Consciência Negra
Dia Nacional da Consciência Negra
Aproximamos-nos do dia 20 de novembro. Essa data celebramos aqui no Brasil uma figura importantíssima para todos os brasileiros e de um modo muito especial para o povo afro-descendente. Zumbi dos Palmares, hoje oficialmente posto como um herói nacional, embora ainda pouco lembrado e celebrado. Para nós afro-descendentes, esse é o verdadeiro dia para se celebrar e memorizar a consciência negra e não o 13 de maio, como pretende a legislação brasileira. Zumbi dos Palmares é um referencial de luta importante na nossa história. Foi perseverante até o fim, quando foi trucidado pela covardia dos seus algozes lá na Serra da Barriga. Ele vou esquartejado e seus companheiros e companheiras passados a fio de espada. A intenção era mesmo o de eliminar de vez todo e qualquer sonho de liberdade. Mas o “sonho não acabou” e a luta continua. Agora em outras “trincheiras” e em outros campos. Muito se tem conquistado mais ainda muito se tem por conquistar. Hoje por exemplo, está em discussão o tema das contas. O tema é polêmico e não poucas vezes pouco polarizado. Alguns doutores e doutoras pouco conhecedores da história e ou sem nenhuma simpatia por essa causa, jogam “areia” e se colocam como entraves no processo. Ilustremos um pouco a questão.
Tratando de um aspecto dessa luta, gostaria de apresentar uma pequena reflexão de Maria Querino S. Santos, relacionado com o problema das cotas.
EM DEFESA DAS COTAS
Segundo o Prof. Dr. Kabenguele Munanga, no livro “Educação e Ações Afirmativas”, as chamadas políticas de ação afirmativa são recentes na história da ideologia anti-racista. Nos países que foram implantadas (Estados Unidos, Inglaterra, Nova Zelândia, Alemanha, Áustria, Canadá e Malásia, entre outros), elas visam oferecer aos grupos discriminados e excluídos um tratamento diferenciado para compensar as desvantagens devidas à sua situação de vítimas do racismo e de outras formas de discriminação. Daí as terminologias de “equal opportunity policies”, ação afirmativa, ação positiva, discriminação positiva ou políticas compensatórias. Nos Estados Unidos, onde foram aplicadas desde a década de 60, elas pretendem oferecer aos afro-americanos as chances de participar da dinâmica da mobilidade social crescente [...]. Qualquer proposta de mudança em benefício dos excluídos receberia um apoio unânime, sobretudo quando se trata de uma sociedade racista. Nesse sentido, a política de ação afirmativa nos Estados unidos tem seus defensores e seus detratores. Foi graças a ela que se deve o crescimento da classe média afro-americana, que hoje atinge cerca de 3% de sua população, sua representação no Congresso Nacional e nas Assembléias estaduais; mais estudantes nos liceus e nas universidades... A pesar das críticas contra a ação afirmativa, a experiência das últimas quatro décadas nos países que implementaram não deixam dúvidas sobre as mudanças alcançadas. A questão fundamental que se coloca é como aumentar o continente negro no ensino universitário e superior de modo geral, tirando-o da situação de 2% em que se encontra depois de 114 anos de abolição em relação ao contingente branco que, sozinho, representa 97% de brasileiros universitários.
Assim, tratando-se do Brasil, um país que desde a abolição nunca assumiu seu racismo, condição sine qua non para pensar em políticas de ação afirmativa, os instrumentos devem ser criados pelos caminhos próprios ou pela inspiração dos caminhos trilhados por outros países em situação racial comparável ao Brasil.
FONTE: Educação e ações Afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2003, p. 117-128.
Aproximamos-nos do dia 20 de novembro. Essa data celebramos aqui no Brasil uma figura importantíssima para todos os brasileiros e de um modo muito especial para o povo afro-descendente. Zumbi dos Palmares, hoje oficialmente posto como um herói nacional, embora ainda pouco lembrado e celebrado. Para nós afro-descendentes, esse é o verdadeiro dia para se celebrar e memorizar a consciência negra e não o 13 de maio, como pretende a legislação brasileira. Zumbi dos Palmares é um referencial de luta importante na nossa história. Foi perseverante até o fim, quando foi trucidado pela covardia dos seus algozes lá na Serra da Barriga. Ele vou esquartejado e seus companheiros e companheiras passados a fio de espada. A intenção era mesmo o de eliminar de vez todo e qualquer sonho de liberdade. Mas o “sonho não acabou” e a luta continua. Agora em outras “trincheiras” e em outros campos. Muito se tem conquistado mais ainda muito se tem por conquistar. Hoje por exemplo, está em discussão o tema das contas. O tema é polêmico e não poucas vezes pouco polarizado. Alguns doutores e doutoras pouco conhecedores da história e ou sem nenhuma simpatia por essa causa, jogam “areia” e se colocam como entraves no processo. Ilustremos um pouco a questão.
Tratando de um aspecto dessa luta, gostaria de apresentar uma pequena reflexão de Maria Querino S. Santos, relacionado com o problema das cotas.
EM DEFESA DAS COTAS
Segundo o Prof. Dr. Kabenguele Munanga, no livro “Educação e Ações Afirmativas”, as chamadas políticas de ação afirmativa são recentes na história da ideologia anti-racista. Nos países que foram implantadas (Estados Unidos, Inglaterra, Nova Zelândia, Alemanha, Áustria, Canadá e Malásia, entre outros), elas visam oferecer aos grupos discriminados e excluídos um tratamento diferenciado para compensar as desvantagens devidas à sua situação de vítimas do racismo e de outras formas de discriminação. Daí as terminologias de “equal opportunity policies”, ação afirmativa, ação positiva, discriminação positiva ou políticas compensatórias. Nos Estados Unidos, onde foram aplicadas desde a década de 60, elas pretendem oferecer aos afro-americanos as chances de participar da dinâmica da mobilidade social crescente [...]. Qualquer proposta de mudança em benefício dos excluídos receberia um apoio unânime, sobretudo quando se trata de uma sociedade racista. Nesse sentido, a política de ação afirmativa nos Estados unidos tem seus defensores e seus detratores. Foi graças a ela que se deve o crescimento da classe média afro-americana, que hoje atinge cerca de 3% de sua população, sua representação no Congresso Nacional e nas Assembléias estaduais; mais estudantes nos liceus e nas universidades... A pesar das críticas contra a ação afirmativa, a experiência das últimas quatro décadas nos países que implementaram não deixam dúvidas sobre as mudanças alcançadas. A questão fundamental que se coloca é como aumentar o continente negro no ensino universitário e superior de modo geral, tirando-o da situação de 2% em que se encontra depois de 114 anos de abolição em relação ao contingente branco que, sozinho, representa 97% de brasileiros universitários.
Assim, tratando-se do Brasil, um país que desde a abolição nunca assumiu seu racismo, condição sine qua non para pensar em políticas de ação afirmativa, os instrumentos devem ser criados pelos caminhos próprios ou pela inspiração dos caminhos trilhados por outros países em situação racial comparável ao Brasil.
FONTE: Educação e ações Afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2003, p. 117-128.
Sobre o Natal
NATAL: A revelação mais comovente e mais desafiadora de Deus.
Pro. Renold J. Blank
1. O que o Natal nos revela?
Ao falar de Deus, costumamos identifica-lo com o Onipotente, o Criador do cosmo e o Senhor do céu e da terra. Sim, ele também é isso, mas é infinitamente mais. Nele pode ser encontrada uma verdade tão chocante, que – apesar de todas as celebrações festivas do ano litúrgico – foi muito pouco assimilada pela fé das pessoas. É uma verdade que ultrapassa em muito o nosso conhecimento sobre a onipotência de Deus e a sua inimaginável glória. Na base dessa verdade, há aquele fato chocante e ao mesmo tempo maravilhoso que marca a sua revelação em Jesus Cristo: Deus é humilde e modesto.
Mas há mais! Tudo indica que Deus está mais interessado em ser conhecido exatamente assim - humilde e modesto – do que como criador e onipotente.
É essa verdade fundamental, aliás, que distingue essencialmente a nossa fé da professada pelas inúmeras outras religiões existentes. Na maioria delas também se cultua um Deus que de uma forma ou de outra, se apresenta como poderoso e cheio de glória. Mas é unicamente na religião cristã que esse Deus se revela na pequenez e na fragilidade de uma criança, no seu desamparo e na sua necessidade de ser amado.
2. No evento do NATAL, Deus se manifesta a nós como realmente é (cf. Hb 1,3)
O Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Dei Verbum, formula de maneira magistral a verdade fundamental de que, em Jesus Cristo, Deus nos revelou, de maneira mais clara e direta, aquilo que realmente é.
Se acreditamos nessas palavras de Igreja – e não há razão para não faze-lo - , descobrimos, na festa do Natal, o conteúdo mais comovente e, ao mesmo tempo, mais feliz da nossa fé. Descobrimos que, diante de Deus, não precisamos ter medo, porque ele se aproxima de nós no sorriso de uma criança. Descobrimos a verdade de que Deus não se interessa em primeiro lugar pelo poder e não faz questão alguma de ser venerado como poderoso. O fato é que ele se fez pequeno e se aniquilou (cf. Fl 2,5-8), entregando-se a nós como criança que suplica pelo nosso amor.
Deus é e se revela assim! Torna-se criança para compreendermos, que há apenas uma coisa que conta: ser amado.
3. O Natal revela que Deus não se interessa pelos mecanismos de prestígio e de poder
Se Deus se revela dessa maneira, deixando de lado as instâncias de prestígio e de poder, como é que nós poderíamos recorrer a tais mecanismos na convivência social, na vida pública ou na práxis religiosa?
Deus manifestou-se como criança para compreendermos que os seus caminhos não são aqueles do poder, mais os da ternura e do amor.
Ao tornar-se homem não na figura de um imperador poderoso, mas na forma de uma criança indefesa, Deus nos informa, de maneira indiscutível, que ele não se interessa pelos mecanismos do poder. Com isso, porém, assume grande risco. Ele se põe em nossas mãos!
Em Jesus Cristo, Deus se entrega aos seres humanos e, com isso, está totalmente sujeito ao agir e às decisões das pessoas. Ele fica à nossa mercê, assim como qualquer criança. Entrega-se a nós, assumindo o risco de que essa sua confiança possa ser traída.
A decepção diante dessa traição pode ser verificada no decorrer da história e já transparece em diferentes passagens bíblicas. Tal decepção chega ao seu cume naquele acontecimento chocante em que criaturas humanas torturam e matam o Filho de Deus no pelourinho vergonhoso da cruz. Ninguém teria tido a ousadia de crucificar um Deus onipotente que se tivesse manifestado em seu poder de glória. Um Deus assim seria venerado por todos; mas, ao mesmo tempo, seria temido por todos. Exatamente esse medo, porém, Deus não quer!
4. Não o temor, mas o amor
Deus não quer que o temamos, mas o amemos. O evento da Natal nos mostra que ele não está interessado em nos intimidar. Em vez disso, espera que o amemos. Para que tal fato se torne visível da maneira mais palpável, ele se revela a nós como criança indefesa que implora nosso amor. Deu um Deus que se apresenta na forma de uma criança, ninguém tem medo. Um Deus assim só pode ser amado de coração aberto. Só pode encontrar amparo em nossos braços e coração. É exatamente isso que Deus deseja.
5. Um Deus que se manifesta como criança pode ser amado; mas essa criança também pode ser rejeitada e pisada
Deus se nos mostra como criança para que percamos o medo dele e o amemos Mas, em vez de amá-lo, também é possível outra atitude. Se esse Deus revela-se indefeso como criança, então pode ser rejeitado. É possível jogá-lo no chão, pisar nele e até matá-lo.
A festa do Natal também nos confronta com essa alternativa. Além de todo romantismo sentimental e emocional e de todo o barulho da indústria da propaganda comercial, descobrimos, nessa criança na manjedoura, um desafio sem igual. Descobrimos a alternativa do amor. Mas será que nós amamos efetivamente essa criança e lhe abrimos o coração? Ou será que nos fechamos diante de suas súplicas por amor e o jogamos no chão, pisando-o e até o matando?
Certamente ninguém de nós jamais pensaria em bater naquela criança ou matá-la. Sobre isso há consenso total entre nós que vivenciamos o Natal e estamos felizes porque Deus se tornou homem. Mas exatamente pelo fato de Deus ter se manifestado a nós numa manjedoura, por não ter permanecido distante, oculto no interior de céus distantes, ele se torna desafio constante para nós.
O desafio é este: fazemos às pessoas tudo aquilo que gostaríamos de fazer a ele? É importante lembrar: tudo aquilo que fazemos a qualquer pessoa, nós fazemos a Deus. Com isso, porém, o fazemos também à criança que veneramos no Natal (cf. Mt 25,40-45).
Eis a grande e chocante verdade que tantas vezes, no decorrer da história, foi esquecida.
6. Deus, que se manifesta como criança, identifica-se de maneira plena com as pessoas
Pensar que cada um dos nossos atos para com qualquer ser humano se dirige a Jesus Cristo pode desencadear conseqüências que dificultem cantar as velhas músicas de Natal. Estas só dizem a verdade quando externam o amor que praticamos em favor dos nossos irmãos e irmãs, quando começamos a abrir-lhes o coração e respondemos aos seus anseios com amor.
À luz da identificação direta entre Jesus Cristo e as pessoas que encontramos no dia-a-dia, o Natal se torna um desafio para nós, indagação inquietante para a nossa consciência e vocação renovada cada vez mais urgente. Isso porque tudo aquilo que fazemos às pessoas, seja no bem, seja no mal, nós o fazemos à criança que veneramos no Natal.
À medida que, como cristãos e como igreja, tomarmos a sério esse fato, nossa religião se tornará fermento e sal da terra. Á medida que o Natal readquirir seu sentido original para nós, começaremos a transformar as inúmeras situações e estrutura nas quais seres humanos se encontram pisados, excluídos e desprezados. Agiremos assim por estarmos conscientes de que, em toda pessoa humana maltratada, a criança divina na manjedoura está sendo maltratada.
Tomando a sério o que nos é revelado no Natal, passaremos a trabalhar para construir situações e estruturas que estaremos em sintonia com tal revelação. Seremos colaboradores de situações onde reine o amor, a justiça e a solidariedade entre os seres humanos. Deus solidarizou-se, identificando-se conosco, de maneira direta e concreta no Natal.
Texto extraído da Revista Vida Pastoral (Outubro/Dezembro)
Pro. Renold J. Blank
1. O que o Natal nos revela?
Ao falar de Deus, costumamos identifica-lo com o Onipotente, o Criador do cosmo e o Senhor do céu e da terra. Sim, ele também é isso, mas é infinitamente mais. Nele pode ser encontrada uma verdade tão chocante, que – apesar de todas as celebrações festivas do ano litúrgico – foi muito pouco assimilada pela fé das pessoas. É uma verdade que ultrapassa em muito o nosso conhecimento sobre a onipotência de Deus e a sua inimaginável glória. Na base dessa verdade, há aquele fato chocante e ao mesmo tempo maravilhoso que marca a sua revelação em Jesus Cristo: Deus é humilde e modesto.
Mas há mais! Tudo indica que Deus está mais interessado em ser conhecido exatamente assim - humilde e modesto – do que como criador e onipotente.
É essa verdade fundamental, aliás, que distingue essencialmente a nossa fé da professada pelas inúmeras outras religiões existentes. Na maioria delas também se cultua um Deus que de uma forma ou de outra, se apresenta como poderoso e cheio de glória. Mas é unicamente na religião cristã que esse Deus se revela na pequenez e na fragilidade de uma criança, no seu desamparo e na sua necessidade de ser amado.
2. No evento do NATAL, Deus se manifesta a nós como realmente é (cf. Hb 1,3)
O Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Dei Verbum, formula de maneira magistral a verdade fundamental de que, em Jesus Cristo, Deus nos revelou, de maneira mais clara e direta, aquilo que realmente é.
Se acreditamos nessas palavras de Igreja – e não há razão para não faze-lo - , descobrimos, na festa do Natal, o conteúdo mais comovente e, ao mesmo tempo, mais feliz da nossa fé. Descobrimos que, diante de Deus, não precisamos ter medo, porque ele se aproxima de nós no sorriso de uma criança. Descobrimos a verdade de que Deus não se interessa em primeiro lugar pelo poder e não faz questão alguma de ser venerado como poderoso. O fato é que ele se fez pequeno e se aniquilou (cf. Fl 2,5-8), entregando-se a nós como criança que suplica pelo nosso amor.
Deus é e se revela assim! Torna-se criança para compreendermos, que há apenas uma coisa que conta: ser amado.
3. O Natal revela que Deus não se interessa pelos mecanismos de prestígio e de poder
Se Deus se revela dessa maneira, deixando de lado as instâncias de prestígio e de poder, como é que nós poderíamos recorrer a tais mecanismos na convivência social, na vida pública ou na práxis religiosa?
Deus manifestou-se como criança para compreendermos que os seus caminhos não são aqueles do poder, mais os da ternura e do amor.
Ao tornar-se homem não na figura de um imperador poderoso, mas na forma de uma criança indefesa, Deus nos informa, de maneira indiscutível, que ele não se interessa pelos mecanismos do poder. Com isso, porém, assume grande risco. Ele se põe em nossas mãos!
Em Jesus Cristo, Deus se entrega aos seres humanos e, com isso, está totalmente sujeito ao agir e às decisões das pessoas. Ele fica à nossa mercê, assim como qualquer criança. Entrega-se a nós, assumindo o risco de que essa sua confiança possa ser traída.
A decepção diante dessa traição pode ser verificada no decorrer da história e já transparece em diferentes passagens bíblicas. Tal decepção chega ao seu cume naquele acontecimento chocante em que criaturas humanas torturam e matam o Filho de Deus no pelourinho vergonhoso da cruz. Ninguém teria tido a ousadia de crucificar um Deus onipotente que se tivesse manifestado em seu poder de glória. Um Deus assim seria venerado por todos; mas, ao mesmo tempo, seria temido por todos. Exatamente esse medo, porém, Deus não quer!
4. Não o temor, mas o amor
Deus não quer que o temamos, mas o amemos. O evento da Natal nos mostra que ele não está interessado em nos intimidar. Em vez disso, espera que o amemos. Para que tal fato se torne visível da maneira mais palpável, ele se revela a nós como criança indefesa que implora nosso amor. Deu um Deus que se apresenta na forma de uma criança, ninguém tem medo. Um Deus assim só pode ser amado de coração aberto. Só pode encontrar amparo em nossos braços e coração. É exatamente isso que Deus deseja.
5. Um Deus que se manifesta como criança pode ser amado; mas essa criança também pode ser rejeitada e pisada
Deus se nos mostra como criança para que percamos o medo dele e o amemos Mas, em vez de amá-lo, também é possível outra atitude. Se esse Deus revela-se indefeso como criança, então pode ser rejeitado. É possível jogá-lo no chão, pisar nele e até matá-lo.
A festa do Natal também nos confronta com essa alternativa. Além de todo romantismo sentimental e emocional e de todo o barulho da indústria da propaganda comercial, descobrimos, nessa criança na manjedoura, um desafio sem igual. Descobrimos a alternativa do amor. Mas será que nós amamos efetivamente essa criança e lhe abrimos o coração? Ou será que nos fechamos diante de suas súplicas por amor e o jogamos no chão, pisando-o e até o matando?
Certamente ninguém de nós jamais pensaria em bater naquela criança ou matá-la. Sobre isso há consenso total entre nós que vivenciamos o Natal e estamos felizes porque Deus se tornou homem. Mas exatamente pelo fato de Deus ter se manifestado a nós numa manjedoura, por não ter permanecido distante, oculto no interior de céus distantes, ele se torna desafio constante para nós.
O desafio é este: fazemos às pessoas tudo aquilo que gostaríamos de fazer a ele? É importante lembrar: tudo aquilo que fazemos a qualquer pessoa, nós fazemos a Deus. Com isso, porém, o fazemos também à criança que veneramos no Natal (cf. Mt 25,40-45).
Eis a grande e chocante verdade que tantas vezes, no decorrer da história, foi esquecida.
6. Deus, que se manifesta como criança, identifica-se de maneira plena com as pessoas
Pensar que cada um dos nossos atos para com qualquer ser humano se dirige a Jesus Cristo pode desencadear conseqüências que dificultem cantar as velhas músicas de Natal. Estas só dizem a verdade quando externam o amor que praticamos em favor dos nossos irmãos e irmãs, quando começamos a abrir-lhes o coração e respondemos aos seus anseios com amor.
À luz da identificação direta entre Jesus Cristo e as pessoas que encontramos no dia-a-dia, o Natal se torna um desafio para nós, indagação inquietante para a nossa consciência e vocação renovada cada vez mais urgente. Isso porque tudo aquilo que fazemos às pessoas, seja no bem, seja no mal, nós o fazemos à criança que veneramos no Natal.
À medida que, como cristãos e como igreja, tomarmos a sério esse fato, nossa religião se tornará fermento e sal da terra. Á medida que o Natal readquirir seu sentido original para nós, começaremos a transformar as inúmeras situações e estrutura nas quais seres humanos se encontram pisados, excluídos e desprezados. Agiremos assim por estarmos conscientes de que, em toda pessoa humana maltratada, a criança divina na manjedoura está sendo maltratada.
Tomando a sério o que nos é revelado no Natal, passaremos a trabalhar para construir situações e estruturas que estaremos em sintonia com tal revelação. Seremos colaboradores de situações onde reine o amor, a justiça e a solidariedade entre os seres humanos. Deus solidarizou-se, identificando-se conosco, de maneira direta e concreta no Natal.
Texto extraído da Revista Vida Pastoral (Outubro/Dezembro)
sábado, novembro 11, 2006
Lula e a derrota da Casa Grande
Lula e a derrota da Casa Grande - Leonardo Boff*
"Casa-Grande & Senzala" (1933), de Gilberto Freyre representa mais que um dos textos fundadores da moderna interpretação do Brasil. Os dois termos dão corpo a um paradigma e a uma forma de habitar o mundo. Habitar na forma da Casa-Grande significa estabelecer uma relação patriarcal de dominação social, de criação de privilégios e hierarquias. Habitar na forma da Senzala é ser expoliado como ser humano, seja na forma do escravo negro, feito "peça" a ser vendida e comprada no mercado, seja do trabalhador, usado como "carvão a ser consumido" (Darcy Ribeiro) na máquina produtiva. Estas duas figuras sociais superadas historicamente, ainda perduram introjetadas nas mentes e nos hábitos, especialmente de nossas holigarquias e elites dominantes. Elas ainda se consideram as donas do Brasil com exigua sensibilidade pelo drama dos pobres.
A Casa-Grande se transformou em poderosa realidade virtual que se manifesta na forma como age o grande capital nacional, como se fazem alianças entre donos da imprensa empresarial, como se manejam os fatos e se cria o imaginário pela televisão para que a Senzala continue Senzala, seu lugar na sub-história.
Ocorre que os da Senzala sempre resistiram, se revoltaram, criaram seus milhares de quilombos, se fundiram com os demais pobres e marginalizados e conseguiram, especialmente a partir de 1950, se organizar num sem-número de movimentos sociais populares. Conquistaram aliados de outras classes, intelectuais e setores importantes das Igrejas. Criaram o poder social popular que, num dado momento, se afunilou em poder político e com outras forças deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). De dentro desse povo irrompeu Lula como legítimo representante destes destituidos da Casa Grande, com carisma e rara inteligência. Dou meu testemunho pessoal: corri quase todo o planeta, encontrei-me com nomes notáveis da política, das ciências, do pensamento e das artes. Dentre os mais inteligentes que encontrei, está Luiz Inácio Lula da Silva, agora nosso Presidente. Somente ignorantes podem chamá-lo de ignorante. Sua inteligência pertence ao seu carisma: desperta, arguta, indo logo ao coração dos problemas e sabendo formulá-los do seu jeito próprio, sem passar pelo jargão científico.
Sua vitória é de magnitude histórica, pois por duas vezes a Senzala venceu a Casa Grande. Os continuadores da Casa Grande fizeram tudo e tentarão ainda tudo para atravancar essa vitória. Como não têm tradição democrática e parco senso ético, costumam usar todas as armas, armar "maracutaias", como fizeram em eleições anteriores. Apenas esperamos que não utilizem o expediente do assassinato.
O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande & Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo.
Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raízes numa articulação orgânica com as bases de onde veio. São elas as portadores do sonho de um outro Brasil e infundirão força ao Presidente. As feridas que a Casa Grande abriu no tecido social e ecológico de nosso pais são sanáveis. Uma política que tem o povo como centro fará bem até a estas elites. Agora não tem lugar a revanche mas a magnanimidade, o pais unido ao redor de um projeto includente.
* Teólogo. Membro da Comissão da Carta da Terra
"Casa-Grande & Senzala" (1933), de Gilberto Freyre representa mais que um dos textos fundadores da moderna interpretação do Brasil. Os dois termos dão corpo a um paradigma e a uma forma de habitar o mundo. Habitar na forma da Casa-Grande significa estabelecer uma relação patriarcal de dominação social, de criação de privilégios e hierarquias. Habitar na forma da Senzala é ser expoliado como ser humano, seja na forma do escravo negro, feito "peça" a ser vendida e comprada no mercado, seja do trabalhador, usado como "carvão a ser consumido" (Darcy Ribeiro) na máquina produtiva. Estas duas figuras sociais superadas historicamente, ainda perduram introjetadas nas mentes e nos hábitos, especialmente de nossas holigarquias e elites dominantes. Elas ainda se consideram as donas do Brasil com exigua sensibilidade pelo drama dos pobres.
A Casa-Grande se transformou em poderosa realidade virtual que se manifesta na forma como age o grande capital nacional, como se fazem alianças entre donos da imprensa empresarial, como se manejam os fatos e se cria o imaginário pela televisão para que a Senzala continue Senzala, seu lugar na sub-história.
Ocorre que os da Senzala sempre resistiram, se revoltaram, criaram seus milhares de quilombos, se fundiram com os demais pobres e marginalizados e conseguiram, especialmente a partir de 1950, se organizar num sem-número de movimentos sociais populares. Conquistaram aliados de outras classes, intelectuais e setores importantes das Igrejas. Criaram o poder social popular que, num dado momento, se afunilou em poder político e com outras forças deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). De dentro desse povo irrompeu Lula como legítimo representante destes destituidos da Casa Grande, com carisma e rara inteligência. Dou meu testemunho pessoal: corri quase todo o planeta, encontrei-me com nomes notáveis da política, das ciências, do pensamento e das artes. Dentre os mais inteligentes que encontrei, está Luiz Inácio Lula da Silva, agora nosso Presidente. Somente ignorantes podem chamá-lo de ignorante. Sua inteligência pertence ao seu carisma: desperta, arguta, indo logo ao coração dos problemas e sabendo formulá-los do seu jeito próprio, sem passar pelo jargão científico.
Sua vitória é de magnitude histórica, pois por duas vezes a Senzala venceu a Casa Grande. Os continuadores da Casa Grande fizeram tudo e tentarão ainda tudo para atravancar essa vitória. Como não têm tradição democrática e parco senso ético, costumam usar todas as armas, armar "maracutaias", como fizeram em eleições anteriores. Apenas esperamos que não utilizem o expediente do assassinato.
O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande & Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo.
Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raízes numa articulação orgânica com as bases de onde veio. São elas as portadores do sonho de um outro Brasil e infundirão força ao Presidente. As feridas que a Casa Grande abriu no tecido social e ecológico de nosso pais são sanáveis. Uma política que tem o povo como centro fará bem até a estas elites. Agora não tem lugar a revanche mas a magnanimidade, o pais unido ao redor de um projeto includente.
* Teólogo. Membro da Comissão da Carta da Terra
Decretos de Natal
Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nos faremos presentes junto aos famintos, carentes e excluídos. Papai Noel será malhado como Judas e, lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvífica do Menino Jesus. Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias, fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos: neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Natal todos os algodões de falsas neves; trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais; renas e trenós por carroças repletas de alimentos não perecíveis; e se algum Papai Noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e chinelas. Fica decretado que cartas de crianças só as endereçadas ao Menino Jesus, como a do Lucas, que escreveu convencido de que Caim e Abel não teriam brigado se dormissem em quartos separados; propôs ao Criador ninguém mais nascer nem morrer, e todos nós vivermos para sempre; e, ao ver o presépio, prometeu enviar seu agasalho ao filho desnudo de Maria e José. Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens partilha Deus. Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone e, recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor. Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto bíblico, agradecendo ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção sem que se possa entender com a razão. Finita, a vida é um rio que sabe ter o mar como destino, mas jamais quantas curvas, cachoeiras e pedras haverá de encontrar em seu percurso. Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza. Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seus custos convertido em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal do empregado que a serve. Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua mais perfeita que a do outro, nem fará rastejar a sua língua, qual serpente venenosa, nas trilhas da injúria e da perfídia. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar o "Pai Nosso" se o pão também não for nosso, mas privilégio da minoria abastada. Fica decretado que toda dieta se reverterá em benefício do prato vazio de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou escusas intenções. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços. Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém. Fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto de confiança à estrela, para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem-terra, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança. Frei Betto, Site: http://br.geocities.com/mcrost10/index.htm
Para pensar
O homem é bem mais que um número, um dado de pesquisa ou uma questão para as ciências. Ele é, uma "parábola de Deus". é "a melhor floração do mundo", e está sempre em busca de uma exaustiva hominização. O homem perfeito só nasceu uma vez em Jesus Cristo; depois disso, ele continua sendo gestado "na grande placenta da história-processo que ascende e converge para Deus". Embora reconhecendo e testemunhando verdades tão consoladoras, a antropologia é a do não-homem e, por isso, uma antropologia profética denunciando as estruturas injustas da sociedade que agridem e discriminam as pessoas. Mas mesmo assim, vale a pena ser homem, "porque Deus quis ser um deles".
Padre Carlos F. da Silva
Padre Carlos F. da Silva
domingo, outubro 29, 2006
Declaração de voto
Ao longo dos anos de ministério pastoral, mais de trinta na periferia deSão Paulo e na Baixada Fluminense, sempre procurei caminhar atento esolidário ao clamor do povo pela vida com dignidade e esperança. Na Páscoa de 2005, após grave acidente e longa recuperação, o papa JoãoPaulo II dispensou-me das obrigações de bispo diocesano, a meu pedido, parapoder dedicar minha vida à defesa e à promoção do direito humano básico aoalimento e à nutrição. Sonho com um mundo em que crianças não sejamconcebidas e geradas para viver uns poucos dias (Isaias 65,20). Ao lado de Betinho, de Bizeh e de dom Luciano, seguindo as pegadas deJosué de Castro, do Padre Cícero e de dom Helder, desde a primeira horaparticipo da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Através da mobilização social e da solidariedade queremos criar acultura do direito humano básico ao alimento e à nutrição. Cremos que asolidariedade somente é virtude quando a justiça é honrada, por issobuscamos dotar o país de diretrizes e estruturas de segurança alimentar enutricional sustentável.A Política de Segurança Alimentar e Nutricional tem o direito comofundamento, a preservação do meio ambiente como determinante, a saúde dopovo como objetivo e a nutrição materno infantil como urgência. Com João Paulo II afirmamos, ainda, que somente através de açãoorquestrada entre família, sociedade e governos, pode-se efetivamentegarantir a cada habitante de nosso país e do mundo o acesso à alimentaçãoadequada em qualidade e quantidade. Neste processo ressalto a importância da parceria do Presidente ItamarFranco com o Movimento pela Ética na Política. Com a criação de o Conselhode Segurança Alimentar - CONSEA, a realização da primeira ConferênciaNacional de Segurança Alimentar, em julho de 1994, e outras medidas cujaenumeração este espaço não comporta, bases foram assentadas e diretrizesdefinidas para o desenvolvimento do Brasil, tendo a segurança alimentarcomo um de seus eixos. Com a extinção do CONSEA pelo presidente FHC, o direito à alimentaçãoadequada perde espaço e proeminência na agenda política. A ruptura daparceria entre governo e sociedade retardou o processo de superação dosmales da fome. Posteriormente, o Senador Antônio Carlos Magalhães recoloca o problemada fome na agenda política do Congresso Nacional. Na reta final do atualmandato presidencial, o mesmo senador contribui para a aprovação da Lei11.346 que cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.Aliás, uma iniciativa e tarefa inacabada do Governo Lula. Apesar da presença constante do Senador Suplicy, o Partido dosTrabalhadores, tendo priorizado a busca de solução para o problema da fomeno Governo Paralelo, efetivamente não deu respaldo ao Presidente Itamar eao CONSEA. No Instituto da Cidadania, porém, o combate à fome tornou-se umde seus principais temas. Com o surgimento do Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar, em 1998,desencadeia-se nos Estados nova etapa da luta contra a miséria e os malesda fome. O Presidente Itamar Franco, então Governador do Estado de Minas>Gerais, em parceria com o Fórum Mineiro de Segurança Alimentar, cria eestrutura o primeiro CONSEA Estadual. Desde o final de 1998 acompanho cada passo que levou Minas Gerais a sero Estado pioneiro em Segurança Alimentar e Nutricional, criando comissõesregionais, realizando programa de projetos associativos de segurançaalimentar e construindo a Lei 15.982/2006 que define as Diretrizes edetermina a implantação do Sistema Estadual de Segurança Alimentar eNutricional Sustentável.Com a sabedoria política do Governador Aécio Neves, honrando e dandocontinuidade e maior abrangência ao legado de Itamar Franco, Minas Geraisavança na abertura de caminhos para a superação da miséria e dos males dafome. Em seu novo mandato, como consta do plano de governo, o processo deregionalização e municipalização deverá se consolidar e novas metas serãoatingidas. Assim, Minas Gerais estará contribuindo para a gestação de umnovo modelo brasileiro de desenvolvimento. De não menor importância, relembro o Mutirão lançado pela 40ª.Assembléia Geral da CNBB, em 19 de abril de 2002, como resposta às"Exigências Evangélicas e Éticas de Superação da Miséria e da Fome" (Doc.CNBB. 69).Com a eleição de Lula para a Presidência da República, em 2002, o"combate à fome" ganha espaço e notoriedade mesmo além de nossasfronteiras. Porém, desde a primeira hora ficaram evidentes os limitesestruturais do Estado Brasileiro, comprometido com a cidadania de apenas umquarto de sua população, e os equívocos da compreensão e dosencaminhamentos do próprio governo.Aplaudindo o esforço despendido e o volume de recursos canalizados emprogramas de combate à fome, observo que sociedade e governos em geralainda tratam o problema da fome como questão de assistência social e decaridade ou favor! Nenhum direito humano deve ser tratado como uma questãode assistência social, embora em situações de grave risco ou geradas pelanegação de um direito sejam necessárias medidas de assistência social. A concepção das duas candidaturas que, em segundo turno, disputam aPresidência da República, sobre causas e soluções para a exclusão social, amiséria e a fome, pode ser semelhante, mas decididamente não é igual. São, porém, semelhantes na repetição da eterna cantilena de que odesenvolvimento econômico, pura e simplesmente, será o remédio que haveráde curar nossos males. Em verdade, enquanto o Mercado for o regente emandatário de nossas vidas haveremos de colher os frutos da voracidade quelhe é peculiar. Alguém acredita que o meio ambiente poderá continuarcorrespondendo aos desmandos de nosso desperdício? Além dos cortes e outrasmanipulações dos economistas, não seriam necessárias e urgentes outrasmudanças que nos tragam mais saúde e vida? Onde entram os objetivos e asmetas do milênio? Alguém mais teria coragem de afirmar que a frugalidade énossa vocação e destino?! O que nos desfigura é a riqueza e a miséria! Em 1992 o Movimento pela Ética na Política considerou a concentração derenda e o alimento transformado em moeda como as mais graves expressões decorrupção no país. O pecado persiste até hoje, sem qualquer indicação de mudança! Ao ladodas grandes riquezas que são produzidas, agrava-se a degradação ambiental ecresce a exclusão social gerando miséria e fome. Vivemos numa sociedadeabortiva e cada vez mais violenta e cínica. Grande desafio será garantir defato o direito à reprodução, à gestação, ao nascimento e a uma vida digna efeliz através da justiça social, da educação e da promoção da cidadania.Causa-me indignação saber que milhões de bois e vacas destinados àexportação sejam tão bem conhecidos e rastreados. Tudo se sabe sobre suagenealogia, gestação e nutrição. Vergonhosamente os governos, nos trêsníveis da federação, pouco ou quase nada sabem sobre a nutrição e a saúdede seu povo. Basta consultar o banco de dados do SISVAN e das SecretariasEstaduais e Municipais de Saúde. Desde que o INAN foi extinto nada foi criado em seu lugar. Proponho que,no Ministério da Saúde (não seria da Doença?) ou da Educação, seja criado oDepartamento ou a Secretaria Nacional de Alimentação e Nutrição paraarticular a efetiva implantação da Política Nacional de Alimentação eNutrição, com suas sete diretrizes. Fundamental que as estatísticas tenhamrosto, nome e endereço em se tratando da vida de nossa gente, especialmenteas crianças. Enquanto alimento for transformado em moeda e lastro da balançacomercial, não haverá "Fome Zero" e nem "Nutrição Dez", menos ainda um povosaudável, inteligente, criativo e bem humorado! Aliás, o povo simples emodesto em suas pretensões nada mais deseja do que casa para morar, escolapara as crianças e trabalho! Espero que a política agrária e a política agrícola, tendo a segurançaalimentar e nutricional como objetivo, sejam definidas a partir dasrespostas a estas perguntas: O que plantar? Por que plantar? Como plantar?Para quem plantar? Em geral são os pequenos e médios produtores queabastecem a mesa do povo em qualquer recanto da Terra. Aliás, o Brasil nãoé problema, mas solução para o problema da fome no mundo. Na mesma perspectiva e com o mesmo objetivo, a descentralização e odesenvolvimento local podem tornar-se as bases de um país próspero esaudável Igualmente, a preservação do meio ambiente não seja meraconcessão, nem a economia solidária considerada uma utopia. Finalmente, sem erradicar o analfabetismo o Brasil não sai do atoleiroda corrupção e da miséria. O Papa João Paulo II já nos advertia que oanalfabeto quase sempre é explorado econômica e politicamente! Em conclusão, não quero discutir virtudes e pecados dos governantes e deseus auxiliares. Arrogância, mediocridade, mesquinharia, futricas ecorrupção normalmente vicejam nos palácios. Recomendaria aos governantes,na escolha de seus colaboradores, que levassem em consideração os conselhosde Jetro a seu genro Moisés (Êxodo 18,21). Depois de dois anos de árdua e leal cooperação com o Governo Alckmin/Lembo, como conselheiro e presidente do CONSEA-SP, não coloco esperançaalguma na candidatura da coligação Por Um Brasil Decente em relação àdefesa e à promoção do direito humano ao alimento e à nutrição, pelocontrário temo retrocesso. Espero que o Presidente Lula receba mais um mandato e que possa superaras contradições que caracterizam o Estado Brasileiro e afetam seu governo.Não se trata apenas de combater a corrupção, mas cultivar uma propostaética de desenvolvimento. Impossível servir a dois senhores, o Mercado e oPovo. Voto por uma economia com mercado, justa e solidária. Reine a Ética,governe a Política e submeta-se o Mercado. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em 16 de Outubro de 2006, DiaMundial da Alimentação, participo da inauguração de mais um centromunicipal de recuperação de crianças em estado grave de desnutrição parareafirmar meu compromisso com um Brasil livre da miséria e da fome.Presidente Lula, cultivando a sabedoria, a coragem, a ousadia e ahumildade, com a graça de Deus e a participação do povo, poderá fazer umgrande governo. Quando o pão é partilhado com o faminto e injustiçado, brilha a Luz!(Isaias 58, 6-8). Não tenha medo de ser feliz!
Dom Mauro Morelli Bispo Emérito da Diocese de Duque de Caxias
Indaiatuba, SP, 12 de Outubro de 2006 - Dia da Criança.
Dom Mauro Morelli Bispo Emérito da Diocese de Duque de Caxias
Indaiatuba, SP, 12 de Outubro de 2006 - Dia da Criança.
Reflexão
Queridos amigos, paz e bênçãos!
Estou desejando a todos um proveitoso final desemana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade,pensando mais nos outros que em si mesmo.Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tantomais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente elesurge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudadeinfinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá?Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separacom ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto dohomem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vaise realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser quesim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdadeinclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, seescolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Pe. Carlos F. da Silva
Estou desejando a todos um proveitoso final desemana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade,pensando mais nos outros que em si mesmo.Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tantomais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente elesurge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudadeinfinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá?Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separacom ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto dohomem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vaise realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser quesim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdadeinclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, seescolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Pe. Carlos F. da Silva
sábado, outubro 28, 2006
Reflexão
Queridos amigos, paz e bênçãos! Estou desejando a todos um proveitoso final de semana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade, pensando mais nos outros que em si mesmo.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão
Queridos amigos, paz e bênçãos! Estou desejando a todos um proveitoso final de semana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade, pensando mais nos outros que em si mesmo.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão
Queridos amigos, paz e bênçãos! Estou desejando a todos um proveitoso final de semana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade, pensando mais nos outros que em si mesmo.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
quinta-feira, setembro 28, 2006
Pedro Casaldáliga
"Em nome do Pai de todos os Povos,Maíra de tudo, excelso TupãEm nome do Filho,Que a todos os homens nos faz ser irmãos.No sangue mesclado com todos os sangues.Em nome da Aliança da Libertação.Em nome da Luz de toda Cultura.Em nome do Amor que está em todo amor.Em nome da Terra Sem Males,Perdida no lucro, ganhada na dor,Em nome da Morte vencida,Em nome da Vida,Cantamos, Senhor"Trecho estraído da "Missa da Terra sem Males" de Pedro Casaldáliga,bispo emérito da Prelazia do Araguaia (São Félix do Araguaia - MT)
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