quinta-feira, setembro 28, 2006

Pedro Casaldáliga

"Em nome do Pai de todos os Povos,Maíra de tudo, excelso TupãEm nome do Filho,Que a todos os homens nos faz ser irmãos.No sangue mesclado com todos os sangues.Em nome da Aliança da Libertação.Em nome da Luz de toda Cultura.Em nome do Amor que está em todo amor.Em nome da Terra Sem Males,Perdida no lucro, ganhada na dor,Em nome da Morte vencida,Em nome da Vida,Cantamos, Senhor"Trecho estraído da "Missa da Terra sem Males" de Pedro Casaldáliga,bispo emérito da Prelazia do Araguaia (São Félix do Araguaia - MT)

quarta-feira, setembro 06, 2006

Da liberdade

"A liberdade humana não é uma brincadeira. É um risco e um mistério que envolve a absoluta frustração no ódio ou a radical realização no amor. Com a liberdade tudo é possível, o céu mas também o inferno."Padre Carlos

sábado, setembro 02, 2006

É por amor!

Sim, é por amor à vida que cantamos. E, tantas vezes, choramos também. É por amor à vida, Que estamos lutando E vamos andando lentamente Para buscar a luz E a liberdade das manhãs de sol. É por amor à vida, Sim, é por amor à vida... que encaramos de frente Essa imensa dor que se nos impõe... É por amor à vida Que estamos nas ruas, nas praças, nas estradas... E gritando palavras de ordem, de uma nova ordem! Sim, é por amor, E por amor à vida Que marchamos nas madrugadas de lua nova Levando nos braços a fúria das tempestades, pronto a resgatar a terra que nos tomaram(...) Sim, é por amor à vida Que profundamente doloridos Recolhemos em nossos braços Os que foram brutalmente feridos E quando já não podemos Devolver-lhes a respiração Nós comungamos de seu sangue E os fazemos ressuscitar Em milhares de vidas e sorrisos! É por amor à vida Que escrevemos nas pedras Os poemas da esperança rebelde Que pichamos nos muros e nas portas As frases corajosas de um futuro novo, Qaue dançamos nas festas de sábado, No batuque do carnaval de um povo livre! É por amor Que nos abraçamos, que nos beijamos na esquina E já não tememos andar de braços dados seguindo a bandeira da paz E da ternura consequente! Sim, é por amor à vida Que desesperadamente amamos.
Texto de Zé Vicente, poeta e músico - Fortaleza-CE
Extraido do jornal Mundo Jovem de março de 2005

Trova do vento que passa - Manuel Alegre

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Paixão Nacional

Paixão Nacional - por Cristóvam Buarque - O Globo - 10/06/2006
Em cada dez dos melhores jogadores de futebol do mundo, pelo menos cinco são brasileiros. Entre todos os prêmios Nobel do mundo, nenhum é brasileiro. Entre os grandes jogadores brasileiros, quase todos têm origem pobre, enquanto quase todos os profissionais de nível superior vêm das camadas ricas e médias.Nestes tempos de Copa do Mundo, a TV e o rádio mostram, todos os dias, pequenas biografias dos nossos grandes jogadores. Em comum, todos têm o fato de terem começado a jogar futebol aos quatro anos de idade, em algum campo de pelada perto de casa, às vezes no quintal de um amigo. Todos continuaram, com persistência, o desenvolvimento de seus talentos. Transformaram-se em grandes craques, graças à oportunidade, ao talento e à persistência.No Brasil de hoje, 20 milhões de meninos jogam futebol. Se apenas um em cada dez mil tiver talento e persistência, nas próximas copas teremos dois mil ótimos jogadores; se for um em cada um milhão, ainda assim teremos dois times completos, formados por grandes craques.O mesmo não vai acontecer com a ciência, a tecnologia e a literatura no Brasil. Não teremos 20 prêmios Nobel, nem mesmo juntando, a esses meninos, os outros 20 milhões de meninas. Porque poucos entrarão na escola aos quatro anos. Não terão acesso a verdadeiras escolas, não poderão persistir no desenvolvimento de talento, não terão livros ou computadores como têm bolas.O Brasil tem grandes craques graças ao gosto pelo futebol, ao tamanho da nossa população e ao fato de que todos têm acesso à bola e ao campo de pelada.Nosso país não tem, até hoje, nenhum Prêmio Nobel de Literatura ou Física, porque poucos têm acesso a ensino de qualidade desde a primeira infância, com professores bem remunerados, preparados e dedicados, dispondo de livros e computadores na quantidade e qualidade necessárias.Os campos e as bolas surgem espontaneamente, ou pelo esforço da comunidade e dos próprios meninos. A escola e os computadores só estarão à disposição se houver um esforço deliberado do país inteiro.Ninguém vira craque por sorte, e sim por talento e persistência. Mas, no Brasil, o desenvolvimento intelectual depende, antes de tudo, da sorte de nascer em uma família rica, em uma cidade próspera, com um prefeito que dê prioridade à educação. O talento e a persistência vêm depois porque, antes, precisam de oportunidade: uma escola de qualidade. O desenvolvimento intelectual depende de condições criadas pelo Estado nacional: escolas, livros, computadores, professores.Se tivéssemos feito isso há cinqüenta anos, o Brasil seria o campeão do saber, e não o lanterninha, posição que ocupamos atualmente. Se o fizermos agora, daqui a 20 anos teremos recuperado terreno, e aí teremos a chance de vencer não só a Copa do Mundo, mas também a Copa do Saber, do conhecimento, da ciência, da tecnologia, da literatura. Ganharemos as medalhas do Nobel, além das taças da Copa.Além do mais, teremos o capital e as bases para construirmos o Brasil do século XXI. O futebol deslumbra, mas só o saber constrói.Tudo isso, porém, enfrenta um grave impedimento: os brasileiros têm paixão pelo futebol. As vitórias emocionam, as derrotas deixam todos abatidos. Mas não existe a mesma paixão pela educação. Há semanas, os meios de comunicação informaram que estamos perdendo para o Haiti em termos de repetência escolar. Nada aconteceu, ninguém se incomodou. Se tivéssemos perdido para o Haiti no futebol, nossos jogadores teriam sido muito mal recebidos na sua volta ao Brasil.Para que as medalhas intelectuais cheguem, é preciso ter pela escola a mesma paixão que o Brasil tem pelo futebol.

domingo, agosto 20, 2006

Carta de Eduardo Galeano

Texto enviado por Eduardo Galeano à Via campesina Brasil, em homenagem àsmulheres camponesas. Para ser lido no ato politico de debate e solidariedadeàs mulheres, dia 16de agosto, salão de atos da UFRGS- Porto alegre.Salva-vidas de chumboEduardo Galeano, Montevideo. Pelo que diz a voz de comando, nossos países devem acreditar naliberdade do comércio (embora ela não exista), honrar os compromissos(embora eles sejam desonrosos), atrair investimentos (embora eles sejamindignos) e ingressar no cenário internacional (embora pela porta dosfundos). Ingressar no cenário internacional: o cenário internacional é omercado. O mercado mundial, onde compram-se países. Nada de novo. A AméricaLatina nasceu para obedecê-lo, quando o mercado mundial nem era chamadoassim, e de um jeito ou de outro continuamos atados ao dever de obediência. Esta triste rotina dos séculos começou com o ouro e a prata, econtinuou com o açúcar, o tabaco, o guano, o salitre, o cobre, o estanho, aborracha, o cacau, a banana, o café, o petróleo... O que esses esplendoresnos deixaram? Nos deixaram sem herança nem bonança. Jardins transformados emdesertos, campos abandonados, montanhas esburacadas, águas apodrecidas,longas caravanas de infelizes condenados à morte antecipada, palácios vaziosonde perambulam fantasmas... Agora, chegou a vez da soja transgênica e da celulose. E outravez repete-se a história das glórias fugazes, que ao som de seus clarins nosanunciam longas tristezas. Será que o passado ficou mudo? Nós nos negamos a escutar as vozes que nos alertam: os sonhos domercado mundial são os pesadelos dos países que se submetem aos seuscaprichos. Continuamos aplaudindo o seqüestro dos bens naturais que Deus, ouo Diabo, nos deu, e assim trabalhamos pela nossa própria perdição econtribuímos para o extermínio da pouca natureza que nos resta neste mundo. Argentina, Brasil e outros países latino-americanos estãovivendo a febre da soja transgênica. Preços tentadores, rendimentosmultiplicados. A Argentina é, e já faz tempo, o segundo maior produtormundial de transgênicos, depois dos Estados Unidos. No Brasil, o governo deLula executou uma dessas piruetas que pouco favor fazem à democracia, edisse sim à soja transgênica, embora seu partido tenha dito não durante todaa campanha eleitoral. Isso é pão hoje e fome amanhã, como denunciam alguns sindicatosrurais e organizações ecologistas. Mas já sabemos que os peões ignorantes senegam a entender as vantagens do pasto de plástico e da vaca a motor, e queos ecologistas são uns estraga-prazeres que não dizem coisa-com-coisa. Os advogados dos transgênicos afirmam que não está provado queprejudiquem a saúde humana. Em todo caso, também não está provado que não aprejudiquem. E já que são assim tão inofensivos, por que os fabricantes desoja transgênica se negam a esclarecer, nas embalagens, que vendem o quevendem? A etiqueta de soja transgênica não seria sua melhor publicidade? Acontece que existem evidências de que estas invenções do DoutorFrankenstein fazem mal à saúde do solo e reduzem a soberania nacional.Exportamos soja ou exportamos solo? Estamos ou não estamos presos nasgaiolas da Monsanto e de outras grandes empresas de cujas sementes,herbicidas e pesticidas passamos a depender? Terras que produziam de tudo para o mercado local agora seconsagram a um único produto para a demanda estrangeira. Nós nosdesenvolvemos para fora e nos esquecemos de dentro. O mono-cultivo é umaprisão, sempre foi, e agora, com os transgênicos, é muito mais. Adiversidade, por sua vez, liberta. A independência se reduz ao hino e àbandeira, se a soberania alimentar não é assentada. A autodeterminaçãocomeça pela boca. Só a diversidade produtiva pode nos defender das súbitasdespencadas de preços que são costume, mortífero costume, do mercadomundial. As imensas extensões destinadas à soja transgênica estãoarrasando os bosques nativos e expulsando os camponeses pobres. Poucosbraços ocupam essas explorações altamente mecanizadas, que ao mesmo tempoexterminam as plantações pequenas e as hortas familiares com os venenos quefumigam. Multiplica-se o êxodo rural às grandes cidades, onde se supõe queos expulsos vão consumir, se tiverem sorte, o que antes produziam. É aagrária reforma: a reforma agrária pelo avesso. A celulose também está na moda, em vários países. Agora, o Uruguai está querendo se transformar num centro mundialde produção de celulose para abastecer de matéria prima barata as longínquasfábricas de papel. Trata-se de monocultivos para a exportação, na mais puratradição colonial: imensas plantações artificiais que dizem ser bosques e seconvertem em celulose num processo industrial que arroja detritos químicosnos rios e torna o ar irrespirável. No Uruguai, começaram por duas fábricas enormes, uma das quaisjá está a meio construir. Depois surgiu outro projeto, e já se fala deoutro, e outro mais, enquanto mais e mais hectares estão sendo destinados àfabricação de eucaliptos em série. As grandes empresas internacionais nosdescobriram no mapa do mundo, e caíram de súbito amor por este Uruguai ondenão há tecnologia capaz de controlá-las, o estado outorga subsídios e evitaimpostos, os salários são raquíticos e as árvores brotam num piscar deolhos. Tudo indica que nosso país, pequenino, não irá agüentar oasfixiante abraço desses grandalhões. Como costuma acontecer, as bênçãos danatureza se transformam em maldições da história. Nossos eucaliptos crescemdez vezes mais depressa que os da Finlândia, e isso se traduz assim: asplantações industriais serão dez vezes mais devastadoras. No ritmo deprodução previsto, boa parte do território nacional está sendo espremida atéa última gota de água. Os gigantes sedentos vão secar nosso solo e nossosubsolo. Trágico paradoxo: este país foi o único lugar do mundo em que apropriedade da água foi submetida a plebiscito popular. Por esmagadoramaioria, os uruguaios decidiram, em 2004, que a água seria propriedadepública. Não haverá maneira de evitar o seqüestro dessa vontade popular? A celulose, é preciso reconhecer, transformou-se em algo assimcomo uma causa patriótica, e a defesa da natureza não desperta entusiasmo.Pior: em nosso país, algumas palavras que não eram palavrões, comoecologista e ambientalista, estão se transformando em insultos quecrucificam os inimigos do progresso e os sabotadores do trabalho. Celebra-se a desgraça como se fosse boa notícia. Mais valemorrer de contaminação do que morrer de fome: muitos desempregados acreditamque não existe outro remédio além de escolher entre duas calamidades, e osmercadores de ilusões desembarcam oferecendo milhares e milhares deempregos. Acontece que uma coisa é a publicidade, e outra é a realidade. OMST, movimento dos camponeses sem terra, divulgou dados eloqüentes, e quenão valem apenas para o Brasil: a celulose gera um emprego a cada 185hectares, e a agricultura familiar cria cinco empregos a cada dez hectares. As empresas prometem o melhor. Trabalho a rodo, investimentosmilionários, controles rígidos, ar puro, água limpa, terra intacta. E eu mepergunto: já que é assim, por que não instalam essas maravilhas em Punta delEste, para melhorar a qualidade de vida e estimular o turismo em nossobalneário principal?Tradução: Eric Nepomuceno, Rio de JaneiroDistribuição IPS- Inter-press-service, Italia. Dia 16 de agosto de 2006.

Abbá!

O Deus de Jesus é diferente!Sim, o Deus de Jesus quer fazer gente diferente neste mundo. Gente que tenhajeito de Deus e aja como ele. Assunto dificil não é? Se ainda não entrouprocure entrar nas fileiras dessa gente especial do Abbá de Jesus. Trata-sede gente revolucionária (sem violência de terroristas). Entender Deus comoAbbá é a maior revolução que houve na história das relações humanas e dareligião.Por que Deus é diferente? Houve muitas idéias sobre Deus no mundo, e a piorde todas é a dos que pensam um Deus a nossa imagem semelhança. Assim, em vezde Deus nos curar, transformando-nos à sua imagem e semelhança, temos aousadia de pensá-lo nossa imagem e semelhança, para defender velhacarias ecovardias em desfavor dos outros. Quando rezamos santificado seja o VossoNome, dejesemos que seja o nome de Deus, Abbá, não pensemos à nossa velhacae covarde imagem e semelhança de gente não convertida, nem o usemos comocampo de nosso prestígio a vantagem. É essa a revolução moral proposta àhumanidade, a revolução do Abbá e de Jesus que devemos lançar e promover nomundo. É uma revolução que esmaga ideologias que usam em vão o Nome de Deus.Você quer entrar nela? Viva você! E por causa de você, viva o mundo!

quarta-feira, agosto 16, 2006

Angústias e reflexões

Estamos vivendo um tempo atípico, que se repete a cada 4 anos. Tempo de preparação para as eleições. A minha impressão não é muita animadora, a partir da realidade com que lido. Meus Deus, eu pergunto, até quando tudo vai ser assim? Quanta mediocridade, falsidade e hipocrisia! O que verificamos hoje é constatado desde 500 anos atrás.
É daí que tiro algumas conclusões. Conclusões, dignas de apreciação e resalvas. As classes dominantes são, de certa forma, fatalistas, porque só conseguem conceber o futuro como prolongamento, progresso e melhoria do esquema em que elas estão (Privilégios). Vejam o que cobram os especialistas em economia, os Meios de Comunicação, o empresariado do nosso País! O futuro delas é para o enriquecimento ainda mais sofisticado, enriquecimento que elas ainda detêm e controlam seus mecanismos. Então elas são, por própria função histórica, fatalistas, gozadoras do próprio presente e vazias de um sentido mais transcendente do futuro, como criação do novo, do diferente. Querem perpetuar os privilégios e benesses.
Os pobres, não contando com o passado (veja os afros descendente e índios sobretudo) tem um presente sinistro. Vejam que os afros descendentes, embora sendo um número significativo de mais de 50 por cento neste País, continuam fazendo os piores trabalhos ( se é que podemos dizer assim) e não participando das grandes decisões desse País. E o pior, povoam os “morros da vida”.
Conclusão: essa gente, conta só com a possibilidade de um futuro e com mudanças que lhes poderão criar condições melhores de vida. Como a tais das “cotas” que além de uma alternativa (pode não ser a melhor) é um modo de devolver o que lhes foi impedido de ganha pela própria situação histórica.

terça-feira, agosto 01, 2006

Sexo frágil?

Alguém disse que a mulher é o sexo frágil? Provavelmente não foi uma brasileira indígena, que passou pela violência do processo de colonização. Vitimada pela exploração sexual dos colonizadores portugueses, tendo sua identidade ignorada pela história, tratada como não-humana e que, mesmo assim, viveu embalada por sonhos, atravessando os vales da escuridão.
Certamente também não foi uma mulher negra, arrancada da África e trazida para a América, e marcada a ferro quente. Nenhuma escrava “Anastácia” diria que mulher é sexo frágil.
Provavelmente não foi uma mulher branca, que também não escapou da opressão masculina do século XVII, XIX, do século passado ou do atual.
Essas que ocuparam ruas e praças reivindicando o direito ao voto ou as que deixaram de viver e amar, casado-se por obrigação, interesses capitais. Essas, que por décadas não tiveram direito ao estudo, servindo apenas para procriar... Não. Nenhuma dessas desmereceria suas companheiras dessa forma!
Nem mesmo hoje, uma mulher da Arábia Saudita, proibida de guiar automóvel; ou do Egito, sofrendo mutilações genitais; ou da Jordânia, onde o pai pode matar a filha se ela “transar” antes do casamento; ou do Afeganistão onde é obrigada a cobrir o corpo com o véu.
O que diria da fragilidade da mulher Anita Garibaldi, ao perder um filho nos braços, fugindo a cavalo dos seus inimigos? Ou Catarina Lemos, ao colonizar as terras gaúchas? E Joana D’Arc, a guerreira francesa que ardeu na fogueira como uma herege?
Mulheres que empunharam as enxadas no campo; as que ficaram em casa; que lavaram e passaram sem conseguir atenção; mulheres simples e humildes como Maria de Nazaré que foi mãe, amiga, trabalhadora, fiel a Deus, ao seu povo e ao seu companheiro José.
Mulheres santas que oraram, acenderam velas como a nossa padroeira? (Santa Catarina).
Mulheres que cantaram, dançaram, pintaram, bordaram, pecaram?
Mulheres modernas ocidentais que depois de muita luta, votam, trabalham, casam separam, têm filhos, viajam, lêem, fumam, usas decote, guiam automóveis, administram empresas, tingem o cabelo, sofrem, gargalham...
Como o homem, a mulher sente, com os mesmos cinco sentidos, tudo o que o mundo oferece. Frágeis as mulheres? O dualismo sexual não está na força Está nos preconceitos feministas e machistas que a humanidade criou e que agora todos, em especial a mulher, vêm tentando exterminar, desde a sua suposta origem bíblica, onde Eva derivou-se de uma simples costela de Adão.
Katiusa Stumpf (Chapecó-SC)
(Texto extraído do Jornal “Mundo Jovem” de março de 06)

quarta-feira, julho 19, 2006

Qual desenvolvimento?

O Brasil é vítima de política agrícola ligada à monocultura e às exportações


Qual desenvolvimento?

Nos projetos do agronegócio, constata-se que os pobres e, sobretudo os negros, como sempre, ficam de fora das preocupações dos governos e dos grandes empresários.


Ouve-se falar muito, nos dias de hoje, sobretudo da boca de alguns políticos e de grandes empresários, sobre a necessidade que o Brasil tem de voltar a crescer e crescer com segurança. Até ai estamos de acordo. Mas que modelo de crescimento adotar para que esse “milagre” se torne realidade sem gerar prejuízos? No campo, vimos que há bastante investimento no modelo agrícola do agronegócio, endeusado pela imprensa, que não poucas vezes deixa de considerar as reais conseqüências desse tipo de opção.
A abertura e incentivos demasiados, por parte dos governos ao agronegócio, aqui na nossa região do Tocantins e Maranhão, caracterizam atitudes irresponsáveis, por que não são discutidas num contexto mais amplo, com toda a sociedade e não considera a natureza, com todo o ecossistema e nem o aspecto cultural das pessoas que vivem aqui há mais tempo. Noto que da forma como esse processo vem sendo conduzido, sobretudo aqui, só serve para aumentar ainda mais a incomensurável distancia entre ricos e pobres produzindo e aprofundando mais a jurássica exclusão social.
É doloroso constatar que desde os tempos de colônia o Brasil vem. Não me restam dúvidas de que esse modelo só dá suporte para relações para relações de trabalho e renda profundamente desiguais e injustas. Aqui no norte e nordeste, precisamente sul do Tocantins e sul do Maranhão, se pode verificar por miúdo quão desastrosas são as conseqüências dessa política voltada aos grandes projetos do agronegócio. Constata-se que os pobres e, sobretudo os negros, como de praxe, ficam de fora das preocupações dos governos e grandes empresários. São massacrados pelo “rolo compressor” do grande e médio produtor que fortalecidos por esse modelo econômico, precisam plantar e plantar para exportar. E não poucas vezes ainda são estereotipados como gente preguiçosa e desqualificada. É esse o preço que essa gente pobre da terra deve pagar por esse dito desenvolvimento?
As terras por aqui, embora cultiváveis, não são as típicas de culturas. Trata-se na maior parte de um cerrado baixo demasiadamente arenoso. O povo daqui ainda costuma cultivar o solo de uma forma quase artesanal. Quase sempre só para a subsistência. Não há preocupação em criarem excedentes. Diante dessa situação, alguns político dizem por aqui que “é preciso dar passagem para o desenvolvimento que chega, custe o que custar”. Para chegar aqui essa gente teve que passar por inúmeras provações na vida.
Da parte dos que governam há despreocupações não só com a gente do lugar, mas também com o meio ambiente, que é desrespeitado de todas as formas. Os pobres na maioria afro-decendentes, sem a terra que é o seu “ganha pão” se vêem na necessidade de irem para as cidades. A serviço de que e para quem estão direcionados os objetivos dos grandes projetos do agronegócio?

Pe Carlos Ferreira da Silva é Missionário Redentorista em Guarai, no Tocantins.

sábado, junho 10, 2006

Papais esportistas



Eles são muitos e estão por toda parte. Adoram quando seus filhos, precoces, praticam atividades esportivas. Acompanham os meninos desde pequenos e deliram quando eles participam de competições.
Embora a maioria dos papais tenha vida sedentária, sabem que a atividade esportiva é saudável. Assim, orientam, incentivam, mostram que é importante praticar esporte.
Futebol, basquete, vôlei, judô ou natação, basta os meninos entrarem na primeira competição que para eles, executivos ou operários, transformem-se. De pais passam a ser a torcida dos atletas mirins. A eles, se junta a família, os amigos e vizinhos. Então os papais sentem o gostinho de serem “torcida organizada”: à beira da piscina, da quadra, do gramado, do tatame. Aí, eles vão à loucura tentando passar seus “conhecimentos esportivos” aos herdeiros.
Quando a TV transmite competições regionais, jogos escolares, a torcida familiar não decepciona!
A família é importante para o desenvolvimento da criança. Papais participativos, presentes, que têm uma palavra amiga na hora certa, são fundamentais para o desenvolvimento dos filhos. Se não são perfeitos, ou exageram de vez em quando, ao cobrar disciplina ou valores que os jovens nem sempre acham importantes, continuam tendo crédito, afinal, fazem tudo por amor.


Gizelda

Amigos para sempre


Este blog surgiu da conversa entre dois amigos, um iraniano e uma brasileira. Depois outros amigos foram convidados, um angolano e um padre brasileiro. É a vontade de amigos que vivem em países diferentes, de escrever notícias de sua pátria, além de crônicas, poesia.
Que este blog sirva para alegrar e unir pessoas de nações tão distintas.

Gizelda