domingo, novembro 30, 2008

As borboletas

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!

Vinícius de Moraes

domingo, novembro 02, 2008

Sobre o silêncio

Pense em alguém que seja poderoso. Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha e silencia, como um lobo?
Lobos não gritam. Eles têm a aura de força e poder. Observam em silêncio. Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.
Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.
Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos. Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.
Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.
Olhe. Sorria. Silencie. Vá em frente.
Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar.
Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.
Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade!
Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que reagir. Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.
Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça. Se escolher o silêncio verá que, muitas vezes, ele pode ser poderoso...

domingo, outubro 26, 2008

Não é lindo?

Walt Whitman
"Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu
povoado, e disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos
e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos
e satisfeitos? E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho."

domingo, outubro 19, 2008

Vírgula

Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa... Ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

*Detalhes Adicionais*
'*SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA. '*

Se você for* mulher*, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for* homem*, colocou a vírgula depois de TEM.

domingo, outubro 12, 2008

Felicidade é questão de talento?

Houve um tempo que minha situação financeira ficou tão crítica, que comecei a vender as coisas de dentro de casa. Foi assim que fiquei um ano sem geladeira. Muito tempo depois, contando os fatos a uma amiga, ela respondeu que na verdade precisamos de bem pouco para ser feliz. Fiquei com esta frase na cabeça.
Estamos tão acostumados a consumir para ser feliz, comprar presentes em datas comemorativas, gastar, para demonstrar o amor que sentimos; homenagear alguém fazendo comprinhas.
E hoje, não conseguimos imaginar uma casa sem TV, geladeira, vídeo, DVD, computador, carro, celular. Mas será que precisamos realmente de tudo isso para ser feliz?
Não menosprezo os bens materiais e as idas ao shopping. Fazer compras é uma delícia!
Mas não podemos nos tornar escravos do dinheiro, do consumo. Usar o dinheiro e não, ser usado por ele.
Quem tem o coração aberto para as pequenas e importantes coisas da
vida verá como é fácil ficar bem, mesmo sem uma geladeira na cozinha.
O que não faz um sorriso? E um gesto de carinho? Uma gentileza inesperada!Um elogio! Tanta coisa nos deixa contente! E quando retribuímos?
Com ou sem dinheiro, tendo ou não bens materiais, ser feliz é antes de tudo, uma questão de talento.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Poesia na praça

"Tatuei teu nome no meu pensamento, depois o transformei em canção e as batidas do meu coração deram-lhe o ritmo perfeito" Deise Domingues Giannini

Adoro as tardes, principalmente as de outono! A expressão que eu usaria para descrever esses momentos seria "equilíbrio".
Resido em São Vicente, uma linda cidade praiana do litoral de São Paulo. Vim morar aqui justamente porque detesto regiões frias, neblina, geada, excesso de roupas , ficar muitos dias dentro de casa, temperatura abaixo de zero e etc.
Moro a uma quadra da praia do Gonzaguinha e, observar o entardecer na baia de São Vicente, é um espetáculo deslumbrante! Nesses momentos a natureza dá um show de cores e luzes!
E quando a lua cheia nasce do outro lado da baia, nua, esfuziante, dourada! Parece uma deusa saindo do fundo do mar!
A noite vai chegando, e as pessoas parecem não se dar de que o dia já acabou. O futebol continua efervescente na areia e os quiosques lotados. Não há pressa para ir embora, ainda tem muita cerveja para bebericar, porções para degustar e a conversa, não tem hora para terminar. Alguns quiosques têm até televisão para que seus fregueses possam assistir às novelas.
Para quem quiser, caminhar até a Praça da Biquinha e fartar-se até não poder mais com os doces caseiros ou, fazer compras na feira de artesanato, é uma opção atraente. E nos finais de semana, as apresentações musicais são variadas e interessantes. Além disso, diz-se por aqui, que quem toma água na Fonte da Biquinha, sempre volta à cidade. Isso eu já não sei, mas que será sempre um passeio inesquecível, com certeza será.
À esquerda da praça, a maravilhosa Plataforma de Pesca, toda em madeira, que vai até a Ponte Pencil. É o meu local preferido para dar uma caminhada ou mesmo, pensar um pouco na vida, já que ela não anda nada fácil. Há tanta beleza naquele lugar, a tranqüilidade do mar, as luzes do calçadão, a temperatura amena, tudo isso me dá uma sensação de paz , de estar bem comigo mesma: o dia já passou, cumpri minha missão, agora é só relaxar e usufruir essa visão deslumbrante da natureza.
Nesses momentos, penso que Deus caprichou na nossa "gaiola" e, que deveríamos procurar mantê-la sempre assim, intacta!
À direita da Praça da Biquinha, a Praça Hipupiara ou Praça 22 de Janeiro, aniversário da cidade. Lá tem o Museu da Imagem e do Som, uma sala para filmes, uma biblioteca fantástica, doada pela família de um morador, já falecido.
Com atividades constantes, ela é ponto de encontro de cultura e lazer para moradores e turistas. E foi em uma tarde de outono, com a segunda feira quase batendo à porta, que estive nesta praça para encontrar-me com um grupo de poetas.
Um varal de poesias contornava o Museu da Imagem e do Som. À esquerda, a exposição de artes plásticas coloria mais ainda a cena. Na escadaria, microfones, som e uma dupla de cantores apresentando MPB da melhor qualidade. Sempre intercalada com leitura de poesia.
Chego lá comendo um enorme pedaço de bolo de nozes comprado na Praça da Biquinha. Compartilho um banco com mais duas pessoas e, fico lá.
Olho à minha volta e sinto que há tanta beleza naquele lugar. Atrás do museu, uma pequena lanchonete, um casal lanchando, crianças brincando no parquinho. Em frente, um mini zôo, completa a platéia que ouve as apresentações de "Poesia na Praça".
Gosto muito de tudo aquilo, mas, não estou em meus melhores dias, poderia participar, mas prefiro só assistir.
De repente, uma poetisa, começa a distribuir fitinhas poéticas. Ganho duas, a primeira dizia: "Tatuei teu nome no meu pensamento, depois o transformei em canção e as batidas do meu coração deram-lhe o ritmo perfeito”; a segunda: "Por meio da poesia tocamos estrelas, ouvimos canções, encontramos anjos e desvendamos mistérios. Por isso amamos mais".
Acho-as lindas! Pergunto à poetisa se as fitinhas são poemas ou apenas frases poéticas, e ela responde "Tanto faz".
Volto para casa pensando na "tatuagem", que trago em meu coração! E só muito tempo depois é que percebo a incoerência da minha pergunta à poetisa, afinal, poesia é poesia! Isso basta!
Foi uma linda tarde de outono, em São Vicente!

sábado, setembro 20, 2008

Sobre Filosofia

Sou professora de Filosofia, aposentada e... desempregada.Coisas de vida, meu amigos, pois no ano em que eu completaria 40 anos de trabalho, não consegui aula.Tudo isso graças a uma manobra política do atual governador de São Paulo que tirou aulas de Filosofia de várias séries da rede pública, quando a matéria é obrigatória em nível nacional. E, minha maior tristeza foi a retirada da Filosofia da grade curricular do EJA (Educação de Jovens e Adultos). É maravilhoso fazer um trabalho com os adultos que se afastaram da escola por vários motivos e, retornam para recuperar o tempo perdido. Mas, tenho esperança de que no ano que vem as coisas melhorem, pois além da Filosofia, a Sociologia é matéria obrigatória, agora no Brasil todo.Matérias importantes, necessárias, que sempre incomodam aqueles que não se preocupam de verdade com a educação da população. Com certeza estarei dando aula em 2009 , se não for em São Paulo, irei para qualquer outro Estado, pois vai faltar professor.
Nunca me arrependi de cursar Filosofia, embora o campo de trabalho seja bem restrito. Aliás, viver de Filosofia no Brasil é uma façanha.
Agora estou terminando Pedagogia, financiado por minha mãe, pois ficar sem aula este ano deixou minha vida financeira bem complicada. Tive que cortar despesas e até cancelar meu plano saúde, o que na minha idade é uma temeridade. Mas, como tudo na vida serve de lição e aprendizado, passados os primeiros meses de grande estresse onde eu só reclamava e cansei meus amigos com tantas lamúrias, passei a viver de forma mais espartana e, a curtir o ócio de maneira bem produtiva.
Lição aprendida com tudo o que me aconteceu este ano? Aprender a lidar com as perdas e me desapegar das coisas materiais.
É isso.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Sobre grupos

Navego por esse mundo virtual há 14 anos.E sempre gostei de grupos.Na verdade, a maioria

dos meus amigos do MSN, Yahoo e Skipe são de grupos.
Por ser temático, um grupo agrega pessoas com interesses comuns, diferente de uma sala de

bate-papo, onde a motivação é bem variável.
Quando comprei meu primeiro pc e adquiri minha primeira conexão com a rede, eu olhava

para o "Aristóteles" e me perguntava o que fazer com ele. Nas semanas iniciais lia algum

jornal, jogava um baralhinho. Aos poucos fui lendo mais uma coisa aqui outra ali, mas aí

descobri os grupos do Yahoo.Então, uma janela para o mundo se abriu para mim.Fiz parte de

muitos grupos, entrei e saí de vários. Em muitos estou há anos. Faço parte de um grupo

onde as pessoas se reunem para viajar e, fica até como sugestão para um futuro, desde

nosso grupo que acaba de nascer.
Tenho que confessar que não vivo sem meu pc, quando ele pifa, eu piro. Mas o aproveito da

maneira mais útil possível. Esta semana matriculei-me em um curso de inglês. Estou

fazendo, a duras penas, um curso de informática pela Microsoft. O curso está um pouco

difícil para mim. Ano que vem termino minha segunda faculdade e já escolhi um curso de

pós gradução no Senac.Tudo pela internet.
Sou viciada em blogs, tenho uns dez, mas foi assim que tomei gosto por escrever.

Honestamente acho que o que escrevo literariamente falando não vale nada.Mas me fez

arrumar alguns amigos interessantes e até alguns admiradores. Bom, me sinto feliz com

isso. Foi assim que eu arrumei um amigo , por exemplo,na Polônia, um professor

universitário. Ou uma adolescente no Rio de Janeiro que aprecia minhas reflexões.
De vez em quando ganhos uns presentinhos de "grego", um virus aqui, um spam ali...mas, a

gente aprende a conviver com isso também.
Atualmente meu pc chama-se Pitágoras, e começamos o dia juntos. Enquanto faço meu café,

ouço as notícias do dia pela CBN ou BandNews.Como não tenho aparelho de som, ouço meus

CDs aqui também. E claro, muitas rádios como a Scala FM, a Santa Cecília FM, a Antena 1

FM, A Litoral FM, etc.
Se no início da minha incursão virtual eu tinha maiores dificuldades, hoje é procurando

meus amigos dos grupos que esclareço muitas dúvidas,ocupo uma parte do meu tempo ocioso

e, de certa forma viajo pelo mundo.

terça-feira, setembro 09, 2008

Papo inteligente

Todas as vezes que me pergunto se estou no lugar certo, recebo do Cósmico algum sinal. Tentarei esclarecer.Como professora, nem sempre me sinto feliz em sala de aula, pois não está fácil aturar alunos indisciplinados e desrespeitosos. Mesmo amando o que faço, acabo, no entanto, me questionando se deveria continuar a ser educadora. Foi assim com este estado de espírito, que saí de casa em uma segunda-feira, chuvosa e fria, às 6h da manhã.Tomei um ônibus, mesmo assim cheguei encharcada na escola, para começar um período de seis aulas, com alunos do ensino médio, que não costumam comparecer em massa no primeiro dia da semana, pois passam o domingo na 'balada'.E digo isso com certeza absoluta, não é delírio meu e nem inveja porque eles ficaram em casa naquela manhã chuvosa e eu não. Certo dia perguntei a uma aluna porque faltava tanto nas minhas aulas. Ela respondeu com a maior naturalidade "é que eu passo a noite na 'balada' professora e, não agüento vir à escola na segunda". Perguntei a ela quantos anos tinha: "quinze", respondeu. Perguntei de novo "sua mãe sabe disso?" Levantando os ombros com indiferença respondeu "sabe." Se a mãe sabe o que eu poderia fazer a respeito?
Portanto lá vou eu, para as primeiras aulas de uma segunda-feira cinzenta. Subo as escadas, cadernetas, bolsa, garrafa de água, giz antialérgico - está escrito na embalagem - e, depois da terceira aula, desço para um cafezinho com aquele eterno sabor de coisa requentada.
Ainda questionando meus neurônios se estava no lugar certo, fui dar uma volta no pátio (nunca vou entender porque professor fuma em locais públicos já que tal ato é proibido por lei federal, estadual e municipal). Uma aluninha que era de "outra" escola e foi transferida para esta, veio me beijar e conversamos um pouco. Na "outra" escola ela era minha aluna, nesta, tem aula com uma nova professora.Durante nossa conversa ela diz "sinto tanta saudade das suas aulas e de papo inteligente que a senhora tinha com a gente".Agradeci e voltei feliz da vida , para ministrar as três últimas aulas.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Interior

A bagunça é inimiga da prosperidade. Ninguém está livre da desorganização.
A bagunça forma-se sem que se perceba e nem sempre é visível.
A sala parece em ordem, a cozinha também, mas basta abrir os armários para ver que estão cheios de inutilidades.
De acordo com o Feng Shui Interior - uma corrente do Feng Shui que mistura aspectos psicológicos dos moradores com conceitos da tradicional técnica chinesa de harmonização de ambientes - bagunça provoca cansaço e imobilidade, faz as pessoas viverem no passado, engorda, confunde, deprime, tira o foco de coisas importantes, atrasa a vida e atrapalha relacionamentos.

Para evitar tudo isso fique atento às OITO REGRAS PARA DOMAR A BAGUNÇA:

1. Jogue fora o jornal de anteontem.

2. Somente coloque uma coisa nova em casa quando se livrar de uma velha.

3. Tenha latas de lixo espalhadas nos ambientes, use-as e limpe-as diariamente.

4. Guarde coisas semelhantes juntas; arrume roupas no armário de acordo com a cor e fique só com as que utiliza mesmo.

5. Toda sexta-feira é dia de jogar papel fora.

6. Todo dia 30, por exemplo, faça limpeza geral e use caixas de papelão marcadas: lixo, consertos, reciclagem, em dúvida, presentes, doação. Após enchê-las, jogue tudo fora.

7. Organize devagar, comece por gavetas e armários e depois escolha um cômodo, faça tudo no seu ritmo e observe as mudanças acontecendo na sua vida.

8. Veja uma lista de atitudes pessoais capazes de esgotar as nossas energias.

Conheça cada uma dessas ações para evitar a 'crise energética pessoal'. :

1. Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo - descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.

2. Pensamentos obsessivos - Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos - mal comum ao homem ocidental - torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos.
Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.

3. Sentimentos tóxicos - Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.

4. Fugir do presente - As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: 'bons tempos aqueles!', costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.

5. Falta de perdão - Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para a frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica 'energeticamente obeso', carregando fardos passados.

6. Mentira pessoal -Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

7. Viver a vida do outro - Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro,sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.

8. Bagunça e projetos inacabados - A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos,além de fazer uma faxina no que está sujo. À medida que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro 'escape' de energia. Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe 'diz' inconscientemente: 'você não me terminou! Você não me terminou!' Isso gasta uma energia remenda. Ou você o termina ou livre-se dele e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do autoconhecimento, da disciplina e da terminação fará com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.

9. Afastamento da natureza - A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.

Divulgue essas dicas para o maior número de pessoas possível e mentalize que, quando todos colocarem essas regras em prática, o mundo será mais justo e mais belo.
Vamos tentar melhorar nossa energia pessoal.
Atitudes erradas jogam energia pessoal no lixo. *
Posicionar os móveis de maneira correta, usar espelhos para proteger a entrada da casa, colocar sinos de vento para elevar a energia ou ter fontes d'água para acalmar o ambiente, são medidas que se tornarão ineficientes se quem vive neste espaço não cuidar da própria energia.
Portanto, os efeitos positivos da aplicação do Feng Shui nos ambientes estão diretamente relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou trabalham no local. O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.

domingo, agosto 31, 2008

O poder da palavra

Quem nunca disse algo que magoou ou ofendeu alguém? Fez um elogio ou agradeceu por um momento de atenção? Convenceu alguém a fazer o que era mais sensato? Declarou o seu amor a alguém?

Criticou!Aconselhou! Dissuadiu! Insistiu! Brigou! Xingou!

Constantemente vivenciamos momentos em que as palavras são fundamentais, necessárias, decisivas ou essenciais, para se resolver situações, buscar soluções, encontrar caminhos, esclarecer, perdoar. Até em um momento íntimo, na hora do prazer, saber se expressar faz grande diferença!

Mesmo assim, o seu interlocutor, as profere sem a devida preocupação com os efeitos colaterais que elas podem provocar sem uma responsabilidade mínima necessária às suas conseqüências. O orador leviano, não mede os resultados do seu discurso, não percebe que até mesmo quem o pronuncia, corre o risco de se enredar nele.

Escrita ou falada, a palavra, tal como um 'pharmakon'- droga, em grego - tem efeito dúbio, caso não seja devidamente usada, pode causar um efeito contrário ao esperado.

Gosto de escrever e cultivo este hábito de várias maneiras, uma delas é através de meus blogs. Faço de meu diário virtual uma ferramenta bastante útil para compartilhar emoções e idéias. Porém, sinto cada vez mais o peso da responsabilidade, ao publicar uma mensagem. E depois, ao ler os comentários deixados pelas pessoas este sentimento se multiplica, pois os recadinhos deixados lá são alegres, carinhosos e estimulantes. Um deles me emocionou particularmente, dizia assim: "Através de pessoas como você é que busco um mundo melhor".

Considero-me uma pessoa privilegiada, pois no meio em que trabalho é bastante respeitada a minha postura ética. Valorizo muito tal sentimento e sei que a maneira como as pessoas me vêem tem muito a ver com o que falo, o modo como me expresso.Pois as palavras exprimem o que temos dentro do coração, o que sentimos, os valores que carregamos.

Por isso, deve-se sempre avaliar em quais situações é melhor falar ou calar, para que não haja arrependimentos futuros. Como diz aquele provérbio chinês: "Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida". É isso!

segunda-feira, agosto 25, 2008

Para rir um pouco

Einstein foi a uma festa e não conhecia ninguém. Logo foi tentando se misturar aos convidados:
- Oi, como vai? Perguntou ele.
- Vou bem!
- Qual o seu Q.I.?
- Duzentos e cinqüenta.
Então, logo começou a conversar sobre física quântica, teoria da relatividade, bombas de hidrogênio, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Qual seu Q.I?
- Cento e cinqüenta.
Então, novamente começou a conversar, só que desta vez sobre política, desigualdade social, reforma agrária, etc.
Andou mais um pouco e encontrou a terceira pessoa:
- Oi, como vai? Perguntou ele.
- Tudo bem!
- Qual o seu Q.I?
- Cem.
Então começou a conversar sobre desemprego, aumento dos combustíveis, Bin Laden, etc. Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Como está, tudo bem?
- Tudo ótimo!
- Qual é o seu Q.I.?
- Cinqüenta.
Então começou a falar sobre a Casa dos Artistas, Big Brother, Adriane Galisteu, Luciana Gimenez, Roseana Sarney, Jader Barbalho, etc.
Deu mais uma volta, encontrou outra pessoa e perguntou:
- Qual o seu Q.I?
- Dez.
- E aí mano, beleza? E o Coringão?

A.D.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Duas luas em agosto

Marque em sua agenda, pois deverá ser muito interessante!!


Duas 'luas' em agosto:

Duas 'Luas' no dia 27 de Agosto. O Mundo está aguardando.

O Planeta Marte será o mais brilhante no início da noite. Parecerá tão grande quanto a Lua cheia. Este fenômeno acontecerá no dia 27 de Agosto quando o planeta Marte ficar a 34.65 milhões de milhas da Terra.

Olhe o céu no dia 27 de Agosto, à 00h30minam (meia noite e trinta). Parecerá que a Terra tem duas luas.

A próxima vez que ele ficará tão perto da Terra será em 2287. Partilhe com seus amigos, pois NINGUÉM VIVO HOJE voltará a vê-lo.

terça-feira, agosto 05, 2008

Sobre a Teoria Sistêmica

“O essencial é simples” Bert Hellinger

Por que não sou feliz? Por que não tenho o relacionamento que desejo? Por que repito os erros de sempre? Essas perguntas fazem parte da nossa busca interior: ser plenamente feliz.
O amor é sempre o pano de fundo das nossas ações, buscas ou conflitos. Desatar os nós deixá-los fluir é o caminho para que possamos resolver nossos conflitos.
Segundo Bert Hellinger são três as necessidades básicas em nossos relacionamentos: a necessidade de equilíbrio entre dar e receber, a necessidade de pertencer, a necessidade de hierarquia dentro do sistema. Para solucionar nossos conflitos é necessário reconhecermos e respeitarmos essas necessidades. E, o amor é o caminho. É ele que nos leva a sentir que estamos no lugar certo.
Quando não ocupamos o nosso lugar, a hierarquia se desestabiliza e os conflitos se expõem. Na família, na escola ou no trabalho cada um deve assumir o seu papel e desenvolver o que lhe pertence. Assim, a energia do amor se restabelece e os conflitos se extinguem.

Constelação Familiar

Terapia desenvolvida por Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão que trabalha as energias que envolvem os sistemas familiares. Essa terapia destina-se a pessoas que desejam trabalhar suas relações familiares e profissionais: conflitos, angustias, ansiedades, perdas, entre outros. A Terapia Sistêmica Fenomenológica cuida de desfazer os emaranhados que envolvem as pessoas no sistema energético de suas relações. Na Constelação, os fatos ocultos, sentimentos conflitantes, são aflorados juntamente com seus reflexos negativos, na vida e na saúde das pessoas. Revelando os bloqueios que causam angústias e felicidades, pode-se trabalhar essas emoções e encontrar soluções para se libertar dos problemas.

Gizelda Bassi
Agosto/2008

terça-feira, julho 29, 2008

A visão do belo

O homem é o único ser vivo capaz de experimentar
emoções estéticas e apreciar o belo e as coisas belas sem
qualquer finalidade utilitária, apenas para
se deleitar e contentar.Será que podemos definir
claramente o que é beleza, ou será que esse conceito é
relativo, que vai depender da época, do país, das pessoas,
enfim? Em outros termos a beleza é um valor objetivo,
que pertence ao objeto e pode ser medido; ou
subjetivo, que pertence ao sujeito e que, portanto, poderá
mudar de indivíduo para indivíduo?
Outubro 2001

Nada se faz sem paixão

O homem não é apenas um animal racional,mas
também um ser emocional. À medida que ele estabelece
relação com a natureza e com os outros homens, ele
desenvolve emoções e sentimentos, isto é, reage afetivamente
aos acontecimentos.A razão é importante por
fornecer ao homem os meios para comprender a realidade,
solucionar problemas. Mas o impulso, a energia, a vibração
vem da emoção. Enquanto os atos da razão são
resultados da vontade, os sentimentos afetam o homem
independente de seu consentimento.
Outubro,2001

quinta-feira, julho 03, 2008

Juventude eterna

(Texto de Martha Medeiros)

Essa história que eu vou contar agora aconteceu com uma mulher inteligente
que estava fazendo uma palestra.
Diz ela:
'Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher.
Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as
raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui
questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível. ..
A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.
Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo
minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da
mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho?
Onde é que nós estamos?'
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado
'juventude eterna'.
Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas
cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas
mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se mudança.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da
hora.
A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos
comportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda
para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia
guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida
mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou
passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra, cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão
bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.
Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito,
os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada
na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal
juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião
a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe
plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a
gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...
--
'Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para voltar sempre inteira.'
Cecília Meireles

quarta-feira, junho 25, 2008

Pedro Casaldáliga

Dom Pedro Casaldáliga é um bispo católico, catalão, nascido no dia dezesseis de fevereiro de mil novecentos e vinte e oito. Aos 15 anos ingressou na Congregação Claretiana, sendo sagrado sacerdote em Montjuïc, Barcelona, no dia 31 de maio de 1952. Em 1968, mudou-se para o Brasil.O Papa Paulo VI nomeou-o bispo prelado de São Félix do Araguaia, MT, no dia 27 de agosto de 1971. Adepto da teologia da libertação foi muito criticado pelos setores tradicionais da Igreja, que consideram essa corrente teológica, baseada no Marxismo, uma traição aos conceitos básicos da fé, da liturgia e do catolicismo. É poeta, autor de várias obras.Dom Pedro já foi alvo de inúmeras ameaças de morte. Em 12 de outubro de 1976, foi avisado que duas mulheres estavam sendo torturadas na delegacia da cidade. Imediatamente dirigiu-se para lá em companhia do padre jesuíta João Bosco Penido Burnier. Após discutir com os policiais, o padre Burnier foi agredido e alvejado com um tiro na nuca. Após a missa de sétimo dia, houve uma procissão até a porta da delegacia, o imóvel foi destruído e os presos libertados. No local foi construída uma igreja.Durante a ditadura militar, foi alvo de cinco processos de expulsão do Brasil. Em sua defesa, veio o arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, impedindo que tal arbitrariedade acontecesse.
Las Siete Palabras - Pedro CASALDÁLIGA
I. «Padre, perdónalos porque no saben lo que hacen»
Sabiendo o no sabiendo lo que hacemos,
sabemos que nos amas,
porque ya hemos visto tus maneras
en los ojos y en la boca de tu Hijo Jesús.
Ya no eres más para nosotros el Dios terrible.
¡Sabemos que eres Amor!
Sabemos que no sabes castigar...
Tú eres un Dios vencido en la ternura.
Tú esperas siempre, Padre, y acoges y restauras la vida
hasta de los asesinos de tu Hijo
(que somos todos nosotros).
¡Perdónalos! ¡Perdónanos!
Atiende este pedido de tu Hijo en la cruz,
prueba mayor de tu amor de Padre.
¡Y acógenos, oh Padre, oh Madre, oh cuna, oh casa
de cuantos retornamos buscando tu abrazo!
II. «En verdad te digo: hoy mismo estarás conmigo en el Paraíso»
Tu corazón sin puertas, siempre abierto,
¡qué fácil es robarte el Paraíso!
Bandidos todos nosotros,
depredadores
del Cosmos y de la Vida,
sólo podemos salvarnos
asaltándote, Cristo,
en nuestro «hoy» diario-
esa Misericordia que chorrea en tu sangre...

Tu blando silbo de Buen Pastor nos llama.
Tu corazón reclama, impaciente,
a todos los marginados,
a todos los prohibidos.
Tú nos conoces bien, y nos consientes,
hermano de cruz y cómplice de sueños,
compañero de todos los caminos,
¡Tú eres el Camino y la Llegada!
III. «Todo está consumado»
De Tu parte, ¡sí!
De nuestra parte,
nos falta aún ese largo día a día
de cada historia humana,
de toda la Humana Historia.

Tú ya lo has hecho todo, ¡Rey y Reino!
Todo está por hacer, a la luz del Reino,
en esta noche que nos cerca
(de lucro y de egoísmo,
de miedo y de mentira,
de odios y de guerras).

El Padre te dio un Cuerpo de servicio
y Tú has rendido el ciento, el infinito.
Todo está consumado,
en el Perdón y en la Gloria.
Todo puede ser Gracia, en la lucha y en el camino.

Ya has sido el Camino, Compañero.
Y eres, por fin, ¡la Llegada!
En tu Cruz se anulan
el poder del Pecado
y la sentencia de la Muerte.
Todo canta Esperanza...

Bibliografia
CASALDÁLIGA, Pedro. Sonetos neo-bíblicos, precisamente. Musa Editora, 1996.
CASALDÁLIGA, Pedro. Espiritualidade da libertação. Petrópolis: Vozes.
CASALDÁLIGA, Pedro; BARREDO, Cerezo. Murais da libertação. São Paulo: Loyola, 2005.
CASALDÁLIGA, Pedro; TIERRA, Pedro. Ameríndia, morte e vida. Petrópolis: Vozes, 2000.
CASALDÁLIGA, Pedro; TIERRA, Pedro. Orações da caminhada. Verus Editora, 2005.



Dom Pedro Casaldáliga, santo e herói
por Frei Betto
O Brasil é um país de santos e heróis, embora poucos alcancem reconhecimento público. Talvez seja efeito de nossa baixa auto-estima. Durante séculos, de costas para a América Latina, miramos no espelho dos brancos europeus e norte-americanos. O que víamos não era o nosso rosto indígena, negro, mestiço. Era a imagem paradigmática do colonizador a nos convencer de que somos atrasados, feios, improdutivos e inferiores. Abrigamos no Brasil o mais longo período de escravidão das três Américas – 358 anos – e ainda culminamos o processo da abolição com a exclusão dos negros libertos do direito de acesso a terra, entregue aos colonos europeus que aqui aportaram. Os povos indígenas, calculados numa população de cinco milhões no século XVI e, hoje, reduzidos a 700.000, foram massacrados, contaminados pelas doenças dos brancos, pela cachaça dos brancos, pela voracidade mercantil, pela ambição de minérios e madeiras dos brancos.
Restrita a nação ao convés da primeira classe, perdemos de vista nossos santos e heróis, embora proliferem entre nós tantos artistas, atletas, intelectuais, e também inventores como Santos Dumont. Não tão conhecido como mereceria, há no Brasil um santo e herói: Pedro María Casaldáliga. Santo por sua fidelidade radical (no sentido etimológico de ir às raízes) ao Evangelho, e herói pelos riscos de vida enfrentados e as adversidades sofridas. Adotou como divisa princípios que haveriam de nortear literalmente sua atividade pastoral: “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar”. No dedo, como insígnia episcopal, um anel de tucum, que se tornou símbolo da espiritualidade dos adeptos da Teologia da Libertação. São Félix é um município de Mato Grosso, situado em frente à ilha do Bananal. Na década de 1970, a ditadura militar (1964-1985) ampliou a ferro e fogo as fronteiras agropecuárias do Brasil, devastando parte da Amazônia e atraindo para ali empresas latifundiárias empenhadas em derrubar árvores para abrir pastos ao rebanho bovino. Casaldáliga, pastor de um povo sem rumo e ameaçado pelo trabalho escravo, tomou-lhe a defesa, entrando em choque com os grandes fazendeiros; as empresas agropecuárias, mineradoras e madeireiras; os políticos que, em troca de apoio financeiro e votos, acobertam a degradação do meio ambiente e legalizam a dilatação fundiária sem exigir respeito às leis trabalhistas. Dom Pedro tem sido alvo de inúmeras ameaças de morte. A mais grave em 1976, em Ribeirão Bonito, no dia 12 de outubro – festa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Ao chegar àquela localidade em companhia do missionário e indigenista jesuíta João Bosco Penido Burnier, souberam que na delegacia duas mulheres estavam sendo torturadas. Foram até lá e travaram forte discussão com os policiais militares. Quando o padre Burnier ameaçou denunciar às autoridades o que ali ocorria, um dos soldados esbofeteou-o, deu-lhe uma coronhada e, em seguida, um tiro na nuca. Nove dias depois, o povo invadiu a delegacia, soltou os presos, quebrou tudo, derrubou as paredes e pôs fogo. No local, ergue-se hoje uma igreja.
Casaldáliga amplia sua irradiação apostólica através de intensa atividade literária. Poeta renomado traz a alma sintonizada com as grandes conquistas populares na Pátria Grande latino-americana. Ergue sua pena e sua voz em protestos contra o FMI, a ingerência da Casa Branca nos países do continente, a defesa da Revolução Cubana e, anos atrás, em solidariedade à Revolução Sandinista ou para denunciar os crimes dos militares de El Salvador e da Guatemala.
Dom Pedro Casaldáliga admite que a sabedoria popular tenha sido a sua grande mestra. Indagou a um posseiro o que ele esperava para seus filhos. O homem respondeu: “Quero apenas o mais ou menos para todos”. Pedro guardou a lição, lutando por um mundo em que todos tenham direito ao “mais ou menos”. Em setembro de 1985 viajei a Cuba com os irmãos e teólogos Leonardo e Clodovis Boff. Falamos com Fidel que dom Pedro se encontrava em Manágua, participando da Jornada pela Paz, e o líder cubano insistiu para que o trouxéssemos a Havana. Tão logo desembarcou na capital de Cuba, a 11 de setembro, o bispo foi conduzido diretamente ao gabinete de Fidel. Este se mostrava interessado na literatura sobre a Teologia da Libertação. Dom Pedro observou com a sua fina ironia:
– Para a direita é preferível ter o papa contra a Teologia da Libertação do que Fidel a favor.
Em 2003, ao completar 75 anos, Casaldáliga apresentou seu pedido de renúncia à prelazia, como exige o Vaticano de todos os bispos, exceto ao de Roma, o papa. Só agora, em 2005, o Vaticano nomeou-lhe um sucessor. Antes, porém, enviou-lhe um bispo que, em nome de Roma, pediu que ele se afastasse da prelazia, de modo a não constranger o novo prelado. Dom Pedro não gostou do apelo e, coerente com o seu esforço de tornar mais democrático e transparente o processo de escolha de bispos, recusou-se a atendê-lo. O novo bispo, frei Leonardo Ulrich Steiner, pôs fim ao impasse ao declarar que dom Pedro é bem-vindo.

Missa dos Quilombos
O musical "Missa dos Quilombos", foi escrito por Milton Nascimento em parceria com Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga, em 1981.
Embora o formato da cerimônia seja realmente respeitado, o musical apresenta, no lugar da pregação religiosa, discursos sociais, principalmente sobre trabalho escravo. Não se fala somente do trabalho escravo negro, da época do Brasil Colônia e do Império. Fala-se sobre a escravidão que existe até hoje, em diversas partes do mundo."

Labirinto

A adolescência é uma fase de rápidas mudanças
biológicas, representando, em nível de desenvolvimento
psicológico, uma experiência de novas posturas e
comportamentos. Nessa fase ocorrem a separação e a individuação
do adolescente em relação à família. Nesse
movimento, a influência do grupo e a “modelagem”, isto é, a
imitação de determinados comportamento a partir de um
ídolo que é em geral o líder do grupo torna-se
especialmente importantes. Comportamentos de risco fazem
parte do processo e esses comportamentos vêm associados
a sentimentos de grandiosidade e onipotência,
freqüentemente acompanhados também de negação do potencial de
morte inerente a esses comportamentos. Portanto,
nesse contexto, temos um campo propício para o
desenvolvimento de comportamentos de risco, entre eles, o uso
abusivo do álcool. O início do uso do álcool se desenvolve
geralmente em grupos e a manutenção dele depende de quanto
mais intensa for a interação do grupo. Alguns utilizam
o álcool e as drogas inicialmente para recreação e
acabam por não desenvolver outras formas saudáveis de
recreação. Os adolescentes que tiveram prejuízos de sua
capacidades cognitivas, pelo uso excessivo do álcool, possuem
estratégias empobrecidas para lidar com os fatores
estressantes que aparecem na vida diária. Pergunta-se então,
por que o álcool é tão sedutor? Ele regula a
ansiedade tem efeito sedativo, provoca prazer, euforia e
torpor. E, devido às sensações provocadas, vai se tornando
mais freqüente e tudo é uma desculpa para o mesmo.

domingo, maio 11, 2008

No Trânsito

Somos atualmente seres motorizados. Disto não há dúvida. As rodas

praticamente substituíram nossos pés. Mas, esse achado benfazejo do

automóvel também nos trouxe uma conseqüência: a de ficarmos confinados

dentro desses invólucros de aço, dessas maravilhas mecânicas e tecnológicas

que usamos para nos locomover.

Gosto de observar o que acontece dentro dos carros, e de imaginar o que não é

possível ver. Isto me serve, pelo menos, para atenuar a chateação que podem

trazer os cada vez maiores e inevitáveis engarrafamentos.

Eis o inusitado: um menino, certamente trazido da escola pela mãe, tem na mão

um aviãozinho de papel. Seu bracinho descreve aquelas curvas no céu do sonho

com o combustível da imaginação. O menino está preso no carro, mas sua alma

com certeza voa pelo espaço, livre da lentidão do trânsito.

A bela moça, sozinha ao volante, lança olhares ao seu dileto amigo de todas as

manhãs, cúmplice de sua vaidade: o espelho retrovisor. Ajeita o cabelo, examina

a boca pintada com esmero, confere, sem dúvida, se está suficientemente bela

para mais um dia da eterna, gostosa e necessária batalha pela sedução.

Aquele engravatado se arrisca, pois, enquanto cuida das pequenas arrancadas

no pára-e-anda do trânsito lento, lê um jornal. Imagino que estará conferindo a

queda ou elevação da bolsa de valores, ou buscando, nesta e naquela página,

viradas com rapidez, alguma notícia política que vá interferir com seus negócios,

que podem já não estar indo lá muito bem.

O fumante inveterado mantém o vidro do automóvel abaixado. Prefere o risco do

assalto a sentir-se sufocado pela fumaça produzida pela própria insensatez do

vício, prazeroso mas miserável, difícil de vencer, que lhe oferece um pouco de

prazer e uma válvula de escape de suas preocupações.

O jovem de óculos escuros segue o padrão dos motoristas insensatos: a

despeito do trânsito engarrafado, tenta ser mais rápido e esperto que todo

mundo, e enfia o carro por aqui e por ali, provocando a raiva daqueles que fecha

e quase amassa com seu carro de motor possante, mas impotente nesta

lentidão inevitável do trânsito.

Carro novíssimo, recém-adquirido, sem dúvida, a mocinha morena trai, nos

gestos e na forma como conduz o automóvel, sua insegurança de motorista

novata. Seus olhos negros revelam como está assustada; as mãos crispadas

parecem querer arrancar o volante do lugar. E lá se vai, aos solavancos,

deixando o carro morrer, uma ou duas vezes, e vivenciando um sofrimento que

não tinha ao andar de ônibus, embora não tivesse também a comodidade e

sobretudo o status de agora.

O velho motorista de taxi é a própria imagem do enfado. Gordo, tem o aspecto

dos que jamais se exercitaram. Parece que foi construído ali mesmo onde está,

com a imensa barriga anatomicamente encaixada sob o volante, no qual pousa

uma única mão que gira com destreza aquela roda, que na verdade parece a

roda da sua vida. Parece indiferente a tudo; aparenta ter vivido tudo naquele

pequeno universo do seu carro, no qual viveu também, de certo modo, os

dramas e alegrias, sofreu grosserias, mereceu gentilezas ou ganhou também a

indiferença dos milhares de passageiros que transportou.

Outros, muitos outros, motoristas merecem observação: o do ônibus, cortês ou

ensandecido em relação aos motoristas dos automóveis; o da ambulância, do

carro de bombeiros ou de polícia, que furam o engarrafamento, fazendo

manobras incríveis, quase inimagináveis, verdadeiros milagres de direção

arriscada, mas necessária, com a ajuda decisiva de suas sirenes para abrir

caminho.

As vans são um caso à parte. Elas revivem, quase todas, o tempo dos lotações

– a mesma maluquice, a mesma irresponsabilidade ziguezagueante. Dentro

delas, passageiros quase sempre sobressaltados, mas que geralmente não têm

escolha, seja pelo preço mais barato, seja pela quase certeza de chegar mais

cedo, ao trabalho, ou de volta a casa, sobrando um tempinho a mais para uns

beijos nos filhos, um carinho na esposa ou no esposo, ou mesmo para não

perder de todo o capítulo da novela...

A preocupação com a segurança e com a privacidade trouxe as películas que

agora cobrem cada vez mais os vidros, dificultando essa observação por parte

da gente. Mas ali dentro, nesse micro-universo preservado, continuam a viver

pessoas que se movem com seus automóveis, que ouvem rádio, se distraindo

com músicas, ou se preocupando com as notícias. Elas, ironicamente, se

certificam, por noticiários especializados, que o trânsito está cada vez pior, que

esses nossos invólucros de aço e conforto estão cada vez mais lentos, cada vez

mais presos nessas procissões automobilísticas que se arrastam pelas ruas.

Êpa! Eu me distraí com estas reflexões e os impacientes atrás de mim já

buzinam, caro leitor.

Vamos em frente!

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J. Carino é professor universitário aposentado, consultor e escritor, sendo autor

de “Olhando a Cidade & Outros Olhares” (UniverCidade Editora, 2004), livro de

crônicas sobre os bairros do Rio de Janeiro, com apresentação de Ruy Castro.

Para conhecer mais sobre o autor visite a sua página www.jcarino.com.br