A AMAZÔNIA PERTO DO FIM
O Brasil é um país em que as pessoas estão queimando as árvores. Antônio Carlos Jobim (1927-1994)
Os habituais leitores do Direto da Redação devem imaginar o que ocorreu com a gigantesca Terra de Vera Cruz logo após Pedro Álvares Cabral (1467-1562) nela ter desembarcado a 22 de abril de 1500. É verdade que hoje está mais do que provado que o genovês Américo Vespúcio (1454-1512) e o espanhol Vicente Yanéz Pinzón (1460-1508) passearam por ela pouco antes de Cabral, todos tentando tirar o maior proveito possível do famoso Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494. Mas a história pouco mudou. As primeiras vítimas foram os índios – mortos ou aprisionados pelas tripulações e levados para Portugal e Espanha como curiosas e estrambóticas figuras humanas – e das índias, quase sempre nuas, violentadas e estupradas. Logo depois, os portugueses encarregados da colonização decidiram atacar as árvores. Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (secretaria criada em 1990), a Terra de Vera Cruz, logo depois chamada de Brasil, era riquíssima em madeiras nobres, como o Pau Brasil (hoje em extinção), Mogno, Cedro, Imbuia, Cerejeira, Ipê, Jatobá, Sucupira, Jacarandá e Pau-Ferro, entre outras. Mas a primeira vítima foi o Pau Brasil. De acordo com Edgardo Otero, que lançou, em 2006, pela Panda Books, o livro 'A Origem dos Nomes dos Países', a Ibira-Pitanga (nome que os tupi-guaranis davam ao Pau Brasil), chegava a atingir 30 metros de altura e seu tronco poderia chegar a um metro de diâmetro. Pois bem: nos primeiros 375 anos de colonização, de 1500 até 1875, os portuguêses cortaram 70 milhões de árvores, num total de 15 mil 555 por mês ou 518 por dia. Hoje o panorama pouco ou nada mudou. As madeireiras atacam indiscrimidamente as florestas brasileiras com o objetivo de atender à demanda da construção civil e das fábricas de móveis finos – Mogno e Jacarandá, por exemplo – sem que os poucos fiscais do Ibama possam controlar o tráfego de caminhões repletos de gigantescas toras que rodam pelas estradas do país. Nos últimos tempos – os anúncios invadiram a Internet – surgiram construtoras vendendo casas de madeira, pintadas ou envernizadas, principalmente para São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Mas não são casas populares – longe disso. São verdadeiros palacetes, que alardeiam a vantagem da madeira sobre o tijolo, principalmente porque podem ser desmontadas e transportadas. E é bom não esquecer as enormes queimadas provocadas por fazendeiros, que precisam de espaço para o pasto do gado ou para plantações – e dos disfarçados fornos de carvão vegetal, que têm compradores certos: a classe baixa, sem recursos para comprar o carvão mineral. E para terminar os focos de riquezas mineirais – pedras preciosas e metais – estão cada vez mais presentes escondidos nas matas que já foram vírgens. E bota tempo nisso. Em poucas e resumidas palavras, as florestas brasileiras vão chegar ao fim, em menos de 70 anos, ajudando em muito o já acelerado aquecimento global. Coitados de nossos descendentes...
terça-feira, janeiro 30, 2007
O duque e o ladrão de galinha
O duque e o ladrão de galinha
Frei Betto *
Adital - O Duque de Charolais (1700-1760), nobre francês, ao retornar da caçada viu um homem que, de sua casa, observava o movimento da rua. Talvez porque naquele dia os animais lhe tenham enganado a pontaria, Charolais comentou com o cocheiro: "Vejamos se atiro bem naquele corpo!" Apontou e matou o estranho. No dia seguinte, o assassino rogou indulgência ao Duque de Orléans. Este o advertiu: "Senhor, a indulgência que solicitais deve-se à vossa distinção e qualidade de príncipe de sangue; ela vos será concedida pelo rei (Luís XV), mas ele a concederá ainda com maior presteza àquele que fizer o mesmo a vós." A impunidade é uma prerrogativa de quem possui poder. Essa é uma regra brasileira. Aqui, os Duques de Charolais são reiteradamente indultados pelo mesmo Poder Judiciário que se mostra implacável com os pobres. Nossas leis foram feitas para atenuar os crimes dos Charolais; nosso sistema prisional, para castigar impiedosamente quem furta uma lata de margarina ou é suspeita de misturar cocaína na mamadeira do bebê, embora a acusação tenha sido desmentida pelo laudo pericial. Políticos apropriam-se de recursos públicos; deputados fartam-se de emendas parlamentares; suplentes embolsam, em menos de um mês, o equivalente a 210 salários mínimos; eleitos ensinam empresas a burlarem o fisco via triangulação no exterior. Porque investidos de mandato federal, permanecem impunes até serem julgados pelo STF - que jamais mandou um deputado federal para a cadeia. Num desprezo cínico pelos eleitores, os partidos adotam uma postura conivente com os acusados, sem expulsá-los de suas fileiras e nem mesmo impedir que fossem diplomados. O que esperar das novas gerações se um importante jornalista assume que assassinou a namorada por motivo torpe e a condenação sequer lhe restringe a liberdade? Um banqueiro dá um calote de R$ 3 bilhões em seus correntistas e a Justiça o autoriza a desfrutar de sua suntuosa mansão. Um acidente aéreo mata 154 pessoas e ninguém vai para a cadeia. Uma cratera se abre nas obras do metrô de São Paulo, engolindo várias pessoas; a barragem de uma mineração se rompe, polui rios e arrasa cidades de Minas; rodovias se esfarelam - e a culpa é das chuvas, sem que qualquer pessoa seja responsabilizada e presa! Os exemplos poderiam se multiplicar. Bem conhecem o leitor ou a leitora outros tantos casos. A Polícia Federal faz o seu trabalho de investigação e detenção, o Ministério Público age em defesa da lei, mas o Judiciário, supremo intérprete do queijo suíço de nossa legislação penal, encontra sempre os buracos pelos quais os ratos passam impunemente. Assim, o jovem se pergunta: vale a pena ser honesto? Em vez de virtude e dever, a honestidade transforma-se em vergonha e humilhação. Felizmente há no Judiciário muitos com senso de justiça. E bom humor. É o caso do juiz Ronaldo Tavani, da Comarca de Varginha (MG), que em Carmo da Cachoeira concedeu liberdade provisória a um homem preso em flagrante por furtar duas galinhas e perguntar ao delegado: "Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?" Eis a sentença do magistrado: "No dia cinco de outubro / do ano ainda fluente, / em Carmo da Cachoeira / terra de boa gente, / ocorreu um fato inédito / que me deixou descontente. O jovem Alceu da Costa, / conhecido por "Rolinha", / aproveitando a madrugada, / resolveu sair da linha, / subtraindo de outrem / duas saborosas galinhas. Apanhando um saco plástico / que ali mesmo encontrou, / o agente muito esperto/ escondeu o que furtou, / deixando o local do crime / da maneira como entrou. O senhor Gabriel Osório, / homem de muito tato, / notando que havia sido / a vítima do grave ato, / procurou a autoridade / para relatar-lhe o fato. Ante a notícia do crime, / a polícia diligente / tomou as dores de Osório / e formou seu contingente, / um cabo e dois soldados / e quem sabe até um tenente. Assim é que o aparato / da Polícia Militar, / atendendo a ordem expressa / do delegado titular, / não pensou em outra coisa / senão em capturar. / E depois de algum trabalho / o larápio foi encontrado / num bar foi capturado. / Não esboçou reação, / sendo conduzido então / à frente do delegado. Perguntado pelo furto/ que havia cometido, / respondeu Alceu da Costa, / bastante extrovertido: / "Desde quando furto é crime / neste Brasil de bandidos?" Ante tão forte argumento / calou-se o delegado, / mas por dever do seu cargo / o flagrante foi lavrado, / recolhendo à cadeia / aquele pobre coitado. E hoje passado um mês / de ocorrida a prisão, / chega-me às mãos o inquérito / que me parte o coração. / Solto ou deixo preso / esse mísero ladrão? Soltá-lo é decisão / que a nossa lei refuta, / pois todos sabem que a lei / é pra pobre, preto e puta... / Por isso peço a Deus / que norteie minha conduta. É muito justa a lição / do pai destas Alterosas. / Não deve ficar na prisão / quem furtou duas penosas, / se lá também não estão presas / pessoas bem mais charmosas. Desta forma é que concedo / a esse homem da simplória, / com base no CPP, / liberdade provisória, / para que volte para casa / e passe a viver na glória. Se virar homem honesto / e sair dessa sua trilha, / permaneça em Cachoeira / ao lado de sua família, / devendo, se ao contrário, / mudar-se para Brasília!!!"
Frei Betto é escritor, autor de "Alfabetto - autobiografia escolar" (Ática), entre outros livros. *
Frei dominicano. Escritor.
Frei Betto *
Adital - O Duque de Charolais (1700-1760), nobre francês, ao retornar da caçada viu um homem que, de sua casa, observava o movimento da rua. Talvez porque naquele dia os animais lhe tenham enganado a pontaria, Charolais comentou com o cocheiro: "Vejamos se atiro bem naquele corpo!" Apontou e matou o estranho. No dia seguinte, o assassino rogou indulgência ao Duque de Orléans. Este o advertiu: "Senhor, a indulgência que solicitais deve-se à vossa distinção e qualidade de príncipe de sangue; ela vos será concedida pelo rei (Luís XV), mas ele a concederá ainda com maior presteza àquele que fizer o mesmo a vós." A impunidade é uma prerrogativa de quem possui poder. Essa é uma regra brasileira. Aqui, os Duques de Charolais são reiteradamente indultados pelo mesmo Poder Judiciário que se mostra implacável com os pobres. Nossas leis foram feitas para atenuar os crimes dos Charolais; nosso sistema prisional, para castigar impiedosamente quem furta uma lata de margarina ou é suspeita de misturar cocaína na mamadeira do bebê, embora a acusação tenha sido desmentida pelo laudo pericial. Políticos apropriam-se de recursos públicos; deputados fartam-se de emendas parlamentares; suplentes embolsam, em menos de um mês, o equivalente a 210 salários mínimos; eleitos ensinam empresas a burlarem o fisco via triangulação no exterior. Porque investidos de mandato federal, permanecem impunes até serem julgados pelo STF - que jamais mandou um deputado federal para a cadeia. Num desprezo cínico pelos eleitores, os partidos adotam uma postura conivente com os acusados, sem expulsá-los de suas fileiras e nem mesmo impedir que fossem diplomados. O que esperar das novas gerações se um importante jornalista assume que assassinou a namorada por motivo torpe e a condenação sequer lhe restringe a liberdade? Um banqueiro dá um calote de R$ 3 bilhões em seus correntistas e a Justiça o autoriza a desfrutar de sua suntuosa mansão. Um acidente aéreo mata 154 pessoas e ninguém vai para a cadeia. Uma cratera se abre nas obras do metrô de São Paulo, engolindo várias pessoas; a barragem de uma mineração se rompe, polui rios e arrasa cidades de Minas; rodovias se esfarelam - e a culpa é das chuvas, sem que qualquer pessoa seja responsabilizada e presa! Os exemplos poderiam se multiplicar. Bem conhecem o leitor ou a leitora outros tantos casos. A Polícia Federal faz o seu trabalho de investigação e detenção, o Ministério Público age em defesa da lei, mas o Judiciário, supremo intérprete do queijo suíço de nossa legislação penal, encontra sempre os buracos pelos quais os ratos passam impunemente. Assim, o jovem se pergunta: vale a pena ser honesto? Em vez de virtude e dever, a honestidade transforma-se em vergonha e humilhação. Felizmente há no Judiciário muitos com senso de justiça. E bom humor. É o caso do juiz Ronaldo Tavani, da Comarca de Varginha (MG), que em Carmo da Cachoeira concedeu liberdade provisória a um homem preso em flagrante por furtar duas galinhas e perguntar ao delegado: "Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?" Eis a sentença do magistrado: "No dia cinco de outubro / do ano ainda fluente, / em Carmo da Cachoeira / terra de boa gente, / ocorreu um fato inédito / que me deixou descontente. O jovem Alceu da Costa, / conhecido por "Rolinha", / aproveitando a madrugada, / resolveu sair da linha, / subtraindo de outrem / duas saborosas galinhas. Apanhando um saco plástico / que ali mesmo encontrou, / o agente muito esperto/ escondeu o que furtou, / deixando o local do crime / da maneira como entrou. O senhor Gabriel Osório, / homem de muito tato, / notando que havia sido / a vítima do grave ato, / procurou a autoridade / para relatar-lhe o fato. Ante a notícia do crime, / a polícia diligente / tomou as dores de Osório / e formou seu contingente, / um cabo e dois soldados / e quem sabe até um tenente. Assim é que o aparato / da Polícia Militar, / atendendo a ordem expressa / do delegado titular, / não pensou em outra coisa / senão em capturar. / E depois de algum trabalho / o larápio foi encontrado / num bar foi capturado. / Não esboçou reação, / sendo conduzido então / à frente do delegado. Perguntado pelo furto/ que havia cometido, / respondeu Alceu da Costa, / bastante extrovertido: / "Desde quando furto é crime / neste Brasil de bandidos?" Ante tão forte argumento / calou-se o delegado, / mas por dever do seu cargo / o flagrante foi lavrado, / recolhendo à cadeia / aquele pobre coitado. E hoje passado um mês / de ocorrida a prisão, / chega-me às mãos o inquérito / que me parte o coração. / Solto ou deixo preso / esse mísero ladrão? Soltá-lo é decisão / que a nossa lei refuta, / pois todos sabem que a lei / é pra pobre, preto e puta... / Por isso peço a Deus / que norteie minha conduta. É muito justa a lição / do pai destas Alterosas. / Não deve ficar na prisão / quem furtou duas penosas, / se lá também não estão presas / pessoas bem mais charmosas. Desta forma é que concedo / a esse homem da simplória, / com base no CPP, / liberdade provisória, / para que volte para casa / e passe a viver na glória. Se virar homem honesto / e sair dessa sua trilha, / permaneça em Cachoeira / ao lado de sua família, / devendo, se ao contrário, / mudar-se para Brasília!!!"
Frei Betto é escritor, autor de "Alfabetto - autobiografia escolar" (Ática), entre outros livros. *
Frei dominicano. Escritor.
terça-feira, dezembro 19, 2006
A festa pagã
Com certeza Jesus não nasceu no Natal. Nessa data comemorava-se o culto ao deus Mitra, muito popular em Roma, no século II. Mas a história do Natal começa bem antes, há aproximadamente 7000 anos antes de Cristo. Celebrava-se o solstício de inverno, que era a noite mais longa do hemisfério norte, no final de dezembro. A partir daí os dias ficavam mais longos, facilitando o plantio e a colheita. A festa durava dias, regada a muito comida e vinho.
O Papai Noel realmente existiu, chamava-se Nicolau de Myra e era um bispo. Diz a lenda que ele era um homem muito rico e que gostava de ajudar as pessoas. Viveu no século IV, na Ásia Menor. A imagem do religioso bonzinho só mudou no século XIX com o surgimento da publicidade natalina. Nessa época a imagem do religioso foi modernizada e substituída pelo Papai Noel que conhecemos hoje: gorducho, com roupas vermelhas e que mora no Pólo Norte. Na década de 30, sua imagem foi usada pela Coca-Cola e fez tanto sucesso, que passou a ser a figura mais popular do Natal. Além das compras, claro.
Hoje, o Natal é símbolo de todos os excessos: o comer de mais, beber sem limites, afundar-se no cartão de crédito, estourar o cheque especial. Sem falar na loucura que é entrar em um supermercado ou andar pelo centro comercial.
Alguém se lembra de Jesus? Aqueles que freqüentam alguma igreja, sim. Mas, a grande massa, ignara e frenética, que compra compulsivamente, só pensa em gastar. O que faz a alegria do comércio e da indústria. Aí, aparece na mídia aquelas campanhas, feitas por gente tão abnegada, recolhendo brinquedos, roupas e alimentos e, que não tem consciência de que estão só inflacionando as vendas, dando grandes lucros aos comerciantes.
Pergunto: se a civilização ocidental não tivesse o hábito de dar presentes, alguma criança ficaria infeliz? A própria sociedade cria vícios, hábitos e depois não é capaz de perceber seus resultados nefastos. E, ironicamente, tenta neutralizá-los com campanhas , ditas fraternais.
O Natal, para a maioria da população, já não é mais usado para lembrar o nascimento de Cristo. Mas sim, para uma frenética e consumista ilusão de fraternidade. Uma verdadeira farra pagã. Voltamos ao começo....
O Papai Noel realmente existiu, chamava-se Nicolau de Myra e era um bispo. Diz a lenda que ele era um homem muito rico e que gostava de ajudar as pessoas. Viveu no século IV, na Ásia Menor. A imagem do religioso bonzinho só mudou no século XIX com o surgimento da publicidade natalina. Nessa época a imagem do religioso foi modernizada e substituída pelo Papai Noel que conhecemos hoje: gorducho, com roupas vermelhas e que mora no Pólo Norte. Na década de 30, sua imagem foi usada pela Coca-Cola e fez tanto sucesso, que passou a ser a figura mais popular do Natal. Além das compras, claro.
Hoje, o Natal é símbolo de todos os excessos: o comer de mais, beber sem limites, afundar-se no cartão de crédito, estourar o cheque especial. Sem falar na loucura que é entrar em um supermercado ou andar pelo centro comercial.
Alguém se lembra de Jesus? Aqueles que freqüentam alguma igreja, sim. Mas, a grande massa, ignara e frenética, que compra compulsivamente, só pensa em gastar. O que faz a alegria do comércio e da indústria. Aí, aparece na mídia aquelas campanhas, feitas por gente tão abnegada, recolhendo brinquedos, roupas e alimentos e, que não tem consciência de que estão só inflacionando as vendas, dando grandes lucros aos comerciantes.
Pergunto: se a civilização ocidental não tivesse o hábito de dar presentes, alguma criança ficaria infeliz? A própria sociedade cria vícios, hábitos e depois não é capaz de perceber seus resultados nefastos. E, ironicamente, tenta neutralizá-los com campanhas , ditas fraternais.
O Natal, para a maioria da população, já não é mais usado para lembrar o nascimento de Cristo. Mas sim, para uma frenética e consumista ilusão de fraternidade. Uma verdadeira farra pagã. Voltamos ao começo....
Feliz Natal

Embora eu saiba muito bem e digo parafraseando, que o homem (Andros) é o ser que é capaz de ler a mensagem do mundo. Jamais é um analfabeto. É sempre aquele que, na multiplicidade de linguagem, pode ler e interpretar. Viver é ler e interpretar. No efêmero pode ler o permanente; no temporal, o Eterno; no mundo, Deus. Então o efêmero se transfigura em sinal de presença do Permanente; o temporal em símbolo da realidade do Eterno; o mundo em grande sacramento de Deus. Então, como se diz: Nada acontece por acaso. Tudo tem um propósito. Mas Deus não nos faz de marionetes. Ele não brinca conosco. Ele nos respeita naquilo que escolhermos. Pode ser a VIDA. Mas pode ser também a MORTE. Pode ser a FELICIDADE, mas pode ser também o contrário. Não é um Deus violento ou autoritário. Que usa do poder arbitrariamente. Por isso Ele respeita a vontade do ser criado. Ainda mais, somos um nó de relações e pulsões orientadas para todas as direções. Não estamos fixados nesse ou naquele objeto, mas na totalidade dos objetos. Por causa disto somos permanentes desertores de tudo que é estanque e limitados e eternos protestantes e contestadores dos mundos fechados. Em nós não há somente o ser, mas principalmente um poder-ser. Somos projeção e tendência para um sempre mais, para um Incógnito, para o novum e para o ainda-não. Não temos nada a temer. Aproveito a oportunidade para desejar a todos um FELIZ E SANTO NATAL! Que Deus confundido na realidade do Cristo que vem e nasce na manjedoura, encontre nos nossos corações o aconchego. Que o projeto de Deus exaurido nos ditos e fatos de Jesus, seja absorvido por nós de tal forma, que o resultado imediato seja traduzido através do amor e da bondade, explícitos nas relações de nós estabelecemos com o mundo e com as pessoas. Que o ano que se inicia, seja de fato novo e cheio de boas realizações. Que a vida se torne mais plena e abundante para todos.
Padre Carlos F. da Silva
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Para refletir
Vimos a morte de um ditador que matou, torturou e pilhou, para não dizer roubou (rico não rouba, desvia). Estou falando de Pinochet. Foi tarde. E infelizmente a igreja católica esteve lá, celebrando o quê? Somos a favor da vida. Há momentos na vida em que a consciência cristã deve anunciar e denunciar, ou peca diante de Deus, atraiçoando a verdade do homem e de Cristo. O cristão é chamado a testemunhar, no meio do mundo, o mistério sagrado do homem que foi assumido por Deus e, a defender o direito divino,identificado com o direito inviolável de cada homem de ser respeitado como pessoa. O calar diante das injustiças e violações, a sacralidade de cada homem significa cumplicidade; é mais cômodo e fácil; razões de ordem, de disciplina, de (falsa) unidade, de não-intromissão em questões políticas, são invocadas para justificar o absentismo. Arrostar todos os perigos, assumir as conseqüências da ousadia, superar medo inibidor, anunciar com destemor e denunciar com desassombro: isso é graça de Deus. Pinochet morreu sem ser penalizado pelos danos que causou. E mais, não restituiu aos cofres públicos tudo pilhou. Que pena!
sexta-feira, dezembro 08, 2006
O espanto
Tentando reler a obra moderna do filósofo francês Michel Foucault, "As Palavras e as Coisas", quis aplicá-la na atualidade dos acontecimentos e confesso que fiquei espantado! Não é que estamos vivendo um "fervilhão" de acontecimentos e às vezes, nem sequer damos conta da real importância de tudo? Fatos marcantes estão acontecendo e estão mudando o eixo da história, das relações no mundo. Somos testemunhas de um tempo impar na composição de uma era histórica nova e, temos dificuldades em perceber e quantificar tudo isso. As palavras, às vezes não traduzem o que dizem as coisas. Observem o que acontece da parte dos Estados Unidos em relação ao "resto" do mundo, mais precisamente o poder desastroso que exercem sobre o Iraque e o Afeganistão! Lá eles pilham, matam e destroem em nome da paz e do amor! O mundo assiste a tudo impassível. Paz e amor para quem? E, às vezes, interpretando os acontecimentos como sendo a única possibilidade de paz e ainda pior, incorporando um messianismo, "divino", disponibilizado da parte do próprio Deus, ao grande governo daquele país, como pretende uma grande corrente evangélica! E tudo fica como o governo daquele país quer. Nem a ONU exerce a sua função quando se trata ao menos de fiscalizar o que fazem. Meu Deus! No mais ainda temos que viver, sobretudo aqui no ocidente, com a invasão cultural programada e premeditada através dos seus "enlatados" e do “sonho americano", diga-se de passagem. Americano aqui, parece ser absolutizado em quem nasceu nos Estados Unidos, e não nas Américas, como a lógica sugere. Isso não é um espanto! E o caso da homérica briga entre Israel e Palestina? Outra vez verificamos a intromissão do Norte, sobretudo daqueles que continuam na diáspora, mas bancam economicamente a guerra e a matança sem fim entre judeus e palestinos. Vejam a ilusão do destino! Os mesmos que foram mortos aos milhões nas mãos de um louco chamado Hitler. No Chile, até hoje não conseguiram prender um criminoso da humanidade, Augusto Pinochet. Engraçado que nem o fruto da pilhagem, que ele fez naquele país, conseguiu-se rastrear e incorporá-lo aos cofres públicos. Mas o General está "ferido de morte." Agora não tem mais como escapar! Será que não vai tarde? Tantas mortes, tanta violência! Por ironia ele continua sendo querido, acolhido e protegido por muitos partidários. Não é à toa que vivem querendo ressuscitar o nazismo. Aqui no Brasil, alguns choram de saudades do tempo da ditadura militar. Alguns outros fatos marcantes, alegres, como consolo. No Brasil os pobres regozijam com a vitória do ex-operário do ABC paulista. Significa a vitória dos pobres contra uma "elite" privilegiada, que sempre fez de tudo para se manter no poder e nos privilégios. É um sinal de esperança! Precisa urgentemente incorporar as minorias, no processo de participação na história desse país - às vezes com políticas afirmativas, por que não? O que não se realiza pelo amor ou pela compreensão natural de que o mundo é de todos, então vai pela lei. Os negros, os índios, os que vieram mais recentemente para esse país. É preciso iniciar o processo progressivo de desconcentração de renda, criando um país de todos, eliminando os "sem" (sem terra, sem teto, sem comida, sem saúde, sem escola...) Nesse mesmo caminho podemos notar outros paises na caminhada. Evo Morales na Bolívia, Hugo Chávez na Venezuela, sendo eleito com mais de 60 por cento dos votos e, José Agenor na Colômbia. Tudo isso indica que as elites estão com o seu tempo contado no que se diz respeito aos seus privilégios. Podem gritar, podem espernear. A massa popular não quer mais permitir que as relações entre os diferentes, produzam desigualdade. Não tem cabimento. Sob essa ótica tenho procurado ler a obra prima do filósofo e olhar a realidade. As surpresas são muitas! Abre-se a possibilidade de ver nas entre linhas, de ver as coisas e as palavras como um "novum", como um eterno “porvir".
P Carlos Ferreira da Silva
Guarai-TO 03 de dezembro de 2006
P Carlos Ferreira da Silva
Guarai-TO 03 de dezembro de 2006
quinta-feira, novembro 16, 2006
Dia Nacional da Consciência Negra
Dia Nacional da Consciência Negra
Aproximamos-nos do dia 20 de novembro. Essa data celebramos aqui no Brasil uma figura importantíssima para todos os brasileiros e de um modo muito especial para o povo afro-descendente. Zumbi dos Palmares, hoje oficialmente posto como um herói nacional, embora ainda pouco lembrado e celebrado. Para nós afro-descendentes, esse é o verdadeiro dia para se celebrar e memorizar a consciência negra e não o 13 de maio, como pretende a legislação brasileira. Zumbi dos Palmares é um referencial de luta importante na nossa história. Foi perseverante até o fim, quando foi trucidado pela covardia dos seus algozes lá na Serra da Barriga. Ele vou esquartejado e seus companheiros e companheiras passados a fio de espada. A intenção era mesmo o de eliminar de vez todo e qualquer sonho de liberdade. Mas o “sonho não acabou” e a luta continua. Agora em outras “trincheiras” e em outros campos. Muito se tem conquistado mais ainda muito se tem por conquistar. Hoje por exemplo, está em discussão o tema das contas. O tema é polêmico e não poucas vezes pouco polarizado. Alguns doutores e doutoras pouco conhecedores da história e ou sem nenhuma simpatia por essa causa, jogam “areia” e se colocam como entraves no processo. Ilustremos um pouco a questão.
Tratando de um aspecto dessa luta, gostaria de apresentar uma pequena reflexão de Maria Querino S. Santos, relacionado com o problema das cotas.
EM DEFESA DAS COTAS
Segundo o Prof. Dr. Kabenguele Munanga, no livro “Educação e Ações Afirmativas”, as chamadas políticas de ação afirmativa são recentes na história da ideologia anti-racista. Nos países que foram implantadas (Estados Unidos, Inglaterra, Nova Zelândia, Alemanha, Áustria, Canadá e Malásia, entre outros), elas visam oferecer aos grupos discriminados e excluídos um tratamento diferenciado para compensar as desvantagens devidas à sua situação de vítimas do racismo e de outras formas de discriminação. Daí as terminologias de “equal opportunity policies”, ação afirmativa, ação positiva, discriminação positiva ou políticas compensatórias. Nos Estados Unidos, onde foram aplicadas desde a década de 60, elas pretendem oferecer aos afro-americanos as chances de participar da dinâmica da mobilidade social crescente [...]. Qualquer proposta de mudança em benefício dos excluídos receberia um apoio unânime, sobretudo quando se trata de uma sociedade racista. Nesse sentido, a política de ação afirmativa nos Estados unidos tem seus defensores e seus detratores. Foi graças a ela que se deve o crescimento da classe média afro-americana, que hoje atinge cerca de 3% de sua população, sua representação no Congresso Nacional e nas Assembléias estaduais; mais estudantes nos liceus e nas universidades... A pesar das críticas contra a ação afirmativa, a experiência das últimas quatro décadas nos países que implementaram não deixam dúvidas sobre as mudanças alcançadas. A questão fundamental que se coloca é como aumentar o continente negro no ensino universitário e superior de modo geral, tirando-o da situação de 2% em que se encontra depois de 114 anos de abolição em relação ao contingente branco que, sozinho, representa 97% de brasileiros universitários.
Assim, tratando-se do Brasil, um país que desde a abolição nunca assumiu seu racismo, condição sine qua non para pensar em políticas de ação afirmativa, os instrumentos devem ser criados pelos caminhos próprios ou pela inspiração dos caminhos trilhados por outros países em situação racial comparável ao Brasil.
FONTE: Educação e ações Afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2003, p. 117-128.
Aproximamos-nos do dia 20 de novembro. Essa data celebramos aqui no Brasil uma figura importantíssima para todos os brasileiros e de um modo muito especial para o povo afro-descendente. Zumbi dos Palmares, hoje oficialmente posto como um herói nacional, embora ainda pouco lembrado e celebrado. Para nós afro-descendentes, esse é o verdadeiro dia para se celebrar e memorizar a consciência negra e não o 13 de maio, como pretende a legislação brasileira. Zumbi dos Palmares é um referencial de luta importante na nossa história. Foi perseverante até o fim, quando foi trucidado pela covardia dos seus algozes lá na Serra da Barriga. Ele vou esquartejado e seus companheiros e companheiras passados a fio de espada. A intenção era mesmo o de eliminar de vez todo e qualquer sonho de liberdade. Mas o “sonho não acabou” e a luta continua. Agora em outras “trincheiras” e em outros campos. Muito se tem conquistado mais ainda muito se tem por conquistar. Hoje por exemplo, está em discussão o tema das contas. O tema é polêmico e não poucas vezes pouco polarizado. Alguns doutores e doutoras pouco conhecedores da história e ou sem nenhuma simpatia por essa causa, jogam “areia” e se colocam como entraves no processo. Ilustremos um pouco a questão.
Tratando de um aspecto dessa luta, gostaria de apresentar uma pequena reflexão de Maria Querino S. Santos, relacionado com o problema das cotas.
EM DEFESA DAS COTAS
Segundo o Prof. Dr. Kabenguele Munanga, no livro “Educação e Ações Afirmativas”, as chamadas políticas de ação afirmativa são recentes na história da ideologia anti-racista. Nos países que foram implantadas (Estados Unidos, Inglaterra, Nova Zelândia, Alemanha, Áustria, Canadá e Malásia, entre outros), elas visam oferecer aos grupos discriminados e excluídos um tratamento diferenciado para compensar as desvantagens devidas à sua situação de vítimas do racismo e de outras formas de discriminação. Daí as terminologias de “equal opportunity policies”, ação afirmativa, ação positiva, discriminação positiva ou políticas compensatórias. Nos Estados Unidos, onde foram aplicadas desde a década de 60, elas pretendem oferecer aos afro-americanos as chances de participar da dinâmica da mobilidade social crescente [...]. Qualquer proposta de mudança em benefício dos excluídos receberia um apoio unânime, sobretudo quando se trata de uma sociedade racista. Nesse sentido, a política de ação afirmativa nos Estados unidos tem seus defensores e seus detratores. Foi graças a ela que se deve o crescimento da classe média afro-americana, que hoje atinge cerca de 3% de sua população, sua representação no Congresso Nacional e nas Assembléias estaduais; mais estudantes nos liceus e nas universidades... A pesar das críticas contra a ação afirmativa, a experiência das últimas quatro décadas nos países que implementaram não deixam dúvidas sobre as mudanças alcançadas. A questão fundamental que se coloca é como aumentar o continente negro no ensino universitário e superior de modo geral, tirando-o da situação de 2% em que se encontra depois de 114 anos de abolição em relação ao contingente branco que, sozinho, representa 97% de brasileiros universitários.
Assim, tratando-se do Brasil, um país que desde a abolição nunca assumiu seu racismo, condição sine qua non para pensar em políticas de ação afirmativa, os instrumentos devem ser criados pelos caminhos próprios ou pela inspiração dos caminhos trilhados por outros países em situação racial comparável ao Brasil.
FONTE: Educação e ações Afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2003, p. 117-128.
Sobre o Natal
NATAL: A revelação mais comovente e mais desafiadora de Deus.
Pro. Renold J. Blank
1. O que o Natal nos revela?
Ao falar de Deus, costumamos identifica-lo com o Onipotente, o Criador do cosmo e o Senhor do céu e da terra. Sim, ele também é isso, mas é infinitamente mais. Nele pode ser encontrada uma verdade tão chocante, que – apesar de todas as celebrações festivas do ano litúrgico – foi muito pouco assimilada pela fé das pessoas. É uma verdade que ultrapassa em muito o nosso conhecimento sobre a onipotência de Deus e a sua inimaginável glória. Na base dessa verdade, há aquele fato chocante e ao mesmo tempo maravilhoso que marca a sua revelação em Jesus Cristo: Deus é humilde e modesto.
Mas há mais! Tudo indica que Deus está mais interessado em ser conhecido exatamente assim - humilde e modesto – do que como criador e onipotente.
É essa verdade fundamental, aliás, que distingue essencialmente a nossa fé da professada pelas inúmeras outras religiões existentes. Na maioria delas também se cultua um Deus que de uma forma ou de outra, se apresenta como poderoso e cheio de glória. Mas é unicamente na religião cristã que esse Deus se revela na pequenez e na fragilidade de uma criança, no seu desamparo e na sua necessidade de ser amado.
2. No evento do NATAL, Deus se manifesta a nós como realmente é (cf. Hb 1,3)
O Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Dei Verbum, formula de maneira magistral a verdade fundamental de que, em Jesus Cristo, Deus nos revelou, de maneira mais clara e direta, aquilo que realmente é.
Se acreditamos nessas palavras de Igreja – e não há razão para não faze-lo - , descobrimos, na festa do Natal, o conteúdo mais comovente e, ao mesmo tempo, mais feliz da nossa fé. Descobrimos que, diante de Deus, não precisamos ter medo, porque ele se aproxima de nós no sorriso de uma criança. Descobrimos a verdade de que Deus não se interessa em primeiro lugar pelo poder e não faz questão alguma de ser venerado como poderoso. O fato é que ele se fez pequeno e se aniquilou (cf. Fl 2,5-8), entregando-se a nós como criança que suplica pelo nosso amor.
Deus é e se revela assim! Torna-se criança para compreendermos, que há apenas uma coisa que conta: ser amado.
3. O Natal revela que Deus não se interessa pelos mecanismos de prestígio e de poder
Se Deus se revela dessa maneira, deixando de lado as instâncias de prestígio e de poder, como é que nós poderíamos recorrer a tais mecanismos na convivência social, na vida pública ou na práxis religiosa?
Deus manifestou-se como criança para compreendermos que os seus caminhos não são aqueles do poder, mais os da ternura e do amor.
Ao tornar-se homem não na figura de um imperador poderoso, mas na forma de uma criança indefesa, Deus nos informa, de maneira indiscutível, que ele não se interessa pelos mecanismos do poder. Com isso, porém, assume grande risco. Ele se põe em nossas mãos!
Em Jesus Cristo, Deus se entrega aos seres humanos e, com isso, está totalmente sujeito ao agir e às decisões das pessoas. Ele fica à nossa mercê, assim como qualquer criança. Entrega-se a nós, assumindo o risco de que essa sua confiança possa ser traída.
A decepção diante dessa traição pode ser verificada no decorrer da história e já transparece em diferentes passagens bíblicas. Tal decepção chega ao seu cume naquele acontecimento chocante em que criaturas humanas torturam e matam o Filho de Deus no pelourinho vergonhoso da cruz. Ninguém teria tido a ousadia de crucificar um Deus onipotente que se tivesse manifestado em seu poder de glória. Um Deus assim seria venerado por todos; mas, ao mesmo tempo, seria temido por todos. Exatamente esse medo, porém, Deus não quer!
4. Não o temor, mas o amor
Deus não quer que o temamos, mas o amemos. O evento da Natal nos mostra que ele não está interessado em nos intimidar. Em vez disso, espera que o amemos. Para que tal fato se torne visível da maneira mais palpável, ele se revela a nós como criança indefesa que implora nosso amor. Deu um Deus que se apresenta na forma de uma criança, ninguém tem medo. Um Deus assim só pode ser amado de coração aberto. Só pode encontrar amparo em nossos braços e coração. É exatamente isso que Deus deseja.
5. Um Deus que se manifesta como criança pode ser amado; mas essa criança também pode ser rejeitada e pisada
Deus se nos mostra como criança para que percamos o medo dele e o amemos Mas, em vez de amá-lo, também é possível outra atitude. Se esse Deus revela-se indefeso como criança, então pode ser rejeitado. É possível jogá-lo no chão, pisar nele e até matá-lo.
A festa do Natal também nos confronta com essa alternativa. Além de todo romantismo sentimental e emocional e de todo o barulho da indústria da propaganda comercial, descobrimos, nessa criança na manjedoura, um desafio sem igual. Descobrimos a alternativa do amor. Mas será que nós amamos efetivamente essa criança e lhe abrimos o coração? Ou será que nos fechamos diante de suas súplicas por amor e o jogamos no chão, pisando-o e até o matando?
Certamente ninguém de nós jamais pensaria em bater naquela criança ou matá-la. Sobre isso há consenso total entre nós que vivenciamos o Natal e estamos felizes porque Deus se tornou homem. Mas exatamente pelo fato de Deus ter se manifestado a nós numa manjedoura, por não ter permanecido distante, oculto no interior de céus distantes, ele se torna desafio constante para nós.
O desafio é este: fazemos às pessoas tudo aquilo que gostaríamos de fazer a ele? É importante lembrar: tudo aquilo que fazemos a qualquer pessoa, nós fazemos a Deus. Com isso, porém, o fazemos também à criança que veneramos no Natal (cf. Mt 25,40-45).
Eis a grande e chocante verdade que tantas vezes, no decorrer da história, foi esquecida.
6. Deus, que se manifesta como criança, identifica-se de maneira plena com as pessoas
Pensar que cada um dos nossos atos para com qualquer ser humano se dirige a Jesus Cristo pode desencadear conseqüências que dificultem cantar as velhas músicas de Natal. Estas só dizem a verdade quando externam o amor que praticamos em favor dos nossos irmãos e irmãs, quando começamos a abrir-lhes o coração e respondemos aos seus anseios com amor.
À luz da identificação direta entre Jesus Cristo e as pessoas que encontramos no dia-a-dia, o Natal se torna um desafio para nós, indagação inquietante para a nossa consciência e vocação renovada cada vez mais urgente. Isso porque tudo aquilo que fazemos às pessoas, seja no bem, seja no mal, nós o fazemos à criança que veneramos no Natal.
À medida que, como cristãos e como igreja, tomarmos a sério esse fato, nossa religião se tornará fermento e sal da terra. Á medida que o Natal readquirir seu sentido original para nós, começaremos a transformar as inúmeras situações e estrutura nas quais seres humanos se encontram pisados, excluídos e desprezados. Agiremos assim por estarmos conscientes de que, em toda pessoa humana maltratada, a criança divina na manjedoura está sendo maltratada.
Tomando a sério o que nos é revelado no Natal, passaremos a trabalhar para construir situações e estruturas que estaremos em sintonia com tal revelação. Seremos colaboradores de situações onde reine o amor, a justiça e a solidariedade entre os seres humanos. Deus solidarizou-se, identificando-se conosco, de maneira direta e concreta no Natal.
Texto extraído da Revista Vida Pastoral (Outubro/Dezembro)
Pro. Renold J. Blank
1. O que o Natal nos revela?
Ao falar de Deus, costumamos identifica-lo com o Onipotente, o Criador do cosmo e o Senhor do céu e da terra. Sim, ele também é isso, mas é infinitamente mais. Nele pode ser encontrada uma verdade tão chocante, que – apesar de todas as celebrações festivas do ano litúrgico – foi muito pouco assimilada pela fé das pessoas. É uma verdade que ultrapassa em muito o nosso conhecimento sobre a onipotência de Deus e a sua inimaginável glória. Na base dessa verdade, há aquele fato chocante e ao mesmo tempo maravilhoso que marca a sua revelação em Jesus Cristo: Deus é humilde e modesto.
Mas há mais! Tudo indica que Deus está mais interessado em ser conhecido exatamente assim - humilde e modesto – do que como criador e onipotente.
É essa verdade fundamental, aliás, que distingue essencialmente a nossa fé da professada pelas inúmeras outras religiões existentes. Na maioria delas também se cultua um Deus que de uma forma ou de outra, se apresenta como poderoso e cheio de glória. Mas é unicamente na religião cristã que esse Deus se revela na pequenez e na fragilidade de uma criança, no seu desamparo e na sua necessidade de ser amado.
2. No evento do NATAL, Deus se manifesta a nós como realmente é (cf. Hb 1,3)
O Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Dei Verbum, formula de maneira magistral a verdade fundamental de que, em Jesus Cristo, Deus nos revelou, de maneira mais clara e direta, aquilo que realmente é.
Se acreditamos nessas palavras de Igreja – e não há razão para não faze-lo - , descobrimos, na festa do Natal, o conteúdo mais comovente e, ao mesmo tempo, mais feliz da nossa fé. Descobrimos que, diante de Deus, não precisamos ter medo, porque ele se aproxima de nós no sorriso de uma criança. Descobrimos a verdade de que Deus não se interessa em primeiro lugar pelo poder e não faz questão alguma de ser venerado como poderoso. O fato é que ele se fez pequeno e se aniquilou (cf. Fl 2,5-8), entregando-se a nós como criança que suplica pelo nosso amor.
Deus é e se revela assim! Torna-se criança para compreendermos, que há apenas uma coisa que conta: ser amado.
3. O Natal revela que Deus não se interessa pelos mecanismos de prestígio e de poder
Se Deus se revela dessa maneira, deixando de lado as instâncias de prestígio e de poder, como é que nós poderíamos recorrer a tais mecanismos na convivência social, na vida pública ou na práxis religiosa?
Deus manifestou-se como criança para compreendermos que os seus caminhos não são aqueles do poder, mais os da ternura e do amor.
Ao tornar-se homem não na figura de um imperador poderoso, mas na forma de uma criança indefesa, Deus nos informa, de maneira indiscutível, que ele não se interessa pelos mecanismos do poder. Com isso, porém, assume grande risco. Ele se põe em nossas mãos!
Em Jesus Cristo, Deus se entrega aos seres humanos e, com isso, está totalmente sujeito ao agir e às decisões das pessoas. Ele fica à nossa mercê, assim como qualquer criança. Entrega-se a nós, assumindo o risco de que essa sua confiança possa ser traída.
A decepção diante dessa traição pode ser verificada no decorrer da história e já transparece em diferentes passagens bíblicas. Tal decepção chega ao seu cume naquele acontecimento chocante em que criaturas humanas torturam e matam o Filho de Deus no pelourinho vergonhoso da cruz. Ninguém teria tido a ousadia de crucificar um Deus onipotente que se tivesse manifestado em seu poder de glória. Um Deus assim seria venerado por todos; mas, ao mesmo tempo, seria temido por todos. Exatamente esse medo, porém, Deus não quer!
4. Não o temor, mas o amor
Deus não quer que o temamos, mas o amemos. O evento da Natal nos mostra que ele não está interessado em nos intimidar. Em vez disso, espera que o amemos. Para que tal fato se torne visível da maneira mais palpável, ele se revela a nós como criança indefesa que implora nosso amor. Deu um Deus que se apresenta na forma de uma criança, ninguém tem medo. Um Deus assim só pode ser amado de coração aberto. Só pode encontrar amparo em nossos braços e coração. É exatamente isso que Deus deseja.
5. Um Deus que se manifesta como criança pode ser amado; mas essa criança também pode ser rejeitada e pisada
Deus se nos mostra como criança para que percamos o medo dele e o amemos Mas, em vez de amá-lo, também é possível outra atitude. Se esse Deus revela-se indefeso como criança, então pode ser rejeitado. É possível jogá-lo no chão, pisar nele e até matá-lo.
A festa do Natal também nos confronta com essa alternativa. Além de todo romantismo sentimental e emocional e de todo o barulho da indústria da propaganda comercial, descobrimos, nessa criança na manjedoura, um desafio sem igual. Descobrimos a alternativa do amor. Mas será que nós amamos efetivamente essa criança e lhe abrimos o coração? Ou será que nos fechamos diante de suas súplicas por amor e o jogamos no chão, pisando-o e até o matando?
Certamente ninguém de nós jamais pensaria em bater naquela criança ou matá-la. Sobre isso há consenso total entre nós que vivenciamos o Natal e estamos felizes porque Deus se tornou homem. Mas exatamente pelo fato de Deus ter se manifestado a nós numa manjedoura, por não ter permanecido distante, oculto no interior de céus distantes, ele se torna desafio constante para nós.
O desafio é este: fazemos às pessoas tudo aquilo que gostaríamos de fazer a ele? É importante lembrar: tudo aquilo que fazemos a qualquer pessoa, nós fazemos a Deus. Com isso, porém, o fazemos também à criança que veneramos no Natal (cf. Mt 25,40-45).
Eis a grande e chocante verdade que tantas vezes, no decorrer da história, foi esquecida.
6. Deus, que se manifesta como criança, identifica-se de maneira plena com as pessoas
Pensar que cada um dos nossos atos para com qualquer ser humano se dirige a Jesus Cristo pode desencadear conseqüências que dificultem cantar as velhas músicas de Natal. Estas só dizem a verdade quando externam o amor que praticamos em favor dos nossos irmãos e irmãs, quando começamos a abrir-lhes o coração e respondemos aos seus anseios com amor.
À luz da identificação direta entre Jesus Cristo e as pessoas que encontramos no dia-a-dia, o Natal se torna um desafio para nós, indagação inquietante para a nossa consciência e vocação renovada cada vez mais urgente. Isso porque tudo aquilo que fazemos às pessoas, seja no bem, seja no mal, nós o fazemos à criança que veneramos no Natal.
À medida que, como cristãos e como igreja, tomarmos a sério esse fato, nossa religião se tornará fermento e sal da terra. Á medida que o Natal readquirir seu sentido original para nós, começaremos a transformar as inúmeras situações e estrutura nas quais seres humanos se encontram pisados, excluídos e desprezados. Agiremos assim por estarmos conscientes de que, em toda pessoa humana maltratada, a criança divina na manjedoura está sendo maltratada.
Tomando a sério o que nos é revelado no Natal, passaremos a trabalhar para construir situações e estruturas que estaremos em sintonia com tal revelação. Seremos colaboradores de situações onde reine o amor, a justiça e a solidariedade entre os seres humanos. Deus solidarizou-se, identificando-se conosco, de maneira direta e concreta no Natal.
Texto extraído da Revista Vida Pastoral (Outubro/Dezembro)
sábado, novembro 11, 2006
Lula e a derrota da Casa Grande
Lula e a derrota da Casa Grande - Leonardo Boff*
"Casa-Grande & Senzala" (1933), de Gilberto Freyre representa mais que um dos textos fundadores da moderna interpretação do Brasil. Os dois termos dão corpo a um paradigma e a uma forma de habitar o mundo. Habitar na forma da Casa-Grande significa estabelecer uma relação patriarcal de dominação social, de criação de privilégios e hierarquias. Habitar na forma da Senzala é ser expoliado como ser humano, seja na forma do escravo negro, feito "peça" a ser vendida e comprada no mercado, seja do trabalhador, usado como "carvão a ser consumido" (Darcy Ribeiro) na máquina produtiva. Estas duas figuras sociais superadas historicamente, ainda perduram introjetadas nas mentes e nos hábitos, especialmente de nossas holigarquias e elites dominantes. Elas ainda se consideram as donas do Brasil com exigua sensibilidade pelo drama dos pobres.
A Casa-Grande se transformou em poderosa realidade virtual que se manifesta na forma como age o grande capital nacional, como se fazem alianças entre donos da imprensa empresarial, como se manejam os fatos e se cria o imaginário pela televisão para que a Senzala continue Senzala, seu lugar na sub-história.
Ocorre que os da Senzala sempre resistiram, se revoltaram, criaram seus milhares de quilombos, se fundiram com os demais pobres e marginalizados e conseguiram, especialmente a partir de 1950, se organizar num sem-número de movimentos sociais populares. Conquistaram aliados de outras classes, intelectuais e setores importantes das Igrejas. Criaram o poder social popular que, num dado momento, se afunilou em poder político e com outras forças deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). De dentro desse povo irrompeu Lula como legítimo representante destes destituidos da Casa Grande, com carisma e rara inteligência. Dou meu testemunho pessoal: corri quase todo o planeta, encontrei-me com nomes notáveis da política, das ciências, do pensamento e das artes. Dentre os mais inteligentes que encontrei, está Luiz Inácio Lula da Silva, agora nosso Presidente. Somente ignorantes podem chamá-lo de ignorante. Sua inteligência pertence ao seu carisma: desperta, arguta, indo logo ao coração dos problemas e sabendo formulá-los do seu jeito próprio, sem passar pelo jargão científico.
Sua vitória é de magnitude histórica, pois por duas vezes a Senzala venceu a Casa Grande. Os continuadores da Casa Grande fizeram tudo e tentarão ainda tudo para atravancar essa vitória. Como não têm tradição democrática e parco senso ético, costumam usar todas as armas, armar "maracutaias", como fizeram em eleições anteriores. Apenas esperamos que não utilizem o expediente do assassinato.
O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande & Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo.
Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raízes numa articulação orgânica com as bases de onde veio. São elas as portadores do sonho de um outro Brasil e infundirão força ao Presidente. As feridas que a Casa Grande abriu no tecido social e ecológico de nosso pais são sanáveis. Uma política que tem o povo como centro fará bem até a estas elites. Agora não tem lugar a revanche mas a magnanimidade, o pais unido ao redor de um projeto includente.
* Teólogo. Membro da Comissão da Carta da Terra
"Casa-Grande & Senzala" (1933), de Gilberto Freyre representa mais que um dos textos fundadores da moderna interpretação do Brasil. Os dois termos dão corpo a um paradigma e a uma forma de habitar o mundo. Habitar na forma da Casa-Grande significa estabelecer uma relação patriarcal de dominação social, de criação de privilégios e hierarquias. Habitar na forma da Senzala é ser expoliado como ser humano, seja na forma do escravo negro, feito "peça" a ser vendida e comprada no mercado, seja do trabalhador, usado como "carvão a ser consumido" (Darcy Ribeiro) na máquina produtiva. Estas duas figuras sociais superadas historicamente, ainda perduram introjetadas nas mentes e nos hábitos, especialmente de nossas holigarquias e elites dominantes. Elas ainda se consideram as donas do Brasil com exigua sensibilidade pelo drama dos pobres.
A Casa-Grande se transformou em poderosa realidade virtual que se manifesta na forma como age o grande capital nacional, como se fazem alianças entre donos da imprensa empresarial, como se manejam os fatos e se cria o imaginário pela televisão para que a Senzala continue Senzala, seu lugar na sub-história.
Ocorre que os da Senzala sempre resistiram, se revoltaram, criaram seus milhares de quilombos, se fundiram com os demais pobres e marginalizados e conseguiram, especialmente a partir de 1950, se organizar num sem-número de movimentos sociais populares. Conquistaram aliados de outras classes, intelectuais e setores importantes das Igrejas. Criaram o poder social popular que, num dado momento, se afunilou em poder político e com outras forças deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). De dentro desse povo irrompeu Lula como legítimo representante destes destituidos da Casa Grande, com carisma e rara inteligência. Dou meu testemunho pessoal: corri quase todo o planeta, encontrei-me com nomes notáveis da política, das ciências, do pensamento e das artes. Dentre os mais inteligentes que encontrei, está Luiz Inácio Lula da Silva, agora nosso Presidente. Somente ignorantes podem chamá-lo de ignorante. Sua inteligência pertence ao seu carisma: desperta, arguta, indo logo ao coração dos problemas e sabendo formulá-los do seu jeito próprio, sem passar pelo jargão científico.
Sua vitória é de magnitude histórica, pois por duas vezes a Senzala venceu a Casa Grande. Os continuadores da Casa Grande fizeram tudo e tentarão ainda tudo para atravancar essa vitória. Como não têm tradição democrática e parco senso ético, costumam usar todas as armas, armar "maracutaias", como fizeram em eleições anteriores. Apenas esperamos que não utilizem o expediente do assassinato.
O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande & Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo.
Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raízes numa articulação orgânica com as bases de onde veio. São elas as portadores do sonho de um outro Brasil e infundirão força ao Presidente. As feridas que a Casa Grande abriu no tecido social e ecológico de nosso pais são sanáveis. Uma política que tem o povo como centro fará bem até a estas elites. Agora não tem lugar a revanche mas a magnanimidade, o pais unido ao redor de um projeto includente.
* Teólogo. Membro da Comissão da Carta da Terra
Decretos de Natal
Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nos faremos presentes junto aos famintos, carentes e excluídos. Papai Noel será malhado como Judas e, lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvífica do Menino Jesus. Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias, fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos: neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Natal todos os algodões de falsas neves; trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais; renas e trenós por carroças repletas de alimentos não perecíveis; e se algum Papai Noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e chinelas. Fica decretado que cartas de crianças só as endereçadas ao Menino Jesus, como a do Lucas, que escreveu convencido de que Caim e Abel não teriam brigado se dormissem em quartos separados; propôs ao Criador ninguém mais nascer nem morrer, e todos nós vivermos para sempre; e, ao ver o presépio, prometeu enviar seu agasalho ao filho desnudo de Maria e José. Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens partilha Deus. Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone e, recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor. Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto bíblico, agradecendo ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção sem que se possa entender com a razão. Finita, a vida é um rio que sabe ter o mar como destino, mas jamais quantas curvas, cachoeiras e pedras haverá de encontrar em seu percurso. Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza. Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seus custos convertido em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal do empregado que a serve. Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua mais perfeita que a do outro, nem fará rastejar a sua língua, qual serpente venenosa, nas trilhas da injúria e da perfídia. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar o "Pai Nosso" se o pão também não for nosso, mas privilégio da minoria abastada. Fica decretado que toda dieta se reverterá em benefício do prato vazio de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou escusas intenções. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços. Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém. Fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto de confiança à estrela, para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem-terra, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança. Frei Betto, Site: http://br.geocities.com/mcrost10/index.htm
Para pensar
O homem é bem mais que um número, um dado de pesquisa ou uma questão para as ciências. Ele é, uma "parábola de Deus". é "a melhor floração do mundo", e está sempre em busca de uma exaustiva hominização. O homem perfeito só nasceu uma vez em Jesus Cristo; depois disso, ele continua sendo gestado "na grande placenta da história-processo que ascende e converge para Deus". Embora reconhecendo e testemunhando verdades tão consoladoras, a antropologia é a do não-homem e, por isso, uma antropologia profética denunciando as estruturas injustas da sociedade que agridem e discriminam as pessoas. Mas mesmo assim, vale a pena ser homem, "porque Deus quis ser um deles".
Padre Carlos F. da Silva
Padre Carlos F. da Silva
domingo, outubro 29, 2006
Declaração de voto
Ao longo dos anos de ministério pastoral, mais de trinta na periferia deSão Paulo e na Baixada Fluminense, sempre procurei caminhar atento esolidário ao clamor do povo pela vida com dignidade e esperança. Na Páscoa de 2005, após grave acidente e longa recuperação, o papa JoãoPaulo II dispensou-me das obrigações de bispo diocesano, a meu pedido, parapoder dedicar minha vida à defesa e à promoção do direito humano básico aoalimento e à nutrição. Sonho com um mundo em que crianças não sejamconcebidas e geradas para viver uns poucos dias (Isaias 65,20). Ao lado de Betinho, de Bizeh e de dom Luciano, seguindo as pegadas deJosué de Castro, do Padre Cícero e de dom Helder, desde a primeira horaparticipo da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Através da mobilização social e da solidariedade queremos criar acultura do direito humano básico ao alimento e à nutrição. Cremos que asolidariedade somente é virtude quando a justiça é honrada, por issobuscamos dotar o país de diretrizes e estruturas de segurança alimentar enutricional sustentável.A Política de Segurança Alimentar e Nutricional tem o direito comofundamento, a preservação do meio ambiente como determinante, a saúde dopovo como objetivo e a nutrição materno infantil como urgência. Com João Paulo II afirmamos, ainda, que somente através de açãoorquestrada entre família, sociedade e governos, pode-se efetivamentegarantir a cada habitante de nosso país e do mundo o acesso à alimentaçãoadequada em qualidade e quantidade. Neste processo ressalto a importância da parceria do Presidente ItamarFranco com o Movimento pela Ética na Política. Com a criação de o Conselhode Segurança Alimentar - CONSEA, a realização da primeira ConferênciaNacional de Segurança Alimentar, em julho de 1994, e outras medidas cujaenumeração este espaço não comporta, bases foram assentadas e diretrizesdefinidas para o desenvolvimento do Brasil, tendo a segurança alimentarcomo um de seus eixos. Com a extinção do CONSEA pelo presidente FHC, o direito à alimentaçãoadequada perde espaço e proeminência na agenda política. A ruptura daparceria entre governo e sociedade retardou o processo de superação dosmales da fome. Posteriormente, o Senador Antônio Carlos Magalhães recoloca o problemada fome na agenda política do Congresso Nacional. Na reta final do atualmandato presidencial, o mesmo senador contribui para a aprovação da Lei11.346 que cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.Aliás, uma iniciativa e tarefa inacabada do Governo Lula. Apesar da presença constante do Senador Suplicy, o Partido dosTrabalhadores, tendo priorizado a busca de solução para o problema da fomeno Governo Paralelo, efetivamente não deu respaldo ao Presidente Itamar eao CONSEA. No Instituto da Cidadania, porém, o combate à fome tornou-se umde seus principais temas. Com o surgimento do Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar, em 1998,desencadeia-se nos Estados nova etapa da luta contra a miséria e os malesda fome. O Presidente Itamar Franco, então Governador do Estado de Minas>Gerais, em parceria com o Fórum Mineiro de Segurança Alimentar, cria eestrutura o primeiro CONSEA Estadual. Desde o final de 1998 acompanho cada passo que levou Minas Gerais a sero Estado pioneiro em Segurança Alimentar e Nutricional, criando comissõesregionais, realizando programa de projetos associativos de segurançaalimentar e construindo a Lei 15.982/2006 que define as Diretrizes edetermina a implantação do Sistema Estadual de Segurança Alimentar eNutricional Sustentável.Com a sabedoria política do Governador Aécio Neves, honrando e dandocontinuidade e maior abrangência ao legado de Itamar Franco, Minas Geraisavança na abertura de caminhos para a superação da miséria e dos males dafome. Em seu novo mandato, como consta do plano de governo, o processo deregionalização e municipalização deverá se consolidar e novas metas serãoatingidas. Assim, Minas Gerais estará contribuindo para a gestação de umnovo modelo brasileiro de desenvolvimento. De não menor importância, relembro o Mutirão lançado pela 40ª.Assembléia Geral da CNBB, em 19 de abril de 2002, como resposta às"Exigências Evangélicas e Éticas de Superação da Miséria e da Fome" (Doc.CNBB. 69).Com a eleição de Lula para a Presidência da República, em 2002, o"combate à fome" ganha espaço e notoriedade mesmo além de nossasfronteiras. Porém, desde a primeira hora ficaram evidentes os limitesestruturais do Estado Brasileiro, comprometido com a cidadania de apenas umquarto de sua população, e os equívocos da compreensão e dosencaminhamentos do próprio governo.Aplaudindo o esforço despendido e o volume de recursos canalizados emprogramas de combate à fome, observo que sociedade e governos em geralainda tratam o problema da fome como questão de assistência social e decaridade ou favor! Nenhum direito humano deve ser tratado como uma questãode assistência social, embora em situações de grave risco ou geradas pelanegação de um direito sejam necessárias medidas de assistência social. A concepção das duas candidaturas que, em segundo turno, disputam aPresidência da República, sobre causas e soluções para a exclusão social, amiséria e a fome, pode ser semelhante, mas decididamente não é igual. São, porém, semelhantes na repetição da eterna cantilena de que odesenvolvimento econômico, pura e simplesmente, será o remédio que haveráde curar nossos males. Em verdade, enquanto o Mercado for o regente emandatário de nossas vidas haveremos de colher os frutos da voracidade quelhe é peculiar. Alguém acredita que o meio ambiente poderá continuarcorrespondendo aos desmandos de nosso desperdício? Além dos cortes e outrasmanipulações dos economistas, não seriam necessárias e urgentes outrasmudanças que nos tragam mais saúde e vida? Onde entram os objetivos e asmetas do milênio? Alguém mais teria coragem de afirmar que a frugalidade énossa vocação e destino?! O que nos desfigura é a riqueza e a miséria! Em 1992 o Movimento pela Ética na Política considerou a concentração derenda e o alimento transformado em moeda como as mais graves expressões decorrupção no país. O pecado persiste até hoje, sem qualquer indicação de mudança! Ao ladodas grandes riquezas que são produzidas, agrava-se a degradação ambiental ecresce a exclusão social gerando miséria e fome. Vivemos numa sociedadeabortiva e cada vez mais violenta e cínica. Grande desafio será garantir defato o direito à reprodução, à gestação, ao nascimento e a uma vida digna efeliz através da justiça social, da educação e da promoção da cidadania.Causa-me indignação saber que milhões de bois e vacas destinados àexportação sejam tão bem conhecidos e rastreados. Tudo se sabe sobre suagenealogia, gestação e nutrição. Vergonhosamente os governos, nos trêsníveis da federação, pouco ou quase nada sabem sobre a nutrição e a saúdede seu povo. Basta consultar o banco de dados do SISVAN e das SecretariasEstaduais e Municipais de Saúde. Desde que o INAN foi extinto nada foi criado em seu lugar. Proponho que,no Ministério da Saúde (não seria da Doença?) ou da Educação, seja criado oDepartamento ou a Secretaria Nacional de Alimentação e Nutrição paraarticular a efetiva implantação da Política Nacional de Alimentação eNutrição, com suas sete diretrizes. Fundamental que as estatísticas tenhamrosto, nome e endereço em se tratando da vida de nossa gente, especialmenteas crianças. Enquanto alimento for transformado em moeda e lastro da balançacomercial, não haverá "Fome Zero" e nem "Nutrição Dez", menos ainda um povosaudável, inteligente, criativo e bem humorado! Aliás, o povo simples emodesto em suas pretensões nada mais deseja do que casa para morar, escolapara as crianças e trabalho! Espero que a política agrária e a política agrícola, tendo a segurançaalimentar e nutricional como objetivo, sejam definidas a partir dasrespostas a estas perguntas: O que plantar? Por que plantar? Como plantar?Para quem plantar? Em geral são os pequenos e médios produtores queabastecem a mesa do povo em qualquer recanto da Terra. Aliás, o Brasil nãoé problema, mas solução para o problema da fome no mundo. Na mesma perspectiva e com o mesmo objetivo, a descentralização e odesenvolvimento local podem tornar-se as bases de um país próspero esaudável Igualmente, a preservação do meio ambiente não seja meraconcessão, nem a economia solidária considerada uma utopia. Finalmente, sem erradicar o analfabetismo o Brasil não sai do atoleiroda corrupção e da miséria. O Papa João Paulo II já nos advertia que oanalfabeto quase sempre é explorado econômica e politicamente! Em conclusão, não quero discutir virtudes e pecados dos governantes e deseus auxiliares. Arrogância, mediocridade, mesquinharia, futricas ecorrupção normalmente vicejam nos palácios. Recomendaria aos governantes,na escolha de seus colaboradores, que levassem em consideração os conselhosde Jetro a seu genro Moisés (Êxodo 18,21). Depois de dois anos de árdua e leal cooperação com o Governo Alckmin/Lembo, como conselheiro e presidente do CONSEA-SP, não coloco esperançaalguma na candidatura da coligação Por Um Brasil Decente em relação àdefesa e à promoção do direito humano ao alimento e à nutrição, pelocontrário temo retrocesso. Espero que o Presidente Lula receba mais um mandato e que possa superaras contradições que caracterizam o Estado Brasileiro e afetam seu governo.Não se trata apenas de combater a corrupção, mas cultivar uma propostaética de desenvolvimento. Impossível servir a dois senhores, o Mercado e oPovo. Voto por uma economia com mercado, justa e solidária. Reine a Ética,governe a Política e submeta-se o Mercado. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em 16 de Outubro de 2006, DiaMundial da Alimentação, participo da inauguração de mais um centromunicipal de recuperação de crianças em estado grave de desnutrição parareafirmar meu compromisso com um Brasil livre da miséria e da fome.Presidente Lula, cultivando a sabedoria, a coragem, a ousadia e ahumildade, com a graça de Deus e a participação do povo, poderá fazer umgrande governo. Quando o pão é partilhado com o faminto e injustiçado, brilha a Luz!(Isaias 58, 6-8). Não tenha medo de ser feliz!
Dom Mauro Morelli Bispo Emérito da Diocese de Duque de Caxias
Indaiatuba, SP, 12 de Outubro de 2006 - Dia da Criança.
Dom Mauro Morelli Bispo Emérito da Diocese de Duque de Caxias
Indaiatuba, SP, 12 de Outubro de 2006 - Dia da Criança.
Reflexão
Queridos amigos, paz e bênçãos!
Estou desejando a todos um proveitoso final desemana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade,pensando mais nos outros que em si mesmo.Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tantomais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente elesurge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudadeinfinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá?Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separacom ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto dohomem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vaise realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser quesim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdadeinclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, seescolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Pe. Carlos F. da Silva
Estou desejando a todos um proveitoso final desemana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade,pensando mais nos outros que em si mesmo.Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tantomais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente elesurge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudadeinfinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá?Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separacom ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto dohomem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vaise realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser quesim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdadeinclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, seescolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Pe. Carlos F. da Silva
sábado, outubro 28, 2006
Reflexão
Queridos amigos, paz e bênçãos! Estou desejando a todos um proveitoso final de semana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade, pensando mais nos outros que em si mesmo.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão
Queridos amigos, paz e bênçãos! Estou desejando a todos um proveitoso final de semana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade, pensando mais nos outros que em si mesmo.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão
Queridos amigos, paz e bênçãos! Estou desejando a todos um proveitoso final de semana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade, pensando mais nos outros que em si mesmo.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
quinta-feira, setembro 28, 2006
Pedro Casaldáliga
"Em nome do Pai de todos os Povos,Maíra de tudo, excelso TupãEm nome do Filho,Que a todos os homens nos faz ser irmãos.No sangue mesclado com todos os sangues.Em nome da Aliança da Libertação.Em nome da Luz de toda Cultura.Em nome do Amor que está em todo amor.Em nome da Terra Sem Males,Perdida no lucro, ganhada na dor,Em nome da Morte vencida,Em nome da Vida,Cantamos, Senhor"Trecho estraído da "Missa da Terra sem Males" de Pedro Casaldáliga,bispo emérito da Prelazia do Araguaia (São Félix do Araguaia - MT)
quarta-feira, setembro 06, 2006
Da liberdade
"A liberdade humana não é uma brincadeira. É um risco e um mistério que envolve a absoluta frustração no ódio ou a radical realização no amor. Com a liberdade tudo é possível, o céu mas também o inferno."Padre Carlos
sábado, setembro 02, 2006
É por amor!
Sim, é por amor à vida que cantamos. E, tantas vezes, choramos também. É por amor à vida, Que estamos lutando E vamos andando lentamente Para buscar a luz E a liberdade das manhãs de sol. É por amor à vida, Sim, é por amor à vida... que encaramos de frente Essa imensa dor que se nos impõe... É por amor à vida Que estamos nas ruas, nas praças, nas estradas... E gritando palavras de ordem, de uma nova ordem! Sim, é por amor, E por amor à vida Que marchamos nas madrugadas de lua nova Levando nos braços a fúria das tempestades, pronto a resgatar a terra que nos tomaram(...) Sim, é por amor à vida Que profundamente doloridos Recolhemos em nossos braços Os que foram brutalmente feridos E quando já não podemos Devolver-lhes a respiração Nós comungamos de seu sangue E os fazemos ressuscitar Em milhares de vidas e sorrisos! É por amor à vida Que escrevemos nas pedras Os poemas da esperança rebelde Que pichamos nos muros e nas portas As frases corajosas de um futuro novo, Qaue dançamos nas festas de sábado, No batuque do carnaval de um povo livre! É por amor Que nos abraçamos, que nos beijamos na esquina E já não tememos andar de braços dados seguindo a bandeira da paz E da ternura consequente! Sim, é por amor à vida Que desesperadamente amamos.
Texto de Zé Vicente, poeta e músico - Fortaleza-CE
Extraido do jornal Mundo Jovem de março de 2005
Texto de Zé Vicente, poeta e músico - Fortaleza-CE
Extraido do jornal Mundo Jovem de março de 2005
Trova do vento que passa - Manuel Alegre
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
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