sábado, agosto 29, 2009

Maltrata-me que eu gosto!

Era uma linda quinta-feira de agosto e às 9h da manhã meu telefone funcionava que era uma beleza. Dia lindo, um sol gostoso de inverno, lá fui eu trabalhar. Porém, quando retornei às 13h, ele, o meu telefone, estava mudo. A primeira coisa que fiz foi falar com o zelador do prédio e perguntar se algum funcionário da Telefônica tinha feito conserto na rua. É o que sempre faço quando surge algum problema na linha, pois nas últimas cinco ou seis vezes, “eles” estiveram trabalhando na rua. Esse serviço terceirizado é um horror, um caso de polícia.
Na quinta, após o almoço, sem telefone e sem internet – que falta faz! - fui até o telefone público dentro do prédio e liguei para 10315, achando que “seus problemas acabaram” não era só naquele programa de humor. E não é que a atendente me diz que testou a linha e estava normal! Alguém entendeu? Nem eu! Então, perguntei ao zelador se alguém tinha feito serviço no corredor ou no painel que fica na portaria. Ninguém! Aproveitei um vizinho que passava pela portaria, sempre sem camisa e, pedi um aparelho convencional para testar a linha, já que o meu é sem fio e poderia estar com problema. Teste feito, a linha continuava muda, eu sem telefone e speedy, pois uma coisa depende da outra. Voltei a falar com o zelador e pedi que ele arrumasse alguém para vir olhar se era problema interno. Não era.
O próprio zelador telefonou de novo para a Telefônica, (ainda) constava que a linha funcionava normalmente. Deuses do Olimpo, pensei, o que está acontecendo? Seria praga daquele aluno que joga giz em mim enquanto passo um resumo na lousa? Será que ‘aquela’ facção criminosa (des) apropriou minha linha? Praga de mãe? De algum ex?
Na dúvida, telefonei para 10315, de novo, e insisti para que alguém viesse resolver o problema. A moça continuava dizendo que a linha fora testada e estava em ordem. Mas, diante da minha insistência, disse que agendaria uma visita técnica. Não agendou. Vinte e quatro horas depois eu ainda estava sem telefone e sem speedy.
Interessante é que depois que eu liguei pela segunda vez reclamando e o zelador já tinha ligado também, alguém telefonou na portaria e perguntou se eu tinha um serviço pago da telefônica para resolver o problema. Respondi que não, então, ele me ofereceu um, a cinco reais ao mês. Recusei claro, já que todas as evidências mostravam que não era problema interno e sim da empresa que presta um (des) serviço a uma aficcionada virtual. Ai meus e-mails! Meus joguinhos do Yahoo! Skype! Quem estará on line nesse momento tão trágico?
Com tudo isso, 24 horas depois eu continuava sem linha, sem speedy e sem saber o que fazer. No fundo, bem lá no fundo, eu já sabia, pois na quinta teve gente dessa empresa assombrosa, fazendo serviço na rua.
Liguei novamente, explicando o problema, insistindo em uma solução, só faltei me ajoelhar diante do telefone público (ainda não comprei um celular!), aí a moça disse que não tinha certeza se a linha estava com problema e que ia enviar alguém. Dá para acreditar? Calei-me e não mencionei que os atendentes anteriores haviam dito que a linha estava normal. E, finalmente, três horas depois, tudo estava funcionando: telefone e speedy! O mundo voltou a girar! Só que eu fiquei vinte e sete horas sem os serviços. Assunto encerrado? De jeito nenhum! Mais tarde, alguém do setor de relações humanas ligou em minha casa para saber se eu tinha feito “aquele plano” de cinco reais para os consertos extras. Enfatizei que não. Ela disse algo sobre ter sido feito e depois, bloqueado.
Nas últimas cinco ou seis vezes que deu problema em minha linha telefônica, funcionários da Telefônica tinham feito serviço na rua. Com certeza deve ser pura coincidência, claro. Mas, uma dúvida ficou: será que essa traquinagem de dizer que não tinha problema na linha era para eu comprar um serviço de conserto? Existem técnicas de vendas mais modernas, gente!
Eu só não tive uma epifania e cancelei a linha, porque minha conexão para internet tem menos de doze meses e, pagarei multa caso cancele antes. Claro, que eu fiz questão de aceitar essas regras pode ter certeza que a escolha foi minha! Por que eu compraria um serviço que me permitisse cancelar a hora que me fosse conveniente ou que não estivesse me agradando? Não, eu quero a escravidão por doze meses e ainda com multa alta! Pois eu até troquei a outra empresa por essa, cancelei um contrato antigo, para ficar com o speedy. E fui enganada de novo! Não é bárbaro? Consta na conta, que o preço do speedy é setenta e oito reais e quarenta e seis centavos e que eu tenho um desconto de 36,40% por isso pago quarenta e nove reais e noventa centavos. Isso quer dizer que, quando eu completar um ano- feliz aniversário!- terei um aumento de 36,40% e não o aumento de lei que deve ser menor. É uma maneira bem esperta de enganar o cliente quando tiver que majorar o valor da mensalidade. Novos tempos, novas táticas!
Já é sábado, o sol brilha lá no alto da pedreira e eu fico aqui pensando. Acho que essa empresa tinha que ir embora do país. Ela é estrangeira, é espanhola! E nós já temos os nossos ladrões tupiniquins, não precisamos de mais um.
E viva o Brasil! Terra de Sarney, Collor, Renan!
Salve, salve, o Conselho de Ética do Senado!

segunda-feira, agosto 24, 2009

domingo, agosto 23, 2009

Li: Os Arquivos Filosóficos

Embora dirigido ao público jovem, é um livro de introdução a filosofia muito interessante, com ilustrações divertidas e atraentes, uma linguagem moderna. Recomendo para os adultos também. Jovens e adultos irão encontrar nesse livro, extraterrestres, cérebros fora do corpo, realidade virtual e até um porco falante.
Os Arquivos Filosóficos foi escrito por Stephen Law, professor da Universidade de Londres.

sábado, agosto 22, 2009

Caneta ou ferramenta?

Quantos advogados você conhece? Uns tantos, certamente. Mas na hora de socorrer o seu computador pifado, consertar o vazamento da pia da cozinha ou traduzir-lhe o manual de funcionamento do novo televisor, que você lê, lê e não entende, a quem recorre?

O Brasil é uma nação de bacharéis. Como abrigamos a mais longa escravidão das três Américas – 350 anos -, ainda guardamos, do período colonial, resquícios elitistas, como julgar que profissões técnicas são para incompetentes que não chegam a doutor... Boa profissão é a que domina a caneta, e não a ferramenta.

Você sabia que de cada 100 brasileiros (as) no mercado de trabalho, 72,4% (ou exatos 71,5 milhões de pessoas), nunca fizeram um curso profissionalizante? Entre os desempregados, 66,4% (5,3 milhões de pessoas) nunca passaram por um curso de educação profissional. O dado é do IBGE, divulgado no último 22 de maio.

O mais grave é o poder público, como diria aquele deputado do castelo, estar “pouco se lixando” para a qualificação de nossos trabalhadores. Segundo o IBGE, em 2007 apenas 22,4% dos alunos de cursos profissionalizantes estavam matriculados em escolas públicas.

Dos que buscam tais cursos, 53% dependem de ofertas de ONGs, sindicatos e instituições particulares. O famoso Sistema S (como SENAI, SENAC, SEBRAE), que recebe robustas verbas do governo, forma apenas 20% dos interessados em qualificação.

Mesmo os cursos existentes nem sempre primam pela qualidade. Entre os matriculados, 80,9% frequentavam cursos que não exigiam escolaridade prévia... O que explica o alto número de analfabetos virtuais em profissões técnicas. Consertam a geladeira, mas são incapazes de redigir um bilhete explicando a causa do defeito.

Na mesma pesquisa, o IBGE constatou que são analfabetos 13,5 milhões de brasileiros (as) (9,5% da população) com mais de 15 anos de idade. E de 1,8 milhão que frequentavam salas de aula, 810 mil (45%) admitiram não saber ler nem escrever um simples recado.

A falta de motivação é a principal causa de desinteresse por cursos profissionalizantes. O Brasil é o reino do improviso. O auxiliar de eletricista aprende na prática, assim como o de cozinha acredita que, amanhã, a intimidade com o fogão fará dele um chef. Muitos (14,1%) admitiram não poder pagar um curso dessa natureza. E 8,9% se queixaram da falta de escola na região.

Dos alunos em cursos profissionalizantes, 17,6% frequentavam cursos técnicos de nível médio. E apenas 1,5% cursos de graduação tecnológica equivalente ao nível superior. O mais procurado é o curso de informática (41,7%), seguido de comércio e gestão (14%) e indústria e manutenção (11,25). Ao todo, 215 mil estudantes, o que representa um índice muito baixo dada as dimensões do país e de suas necessidades.

Esse quadro explica, em parte, a razão do nosso subdesenvolvimento – ou eterna situação de país emergente. O MEC promete que, até o fim de 2010, o Brasil passará de 185 mil para 500 mil vagas em cursos profissionalizantes. As escolas – hoje, 140 – serão 354.

Um das causas dessa realidade preocupante foi a lei de 1988, proposta pelo presidente FHC e aprovada pelo Congresso, que proibiu a União de criar novas escolas técnicas federais. Felizmente Lula a revogou em 2005.

Falta ao atual governo corrigir outro erro crasso: o EJA (Educação de Jovens e Adultos, que substituiu o antigo supletivo), embora acolha trabalhadores em suas aulas, não propõe educação profissionalizante. Isso explica o alto índice de evasão – 42,7% dos matriculados não concluem o curso, sobretudo no Nordeste (56%).

Muitas vezes o horário de aulas coincide com o do trabalho (o que induz à evasão de quase 30% dos alunos), e a metodologia de ensino ignora Paulo Freire e os recentes avanços da educação popular.

O Brasil precisa trocar o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento - pelo PAD, Programa de Aceleração do Desenvolvimento, sobretudo humano. Sem recursos humanos qualificados, uma nação está fadada a sempre depender do mercado externo e, portanto, do jogo cruel da especulação internacional, da flutuação de divisas conversíveis e das concessões aos importadores que jamais abrem mão de suas políticas protecionistas.

Sem educação o Brasil não tem solução. Nem salvação.

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Paulo Freire e Ricardo Kotscho, de “Essa escola chamada vida” (Ática), entre outros livros, e um dos fundadores do movimento Todos pela Educação.

sábado, agosto 08, 2009

Oração do Milho

Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada.
Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence à hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.
O Justo não me consagrou Pão da Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre. Alimento de rústicos e animais do jugo.
Fui o angu pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e amiga dos que começam a vida em terra estranha.
Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paióis.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o cacarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde
SOU O MILHO
Cora Coralina

domingo, agosto 02, 2009

Li: A menina que roubava livros

Li “A menina que roubava livros”, de um jovem escritor australiano, Markus Zusak. Embora eu seja uma leitora ávida de livros, confesso que poucos me emocionaram tanto como esse. Bonita, sensível, inteligente, a história é envolvente. O autor fala da amizade, do amor, da compaixão, sentimentos que envolvem famílias, vizinhos, amigos, naquele difícil ano de 1943. É a guerra, o nazismo. E a palavra é a ferramenta de convencimento para aqueles que viveram os acontecimentos da época. Mas é a palavra também que dá o alento para uma jovem de 12 anos, através dos livros que ela rouba, para compreender a sua existência. O narrador é a Morte.Um ser acima do bem e do mal, alguém que faz o seu serviço: buscar as almas. Porém, a Morte que gosta de observar as cores do mundo, não consegue deixar de notar a menina que roubava livros. Ao fugir de um bombardeio, a menina que roubava livros, preocupa-se em salvar o acordeom do papai e, esquece o livro, com folhas em branco, que ganhou para escrever a sua história. Perdido na rua, o livro seria jogado no lixo. Porém, a Morte o salva de ser destinado ao esquecimento. Ela o lê, guarda-o durante anos até encontrar de novo a menina que roubava livros e poder devolvê-lo. A Morte é a narradora da história. E são suas as palavras abaixo:
“OS SERES HUMANOS ME ASSOMBRAM”.

sábado, julho 25, 2009

Tirando os sapatos - vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=t73FGpY0Zfc

Fome de Justiça

Somam hoje 950 milhões as pessoas ameaçadas pela fome crônica. Eram 800 milhões até 2007. De lá para cá o número aumentou, devido à expansão do agronegócio, cujas tecnologias encarecem os alimentos, e a maior extensão de áreas destinadas ao cultivo de agrocombustíveis, produzidos para saciar a fome de máquinas e não de gente.

A fome é o que há de mais letal inventado pela injustiça humana. Causa mais mortes que todas as guerras. Elimina cerca de 23 mil vidas por dia; quase 1.000 pessoas por hora! As crianças são as principais vítimas.

Quase ninguém morre por falta de alimentos. O ser humano suporta quase tudo: políticos corruptos, humilhações, agressões, indiferenças, a opulência de uns poucos. Até o prato vazio. Por isso ninguém morre da falta completa de alimentos. Os famélicos, quando nada têm para comer, levam à boca, para enganar a fome, restos catados no lixo, lagarto, rato, gato, tanajura e variados insetos. A falta de vitaminas, carboidratos e outros nutrientes essenciais debilita o organismo, torna-o vulnerável às enfermidades. Crianças raquíticas morrem de simples resfriado, privadas de defesas.

Há apenas quatro fatores de morte precoce: acidentes (de trabalho ou trânsito); violência (assassinato, terrorismo ou guerra); enfermidades (aids ou câncer); e fome. Esta produz o maior número de vítimas. No entanto, é o fator que menos suscita mobilizações. Há sucessivas campanhas contra o terrorismo ou pela cura da aids, mas quem protesta contra a fome?

Os miseráveis não fazem protestos. Só quem come entra em greve, vai às ruas, manifesta em público descontentamento e reivindicações. Como essa gente não sofre ameaça da fome, os famintos são ignorados.

Agora, os líderes das nações mais ricas e poderosas do mundo, reunidos no G8, em L’Aquila, Itália, no início de julho, decidiram liberar US$ 15 bilhões para aplacar a fome mundial.

Como o G8 é cínico! Ele é o responsável pelos famintos serem multidão. Eles não existiriam se as nações metropolitanas não adotassem políticas protecionistas, barreiras alfandegárias, transnacionais de agrotóxicos e de sementes transgênicas. Não morreriam de fome cerca de 5 milhões de crianças por ano se o G8 não manipulasse a OMC, não incentivasse a desigualdade social e tudo isso que a aprofunda: o latifúndio, a especulação dos preços dos alimentos, a apropriação privada da riqueza.

Apenas US$ 15 bilhões! Sabem quantos esses senhores e senhoras do G8 destinaram para salvar - não a humanidade - mas o mercado financeiro, de setembro de 2008 a junho de 2009? Mil vezes esta quantia! US$ 15 bilhões servem apenas para oferecer uns caramelos a alguns famintos. Sem contar que boa parte desses recursos irá para o bolso dos corruptos ou servirá de moeda de troca eleitoral. Dou-lhe um pão, dá-me um voto!

Se o G8 tivesse de fato intenção de erradicar a fome no mundo, promoveria mudanças nas estruturas mercantilistas que regem a produção e o comércio mundiais, e canalizaria mais recursos às nações pobres que aos agentes do mercado financeiro e à indústria bélica.

Se os donos do mundo quisessem realmente acabar com a fome, eles tornariam o latifúndio um crime de lesa-humanidade e permitiriam a livre circulação de alimentos, assim como ocorre com o dinheiro. Do mesmo modo, se tivessem mesmo o propósito de erradicar o narcotráfico, em vez de prender uns poucos traficantes, poriam suas máquinas de guerra para destruir definitivamente os campos de plantação de maconha, de coca, de papoula e de outros vegetais, transformando-os em áreas de agricultura familiar. Sem matérias-primas, não há traficante capaz de produzir droga.

Dizer que o G8 intenciona acabar com a fome ou salvar o planeta da degradação ambiental equivale a esperar que, no próximo Natal, Papai Noel traga de presente uma vida digna a todas as crianças pobres. O cinismo é tanto que os líderes mundiais prometem estabelecer bases de sustentabilidade ambiental a partir de 2050.

Ora, se a natureza algo ensina de óbvio é que, a médio prazo, estaremos todos mortos! Se a Terra já perdeu 25% de sua capacidade de autorregeneração, o que acontecerá se a humanidade tiver que esperar mais 40 anos para que se tomem medidas eficazes?

Se aqueles que não passam fome tivessem, ao menos, fome de justiça, virtude qualificada por Jesus como bem-aventurança, então a esperança em um futuro melhor não seria vã.

[Autor de "A mosca azul - reflexão sobre o poder" (Rocco), entre outros livros.
Copyright 2009 - FREI BETTO - É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal@terra.com.br)]
Frei Betto *


* Escritor e assessor de movimentos sociais

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sexta-feira, julho 10, 2009

Filme: Budapeste

O filme “Budapeste” foi inspirado no livro do cantor e compositor Chico Buarque.
O narrador é José Costa, é um ghost-writer, pessoa especialista em escrever cartas, artigos, discursos ou livros para terceiros, sob a condição de permanecer anônimo. Costa escreve os textos na Cunha & Costa Agência Cultural, firma em que é sócio com o seu amigo de faculdade Álvaro Cunha, este especializado em promover o trabalho de José Costa.
Na volta de um congresso de autores anônimos, Costa é obrigado a fazer uma escala imprevista na cidade título do romance, o que desencadeia uma série de eventos que constituem o centro da trama: casado com a apresentadora de telejornais Vanda, Costa conhece Kriska na Hungria, que o apelida de Zsoze Kósta e com quem aprende húngaro - segundo o narrador, "a única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita". Entre as diversas idas e vindas entre Budapeste e o Rio de Janeiro, a trama se alterna entre o seu enfeitiçamento pela língua húngara e o seu fascínio em ver seus escritos publicados por outros, bem como o seu envolvimento amoroso com Vanda e Kriska.

terça-feira, junho 30, 2009

Livro: Origens do discurso democrático - Donaldo Schuler

A base da democracia antiga é o discurso. Palavras dirigem homens, constroem cidades, desvendam mistérios, abrem rotas à liberdade. Reflexão e ação política se desenvolveram juntas. Mobilidade discursiva e imprevisibilidade humana floresceram juntas. A própria palavra se impôs à reflexão. As inquietações de então, ainda nos perturbam. Retornar à Grécia é abrir veredas no cipoal de nossas dúvidas. A literatura grega é o lugar para se refletir sobre as virtudes do discurso e as ameaças à democracia.

Donaldo Schuler é doutor em Letras e livre-docente pela universidade Federal do Rio Grande so Sul.

domingo, junho 28, 2009

Difícil arte de ser mulher

Hours concours em Cannes, um dos filmes de maior sucesso no badalado festival francês foi "Ágora", direção de Alejandro Amenabar. A estrela é a inglesa Rachel Weiz, premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em "O jardineiro fiel", dirigido por Fernando Meirelles.

Em "Ágora" ela interpreta Hipácia, única mulher da Antiguidade a se destacar como cientista. Astrônoma, física, matemática e filósofa, Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a última grande cientista de renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela cidade egípcia. Na Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de Plotino. Escreveu tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de corpos celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério e hidrômetro.

Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de religião e de pensamento. Acreditava que o Universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos que, em plena decadência do Império Romano, lutavam por conquistar a hegemonia cultural.

Em 415, instigados por Cirilo, bispo de Alexandria, fanáticos arrastaram Hipácia a uma igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica e conchas e, após assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte selou, por mil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi canonizado por Roma.

O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.

Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.

Onde há oferta de produtos - TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas - o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos, e agora dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.

Segundo a ironia da Ciranda da bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque, "Procurando bem / todo mundo tem pereba / marca de bexiga ou vacina / e tem piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina que não tem". Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável.

Se abre a boca, deve falar de emoções, nunca de valores; de fantasias, e não de realidade; da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: "gata", "vaca", "avião", "melancia" etc.

Para evitar ser execrada, agora Hipácia deve controlar o peso à custa de enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos famintos o que deixa de ingerir...), mudar o vestuário o mais frequentemente possível, submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e pensar que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e não para dedicar-se a caprichos estéticos).

Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão. E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).

Na guerra dos sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar da mulher. Ele tem a posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens... Vide o tradicional costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao nome da mulher.

No Brasil colonial, dizia-se que à mulher do senhor de escravos era permitido sair de casa apenas três vezes: para ser batizada, casada e enterrada... Ainda hoje, a Hipácia interessada em matemática e filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos homens que não querem compartir, e sim dominar. Eles são repletos de vontades e parcos de inteligência, ainda que cultos.

Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?

Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade.
Frei Betto
[Autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros].

sábado, junho 06, 2009

Meus escritores preferidos: Matha Medeiros

Martha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tenho trabalhado como redatora e diretora de criação em várias agências daquela cidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses apenas escrevendo poesia.
De volta ao Brasil, começou a colaborar com crônicas para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde até hoje mantém coluna no caderno ZH Donna, que circula aos domingos, e outra — às quartas-feiras — no Segundo Caderno.
Seu primeiro livro, Strip-Tease (1985), Editora Brasiliense - São Paulo foi o primeiro de seus trabalhos publicados. Seguiram-se Meia noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991), De cara lavada (1995), Poesia Reunida (1998), Geração Bivolt (1995), Topless (1997) e Santiago do Chile (1996). Seu livro de crônicas Trem-Bala (1999), já na 9ª edição foi adaptada com sucesso para o teatro, sob direção de Irene Brietzke. A autora é casada e tem duas filhas.


Livro: Divã - Martha Medeiros

Cronista consagrada no sul do país, admirada por intelectuais e poetas, Martha Medeiros, que já vendeu 50 mil livros, combina irreverência e lirismo em textos curtos e contemporâneos. Autora de 11 livros, a autora faz sua estréia na ficção com DIVÃ.
Na verdade, o mundo inventado por sua protagonista é abertamente inspirado na realidade que ela captura em suas deliciosas crônicas. DIVÃ conta a história de Mercedes — uma mulher com mais de 40, casada, filhos — que resolve fazer análise. O que começa como uma simples brincadeira acaba por se transformar num ato de libertação; poético, divertido, devastador. Marinheira de primeira viagem em terapia, a personagem encara o consultório como se fosse uma espécie de alfândega que vai dar o visto para ela passar para o lado mais oculto de sua personalidade.
Ao deitar-se no divã, Mercedes não hesita em alertar o terapeuta: "Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna delicada. Acho que sou promíscua, doutor Lopes. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também. Prepare-se para uma terapia de grupo."
Dona de um texto simples e brilhante, Martha nos seduz com uma narrativa envolvente e catalisadora. O leitor que a princípio se transforma numa espécie de voyeur, é levado por espiral de acontecimentos reveladores. Ao final da leitura se vê cúmplice das loucuras, conflitos e questões existenciais da personagem, e se dá conta que ele também, em vários momentos, estava deitado em seu próprio divã.
Mercedes é uma mulher que se parece um pouco com qualquer mulher. Divertida, pragmática, inteligente e sim, por que não? Superfeminina. É do tipo corajosa, daquelas que não têm medo de nada. Capaz de administrar bem a casa, os filhos, o marido e até mesmo seus ataques de vaidade. Ela nos parece muito segura de si, daquelas que possuem controle sobre tudo. Será?
Ao se deitar naquele divã, Mercedes se dá conta de suas armadilhas cotidianas. Ao entrar neste jogo catártico, ela nos confidencia que a liberdade é atraente quando nos parece uma promessa, mas pode nos enlouquecer quando se cumpre.



Filme: Divã

A atriz Lilia Cabral encarou o desafio e reviveu, no cinema, as dores e delícias de Mercedes, protagonista da peça "Divã", baseada no romance de Martha Medeiros, que ficou três anos em cartaz e foi vista por 175 mil pessoas. No filme homônimo, de José Alvarenga, Lilia volta a viver a mulher de 40 anos que, sem saber bem o porquê, procura um analista. O longa estreou no início de 2009.

domingo, maio 31, 2009

Curiosidades sobre o cérebro e o corpo

Que o cérebro é o órgão mais fascinante que nós temos, disso eu não tenho dúvida, mas então, porque não sabermos mais sobre essa maravilha? O conhecimento nunca é demais, por isso veja essas curiosidades sobre o nosso ” Celebro “…

Você sabia que o cérebro é constituído por mais de 10 milhões de células e que ele pesa cerca de 1,5kg? O cérebro de um recém-nascido cresce quase 3 vezes o seu tamanho durante o primeiro ano! Os humanos têm o cérebro mais complexo de qualquer criatura na Terra.

O cérebro humano é o que possui mais pregas de todos os seres vivos. Por isso, se o estendesse-mos, mediria aproximadamente 2 metros, enquanto que o cérebro de um gorila, apesar de ter o mesmo peso, só mediria uma quarta parte do tamanho do cérebro humano.

Os cientistas calcularam que a velocidade de um pensamento é de 240 km/h! Como se calcula velocidade de pensamento?

Se não exercitarmos o que aprendemos, esquecemos 25% em seis horas, 33% em 24 horas e 90% em seis meses.

O olho humano é capaz de distinguir 10.000.000 de diferentes tonalidades.

Com uma média de 70 batidas por minuto, o coração bate 37 milhões de vezes por ano.

Cada soluço dura menos de 1 segundo e ocorrem com uma frequência normal e regular de 5 a 25 vezes por minuto. O livro dos recordes menciona um soluço que durou 57 anos.

A força necessária para dar três espirros consecutivos, queima exatamente o mesmo numero de calorias que um orgasmo.

Uma pessoa normal tem á volta de 1.460 sonhos por ano.

O cabelo cresce cerca de 0,6 cm por mês e mais depressa pela manhã do que em qualquer outra hora do dia.

Uma piscadela de olho dura, em média, um décimo de segundo.

Mais de metade dos ossos do corpo humano estão nas mãos e nos pés.

A mão humana tem 27 ossos e 35 músculos.

Em cada 2,54 cm de pele humana, existem 19 milhões de células, 60 pelos, 90 glândulas sebáceas, 5,79 metros de vasos sangüíneos, 625 glândulas sudoríparas e 19 mil células nervosas.

Uma pessoa possui, em média, gordura corporal suficiente para fazer duas dúzias de sabonetes.

Durante uma vida, a nossa pele é renovada aproximadamente 1.000 vezes.

Durante o tempo que demorou a ler esta frase 50.000 células do teu corpo morreram e foram substituídas por células mais novas.

O coração de uma pessoa com 75 anos já bateu mais de 2.737.500.000 de vezes.

Um adulto médio produz cerca de meio litro de gás flatulento por dia, resultando numa média de 14 ocorrências flatulentas por dia.

Os destros vivem em média 9 anos a mais do que os canhotos.

O coração bombeia o sangue com uma pressão suficiente para o esguichar a uma altura de 9 metros.

Apenas uma pessoa em cada 2 bilhões viverá mais de 1 1 6 anos.

Uma pessoa pisca os olhos aproximadamente 25 mil vezes por dia.

Se uma pessoa usar “headphones” durante mais de uma hora, o número de bactérias do ouvido aumenta 700 vezes.

O coração humano bate mais de 100.000 vezes por dia!

Por cada sílaba que o homem fala, 72 músculos entram em movimento. Para sorrir, são utilizados 14 músculos. Para beijar, 29.

Os pulmões contêm quase 2400 quilômetros de vias aéreas e mais de 300 milhões de alvéolos.

Se você mantiver, à força, os olhos abertos durante um espirro, é possível que eles saiam das órbitas.

O músculo mais potente do corpo humano é a língua.Que 'máquina' maravilhosa é o nosso corpo!


Isso me faz lembrar meu professor de Filosofia, lá no ensino médio. Ele dizia: " O Homem é uma unidade psico-somática". Pois essa bela máquina, sem a alma, o sopro de vida, não é nada, apesar de toda a sua complexidade.

sábado, maio 30, 2009

sexta-feira, maio 29, 2009

Li "O Leitor" de Bernhard Schlink

Um dos melhores livros que li em minha vida.
Saí de casa para assistir o filme, mas já tinha saído de cartaz aqui na cidade. Não tive dúvida, ao lado do cinema tem uma livraria, comprei o livro.
Ainda emprestei para a amiga que me acompanhava, pois estava terminando outro.
O autor, Bernhard Schlink, é alemão, advogado e professor de filosofia. Parece que ele senta-se ao lado da gente e começa a contar a sua história, seu primeiro amor, as leituras de livros que fazia para ela, o abandono, o reencontro em situações inesperadas, a continuação das leituras, agora gravadas em um gravador e enviadas a ela. E um desfecho inesperado para uma história tão rica.
Recomendo!

sábado, maio 23, 2009

O caminho de Abraão

Abrir a mente para novas falas, a alma para abrigar o “outro”, libertar-se de convenções e de formatos preestabelecidos, enfim, tirar os sapatos, que protegem o homem, mas também isolam e evitam o contato com um chão de muitas verdades e possibilidades. Foi traçando a rota seguida por Abraão, patriarca das três religiões monoteístas – cristianismo, judaísmo e islamismo – que o rabino Nilton Bonder, com os pés no chão, aprendeu que mais importante que o destino da viagem é o caminho percorrido. Em 2006, Bonder foi convidado a participar, ao lado de 23 representantes de diferentes países e religiões, de uma peregrinação pelo Oriente Médio: é O Caminho de Abraão, projeto do Departamento de Mediação de Conflitos da Universidade de Harvard, que visa a apoiar a abertura de uma extensa rota de turismo histórico e cultural para refazer a jornada deste importante personagem pela região - que vive em tensão permanente - há cerca de quatro mil anos. Em Tirando os sapatos, o rabino relata suas experiências durante a caminhada.

O relato é apresentado de duas formas distintas: uma é um diário de viagem, no qual Bonder descreve suas impressões dos locais por que passou e da convivência com o eclético grupo – formado por pessoas de diversas crenças e religiões – com que conviveu, extraído de uma longa entrevista à jornalista Tania Menai. A outra representa a sua viagem espiritual, que mostra suas etapas de estranhamento ao se defrontar, durante a peregrinação, com diferentes significados que a trajetória de Abraão tem para as três religiões.

Mais que um destino turístico, O Caminho de Abraão tem o potencial de promover o desenvolvimento comunitário, a formação de lideranças jovens, a preservação do patrimônio histórico e do meio ambiente e uma imagem positiva da região na mídia, destacando a hospitalidade de seu povo e, mais importante, o encontro entre pessoas e o diálogo entre religiões diversas. Diálogo que começou no próprio grupo de Bonder. Apesar de a maioria dos participantes ter uma visão neutra da região, havia quem tivesse definida inclinação pelo mundo árabe: um xeque turco, um padre italiano radicado na Síria e um paquistanês islâmico. Este último nutria opiniões muito radicais sobre Israel e mostrou-se bastante incomodado quando soube que Bonder é judeu.

Foi uma viagem de alguma tensão para Bonder, que teve que omitir quase o tempo todo sua condição de rabino para poder circular pela região. A solução para aliviar esta pressão foi não reagir àquilo que o rejeita, abrir-se para o ponto de vista do outro, muitas vezes indo de encontro ao que pensava, incluindo as do paquistanês, de quem, por fim, conseguiu virar colega, após longa troca de idéias.

Também foi por meio desta convivência que Bonder ouviu teorias interessantes como a de que os conflitos religiosos no Oriente Médio teriam uma explicação geológica, segundo uma profissional de Harvard: a área é uma área turbulenta, incluindo o Mar Morto, a região mais baixa do planeta. Ali ocorrem muitas movimentações tectônicas devido à presença de um cinturão sísmico. Curiosamente, todas as regiões do mundo com movimentos tectônicos são áreas de alta espiritualidade: a Califórnia, os Andes, o México, o Himalaia. Áreas geologicamente instáveis ativam, no ser humano, a necessidade espiritual. A estabilidade traz acomodação.

Diferentemente de um turista comum, o peregrino aprende mais no trajeto: o que importa é estar sempre em movimento, mesmo que não se saiba qual é a chegada, o ponto final da viagem. É durante o caminho que ele aprende a se desfazer da bagagem – que representa, assim como os sapatos, a identidade do indivíduo, uma forma de proteção da pessoa em relação ao desconhecido. O importante aqui é, como fez Bonder, jogar-se na interação com o lugar e, principalmente, com as pessoas. Não ter medo de perder a identidade. É por meio da alteridade, de olhar o mundo pelo olhar do outro, que se pode desfazer de sapatos, bagagens, preconceitos e intolerâncias.

Foi a partir desta visão que Bonder identificou como as religiões vêem a importância e a história de Abraão de formas diferentes e desenvolveu o conceito de “paralelismo histórico”. A História não obedeceria necessariamente a uma cronologia rígida, em que um evento vem antes do outro, estabelecendo um único fluxo que comporta uma única verdade: “A História não é tão consecutiva e cronológica como me haviam ensinado e como eu a percebia. Há um paralelismo na História. Coisas acontecem ao mesmo tempo, ou mais do que isso, enquanto coisas estão acontecendo para um grupo estão também acontecendo para o outro. Não há apenas um acontecimento sobre o qual se possa determinar a autoria e patrimônio.”

Com 1.200 quilômetros, a rota tem início nas ruínas de Haran, na Turquia, local onde, acredita-se, o patriarca ouviu pela primeira vez o chamado de Deus. E se estende por todo o Oriente Médio, incluindo cidades históricas como Alepo, Damasco, Jericó, Nablus, Belém e Jerusalém, e regiões de grande riqueza natural e cultural como as colinas do Líbano, a região de Ajloun da Jordânia e o deserto de Grajev, em Israel. No trajeto, encontram-se alguns dos locais mais sagrados do mundo. O ponto alto é a cidade de Hebron/ Al Khalil, local do túmulo de Abraão. Futuramente, o caminho será estendido para englobar as idas e vindas de Abraão rumo ao Egito, Iraque e, para os muçulmanos, Meca, na Arábia Saudita. O Caminho de Abraão é um projeto em andamento e mais informações podem ser encontradas em www.abrahampath.org.

TIRANDO OS SAPATOS – Nilton Bonder - Editora Rocco - 2008

sábado, maio 09, 2009

Que tipo de livro vc é?

Faça o teste clicando no link abaixo:

http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml?perg=1

sábado, maio 02, 2009

Um asteróide pode chocar com a Terra em 2014?

Parece filme de ficção científica, mas não é. Muita gente não sabe, que um asteróide com cerca de 1 km de diâmetro, poderá estar em rota de colisão com a Terra em 21 de março de 2014. O acontecimento, embora tenha sido divulgado inicialmente em 2003, permanece viável até hoje. Para quem não sabe, segundo agências britânicas, responsáveis pelo controlo de objetos potencialmente perigosos para a Terra, o impacto do objeto sobre o nosso planeta, seria o equivalente ao lançamento de 20 milhões de bombas atômicas, capazes de causar um grande estrago.

Mas calma. Antes de pensar que é o fim de tudo, é bom saber que há grandes hipóteses de que tudo não passe de um grande susto. De acordo com a BBC, seu diâmetro corresponde a cerca de um décimo da massa do meteorito que, segundo os cientistas, extinguiu todos os dinossauros da superfície da Terra. Além disso, as chances deste corpo celeste atingir nosso planeta são de apenas de uma em 250 mil.

O 2003, o QQ47, como é conhecido, é formado por vários pedaços de pedra que permaneceram no espaço, resultado da formação do Sistema Solar. Até passar perto da Terra, o asteróide viajará a uma velocidade de 1 15 mil km/h e será seguido constantemente pelos especialistas. É aguardar para ver o que acontece.


Conclusão: Gosto muito de astronomia, não perco a oportunidade de assistir documentários na TV ou ler algo aqui na net. Até faço parte de grupos de astrônomos virtuais. E a gente aprende uma lição muito básica: os corpos celestes têm um ciclo de vida como nós seres biológicos. Uma estrela, por exemplo, nasce, cresce, tem um longo tempo de vida e um dia... morre.Aliás, eu acho isso lindíssimo e, é algo para se pensar. Então, nosso maravilhoso sol, uma estrela de quinta grandeza, um dia esfriará, tornando inviável nossa permanência aqui. Com base nisso, sempre considerei o final dos tempos bíblico, apenas um alerta de que a natureza é feita de ciclos e que a vida se renova, nada mais que isso. Se a raça humana sobreviverá? É só ler nas entrelinhas da natureza, o planeta passou por muitas mudanças durante eras, mas a vida nunca se extinguiu, nem na época de Noé... e até o sol esfriar, muita coisa acontecerá em termos de desenvolvimento tecnológico e humano. A pista? Está lá na Bíblia: um novo céu e uma nova terra.

terça-feira, março 31, 2009

O viver melhor ou o bem viver?

Na ideologia dominante, todo mundo quer viver melhor e desfrutar de uma melhor qualidade de vida. Comumente associa esta qualidade de vida ao Produto Interno Bruto (PIB) de cada pais. O PIB representa todas as riquezas materiais que um país produz. Se este é o critério, então os países melhor colocados são os Estados Unidos, seguidos do Japão, Alemanha, Suécia e outros. Este PIB é uma medida inventada pelo capitalismo para estimular a produção crescente de bens materiais a serem consumidos.

Nos últimos anos, dado o crescimento da pobreza e da urbanização favelizada do mundo e até por um senso de decência, a ONU introduziu a categoria IDH, o "Índice de Desenvolvimento Humano". Nele se elencam valores intangíveis como saúde, educação, igualdade social, cuidado para com a natureza, equidade de gênero e outros. Enriqueceu o sentido de "qualidade de vida" que era entendido de forma muito materialista: goza de boa qualidade de vida quem mais e melhor consome.
Consoante o IDH a pequena Cuba apresenta-se melhor situada que os EUA, embora com um PIB comparativamente ínfimo.

Acima de todos os países está o Butão, espremido entre a China e Índia aos pés do Himalaia, muito pobre materialmente mas que estatuiu oficialmente o "Índice de Felicidade Interna Bruta". Este não é medido por critérios quantitativos mas qualitativos, como boa governança das autoridades, eqüitativa distribuição dos excedentes da agricultura de subsistência, da extração vegetal e da venda de energia para a Índia, boa saúde e educação e especialmente bom nível de cooperação de todos para garantir a paz social.

Nas tradições indígenas de Abya Yala, nome para o nosso Continente indioamericano ao invés de "viver melhor" se fala em "bem viver". Esta categoria entrou nas constituições da Bolívia e do Equador como o objetivo social a ser perseguido pelo Estado e por toda a sociedade.

O "viver melhor" supõe uma ética do progresso ilimitado e nos incita a uma competição com os outros para criar mais e mais condições para "viver melhor". Entretanto para que alguns pudessem "viver melhor" milhões e milhões têm e tiveram que "viver mal". É a contradição capitalista.

Contrariamente, o "bem viver" visa a uma ética da suficiência para toda a comunidade e não apenas para o indivíduo. O "bem viver" supõe uma visão holística e integradora do ser humano inserido na grande comunidade terrenal que inclui além do ser humano, o ar, a água, os solos, as montanhas, as árvores e os animais; é estar em profunda comunhão com a Pacha Mama (Terra), com as energias do universo e com Deus.

A preocupação central não é acumular. De mais a mais, a Mãe Terra nos fornece tudo que precisamos. Nosso trabalho supre o que ele não nos pode dar ou a ajudamos a produzir o suficiente e decente para todos, também para os animais e as plantas. "Bem viver" é estar em permanente harmonia com o todo, celebrando os ritos sagrados que continuamente renovam a conexão cósmica e com Deus.

O "bem viver" nos convida a não consumir mais do que o ecossistema pode suportar, a evitar a produção de resíduos que não podemos absorver com segurança e nos incita a reutilizar e reciclar tudo o que tivermos usado. Será um consumo reciclável e frugal. Então não haverá escassez.

Nesta época de busca de novos caminhos para a humanidade a idéia do "bem viver" tem muito a nos ensinar.

Leonardo Boff

* Teólogo, filósofo e escritor

segunda-feira, março 30, 2009

Voar!

"Não me deem fórmulas certas,

porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim,

porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou,

não me convidem a ser igual,

porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade,

não sei viver de mentiras,

não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma,

mas com certeza não serei

a mesma pra sempre!

Gosto dos venenos mais lentos,

das bebidas mais amargas,

das drogas mais poderosas,

das ideias mais insanas,

dos pensamentos mais complexos,

dos sentimentos mais fortes.

Tenho um apetite voraz

E os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco

que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!".



CLARICE LISPECTOR