domingo, maio 11, 2008

No Trânsito

Somos atualmente seres motorizados. Disto não há dúvida. As rodas

praticamente substituíram nossos pés. Mas, esse achado benfazejo do

automóvel também nos trouxe uma conseqüência: a de ficarmos confinados

dentro desses invólucros de aço, dessas maravilhas mecânicas e tecnológicas

que usamos para nos locomover.

Gosto de observar o que acontece dentro dos carros, e de imaginar o que não é

possível ver. Isto me serve, pelo menos, para atenuar a chateação que podem

trazer os cada vez maiores e inevitáveis engarrafamentos.

Eis o inusitado: um menino, certamente trazido da escola pela mãe, tem na mão

um aviãozinho de papel. Seu bracinho descreve aquelas curvas no céu do sonho

com o combustível da imaginação. O menino está preso no carro, mas sua alma

com certeza voa pelo espaço, livre da lentidão do trânsito.

A bela moça, sozinha ao volante, lança olhares ao seu dileto amigo de todas as

manhãs, cúmplice de sua vaidade: o espelho retrovisor. Ajeita o cabelo, examina

a boca pintada com esmero, confere, sem dúvida, se está suficientemente bela

para mais um dia da eterna, gostosa e necessária batalha pela sedução.

Aquele engravatado se arrisca, pois, enquanto cuida das pequenas arrancadas

no pára-e-anda do trânsito lento, lê um jornal. Imagino que estará conferindo a

queda ou elevação da bolsa de valores, ou buscando, nesta e naquela página,

viradas com rapidez, alguma notícia política que vá interferir com seus negócios,

que podem já não estar indo lá muito bem.

O fumante inveterado mantém o vidro do automóvel abaixado. Prefere o risco do

assalto a sentir-se sufocado pela fumaça produzida pela própria insensatez do

vício, prazeroso mas miserável, difícil de vencer, que lhe oferece um pouco de

prazer e uma válvula de escape de suas preocupações.

O jovem de óculos escuros segue o padrão dos motoristas insensatos: a

despeito do trânsito engarrafado, tenta ser mais rápido e esperto que todo

mundo, e enfia o carro por aqui e por ali, provocando a raiva daqueles que fecha

e quase amassa com seu carro de motor possante, mas impotente nesta

lentidão inevitável do trânsito.

Carro novíssimo, recém-adquirido, sem dúvida, a mocinha morena trai, nos

gestos e na forma como conduz o automóvel, sua insegurança de motorista

novata. Seus olhos negros revelam como está assustada; as mãos crispadas

parecem querer arrancar o volante do lugar. E lá se vai, aos solavancos,

deixando o carro morrer, uma ou duas vezes, e vivenciando um sofrimento que

não tinha ao andar de ônibus, embora não tivesse também a comodidade e

sobretudo o status de agora.

O velho motorista de taxi é a própria imagem do enfado. Gordo, tem o aspecto

dos que jamais se exercitaram. Parece que foi construído ali mesmo onde está,

com a imensa barriga anatomicamente encaixada sob o volante, no qual pousa

uma única mão que gira com destreza aquela roda, que na verdade parece a

roda da sua vida. Parece indiferente a tudo; aparenta ter vivido tudo naquele

pequeno universo do seu carro, no qual viveu também, de certo modo, os

dramas e alegrias, sofreu grosserias, mereceu gentilezas ou ganhou também a

indiferença dos milhares de passageiros que transportou.

Outros, muitos outros, motoristas merecem observação: o do ônibus, cortês ou

ensandecido em relação aos motoristas dos automóveis; o da ambulância, do

carro de bombeiros ou de polícia, que furam o engarrafamento, fazendo

manobras incríveis, quase inimagináveis, verdadeiros milagres de direção

arriscada, mas necessária, com a ajuda decisiva de suas sirenes para abrir

caminho.

As vans são um caso à parte. Elas revivem, quase todas, o tempo dos lotações

– a mesma maluquice, a mesma irresponsabilidade ziguezagueante. Dentro

delas, passageiros quase sempre sobressaltados, mas que geralmente não têm

escolha, seja pelo preço mais barato, seja pela quase certeza de chegar mais

cedo, ao trabalho, ou de volta a casa, sobrando um tempinho a mais para uns

beijos nos filhos, um carinho na esposa ou no esposo, ou mesmo para não

perder de todo o capítulo da novela...

A preocupação com a segurança e com a privacidade trouxe as películas que

agora cobrem cada vez mais os vidros, dificultando essa observação por parte

da gente. Mas ali dentro, nesse micro-universo preservado, continuam a viver

pessoas que se movem com seus automóveis, que ouvem rádio, se distraindo

com músicas, ou se preocupando com as notícias. Elas, ironicamente, se

certificam, por noticiários especializados, que o trânsito está cada vez pior, que

esses nossos invólucros de aço e conforto estão cada vez mais lentos, cada vez

mais presos nessas procissões automobilísticas que se arrastam pelas ruas.

Êpa! Eu me distraí com estas reflexões e os impacientes atrás de mim já

buzinam, caro leitor.

Vamos em frente!

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J. Carino é professor universitário aposentado, consultor e escritor, sendo autor

de “Olhando a Cidade & Outros Olhares” (UniverCidade Editora, 2004), livro de

crônicas sobre os bairros do Rio de Janeiro, com apresentação de Ruy Castro.

Para conhecer mais sobre o autor visite a sua página www.jcarino.com.br

sábado, maio 10, 2008

A arte ontem e hoje sob a ótica filosófica

Friedrish Schiller foi um grande autor de peças teatrais que o tornaram, ao lado

de Henrik Ibsen, um referência do pré-romantismo alemão. Os dois dramaturgos

criaram um movimento em seu país chamado "Sturm Und Drang" que se

predispunha a elevar a arte como elemento consolidador de duas naturezas

humanas – o racional e o sensível. Schiller defendia a arte como forma de

educação de pessoas que, por determinado motivo, não possui em sua

personalidade um destes elementos. Segundo ele, o homem racional só pode

se tornar sensível quando observa o belo, ou seja, quando se torna "estético".

Baseado neste conceito, o filósofo Nietzsche aborda em seu livro "Natureza da

Tragédia" o nascimento do teatro dionisíaco na Grécia do Séc. VI a.C. e

defende a tese de que o movimento teatral surgiu da necessidade humana de

formalizar a arte através do ritual de convenções expostas no espelho teatral e

da necessidade de extravasar este mesmo formalismo através da embriagues

dionisíaca dos cultos teatrais arcaicos.

Nietzsche confrontou Kant quando este último criou a teoria do desinteresse das

obras de arte. Para Kant, a arte não pode sofrer julgamentos, pois não possui

"propósito prático". Já o filósofo Stendhal chamou o belo de "Promessa de

Felicidade", o que foi defendido por Nietzsche para a crítica e degustação da

arte.

Antes de Aristóteles, o autor de "Poética", Platão já indagava o verdadeiro valor

das obras de arte e se indagava constantemente: "Para quê pintar uvas tão

perfeitas se elas já existem no mundo real"? De certo modo o filósofo

menosprezava as obras de arte por entender que derivam da necessidade de

copiar e expor conflitos para obter audiência do público.

Não cabe a nós entender Kant, tampouco duvidar de sua retórica, mas não seria

necessidade orgânica de um artista expor sua obra a fim de conquistar o

reconhecimento do público? Esse reconhecimento não advém da

verossimilhança de sua arte em relação à natureza? Como denotar genialidade

e brilhantismo de um artista senão desta forma? Talvez os grandes surrealistas

tenham a resposta. Com a passagem dos tempos, Pablo Picasso e outros

puderam reinventar a realidade divina com a reprodução de imagens subjetivas

que denotavam o ponto de vista de um único homem. Seria essa a fórmula da

obra prima? Abraço Nietzsche quando, em defesa ao trabalho do artista, afirma

que a verdade da obra de arte reside no fato de ser ilusória e subjetiva.

Todos temos uma verdade sobre o mundo dentro de nós. Se trabalharmos os

lados racionais e sensíveis, aprendermos as técnicas de uma arte específica

com a fome dos leões, certamente compartilharemos o nosso olhar, isto é,

nossa matéria prima, com os outros irmãos de guerra, tão cegos a vagar por

este mundo de arames farpados.

João Pedro Roriz é escritor.

quinta-feira, abril 03, 2008

Obrigado, Presidente Bush

Eu escrevi a carta abaixo no dia 9 de março de 2003, dez dias antes da invasão do Iraque. É o meu texto mais lido até hoje: publicado nos maiores jornais do planeta, transformado em corrente na internet, foi lido por cerca de 500.000.000 de pessoas.

A guerra agora entra no seu sexto ano: mais de 4.000 soldados americanos perderam a vida, junto com um número indefinido de iraquianos. Segundo a CNN (24/03/2008), “estimativas colocam as mortes entre 80.000 e centenas de millhares, com 2 milhões de pessoas obrigadas a deixar o país, e mais 2,5 milhões em campos de refugiados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas”.

Grande parte das pessoas que cito já desapareceram de cena, mas a guerra continua. Não existe, no momento, nenhuma luz no final do túnel. A seguir, alguns trechos:



Obrigado, grande líder George W. Bush.

Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje.

Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o Senhor foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado.

Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do povo. Por deixar claro que tanto José María Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes.

Obrigado porque sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico".

Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo.

Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque.

Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado.

Obrigado por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia, embora essa idéia seja oposta à sua.

Obrigado porque, sem o Senhor, não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante. Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei".

Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória.

Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não esqueceremos suas palavras.

Obrigado, grande líder George W. Bush.

Muito obrigado.

Paulo Coelho

segunda-feira, março 24, 2008

Gato e Pardal

Era uma vez um pardalzinho que odiava ter de voar par o sul por causa do inverno. Ficava tão apavorado com a idéia de deixar o seu lar, que decidiu adiar a viagem até o último momento possível.Depois de despedir-se carinhosamente de todos os seus amigos pardais que partiam, voltou ao seu ninho e ficou ainda por mais quatro semanas.Finalmente, o tempo tornou-se tão desesperadamente frio, que ele não pode mais adiar.. Quando o pardalzinho partiu e iniciou seu vôo para o Sul, começou a chover. Rapidamente começou a se formar gelo sobre suas asinhas.Quase morto de frio, e exaustão, foi perdendo altura e caiu por terra num pátio de estrebaria. Quando estava exalando o que pensava ser o seu último alento, um cavalo saiu da estrebaria e, virando seu traseiro em sua direção, recobriu o pardalzinho de merda.

A principio, o pardal não podia pensar em outra coisa a não ser que aquele era um modo horrível de morrer, todo cagado.Porém, quando a merda começou a subir e penetrar em suas pernas, passou a aquecê-lo e a vida começou a voltar ao seu corpo.Ele descobriu também que tinha espaço suficiente para respirar. Subitamente, o pardalzinho sentiu-se tão feliz que começou a cantar. Naquele instante, um grande gato entrou na estrebaria e ouvindo o gorjeio do passarinho, começou a remexer o monte de merda para descobrir de onde vinha o som.

O gato finalmente, descobriu a ave e comeu-a.

Esta história tem quatro ensinamentos morais:

1º Nem sempre aquele que caga em cima de você é seu inimigo.

2º Nem sempre aquele que tira você da merda é seu amigo.

3º Desde que você se sinta quente e confortável, mesmo que esteja na merda, conserve o bico fechado

4º Quem está na merda não canta

Oração das Mulheres

Deus,
Eu vos peço...
Sabedoria para entender meu homem,
Amor para perdoá-lo,
Paciência pelos seus atos;
Porque, Deus, se eu pedir força,
Eu bato nele até matá-lo.

quarta-feira, março 19, 2008

Janela d' alma

Em pedra confidente
Com os pés descalços e o coração frio
Falo, me calo e esvazio a mente
Deixo o meu corpo cansado, à margem do rio

Meus olhos caminham pela encosta, à frente...

Montanha abraçada e sufocada pela solidão
Abandonada, em meio a tanto silêncio...lassidão

No alto, os teus olhos recebem os meus com alegria
Eles se agarram e não mais se separam, como mãe à cria

Imensas janelas são abertas, além desse horizonte
Descortinando no infinito, a água cristalina
Na beleza dessa fonte,
Que repousa em tua essência, que me alucina

Crianças brincando em tardes de sol; lembrança distante
Campos soprados por brisa em noites de luar; quanto amor
Chuva fina beijando teu corpo, doce sabor
Flores acariciadas pelo tempo, eterno amante


Em pedra confidente,
Abraçado às tuas lembranças
Adormeci, sonhando...


Juarez Florintino Dias Filho

domingo, março 09, 2008

Mulher

Mulher,

suave aurora,

rosa do rosicler;



Mulher,

fina flor,

belo florescer;



Mulher,

doce fruto

a resplandecer;



Mulher,

meiga mãe

do amanhecer;



Mulher,

toda amor,

luz do ser;



Mulher,

maravilha

do viver;



Mulher,

terna (e)ternamente

vou enaltecer...!


SIDNEY SANCTUS

sexta-feira, março 07, 2008

Será que sou de virgem?

No inicio deste ano comprei uma revista de horóscopo. Poderia justificar tal compra, dizendo que a maturidade está me deixando menos seletiva em termos de leitura. Talvez, mas não se iludam ainda não me tornei uma dogmática, até revista de signos leio com o senso crítico aguçado...
Rogo a todos os deuses do Olimpo que nenhum astrólogo tome conhecimento de minhas palavras, pois serei acusada de heresia astrológica.
Na capa da revista, há destaque para o mês de fevereiro: “mês ideal para contar com a sorte e lucrar. Pois foi exatamente nesse mês que tive o “azar” de perder o emprego e fiquei no maior “prejuízo”. E meu lado racional não perdeu tempo com a minha nova situação, a de penúria: ‘ caiu nessa, sua tonta? ’.
Na mesma capa há outra chamada: “um ano inesquecível no amor”. Bem, três meses já se passaram e eu continuo (des) amada e (des) acompanhada.
Aliás, o fato de continuar desempregada não parece motivar algum ser do sexo masculino, bem empregado e com rendimento certo no final do mês, a se aproximar de mim. De repente, eu peço a ele para compartilhar comigo, além de tórridos momentos na cama, alguns boletos bancários.
Continuo lendo a capa da revista de horóscopo: “momentos de puro prazer em julho e agosto”. Me animo, mas como ainda estamos em março, vou ter que esperar para ver se acontece mesmo.
“Previsões astrológicas quinzenais”... bem, está na hora de abrir a revista.
Na primeira página algumas características do jeito de ser dos nascidos sob o signo de virgem. Leio atentamente, analiso em quais delas me encaixo. Quero ter certeza de que sou uma virginiana de primeira linha.
“Sempre alerta! Está sempre atenta a tudo”. Eu sou assim. Ponto para mim!
“Olhos críticos, sempre abertos a cada detalhe”. Confesso, eu confesso! , sou insuportavelmente crítica. Bingo!
‘“Capacidade de análise muito grande”. Até tenho, mas às vezes, fico com preguiça de pensar e deixo a caravana seguir, sem ir atrás, claro. Meio ponto para mim!
“Sua língua parece uma lâmina de tão afiada”. Essa sou eu! E eu amo esse meu jeito de ser – virginiana porreta -, será por isso que minha mãe fica tão zangada quando discutimos? Sou dura na queda quando discuto com alguém. E, raramente a pessoa percebe que para me vencer é só não bater de frente comigo. Um belo sorriso me neutraliza mais rápido ainda. Olha eu dando ponto para o inimigo.
“Gosta de tudo organizadinho”. Até gosto, mas no meio da minha organização muita coisa está só aparentemente no lugar. Alguma desordem me dá a sensação de democracia. Alguém me entende?
“Arrogante, chata e exigente”. Será? Exigente costumo ser comigo mesma, eu me cobro muito. Sob esse aspecto me trato muito mal.
E o que é ser chato afinal? Alguém tem uma definição virginiana para isso?
Não suporto pessoas medíocres e fracas, que não sabem lutar e que não são capazes de carregar suas bandeiras. Detesto pessoas que se acomodam em um rebanho, qualquer um. Isso é ser arrogante?
“Consegue ser alegre e dar muito carinho às pessoas amadas”. Não sou alegre com todo mundo. Algumas pessoas conseguem mesmo me deixar de mau humor. Porém, a maioria me inspira – as que eu amo – me faz rir e querer dar o que eu tenho de melhor.
Sou carinhosa ao extremo: adoro abraço, beijo, toque. Adoro conversar e alisar.
“Vive observando tudo”. Nem tudo atualmente, pois às vezes, esqueço de colocar os óculos, aí já não dá para ver tudo. Mas, meu olhar continua afiado.
“Versátil, pé no chão, cautelosa, precavida”. Sei não, não me acho versátil, sou uma negação para muita coisa. Nem sei cozinhar!
Pé no chão, cem por cento não, pois vivo com a minha cabeça na lua, e o resto do corpo faz um esforço danado para se equilibrar nesse espaço.
Cautelosa sim, precavida não. Quantos pontos será que perdi agora?
Fertilidade e tradição. Sou aquela plantinha que nasceu, cresceu, mas não deu frutos. Quando eu me for dessa existência, nada de mim terá continuidade.
Tradição? Gosto da palavra.
Viro a página da revista: Amor e sexo. “Dificuldade para expressar seus sentimentos, reservada e inibida”. Mas essa não sou eu mesmo!
“Tem medo de fracassar, quer sempre que tudo saia certinho”. Pessoas normais sentem isso, eu acho.
“Dificilmente toma a iniciativa de se aproximar”. Bom, eu adoro um flerte, joguinhos e ‘acessórios’ amorosos. Gosto de sentir que estou sendo envolvida, até o momento que não consigo mais sair da teia. Bem, pouco virginiano, com certeza. Será que já estou com pontos negativos?
“Namoros tradicionais, sem ousadia”. Namorar tornou-se automaticamente algo tradicional, numa época em que se “fica” e se beija na boca até estranhos.
Ousadia? Eu seria ousada demais se tivesse que explicar...
Já estou começando a achar que sou uma virginiana sem pedigree.
Já estou quase no final da página dois: “quando se apaixona de verdade é capaz de tudo para agradar o par”. Confesso que me esforço, dou tudo de mim, é que às vezes o tiro sai pela culatra. Aí, fico pensando “poxa, ele não entendeu nada”.
“Quando a pessoa amada não age como você espera”. Esse deve ser o pior dos meus defeitos: não falar, não pedir, criar expectativas e depois, me decepcionar. Ufa! Estou virginiana de novo.
No casamento... como não me casei, sem comentários.
No sexo: “você se entrega com muita energia e sensualidade, mas sem ousadia, pois sua mania de organização...” Pera aí, organização nesses momentos não dá... deixei de ser virginiana de novo.
Viro a folha da revista, página três.
Trabalho e dinheiro... Sem comentários.

sábado, março 01, 2008

Emergência



Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada, esse ar que entra por ela.
Por isso, é que os poemas têm ritmo
- Para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Do meu amado Mário Quintana

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

As mensagens que me envia

Para Gustavo

Gosto muito das mensagens que me envia. As palavras causam efeitos às minhas emoções. Às vezes me enchem de esperança, me fazem sonhar, me deixam com coragem de ir em frente em sonhos que eu imaginava que seriam só sonhos, me deixam menos só, fico corajosa, ascendem meus desejos, ouso até sonhar que o meu amor virá até mim.
Mas tais efeitos não duram para sempre. As mensagens se desvanecem, somem no ar, minha memória as deleta. Então, a minha realidade, tão concreta se mostra novamente. Pode ser também porque, como ser humano, não vivo só de palavras, às vezes a matéria precisa de coisas mais palpáveis: do toque, do abraço, do afago.
Porém, tal como um pharmakon - droga, em grego - alguma coisa fica, algum efeito permanece: a esperança talvez, um pouco de coragem, a fé que o amor é mais forte do que qualquer outra coisa, que a razão às vezes deve prevalecer, mas, acima de tudo que não estamos sós em momento algum.
Por isso, as palavras devem ser ditas com a certeza de que passamos a alguém muito mais do que sílabas tônicas ou átonas, verbos ou pronomes. Elas possuem a energia criadora, são capazes de transformar, unir, tocar a alma, de quem as lê ou ouve.
E, felizes aqueles que possuem a sensibilidade para ler as entrelinhas, pois a leitura de uma mensagem vai além do que as palavras estão dizendo. Há também de se pensar o que o destinatário da mensagem quis nos dizer ao nos enviá-la: “era isso o que eu lhe diria”, “para lhe ajudar”, “para cessar a sangria da sua alma”, “para aquietar suas angústias”, “para que o dia de hoje seja mais feliz”.
Mas no fundo, bem no fundo, a gente quando envia uma mensagem para alguém, quer dizer para o destinatário simplesmente: “gosto de você, fique bem”.
Por isso, leio sempre as mensagens que me envia, com os olhos do coração.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Na loja de flores

A mulher caminhava por um centro comercial quando reparou no cartaz: uma nova loja de flores. Ao entrar, levou um susto; não viu nenhum vaso, nenhum arranjo, mas era Deus, em pessoa, que estava atenden­do no balcão.
- Pode pedir o que quiser - disse Deus.
- Quero ser feliz. Quero paz, dinheiro, capacidade de ser compreendida. Quero ir para o céu quando morrer. E quero que tudo isto seja também concedido aos meus amigos.
Deus abriu alguns potes que estavam na prateleira atrás dele, tirou vários grãos de dentro, e estendeu para a mulher.
- Aí estão as sementes - disse. – Comece a plantá-las, porque aqui nós não vendemos os frutos.

Paulo Coelho

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

E tudo mudou...

O rouge virou blush O pó-de-arroz virou pó-compacto O brilho virou gloss O rímel virou máscara incolor A Lycra virou stretch Anabela virou plataforma O corpete virou porta-seios Que virou sutiã Que virou lib Que virou silicone A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento A escova virou chapinha “Problemas de moça" viraram TPM Confete virou MM A crise de nervos virou estresse A chita virou viscose. A purpurina virou gliter A brilhantina virou mousse Os halteres viraram bomba A ergométrica virou spinning A tanga virou fio dental E o fio dental virou anti-séptico bucal Ninguém mais vê... Ping-Pong virou Babaloo O a-la-carte virou self-service A tristeza, depressão O espaguete virou Miojo pronto A paquera virou pegação A gafieira virou dança de salão O que era praça virou shopping A areia virou ringue A caneta virou teclado O long play virou CD A fita de vídeo é DVD O CD já é MP3 É um filho onde éramos seis O álbum de fotos agora é mostrado por email O namoro agora é virtual A cantada virou torpedo E do "não" não se tem medo O break virou street O samba, pagode O carnaval de rua virou Sapucaí O folclore brasileiro, halloween O piano agora é teclado, também O forró de sanfona ficou eletrônico Fortificante não é mais Biotônico Bicicleta virou Bis Polícia e ladrão virou counter strike Folhetins são novelas de TV Fauna e flora a desaparecer Lobato virou Paulo Coelho Caetano virou um chato Chico sumiu da FM e TV Baby se converteu RPM desapareceu Elis ressuscitou em Maria Rita ? Gal virou fênix Raul e Renato, Cássia e Cazuza, Lennon e Elvis, Todos anjos Agora só tocam lira... A AIDS virou gripe A bala antes encontrada agora é perdida A violência está coisa maldita! A maconha é calmante O professor é agora o facilitador As lições já não importam mais A guerra superou a paz E a sociedade ficou incapaz... ... De tudo. Inclusive de notar essas diferenças

Luis Fernando Veríssimo

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Gestão do fósforo



Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal:
Estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores
histórias sobre atendimento que conhecemos.
Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada,
resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar.
Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome:
Hotel Venetia.
Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado
com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou
amavelmente:
"-Bem-vindo ao Venetia!"
Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava
confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os
procedimentos: tudo muito rápido e prático.
No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente
limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente
alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais!
Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite,
começou a pensar que estava com sorte.
Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o
pedido no momento do registro).
A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha
experimentado, naquele local, até então.
Assinou a conta e retornou para quarto. Fazia frio e ele
estava ansioso pelo fogo da lareira.
Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a
ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira.
A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala
de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela!
Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho
borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar.
Simplesmente uma cafeteira ligada
por um timer automático, estava preparando o seu café e,
junto um cartão que dizia:
"Sua marca predileta de café. Bom apetite!"
Era mesmo!
Como eles podiam saber desse detalhe? De repente, lembrou-se:
no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.
Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia
um jornal. "Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?"
Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a
recepcionista Havia perguntado qual jornal ele preferia.
O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter
ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel fizera mesmo de
especial?
Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara
de café e um jornal.
Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias
de hoje.
Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no
entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito, mais desconfiado.
Mudamos o layout das lojas, pintamos as prateleiras, trocamos
as embalagens, mas esquecemos-nos das pessoas.
O valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do
relacionamento com o cliente.
Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante!
Lembrando que:
Esta mensagem vale também para nossas relações pessoais
(namoro, amizade, família, casamento) enfim pensar no outro como ser
humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe.
Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está
nos gestos mais simples de nosso dia-a-dia que na maioria das vezes
passam desapercebidos.
(autor desconhecido)

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Feliz 2008




Que em 2008
Se for para esquentar, que seja ao sol;
Se for para lutar, que seja por seus direitos;
Se for para matar, que seja a fome;
Se for para bater, que seja uma bola;
Se for para enganar, que seja o estomago;
Se for para roubar , que seja um beijo;
Se for para perder, que seja uns quilos;
Se for para esconder que seja um presente;
Se for para enfrentar , que seja o medo;
Se for para quebrar , que seja um recorde;
Se for para ser feliz , que seja o ano todo;
Feliz Ano Novo

sexta-feira, dezembro 21, 2007

O jogral de Nossa Senhora

Conta uma lenda medieval que no país que hoje conhecemos como Áustria, a família Burkhard – composta de um homem, uma mulher, e um menino - costumavam animar as feiras de natal recitando poesias, cantando baladas de antigos trovadores, e fazendo malabarismos para divertir as pessoas. Evidente que nunca sobrava dinheiro para comprar presentes, mas o homem sempre dizia a seu filho:
- Você sabe por que a sacola de Papai Noel não se esvazia nunca, embora haja tantas crianças neste mundo? Porque embora ela esteja cheia de brinquedos, às vezes existem coisas mais importantes para serem entregues, os chamados “presentes invisíveis”. Em um lar dividido, ele procura trazer harmonia e paz na noite mais santa da cristandade. Onde falta amor, ele deposita uma semente de fé no coração das crianças. Onde o futuro parece negro e incerto, ele traz esperança. No nosso caso, quando Papai Noel vem nos visitar, no dia seguinte estamos todos contentes de continuarmos vivos e fazendo nosso trabalho, que é de alegrar as pessoas. Jamais esqueça isso.
O tempo passou, o menino transformou-se em rapaz, e certo dia a família passou diante da imponente abadia de Melk, que acabara de ser construída.
- Meu pai, lembra-se que há muitos anos você me contou a história de Papai Noel e seus presentes invisíveis? Penso que certa vez recebi um destes presentes: a vocação de tornar-me padre. Embora precisassem muito da companhia do filho, a família entendeu e respeitou o desejo do filho. Bateram na porta do convento, foram acolhidos com generosidade e amor pelos monges, que aceitaram o jovem Buckhard como noviço.
Chegou a véspera do natal. E justamente naquele dia, um milagre especial aconteceu em Melk: Nossa Senhora, levando o menino Jesus nos braços, resolveu descer à Terra para visitar o mosteiro.
Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila, e cada um postava-se diante da Vigem, procurando homenagear a Mãe e o Filho. Um deles mostrou as lindas pinturas que decoravam o local, outro levou um exemplar de uma Bíblia que havia demorado cem anos para ser manuscrita e ilustrada, um terceiro disse o nome de todos os santos.
No último lugar da fila o jovem Buckhard aguardava ansioso. Seus pais eram pessoas simples, e tudo que lhe haviam ensinado era atirar bolas para cima e fazer alguns malabarismos.
Quando chegou sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens, porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer, e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si para Jesus e a Virgem.
Envergonhado, sentindo o olhar reprovador dos seus irmãos, ele tirou algumas laranjas do bolso e começou a jogá-las para cima e segurá-las com as mãos, criando um belo círculo no ar, igual ao que costumava fazer quando ele e sua família caminhavam pelas feiras da região.
Foi só neste instante que o Menino Jesus começou a bater palmas de alegria no colo de Nossa Senhora. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco a criança, que não parava de sorrir.

Paulo Coelho

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Natal não é fazer compras, nem comer e beber compulsivamente

Paz e bênçãos! Desejo a todos um FELIZ NATAL. Que o Senhor encontre lugar em vosso coração aconchego. Através de vc ele quer reeditar esse mundo, criando relações novas, onde o amor de Deus seja evidente e abundante nas relações que estabelecemos, enquanto pessoa, comunidade ou intituição.

Oração: Ó DEUS, que revelastes ao mundo o esplendor da vossa glória pelo parto virginal da Virgem Maria, dai-nos venerar com fé pura e celebrar sempre com amor sincero o mistério tão profundo da encarnação. Em nome de Jesus, o Teu Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém!
Reflexão: O Mistério da Encarnação é tão grandioso e sublime que transcende nossa capacidade humana de compreensão. O Verbo da Vida, Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus se encarna no seio da Virgem Maria. O Deus Todo-Poderoso envia um Anjo até a casa de uma simples jovem e pede licença à ela para que o Filho de Deus pudesse se encarnar.

Como entender isso: Como o Criador coloca-se diante de uma criatura e pede licença para "entrar"? Pobreza maior não há! Mistério tão sublime e grandioso. Pelo "SIM" de Maria, Jesus Cristo assume a nossa condição humana. Deus veio visitar o seu povo. Seu nome é: EMANUEL (Deus está conosco)!

Uma boa preparação para a grande Festa da Encarnação do Amor!

Um abraço

Padre Carlos

domingo, novembro 25, 2007

Depoimento

Para os que não me conhecem sou FiL, um peregrino e andarilho tolo
que foi para o Caminho de Santiago e depois para o Caminho de Roma sem quase nada,
tendo de usar mochilas, sacos de dormir e outras coisas emprestadas.
Peregrino que hoje olha para traz e vê a diferença que o Caminho
Interno propiciou em sua vida.
Andar em jejum, fazer certas práticas de contrição, buscar ouvir a
Voz do Íntimo. Sentir a Harmonia do Altíssimo Se manifestando em
tudo e em todos.
Ah, que maravilhosos Caminhos percorri!
Escrevo para dar testemunho... escrevo como um ato de adoração.
Em meio ao Caminho de Santiago, eu levava umas meias velhas e
como havia feito um voto de pobreza e humildade para percorrer o
caminho eu levava apenas cinco meias finas sociais e duas meias grossas
para calçar.
(detesto passar mal ou sofrer agruras, amo comer e beber bem, dançar
(comecei a aprender... eheh)
Mas mesmo assim fiz meus votos de pobreza, humildade e castidade.
Antes do Caminho eu tinha um medo terrível de ter bolhas, torções,
ferimentos etc.
Até que alguns peregrinos me disseram:
- "Presta atenção nos seus pés." E meu Íntimo começou a me dizer:
- "Escutai-os... Escutai vossos pés e vosso ritmo. Sinta o ritmo da
vida no seu caminhar..." Eu me perguntava:
- E o meu tempo para caminhar? Tenho os dias contados.
E minha voz íntima respondia-me:
"O ritmo do peregrino não é o ritmo do cotidiano...
Entregue-se ao Ritmo do Peregrinar e terás o Domínio do Cotidiano."
E assim eu fiz... E ainda assim hoje ocorre em minha vida.
Caminhava sempre com duas meias: a fina e a grossa... Prestava
extrema atenção a cada passo...
Parava quando sentia uma leve dobradura na meia, quando sentia ser o
momento sentava-me ao lado da estrada fosse onde fosse. Sempre
surgia alguém ou uma lição naquele lugar.
E sempre me perguntava "O que esta pessoa tem para me ensinar?”, ou
ainda, "O que eu tenho para ensinar ou vivenciar para e com esta
pessoa ou situação? ”Então, como eu dizia... eu sentava na beira da
estrada tirava as meias, massageava meus pés com uma mistura que
levei do Brasil de arnica em álcool... Sentia meu corpo e o prazer de
tocar-me... Agradecia então a oportunidade única daqueles momentos.
Muitas vezes nesses momentos entrava em uma espécie de êxtase, de
uma alegria incomensurável. Um êxtase tão puro, intenso e forte que
tornava todas as outras alegrias que tive (inclusive o nascimento
dos meus filhos), coisas menores e banais. Ficava às vezes horas
assim quando então retornava para a lide. Calçava as meias que
haviam ficado penduradas pelo avesso para tomar um "arzinho", as
calçava com calma, prestando atenção a cada detalhe... (como se fosse
fazer amor com elas e com meus pés... sem pressa, com suavidade e
atenção a cada detalhe, sentindo... apreciando... deixando aquilo ser
a coisa mais importante do mundo naquele instante. Então começava a
seguir em meu ritmo torto... Focava cada troca de pernas; e a cada
série de passos entoava mantras ou orações ou frases, ou ainda e
mais importante, a cada série de passos mergulhava em Silêncio
Profundo... auscultava meu Íntimo e dele recebia bênçãos incríveis
em forma de orientação ou esclarecimentos.
Peregrinar não é fazer um trekking de longo percurso, tão pouco é o
simples caminhar seguindo o que outros escreveram em livros e guias
(tudo isso se pode fazer no Roteiro de Santiago) mas no Caminho de
Santiago o peregrinar pode ser algo especial e único. Basta ouvirmos
nossos pés e não o nosso Ego.
Meu Ego dizia: "Para que sofrer tanto? Pega um táxi ou ônibus..."
Meu Íntimo me dizia e questionava: "Tens a capacidade de vencer a
ti mesmo? De Superar teus limites? Vencer tuas paixões?"
Fiz então meu voto de apenas andar durante todo o caminho.
E quando fazemos votos, somos neles e por eles testados (isso eu
creio). Após os votos torci e rompi os ligamentos do tornozelo... E
apenas pela oração e por tudo o que acima mencionei é que terminei
meu caminho após 48 dias...
Perdi a concessão de vendas de seguros da minha corretora.
Perdi a concessão ao me recusar a cumprir meu tempo cotidiano; ao
me recusar a pegar um táxi ou ônibus. Perdi a concessão ao me
entregar ao Caminho... Ganhei o domínio de minha vida...
Se eu tivesse quebrado meus pés, sei que mesmo assim me
arrastaria... ou no Caminho permaneceria até que nele pudesse tornar
a caminhar... O que lhes proponho não é um ato de fanatismo ou
catarse religiosa... antes é um ato interno de iniciação. quando
estivermos em nossa hora de dor e sofrimento teremos a lembrança
das lições de Caminho... caso não as tenhamos seguido e praticado e
tenhamos pegado um táxi.
Bem, então me pergunto: Qual o táxi ou atalho que pegaremos na
vida real quando o sofrimento nos atingir?
O peregrinar, como sugiro, lhes dará recursos mentais, internos e
espirituais que os ajudarão na hora da dor no cotidiano.
Superar a si mesmo não por suas forças, mas pela sintonia com o
Altíssimo é a Arte Real do Peregrino.
Falei demais, perdoem...

L.C. Filardi

sábado, novembro 03, 2007

Como escolher um nome

Uma amiga achou um papagaio perdido embaixo de uma árvore e levou o bichinho para casa. Agora está preocupada em escolher um nome para ele e, se vai ter problemas com o IBAMA. Não tenho certeza até que ponto ajudou, mas contei-lhe a história do “meu” Loro.
Aos cinco anos, ganhei do meu pai um papagaio. Foi um dos presentes mais lindos da minha vida. Loro, durou 30 anos e morreu bem velho.Como minha mãe tinha que se ocupar do trabalho doméstico, alimentar o Loro era trabalho meu.Ele chegou em casa ainda bebê e, eu tinha que dar a comida na boca, com uma pequena colher.De manhã, ele tomava sopinha de café com leite e pão.Nas outras refeições, o cardápio para ele era o mesmo da família.Lorinho, ficou tão mal acostumado que, quando a gente colocava, na gaiola, a vasilha com a sua refeição, com o biquinho, ele procurava a...mistura.Então, ele aprendeu a comer carne, verduras, enfim ,tudo.
O papagaio é um bichinho muito alegre. O meu imitava o cachorro da casa, ria como nós ríamos, chorava como as crianças choravam, assobiava e até cantava. Mas seu canto era só na língua no "tá". Como em casa me chamavam de Tata, ele não só aprendeu o meu nome, como aprendeu a cantar nessa "língua". Suas canções eram muito desafinadas e engraçadas: ta-ta-ti-tooo. Realmente era hilário.
Já adolescente fui trabalhar e, quando estava no horário de chegar em casa para almoçar, Loro gritava feito um louco: Tataaaaaaaaa. Aí minha sabia que eu estava chegando.
Ele vivia trepado no meu ombro e adorava mordiscar o lóbulo da minha orelha, mas jamais me machucou.
Anos mais tarde quando terminei a faculdade e fui trabalhar em outra cidade, Loro ficou um pouco calado, só ria quando alguém falava com ele, depois, se aquietava. Com certeza, sentia a minha falta.
Ele sempre morou em uma gaiola aberta, em forma de L. Na minha casa não se escraviza animal. Mas, suas asinhas eram cortadas regularmente para que ele não fugisse para longe.Muitas vezes, ele voava até o chão para dar um passeio.
Quando éramos pequenos, às vezes, eu brigava com o meu irmão e gritava para a minha mãe: Ô mãe, olha o Toninho aqui! Loro olhava com a cabecinha enviesada a briga e gritava: Ô mãeeeeeeeee. E depois caia na gargalhada.E quando a briga terminava em choro, primeiro Loro chorava junto, depois era só gargalhada.
Em casa sempre tivemos gato e cachorro, quando morria um, logo arrumávamos outro. Mas, nenhum animal marcou tanto a minha vida como o meu querido e amado Lorinho.
Como escolher o nome? É tão simples olhe para ele e escolha com o coração, com amor.
Quanto ao IBAMA, as últimas notícias que eu tive sobre os animais em extinção, caso do papagaio, é que o IBAMA permite que se crie em casa desde que a pessoa tenha a autorização desse Órgão.
Não custa se informar, sem dizer que já tem um em casa.
Loro nunca foi legalizado até porque nem sabíamos que algo assim existia. Ele veio para mim quando eu tinha cinco anos, hoje tenho 53. Mas uma coisa eu garanto, ele foi muito amado, muito bem cuidado. E é isso o que realmente importa.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Dia do professor

Dia do Professor

“Ensinar é um exercício de imortalidade.
De alguma forma continuamos a viver, naqueles cujos olhos,
aprenderam a ver o mundo, pela magia da nossa palavra.
O professor não morrerá jamais”
Rubem Alves

quinta-feira, setembro 06, 2007

Em francês

Psique: Eros?
Eros2002: yes!
Psique: fale em francês comigo. Você sabe?
Eros2002: oui
Psique: diga algo então, acho esse idioma muito sensual
Eros2002: je vai aimé t'embrasser
Psique: traduza agora
Eros2002: dnas botre rendez-vous je te vais fasir du plaisir
Eros2002: vou adorar te abraçar
Eros2002: e no nosso encontro te dar prazer
Psique: fale mais
Eros2002: oh!
Psique: fale
Eros2002: não!
Psique: ah!
Eros2002: não escrevo há muito tempo
Eros2002: je vais te faire voir les etoiles
Psique: trate de aprender
Eros2002: de heureuz
Eros2002: reaprender
Psique: quero que sussurre em francês no meu ouvido
Eros2002: ok
Eros2002: depois
Psique: quando me telefonar
Eros2002: se você me morder todinho
Psique: pelo telefone?
Eros2002: experimentemos
Eros2002: amanhã
Eros2002: d'accord
Psique: vai ser uma delícia!
Eros2002: sim
Psique: sim
Eros2002: e como vai ser?
Psique: o quê?
Eros2002: a delícia
Psique: como?
Eros2002: você é que sabe
Psique: sim
Eros2002: como vai me deliciar?
Psique: sei lá
Eros2002: não sabe?
Eros: não
Eros2002: invente, imagine
Psique: não sei
Psique: se fosse pessoalmente ainda vá lá
Eros2002: esta acanhada agora?
Psique2002: experimente
Psique: não
Eros2002: oohhhhhhhhhhhhh
Eros2002: que pena
Eros2002: vou beber água
Psique: tá
Eros2002: então?
Psique: vou dormir boa noite
Eros2002: já?
Psique: sim, beijos

Missa em Uruguaiana

Na cidade de Uruguaiana, bem na divisa do Brasil e Argentina, a Igreja da praça Barão do Rio Branco fica cheia para a missa das 10h: argentinos, brasileiros, o prefeito, delegado, comerciantes...
O padre começa o sermão:
- Irmãos estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus...
Aquele povo desgraçado como esses argentinos que estão aqui...
- Ohhhhhhh !!!!
O maior tumulto tomou conta da igreja.
Os argentinos saíram xingando o padre, houve briga na porta da igreja. O prefeito
levou a mão à cabeça, indignado.
Acabada a confusão, o prefeito foi falar com o padre na sacristia:
- Padre, controle-se por favor, os argentinos vêm para este lado, gastam nas lojas, nos restaurantes, trazem divisas para a cidade.
Não faça mais isso.
Durante a semana a conversa entre todos era a mesma: o padre e o sermão do domingo. Aquele zum-zum-zum todo foi fazendo as pessoas ficarem curiosas e querendo saber mais sobre o que tinha acontecido.
Finalmente, chega o domingo. O prefeito chega na sacristia e fala com o padre:
- Padre, o senhor lembra do que conversamos antes, não? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?
Vem a missa e o padre começa o sermão:
- Irmãos... Estamos aqui reunidos, hoje, para falar de uma pessoa da Bíblia: Maria Madalena. Aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas argentinas que estão aqui...
Não deu outra : pancadaria na igreja, quebraram velas nos corredores, tapas, socos e algumas internações na Santa Casa da cidade.
O prefeito novamente foi ao encontro do padre: - Padre, o senhor não me disse que iria pegar leve? Padre, se o senhor não amansar, vou escrever uma carta à Congregação e pedir a sua retirada imediata.
Naquela semana, o tumulto era maior ainda. As conversas eram maiores ainda e todos não perderiam a missa do próximo domingo nem por decreto.
Na manhã do domingo, o prefeito entra na sacristia com a polícia e adverte o padre:
- Padre, pega leve desta vez, senão te levo em cana !!
A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar de tanta gente, tinha moleque vendendo água, pirulito, gente recolhendo lata de alumínio, garrafas pet, vendedores de rifas...
Começa o sermão: - Irmãos.... Estamos aqui reunidos, hoje, para falar do momento mais importante da vida de Cristo: a Santa Ceia...
O prefeito então respirou aliviado.
Jesus, naquele momento, disse aos apóstolos :"Esta noite, um de vocês irá me trair".
Então João pergunta:
- Mestre, sou eu?
E Jesus responde:
- Não, João, não é você.
Pedro pergunta:
- Mestre, sou eu?
E Cristo responde:
- Não, Pedro, não é você.
Então Judas pergunta:
Mestre, soy yo?

Mordidinhas

Eros2002: oi
Psique: oi
Eros2002: como te sentes?
Psique: estou ótima!
Eros2002: sim?
Psique: e você?
Eros2002: quer uma mordidinha?
Eros2002: eu também
Psique: você é ótimo
Eros2002: sim
Psique: tá ficando muito assanhadinho
Eros2002: vou mandar a foto
Psique: agora?
Eros2002: sim
Eros2002: recebeu?
Psique: sim
Eros2002: ok
Psique: vou lhe enviar a minha
Eros2002: ok
Eros2002: já enviou?
Psique: sim
Psique: deve estar chegando
Eros2002: vou ver
Psique: não vá se assustar
Eros2002: com o quê?
Psique: a foto
Eros2002: oh!
Eros2002: assustar por quê?
Psique: aumente o tamanho dela
Eros2002: SIM
Eros2002: mas você cresce?...rsrs
Psique: heim?
Eros2002: está ok
Eros2002: estava a ver se dobrava a saia
Psique: pensou o que?
Psique: como?
Eros2002: desabotoar
Psique: tente quem sabe você consegue... rsrs
Eros2002: ok vou tentar
Psique: sonha Eros
Eros2002: sim, com quê?
Psique: com isso
Eros2002: com a saia?
Psique: simmmmmm
Eros2002: ok
Psique: desmaiou?
Eros2002: com quê?
Psique: você sumiu
Eros2002: não, estava a ver a foto com lupa, para ver os pormenores...
Psique: o que está fazendo?
Eros2002: estava brincando
Psique: eu sei
Eros2002: estava a tirar a roupa à foto, mas não consegui
Psique: ahahahahah
Eros2002: vou buscar um cigarro
Psique: tá
Psique: traga o vinho
Eros2002: não trouxe, não vi a mensagem a tempo
Psique: que pena
Eros2002: teremos tempo
Psique: de quê?
Eros2002: de beber o vinho
Eros2002: e quero que você o beba, enfim, você sabe...
Psique: por que não?
Eros2002: claro que sim
Psique: mas hoje, beba por mim, brinde a nossa amizade
Eros2002: ok, mas queria também um pouco da sugestão
Psique: diga
Eros2002: que você o beba em mim
Eros2002: e me dê um mordidinha
Psique: com certeza, vou beber você inteirinho...
Eros2002: sim?
Eros2002: que bom!
Psique: molhar a sua boca com vinho
Eros2002: e...
Psique: e morder os seus lábios
Eros2002: sim, hummmmmmmmmmmmm
Eros2002: e...
Psique: e, chega, está muito assanhado
Eros2002: estou?
Psique: yes!
Eros2002: no!

Trocando sons por cores

- Vamos parar um pouco. Não agüento esta cor laranja!

Onde está a cor de laranja? Estamos no Trastevere, em Roma, e tudo

que vejo são os bares, as pessoas na rua neste começo de primavera

gelado, e os sinos da igreja tocando. Já é quase noite de um dia

nublado, de modo que sequer podemos culpar o sol pela ilusão de

ótica.

Caminho com uma atriz que conheço já há algum tempo, mas que nunca

antes tivemos oportunidade de conversar o suficiente. Paro como

pediu, mas apenas por educação, já que aquela mulher equilibrada,

profissional, deve ser mais louca do que eu pensava.

Entramos em um restaurante para jantar. Pedimos risoto com trufas,

e um bom vinho. Conversamos sobre a vida, e de novo um comentário

absurdo:

- Esta comida está retangular!

Ela nota minha cara de espanto. Comida retangular?

- Você deve achar que estou louca; não estou. Houve um momento de

minha vida em que pensei que era daltônica (pessoa que confunde

uma cor com outra). Fui ao médico, e descobri que tenho um

distúrbio neurológico comum.

Depois que voltei para casa e imediatamente comecei a pesquisar no

computador, fiquei surpreso com algo que jamais tinha ouvido falar

em minha vida: sinestesia. Uma condição em que um estímulo de

determinado sentido provoca a percepção em outro. A pessoa que

sofre deste tipo de distúrbio, confunde sons com cheiros, visão

com paladar, cores com tato (não necessariamente nesta lógica).

Alguns estudos científicos alegam que a visão de auras em seres

humanos nasceu daí; discordo destes estudos, penso que todos nós

temos realmente um corpo astral que pode ser visto quando

alteramos a percepção. Mas o que mais me atraiu na pesquisa foi

saber que o que percebemos através de nossos cinco sentidos não é

uma verdade absoluta. As pessoas sinestésicas têm uma noção do

mundo completamente distinta da nossa, embora isso não os impeça

de levarem uma vida relativamente normal. Minha amiga atriz

trabalha na TV italiana todos os dias, e diz que terminou por se

acostumar.

Indo mais adiante na pesquisa, descobri um estudo na revista

britânica Cognitive Neuropsychology. Uma equipe de pesquisadores

do University College de Londres, chefiada pelo Dr. Jamie Ward,

foi mais além: alguns sinestésicos podem perceber cores em

palavras carregadas de emoção, como “amor” ou “filho”. A grande

maioria deles termina associando o nome de alguém à determinada

tonalidade. Ward descreve o caso de uma moça identificada por

G.W., que simplesmente pelo fato de escutar determinados nomes,

tinha seu campo de visão inteiramente coberto por determinada cor

associada àquela palavra.

Em uma revista de arte, aprendo que as aureolas que vemos em torno

das cabeças dos santos podem ter sido criadas por algum pintor

sinestésico na antiguidade, sendo repetidas pelos outros sem que

ninguém se perguntasse à razão daquele círculo de luz. O prêmio

Nobel de Física de 1965, certa vez disse em uma entrevista:

“quando escrevo equações no quadro-negro, noto os números e as

letras em cores diferentes”.Diz um artigo que Feynman faz parte de

um grupo de pessoas para quem o número dois pode ser amarelo, a

palavra carro tem gosto de geléia de morango, e certa nota musical

evoca a imagem do círculo.

Ward diz que a sinestesia não é absolutamente uma doença: “ao

contrário dos transtornos psiquiátricos, o sinestésico não tem

nenhuma função básica comprometida, e sim um sintoma positivo,

ausente na maioria dos outros seres humanos”.O grande problema

está em crianças em idade escolar, que não conseguem entender por

que sentem as coisas de maneira diferente dos outros.

Para minha grande surpresa, alguns estudos apontam que uma em cada

300 pessoas é sinestésica (embora a maioria diga que a relação é

de uma em 2.000).

No dia seguinte telefonei para a minha amiga e perguntei que

sensação ela sempre associava comigo. “Suave” foi sua resposta.

Bem, nem sempre a sinestesia tem lógica.

Paulo Coelho

Coisas

A máscara cai

O sorriso aparece

A ironia vence



O véu se rasga

A nudez se mostra

O pecado encanta



As cortinas se abrem

O espetáculo começa

O público se espanta



A mortalha se rebela

O rosto não é mais cadavérico

A morte não convence.



Ludimar Gomes Molina



Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL
visite:
http://cplitoral.blogspot.com
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Sexo e rock roll

Eros2002: saudades?
Psique: oi?
Psique: não quer ler sobre alfabetização comigo?
Eros2002: não, desculpe
Eros2002: estou ouvindo música, rock da pesada
Psique: tenho muita coisa para ler ainda
Eros2002: Aerosmith
Psique: você?
Eros2002: sim, adoro
Psique: esse tipo de música?
Psique: não acredito!
Eros2002: pode acreditar
Psique: pensei que gostasse de Beatles
Eros2002: também
Eros2002: quando era jovem era hippie
Psique: você era hippie?
Psique: não acredito!
Eros2002: sim!
Psique: essa eu preciso saber!
Psique: conte-me
Psique: fiquei curiosa
Eros2002: sim?
Eros2002: mas é verdade
Psique: usava cabelos longos?
Eros2002: sempre usei
Eros2002: mas como são meio encaracolados
Psique: viajava de carona?
Eros2002: e barba
Eros2002: yes
Psique: com mochila?
Eros2002: yes
Psique: uauaua
Eros2002: e botas couro
Psique: que legal!
Psique: acampava?
Eros2002: claro
Psique: botas de couro?
Psique: adoraria ver
Psique: você devia ficar muito alto
Eros2002: mas trepei pouco nessa altura,as mulheres eram muito tímidas
Psique: ahahahahahaha
Psique: que azar, não?
Eros2002: alto?
Eros2002: eu era alto para a época
Eros2002: 1,95
Psique: homens altos me deixam emocionada
Eros2002: excitada quer você dizer
Psique: é...
Psique: que mais?
Psique: conte-me
Psique: estou adorando
Psique: usava drogas?
Eros2002: não
Psique: todo hippie que se preza usava
Eros2002: sempre fui contra as drogas
Eros2002: eles, os que usavam drogas eram violentos
Psique: nem que fosse a básica maconha
Eros2002: não me agradava muito
Psique: que mais
Eros2002: mais?
Psique: sim, conte-me
Psique: tinha uma turma?
Eros2002: nada mais de especial
Psique: andava de moto?
Eros2002: não, tenho e sempre tive medo
Eros2002: andei por muitos lugares de corona
Psique: adoro isso!
Psique: viajei muito de carona, mas para trabalhar
Psique: existe uma associação de andarilhos aqui, ainda quero conhecê-los
Eros2002: ia a festivais de música e concentrações do contra
Psique: que legal
Eros2002: mas agora não estou muito a fim
Psique: o que mais gosta em termos de música?
Psique2002: tudo que for bom
Psique: exemplo
Eros2002: desde Mozart ou Beethoven, a Chico ou, outros
Psique: rapaz versátil...
Eros2002: e eclético
Psique: está sozinho?
Psique: ahahaha
Psique: eclético??????
Eros2002: completamente sozinho em casa
Psique: oh!
Eros2002: por quê?
Psique: por nada
Eros2002: quer que eu telefone?
Psique: não, preciso voltar para as minhas leituras

O Jardim e a Noite

Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entra a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL
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domingo, agosto 19, 2007

Nem todos os homens são Herbert Vianna

Vaidade - HERBERT VIANNA
Cirurgia de lipoaspiração?Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração? Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.Hoje, Deus é a auto imagem.Religião, é dieta.Fé, só na estética. Ritual é malhação.Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal.Ruga é contravenção.Roubar pode, envelhecer, não.Estria é caso de polícia.Celulite é falta de educação.Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o a volta, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas... uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva."
" Cuide bem do seu amor, seja quem for " Herbert Vianna


Antigamente a gente dizia:"nossa como vc está bonita, está gorda!"Nos dias atuais, chamar alguém de gordo é quase um sacrilégio, é ofensivo.Mudam-se as épocas, mudam-se os hábitos.O que está acontecendo hoje é que simplesmente há uma indústria milionária por trás de tudo isso ganhando rios de dinheiro. E, numa sociedade capitalista, em que o ter é muito, mas muito mesmo, mais importante do que o ser, é preciso ter corpo dentro da métrica da moda, isto é, ser magra, mas ter busto grande, sem celulite de preferência e, estria nem pensar.Em contrapartida é preciso consumir todas as batatas fritas que o estômago possa aguentar, todos os sanduíches 'macs', sorvetes, chicletes e balas. Sempre com refrigerante light, claro.Há uma absoluta e total incoerência entre o que se come e o peso que o modismo exige das pessoas. E, o homens também já sofrem dessa epidemia da magreza e da burrice estética.Infelizmente, a mídia contribui e muito para essa alienaçãoda beleza e, os artistas que precisam mostrar que são "belos e saudáveis", contribuem mais ainda para míopia da beleza.E olha que não é fácil fugir de tais esteriótipos, eu que o diga, uma saudável senhora cinquentona e ...gorda. As pessoas discrimimam a gente nas lojas e, encontrar roupas para gordos quase que só em lojas especializadas. Gordo tem problemas com o banco do ônibus, para entrar no carro, é piada entre os amigos e, os homens muitas vezes 'preferem' as magras. Na verdade os objetos são feitos para magros e destros. Certa vez, um amigo - homem - me disse a seguinte pérola: "E aí casou?", respondi que não. Então ele me saiu com essa : "deve ser porque vc está muito gorda". Detalhe: somos amigos há 30 anos e ele me adora. Mas, ele tem a ótica e a estética da moda imposta pela mídia.Eu não fiz lipo ou coisas afins mas, quem não tem uma cabeça centrada, é influenciável ou, acaba mesmo se sentindo feia por causa da influência dos modismos se envolve em tratamentos estéticos que na verdade não garantem a felicidade de ninguém. Nem um casamento perfeito e sequer que não se vai nunca perder o emprego.Sem querer radicalizar, há casos em que uma lipo ou outra atividade estética é necessária. E, às vezes, é até uma questão de vaidade, mas com moderação e bom senso vai mesmo fazer a pessoa se sentir melhor.Enfim, nem todos os homens são Herbert Vianna.

Quero-te

Eros2002: oi!
Eros2002: quero-te!
Psique: oi?
Psique: ahahahahahah
Eros2002: e ri?
Psique: mas que isso, Eros?
Eros2002: o quê?
Psique: isso é coisa que se fale?
Eros2002: é
Eros2002: e sabe por quê?
Psique: diga
Eros2002: porque você tem que ser minha
Psique: oh!
Psique: será?
Eros2002: falei ontem com um amigo para ver a possibilidade de você vir morar aqui.
Psique: é mesmo?
Psique: seria maravilhoso
Eros2002: calma
Psique: tá
Eros2002: porque há o componente do seu vencimento
Psique: humm
Psique: tem que dar para eu viver aí sozinha
Eros2002: ainda não há luz verde, digamos
Eros2002: claro
Eros2002: pelo menos
Psique: senão você vai ter que me sustentar
Eros2002: leitinho não faltará
Psique: ahahahahaha
Psique: só?
Eros2002: pelo menos
Psique: vamos aguardar
Psique: é uma boa notícia
Eros2002: pois
Eros2002: é alguma coisa
Psique: um presente para o dia de hoje
Eros2002: e o desejo de te amar fará o resto
Psique: ai meus deus
Eros2002: por quê?
Psique: só por isso, Eros?
Eros2002: não lhe agrada a idéia?
Psique: sei lá
Eros2002: já não sabe?
Psique: eu posso te decepcionar
Eros2002: duvido
Eros2002: você se empenhará e eu também
Eros2002: e, além disso, será uma etapa nova nas nossas vidas
Psique: mas é só por causa de sexo?
Eros2002: claro que não
Psique: ainda bem
Eros2002: mas, também
Eros2002: e, provavelmente será o início de uma grande amizade
Psique: ahahahaha
Eros2002: ri-te?
Psique: se emende Eros
Eros2002: como?
Eros2002: comendo-te?
Psique: é bom ter alguém que goste da gente
Psique: e não é só para me comer
Psique: claro que isso é importante
Psique: mas, o amor também
Eros2002: e o meu...?
Psique: ai Eros!
Psique: o que é que tem?
Eros2002: diga!
Psique: o que quer que eu diga?
Eros2002: a idéia de..., não a seduz?
Psique: e como!
Psique: mas, posso gostar ou não
Eros2002: arranjaremos uma forma
Psique: ahahahah
Psique: você é doido mesmo
Eros2002: pelo menos uma vez vai ter de fazer
Eros2002: e se você gostar?
Psique: bem...
Psique: aí você vai ter que repetir
Eros2002: bem?
Eros2002: ok
Psique: mas me deixou contente
Eros2002: com todo o gosto
Eros2002: mas não faça já castelos no ar
Psique: vou voltar a fazer dieta
Eros2002: aguarde com calma
Psique: ok
Eros2002: não é importante
Eros2002: a dieta
Psique: você me ama mesmo, Eros?
Eros2002: amo
Psique: sinto-me feliz com isso
Eros2002: ok
Psique: preciso ter alguém
Eros2002: claro que sim
Eros2002: agora tem o meu... virtual, por enquanto

Louco!

Eros2002: oi
Eros2002: está zangada?
Psique: não, só estou escrevendo um pouco.
Eros2002: gostei muito da sua opinião sobre a violência
Psique: sim?
Eros2002: sim
Psique: é uma visão que na prática não apresenta soluções
Eros2002: há muita violência em quase tudo
Psique: onde será que está a solução?
Eros2002: sim, mas é difícil resolver o problema.
Psique: esse é o problema!
Psique: caríssimo, só procura esse caminho quem é fraco de valores.
Eros2002: ok
Eros2002: você nunca cometeu um erro?
Psique: desse tipo não
Eros2002: ainda bem
Psique: nunca vendi o meu corpo, por exemplo,
Psique: trabalhei muito na minha vida
Eros2002: sim, estou vendo.
Psique: e nunca precisei fazer nada de errado
Eros2002: certo
Psique: o pouco que consegui é fruto do meu trabalho
Eros2002: você acha então que apesar de toda a violência que há nas favelas é possível viver-se com dignidade nesses locais?
Psique: com certeza, trabalhei em favela durante muitos anos como professora.
Eros2002: ok
Psique: lá tem muita gente boa e que trabalha duro
Eros2002: certo
Psique: só segue o caminho errado quem quer
Eros2002: ok
Eros2002: entendi
Psique: às vezes o caminho poder ser difícil, mas...
Eros2002: não pode haver só histórias tristes
Psique: com certeza, e todas as histórias de luta digna e trabalho honesto são bonitas.
Eros2002: ok
Eros2002: são cinco da manhã, devo estar louco.
Psique: louco de sono?
Eros2002: sim
Psique: vá dormir então
Eros2002: pois vou
Psique: boa noite
Eros2002: boa noite
Psique: xau
Eros2002: xau
Eros2002: vou desligar
Psique: descanse

A ti Musa

Eros2002: então diga, por favor,
Psique: conte-me sobre a sua noite ontem, onde foi?
Psique: onde foi passear?
Eros2002: foi de conversa de amigos
Eros2002: a um centro comercial e a um bar
Psique: mas foi a algum lugar bonito?
Eros2002: não muito
Psique: como são os seus amigos?
Eros2002: já não estava com eles há uns tempos e eles é que marcaram o lugar
Eros2002: são financeiros
Psique: o que é isso?
Eros2002: são pessoas da área financeira, logo muito cerebrais.
Eros2002: frios de análise
Psique: racionais?
Eros2002: sim
Eros2002: mais do que isso
Eros2002: muito virados para ouvir e contarem pouco
Psique: gosta de conviver com essas pessoas?
Eros2002: mas também tem piada
Psique: ah!
Eros2002: não estavam a trabalhar
Psique: e por que se reuniram?
Eros2002: era sexta-feira à noite
Eros2002: para por as conversas em dia
Eros2002: o grupo até já foi grande, só homens, mas eram jantares divertidos
Psique: não havia mulheres?
Eros2002: não
Eros2002: não calhou
Psique: como assim?
Eros2002: são meus conhecidos do mundo dos negócios, e não há ainda muitas mulheres no setor por aqui.
Psique: é pena
Eros2002: é
Eros2002: seria bem mais divertido
Psique: aqui, quando reúnem as professoras, é só mulher
Eros2002: cá, professoras também.
Psique também faz parte desse universo?
Eros2002: não faço muito parte desse grupo
Psique: não?
Eros2002: mas estes até são boas pessoas, mas muito cerebrais
Ero2002: eu é que lhes mostro o outro lado da vida
Psique: cerebrais = racionais?
Psique: o que mostra a eles, Eros?
Eros2002: alegria, humanidade, e uma visão mais otimista.
Eros2002: e de negócios
Psique: não sabem aproveitar a vida mesmo
Eros2002: mas ontem o local era acolhedor e propício a um bom vinho
Psique: ah!
Eros2002: beber um bom vinho deve ser na companhia de uma bela musa
Psique: brindou a mim?
Eros2002: sim, claro
Psique: legal
Eros2002: poetei para mim sobre o assunto
Psique: é mesmo?
Psique: conte-me
Eros2002: sim
Eros2002: pego no copo como se pegasse em ti
Eros2002: e brindo aos teus lábios com os meus
Psique: como é que é?
Eros2002: brindo aos teus lábios com os meus
Eros2002: e bebo imaginando o teu olhar
Eros2002: e ouço o teu riso alegre
Eros2002: e pouso de novo o copo
Eros2002: e lembro oceano azul e longo
Eros2002: a ti minha musa
Eros2002: fim
Psique: obrigada, Eros
Eros2002: de nada
Eros2002: o título é “A ti musa”
Psique: até onde nós vamos com tudo isso, Eros?
Eros2002: daqui a pouco vou para a cama...
Eros2002: acho que a uma bela amizade
Eros2002: sem complexos
Psique: Eros, boa noite!
Eros2002: que aconteceu?
Psique: nada
Eros2002: sério?
Eros2002: ofendi-a?
Eros2002: não acredito!
Psique: boa noite, não me ofendeu
Eros2002: ok, boa noite
Eros2002: você fugiu assim de repente
Psique: quero ficar um pouco sozinha, é só isso. Amanhã conversaremos com certeza
Eros2002: de certeza que é só isso?
Psique: sim, Eros
Eros2002: não me parece
Psique: o que quer que eu lhe diga então?
Eros2002: nada que seja contrariada
Psique: posso ir-me?
Eros2002: ok xau
Eros2002: boa noite
Psique: boa noite
Psique: xau
Eros2002: xau

domingo, agosto 12, 2007

Ócio
















líria porto

quão bom é dormir
numa cama à toa

qual uma canoa
a alisar o rio

a nos transportar
para outra margem

a sentir no dorso
o frescor da brisa

o corpo do amado
dar-nos arrepios

a fazer-nos gratos
grávidos

espíritos

*

http://liriaporto.blogspot.com/

domingo, agosto 05, 2007

Mensagem para você

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Antoine de Saint-Exupéry

Proverbiando

Quem tudo quer tudo perde

Registrado por Mário Lamenza, em "Provérbios", parece ter origem espanhola. Pelo menos é citada em língua castelhana nesta passagem da famosa "Arte de Furtar": "Medraríamos todos se houvesse lei, que perca tudo quem abarcar tudo; e seria justa pela rega: que quien todo lo quiere todo lo pierde".-- Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL visite:http://cplitoral.blogspot.comhttp://cliquepoetico.blogspot.com

Poesia na rede caiçara

LEGADO

Valdir Alvarenga livro: Plenilúnio


Deus me deu o dom da poesia a luz da lucidez Deus me deu o entendimento do coração o silêncio da solidão e a sabedoria de se perder e se achar. Deus me deu a chave. Eu que encontre a porta!


AS GAIVOTAS

Narciso de Andrade - Santos

Ninguém interfere no destino das gaivotas. Sua vida azul é toda de altitudes e diálogos com o vento e as nuvens. Voando, elas bicam o sol e pousam suaves no espelho das marolas. Não cantam porque não querem; que sua voz se reserva para os segredos que murmuram entre si quando a tarde cai. A grande paisagem que é o mar só se completa quando as gaivotas rompem a linha do horizonte e saem do infinito com um peixe na boca. São belas, são fáceis, são lúcidas as gaivotas – ninguém interfere no seu destino.

Para Serafim

Gizelda Bassi

Guerreiro que em tantas batalhas lutastes o fiel combate, repousa tua mente, teu coração Busca em mim, tua paz.

Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL visite:http://cplitoral.blogspot.com/http://cliquepoetico.blogspot.com/

Papel (Hârtie)

Anunciou-se, creio, no apocalipse,
não me lembro muito bem,
que um grande furacão de papel
se aproxima da direção NO
e de todas as direções.

O furacão destruirá tudo no seu caminho,
convertendo tudo em papel.

As árvores se transformarão em papel,
os animais em papel,
o ouro em papel.

Os homens gritarão horrorizados,
e seus gritos
se tornarão cobras de papel.
Depois eles próprios se vão desfazer em papel:

papel de embrulho, papel de envelopes,
papel de sacos, papel de bíblia,
papel de cigarros.
E, sobretudo, de jornais.

Alguns se tornarão artigos de fundo,
outros entrarão nos problemas
industriais ou agrários,
outros passarão à página externa.
Os escritores que ainda não falharam
por falta de espaço,
falharão nos primeiros cinco quadrados.
Pra que falar em demasia:
haverá um furacão e um papel
mundial.

E no fim,
perdendo a paciência,
se entreabrirá a terra.
Engolirá tudo com apetite
e limpará a boca
com os homens que se tinham transformado
em guardanapos.

Marin Sorescu
poeta romeno

trad. Luciano Maia

Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL visite:http://cplitoral.blogspot.comhttp://cliquepoetico.blogspot.com

A mais bela

Eros2002: oi
Psique: oi
Eros2002: então a festa foi boa?
Psique: foi maravilhosa!
Eros2002: ótimo!
Psique: e eu fiz um brinde para você à mesa
Eros2002: obrigado
Psique: ontem tudo foi lindo, o baile, o jantar, tudo mesmo.
Eros2002: sim
Eros2002: e você a mais bela da sala
Psique: obrigada, você é gentil.
Eros2002: o convívio foi bom?
Psique: com os amigos?
Eros2002: sim
Eros2002: aqui também saí, e conversei até com gente que não conheço, foi muito proveitoso
Psique: ainda bem que superou o dia de ontem
Eros2002: sim, acabou bem
Eros2002: quase bem
Psique: eu hoje me sinto estranha
Eros2002: por quê?
Psique: não sei, desde cedo sinto vontade de ficar sozinha, até na praia fui caminhar só.
Eros2002: sim?
Eros2002: oh!
Eros2002: eu já te liguei três vezes hoje
Eros2002: e nada
Psique: fazia tempo que não me sentia assim
Eros2002: tive azar
Eros2002: será por causa de ontem?
Psique: é como se eu precisasse conversar comigo mesma
Eros2002: serei eu a desestabilizar?
Psique: não é você não, sou eu mesma.
Eros2002: mas o que se passa?
Psique: não sei
Eros2002: o que é que sente?
Psique: Desculpe, mas preciso atender minha amiga que chegou. Volto logo
Eros2002: ok até logo
Psique: ainda está aí, Eros?
Eros2002: oui
Psique: desculpe, mas não podia deixar a minha amiga
Eros2002: sim
Psique: e eu ganhei um chocolate
Eros2002: linda menina
Psique: ela sempre me traz algo
Eros2002: simpática
Psique: eu?
Eros2002: também
Psique: onde estávamos mesmo?
Eros2002: você se sente estranha
Psique: é, às vezes quero ficar sozinha, conversar comigo mesma
Psique: e hoje passei o dia inteiro assim
Eros2002: sim, não quer conversar comigo?
Psique: quero!

Gostosa

Eros2002: o que é para si madrugada?
Eros2002: Quatro ou 5 da manhã?
Eros2002: mas que horas?
Psique: é sobre telefonar para mim?
Eros2002: isso
Psique: me acorde uma madrugada dessas, vou adorar, use sua sensibilidade e “sinta" em que momento estarei dormindo.
Eros2002: ok, boa!
Psique: vai fazer isso?
Eros2002: sim, amanhã talvez não, mas brevemente.
Psique: não quero saber o dia, senão perde a graça.
Eros2002: ok
Eros2002: gostei muito de ouvir a sua voz
Psique: obrigada, você é muito gentil.
Eros2002: não, é verdade apenas.
Psique: fui à igreja rezar.
Eros2002: sim?
Psique: eu tinha prometido ir, achei chato faltar, estamos estudando os Atos dos Apóstolos.
Eros2002: sim, era chato.
Psique: mas agora vamos falar sério
Eros2002: de...
Psique: desculpe, mas acho que não vou dizer.
Psique: deixe para lá
Eros2002: diga
Psique: não, aquela "voz” interior disse ‘não’.
Eros2002: por que ela comanda?
Psique: é a minha intuição
Psique: às vezes eu não a ouço, mas me dano
Eros2002: não sei...
Psique: você me parece racional demais, Eros.
Psique: pelo menos me deu essa impressão
Eros2002: olhe que não, sou mesmo #open mind#
Eros2002: com limites, claro.
Psique: o que é isso?
Eros2002: mente aberta
Psique: isso é bom, e até onde vai essa sua mente aberta?
Eros2002: não sei
Eros2002: mas não é ilimitada
Psique: e quais são os seus limites?
Eros2002: não entra na área das drogas, por exemplo,
Eros2002: e os seus?
Eros2002: na violência
Psique: os meus limites são dados pelo meu coração
Psique: você ainda não sentiu isso?
Eros2002: um pouco
Psique: então,
Psique: não quero ter um homem só pela net
Eros2002: ah, ok
Psique: quero ter alguém aqui, ao vivo e em cores.
Eros2002: certo
Psique: essas nossa brincadeiras vão acabar me machucando
Eros2002: então temos de mudar o rumo
Eros2002: nunca gostei de ver alguém se machucar
Psique: pois é, já pensou se eu me apego a você?
Eros2002: você é quem sabe, eu ficaria muito triste se você se machucasse comigo.
Psique: já tem um ‘alarme’ tocando dentro de mim
Eros2002: isso não seria muito mau
Psique: por isso é que não quero mais poetar com você, por exemplo.
Psique: nós já fugimos do campo da literatura e faz tempo, concorda?
Eros2002: não a quero machucar e tudo farei para que isso não aconteça
Psique: adoro conversar com você
Eros2002: e eu com você
Psique: mas quero que nossa amizade tenha limites saudáveis
Psique: concorda?
Eros2002: sim, dentro desses princípios acho uma ótima idéia.
Eros2002: mas a idéia de você já esqueceu seu ex namorado também me agrada
Psique: gracinha...
Eros2002: é mesmo, acho você muito doce para que se amarre ao passado.
Psique: podemos nos comunicar pela net ou por telefone, mas vamos nos policiar.
Psique: você compreende o que eu quero dizer?
Eros2002: se você quiser me usar para largar o passado e conseguir partir para um futuro harmonioso, pode contar comigo.
Psique: usar você? Mas como?Nem posso tocá-lo?
Eros2002: não sei
Eros2002: mas o passado amargura-a muito
Eros2002: e acho que você não merece isso
Psique: eu ainda sofro muito por isso, mas...
Eros2002: mas...
Psique: não vou morrer por isso
Eros2002: ok
Eros2002: você é que sabe
Psique: e de um modo geral eu estou bem
Eros2002: ótimo
Psique: mas não posso amar alguém que não esteja dentro dos meus sonhos. Isto é loucura, Eros?
Eros2002: não
Eros2002: você é gostosa
Psique: eu!?
Eros2002: sim
Psique: você não sabe
Eros2002: mentalmente, e pelo que escreve é.
Eros2002: e pela voz
Psique: você me mata de rir
Eros2002: mato???
Psique: sim, me faz rir muito.
Eros2002: e é bom para a saúde
Psique: com certeza
Eros2002: então tudo bem.

Brasil - Por quem os sinos (não) dobram

Brasil - Por quem os sinos (não) dobram?
O Brasil padece sob o impacto do maior acidente aéreo da história do país, com pelo menos 200 vítimas fatais. A morte de todos nós é uma tragédia inevitável. Não tanto para quem parte, sim para quem fica. Se ao nascermos todos riem enquanto choramos, ao morrermos choram eles e nós sorrimos. É a certeza da fé. Porém, doem os laços afetivos que nos ligam àqueles que se foram. Já não mais podemos vê-los, ouvi-los, abraçá-los, partilhar com eles dificuldades e alegrias da vida. Agora restam o silêncio, a lembrança, a saudade doída. A nossa mão se estende no vazio…
Há que tratar a morte com solene seriedade. Para quem sofre a perda do outro, não é um fenômeno descartável. Em princípio, nossa sensibilidade deveria reagir toda vez que, por alguém, os sinos dobram. Se considerarmos que apenas no século XX o ser humano eliminou, pela violência, 100 milhões de semelhantes, então se pode entender por que somos insensíveis à morte alheia. Blindamos a sensibilidade para nos preservar. Já é sofrido chorar a perda do parente e do amigo; por que admitir que a morte do estranho fira o nosso coração?
A morte, no entanto, exige solene reverência. O rito de passagem precisa, de algum modo, ser celebrado: a identificação do morto, o velório, o enterro ou a incineração, as condolências, a liturgia religiosa, o luto. Caso contrário, somos condenados ao drama das famílias de desaparecidos sob a ditadura - não mudam de endereço na expectativa de que, um dia, eles reapareçam. Pois não há arbítrio capaz de enterrar a esperança de um coração materno ou paterno.
Tchekhov, no conto "Angústia", narra a triste solidão de um cocheiro que, tendo perdido o filho, não encontra nenhum ouvido disposto a escutá-lo. "Logo vai fazer uma semana que o filho morreu - diz o narrador - e ele ainda não conversou direito com ninguém... É preciso conversar com vagar, com calma... É preciso contar como o filho ficou doente, como sofreu, o que disse antes de morrer, como morreu. É preciso descrever o enterro e a viagem ao hospital para buscar a roupa do defunto".
Familiares e amigos dos passageiros e tripulantes do Airbus-A320 sentem-se como o cocheiro de Tchekhov em se tratando de nossas autoridades públicas. O cocheiro encontrou o consolo de, afinal, desabafar com a égua que lhe movia a carroça.
Mas nossas autoridades, à exceção do governador paulista e do prefeito da capital, excetuando escalões inferiores, não compareceram aos hotéis em que os familiares se hospedam em São Paulo, nem às celebrações litúrgicas, nem ao enterro de corpos identificados. Ainda que o fizessem, seria um consolo? Jamais. Porém, seria um gesto de grandeza cívica, de quem representa a nação e, em nome dela, sabe irmanar-se na dor, assim como não perde a oportunidade de irmanar-se na alegria.
E seria um gesto de que a tragédia do dia 17 de julho não se reduz a um mero acidente que exime os órgãos públicos de qualquer responsabilidade.
Quando o poder se coloca do lado das vítimas, ele aprende a mudar seu modo de proceder. E se humaniza. (Autor de "Treze contos diabólicos e um angélico", Planeta, entre outros livros).
*Frei Betto
* Frei dominicano. Escritor.

sexta-feira, agosto 03, 2007

A eleição que não terminou

A saída do ministro Waldir Pires trouxe à tona a verdade sobre a cobertura dita jornalística da tragédia de São Paulo: a imprensa não admite que perdeu as eleições. Não foi o candidato do PSDB, nem o partido que não o apoiou, nem o Estado que ele governou. Quem perdeu as eleições foi a mídia. E não assimilou a derrota. A cada tentativa de derrubar o presidente, euripidianamente, nova frustração. A cada expectativa de um índice que dê esperança à sanha, nova derrota com o resultado das pesquisas. Desesperada, abriu os microfones para a classe média contrariada, que usou o espaço com um discurso agressivo, vaiou na abertura dos Jogos e culpou o presidente pela tragédia. Aumentou a solidão.
Como se trata de paixão e a opinião pública não assumiu o discurso iconoclasta, pessoal e hidrofórico, a mídia ficou cada vez mais solitária, falando para menos gente e sem encontrar eco ao seu discurso. Com os déficits, o desespero aumentou, enquanto as verbas governamentais seguiram outro destino. O descontrole dos colunistas ganhou espaço em editoriais agressivos, em suspeitas infundadas, em acusações levianas. Algumas o governo sequer contestou, como demonstrou Mauro Carrara.
O "animus furiandi" resultante da rejeição afetiva a fez sofrer a ameaça de perda de espaço e de "status", com a estruturação da TV pública. O caos está deixando o país sem alternativa. Emir Sader divulgou uma lista de jornais virtuais, em diversas línguas, inclusive espanhol, para quem quer se informar. Ou se cansou da ilusão de ética da mídia controlada pelas grandes empresas, preterida pelo grande público e sem verbas de comunicação do governo. Mesmo a informação democratizada pela internet não conteve a raiva da derrota acachapante.
O movimento migratório de telespectadores, ouvintes e leitores das emissoras de Rádio e TV comerciais para as públicas pode ser saudável. Esse fato que acontece aqui é o mesmo ocorrido com as TVs em diversos países da Europa. Ele se acentua com a internet e se alimenta do cansaço com o consumo de informação controlada, distorcida e maquiada. Sem saber, essa mídia está ajudando no amadurecimento do público consumidor de informação. A mais dura lição da derrota eleitoral da mídia, não foi a maior votação da história do país, dada pela população, mas quando ela, sentindo-se ofendida e usada, transferiu milhões de votos do seu candidato ao presidente eleito, no segundo turno.
A raiva intensa, explosiva como em qualquer paixão antiga quando a relação se esgarça, avança no mesmo ritmo da perda de credibilidade. Como em abraço de afogado, juntam-se as mídias concentradas no eixo Rio-São Paulo, para punir a sociedade por sua escolha. A última forma foi o acidente aéreo. Nem o momento de dor imensurável das famílias, da sociedade e de um setor da economia, obteve trégua. Pires tem razão, é uma sanha que não leva nada em consideração, um desejo indômito de atingir o governo, mesmo que acabe com a sociedade que o elegeu.
Aos 80 anos Pires sabe identificar a insanidade. Especialmente quem exerce funções públicas há 50. O humor do noticiário se altera com a acentuação da crise. Agora jornalistas de expressão precisam rir ao anunciar as vaias ao presidente, não escondem a raiva, mesmo sofrendo desgastes na imagem e enfrentando perda de credibilidade. Não se sabe se crêem no que escrevem. Nem na recompensa salarial.
Como no caso de amor não correspondido, a maior dor é o novo amor do ser amado. Mesmo que a rejeição cause dor intensa, que cresça com os gestos espetaculares em troca da atenção, em vão, e sofra tal desgaste no desespero da conquista impossível, por fim não suporta o sofrimento e acaba. Paixão é mortal. No caso dessa, o que a mídia não consegue aceitar é a popularidade do presidente, nem que os ciclos se encerrem e, mais desastroso, que surjam novos modelos de mídia e informação, e se inaugurem formas civilizadas de relacionamento com os poderes. Eis o drama, que a tragédia acabou por mostrar.

* Antonio Carlos Ribeiro - Adital
* Teólogo e jornalista

Mensagem para você

Não basta dizer que amo a Deus; eu tenho de amar o meu próximo.

Madre Teresa de Calcutá

Tocar-te os lábios

Psique: oi
Eros2002: oi
Eros2002: diga minha musa
Psique: está tudo muito confuso, não?
Eros2002: não faz mal
Psique: você queria conversar sobre futebol na conferência?
Eros2002: não
Psique: sim
Eros2002: só lhe quis fazer uma pergunta
Eros2002: sobre o goleiro, que ainda não lhe havia posto
Psique: de qual time?
Eros2002: do salgueiros
Psique: lindo nome, aqui é uma escola de samba.
Eros2002: sim?
Eros2002: aqui um pequeno clube, mas da 1ª Liga
Psique: gosta de futebol, não?
Eros2002: sim
Psique: joga em algum time?
Eros2002: não agora com 55
Psique2002: parece que estamos a falar as escondidas
Psique: adoro isso!
Eros2002: você é demais!
Eros2002: e gosta de poetar
Psique: você também
Eros2002: sim, e com você.
Psique: hoje não, estou com dor de cabeça... rsrs
Eros2002: passava-lhe logo
Eros2002: ...o sol espelhava no rio
Psique: não!
Eros2002: e cintilava nos cálices de vinho
Psique: não!
Eros2002: o líquido avermelhado do néctar
Psique: eu fico nervosa quando você fala de amor comigo
Eros2002: é bom, depois relaxa.
Eros2002: está a gostar?
Psique: você sabe que sim
Eros2002: ainda bem
Eros2002: eu também
Eros2002: ...que teus lábios beberam.
Psique: não quero escrever hoje
Eros2002: posso escrever para si?
Psique: pode claro, adoro!
Eros2002: obrigado, musa
Psique: de nada, meu bem
Eros2002: ...e que a tua linda boca adoçaram
Eros2002: ...abria-se para mim quando sorrias
Psique: e...
Eros2002: ...e a mesa nos separava
Psique: que pena!
Eros2002: ...e uma gaivota nos vigiava
Psique: ela não é louca... rs rs
Psique: você me mata de rir, sabia?
Eros2002: ...e tu sorrias
Eros2002: ...e os lábios me seduziam
Eros2002: ...e lá ao fundo, no rio
Psique: vou ficar vermelha!
Eros2002: ...um barco apitava
Eros2002: e então peguei-te na mão
Psique: e eu fugi... rsrs
Eros2002: se estava presa pela minha mão?
Psique: adoro você, Eros
Eros2002: eu, você
Psique: mas estou com preguiça de poetar
Eros2002: ok
Eros2002: e a dor de cabeça, está a passar?
Psique: falei dor de cabeça para brincar com você... rs rs
Eros2002: ahahahaha
Psique: agora você entendeu, né?
Eros2002: claro!
Eros2002: é, mas eu hoje estou virado para a poesia
Eros2002: para poetar com você
Psique: sabe fazer massagem, Eros?
Eros2002: acho que sim, e você?
Psique: eu sou ótima nisso
Eros2002: sim?
Eros2002: nos pés, claro
Psique: não
Eros2002: não?
Psique: massagem é boa no corpo inteiro, meu bem
Eros2002: imaginava...
Psique: nós estamos deixando o grupo sozinho, na conferência
Eros2002: não, eu vou comentando também,
Psique: vamos voltar para lá?
Eros2002: não sei, são três da manhã
Psique: o que quer fazer?
Eros2002: vou ter de ir embora
Psique: conversar até o dia amanhecer?
Eros2002: pelo menos
Psique: lindo!
Eros2002: musa!
Eros2002: você é doce
Psique: você não imagina o quanto!
Psique: hoje não quero poetar, mas quero estar com você.
Eros2002: sim?
Psique: gosto de tocar nas pessoas
Eros2002: e eu também
Psique: quando não posso fazer isso com as mãos, faço com as palavras
Eros2002: sim, é bom, é...
Eros2002: e você toca-me bem
Psique: é?
Eros2002: sim
Eros2002: mas agora é má altura, pois vou ter de me ir deitar
Psique: boa noite então
Eros2002: calma!
Eros2002: mais 15 minutos, pode ser?
Psique: sim, já que está tão romântico hoje, continue a sua poesia
Eros2002: ok
Psique: solte-se
Eros2002: como me quer solto?
Psique: diga o que sente, fale-me de suas emoções
Eros2002: SIM
Psique: termine a sua poesia
Eros2002: ok
Eros2002:...e eu sonhando com um cálice de vinho
Psique: vamos acabar ficando bêbados pela net mesmo... rsrs
Eros2002: ...tocar-te os lábios, ainda umedecidos...

A quatro mãos

Eros2002: oi
Psique: oi
Eros2002: o Brasil ganhou
Psique: assistiu ao jogo também?
Eros2002: não, me disseram agora
Psique: o Brasil não jogou bem
Eros2002: mas ganhou
Psique: o espetáculo não foi bonito
Eros2002: não?
Psique: não
Eros2002: e de resto, tudo bem?
Eros2002: tem o poema ainda?
Psique: qual?
Psique: o último que escrevemos?
Eros2002: esse...
Psique: esqueci de salvar, infelizmente.
Psique: estava tão lindo!
Eros2002: ok
Psique: e você?
Eros2002: também não
Psique: que pena!
Eros2002: é
Psique: o primeiro que fizemos eu salvei, você se importa?
Eros2002: nada
Psique: não sei se faremos outros
Eros2002: como?
Psique: nada
Eros2002: nada?
Psique: eu disse que não sei se faremos outros...
Eros2002: por quê?
Psique: fiquei confusa, você já sabe, expliquei-lhe.
Eros2002: ok, mas ainda está?
Psique: e, depois, poema a quatro mãos não é daquele jeito.
Eros2002: a quatro mãos?
Psique: você precisa aprender a compartilhar
Psique: não fazíamos juntos?
Eros2002: ok
Psique: ou pelo menos deveríamos ter feito
Eros2002: está bem
Eros2002: mas você não gostou do último?
Psique: adorei!
Eros2002: então, continuemos não acha?
Psique: é o que quer?
Eros2002: oui
Eros2002: vou-me xau
Eros2002: beijos
Psique: beijos
Eros2002: e amanhã inspirado, poetaremos se você estiver a fim.

domingo, julho 29, 2007

Poetar

Eros2002: são dois em um
Psiques: como?
Eros2002: ora, lê os dois separadamente.
Psique: como?
Eros2002: relês o poema e encontras dois poemas
Psique: nós fizemos dois poemas?
Eros2002: sim
Psique: mas não é gostoso?
Eros2002: claro que sim
Eros2002: mas de fato são dois poemas
Psique: eu chamo isso de poetar!
Eros2002: podem ser apresentados separadamente ou em conjunto
Eros2002: poetar!
Eros2002: bonito!
Psique: é verdade!
Psique: poetar pode ser um título
Eros2002: sim, para uma ação de poesia ao desafio.
Psique: como está a noite aí?
Eros2002: ainda está escura
Psique: há estrelas?
Eros2002: há
Psique: frio?
Eros2002: nenhum
Eros2002: está até quente
Psique: quer parar já?
Eros2002: daqui a pouco
Eros2002: vou fumar enquanto imagino beber um vinho consigo...
Eros2002: brindemos!
Eros2002: tcim tcim
Psique: sim
Psique: brindemos
Psique: a quem?
Eros2002: à nossa
Psique: à nossa
Eros2002: e ao futuro melhor
Psique: cheio de poesia
Psique2002: e de alegria
Psique: Foi uma linda noite. Descanse agora. Obrigada
Eros2002: ok
Eros2002: boa noite
Psique: está bem, boa noite, então.
Eros2002: xau
Psique: xau
Psique: fique bem
Eros2002: você também
Psique: beijos
Eros2002: beijos para você também
Psique: cadê o sorriso?
Psique: agora pode ir
Eros2002: obrigadinhooo
Psique: poetar comigo fez você perder o sono?
Eros2002: não
Eros2002: sabe, eu gosto de falar com você e preciso falar com alguém
Psique: eu estou aqui
Eros2002: porque é diferente
Eros2002: ok
Eros2002: e o nosso poetar foi muito soft
Eros2002: obrigado
Eros2002: vou dormir
Psique: xau
Eros2002: bom é melhor eu ir

Mensagem para você

Aprender e nunca estar satisfeito é sabedoria; ensinar e nunca se cansar é amor.

Jô Petty

Madrugadas

Psique: estou pensando aqui.
Psique: acho que vou lhe mostrar um poema meu
Eros2002: sim?
Psique: o que acha?
Eros2002: até que enfim
Eros2002: já não era sem tempo
Psique: mas ele é simples
Eros2002: só querendo despir a mim...
Psique: eu não sou nenhum Drummond
Eros2002: e depois
Eros2002: até dará forças a mim para ir em frente
Psique: veja...
Eros2002: é bonito!
Psique: obrigada
Eros2002: publique
Psique: está brincando, é?
Psique: literariamente falando, isso não vale nada
Eros2002: por quê?
Eros2002: você aborda a noite de uma forma própria
Eros2002: eu me revejo nesse poema muitas vezes
Psique: é mesmo?
Eros2002: claro
Eros2002: a noite não é só diversão
Eros2002: é também alguma solidão e angústia
Psique: é reflexão, principalmente.
Eros2002: sim
Psique: o que você acha de escrevermos juntos?
Psique2002: ok
Psique: caminharemos juntos por alguns momentos.
Eros2002: sim
Psique: por algumas madrugadas,
Psique: está cansado?
Eros2002: estou a pensar
Psique: sobre...
Eros2002: a poesia a dois...
Psique: está tão silencioso
Eros2002: sim, estou calado.
Eros2002: mas gostei dos poemas
Psique: não fique tão calado
Eros2002: ok
Eros2002: você prefere escrever coletivamente
Psique: às vezes
Psique: quer escrever comigo?
Eros2002: agora?
Psique: quer tentar fazer um poema comigo agora?
Eros2002: vamos lá...