domingo, agosto 31, 2008

O poder da palavra

Quem nunca disse algo que magoou ou ofendeu alguém? Fez um elogio ou agradeceu por um momento de atenção? Convenceu alguém a fazer o que era mais sensato? Declarou o seu amor a alguém?

Criticou!Aconselhou! Dissuadiu! Insistiu! Brigou! Xingou!

Constantemente vivenciamos momentos em que as palavras são fundamentais, necessárias, decisivas ou essenciais, para se resolver situações, buscar soluções, encontrar caminhos, esclarecer, perdoar. Até em um momento íntimo, na hora do prazer, saber se expressar faz grande diferença!

Mesmo assim, o seu interlocutor, as profere sem a devida preocupação com os efeitos colaterais que elas podem provocar sem uma responsabilidade mínima necessária às suas conseqüências. O orador leviano, não mede os resultados do seu discurso, não percebe que até mesmo quem o pronuncia, corre o risco de se enredar nele.

Escrita ou falada, a palavra, tal como um 'pharmakon'- droga, em grego - tem efeito dúbio, caso não seja devidamente usada, pode causar um efeito contrário ao esperado.

Gosto de escrever e cultivo este hábito de várias maneiras, uma delas é através de meus blogs. Faço de meu diário virtual uma ferramenta bastante útil para compartilhar emoções e idéias. Porém, sinto cada vez mais o peso da responsabilidade, ao publicar uma mensagem. E depois, ao ler os comentários deixados pelas pessoas este sentimento se multiplica, pois os recadinhos deixados lá são alegres, carinhosos e estimulantes. Um deles me emocionou particularmente, dizia assim: "Através de pessoas como você é que busco um mundo melhor".

Considero-me uma pessoa privilegiada, pois no meio em que trabalho é bastante respeitada a minha postura ética. Valorizo muito tal sentimento e sei que a maneira como as pessoas me vêem tem muito a ver com o que falo, o modo como me expresso.Pois as palavras exprimem o que temos dentro do coração, o que sentimos, os valores que carregamos.

Por isso, deve-se sempre avaliar em quais situações é melhor falar ou calar, para que não haja arrependimentos futuros. Como diz aquele provérbio chinês: "Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida". É isso!

segunda-feira, agosto 25, 2008

Para rir um pouco

Einstein foi a uma festa e não conhecia ninguém. Logo foi tentando se misturar aos convidados:
- Oi, como vai? Perguntou ele.
- Vou bem!
- Qual o seu Q.I.?
- Duzentos e cinqüenta.
Então, logo começou a conversar sobre física quântica, teoria da relatividade, bombas de hidrogênio, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Qual seu Q.I?
- Cento e cinqüenta.
Então, novamente começou a conversar, só que desta vez sobre política, desigualdade social, reforma agrária, etc.
Andou mais um pouco e encontrou a terceira pessoa:
- Oi, como vai? Perguntou ele.
- Tudo bem!
- Qual o seu Q.I?
- Cem.
Então começou a conversar sobre desemprego, aumento dos combustíveis, Bin Laden, etc. Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Como está, tudo bem?
- Tudo ótimo!
- Qual é o seu Q.I.?
- Cinqüenta.
Então começou a falar sobre a Casa dos Artistas, Big Brother, Adriane Galisteu, Luciana Gimenez, Roseana Sarney, Jader Barbalho, etc.
Deu mais uma volta, encontrou outra pessoa e perguntou:
- Qual o seu Q.I?
- Dez.
- E aí mano, beleza? E o Coringão?

A.D.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Duas luas em agosto

Marque em sua agenda, pois deverá ser muito interessante!!


Duas 'luas' em agosto:

Duas 'Luas' no dia 27 de Agosto. O Mundo está aguardando.

O Planeta Marte será o mais brilhante no início da noite. Parecerá tão grande quanto a Lua cheia. Este fenômeno acontecerá no dia 27 de Agosto quando o planeta Marte ficar a 34.65 milhões de milhas da Terra.

Olhe o céu no dia 27 de Agosto, à 00h30minam (meia noite e trinta). Parecerá que a Terra tem duas luas.

A próxima vez que ele ficará tão perto da Terra será em 2287. Partilhe com seus amigos, pois NINGUÉM VIVO HOJE voltará a vê-lo.

terça-feira, agosto 05, 2008

Sobre a Teoria Sistêmica

“O essencial é simples” Bert Hellinger

Por que não sou feliz? Por que não tenho o relacionamento que desejo? Por que repito os erros de sempre? Essas perguntas fazem parte da nossa busca interior: ser plenamente feliz.
O amor é sempre o pano de fundo das nossas ações, buscas ou conflitos. Desatar os nós deixá-los fluir é o caminho para que possamos resolver nossos conflitos.
Segundo Bert Hellinger são três as necessidades básicas em nossos relacionamentos: a necessidade de equilíbrio entre dar e receber, a necessidade de pertencer, a necessidade de hierarquia dentro do sistema. Para solucionar nossos conflitos é necessário reconhecermos e respeitarmos essas necessidades. E, o amor é o caminho. É ele que nos leva a sentir que estamos no lugar certo.
Quando não ocupamos o nosso lugar, a hierarquia se desestabiliza e os conflitos se expõem. Na família, na escola ou no trabalho cada um deve assumir o seu papel e desenvolver o que lhe pertence. Assim, a energia do amor se restabelece e os conflitos se extinguem.

Constelação Familiar

Terapia desenvolvida por Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão que trabalha as energias que envolvem os sistemas familiares. Essa terapia destina-se a pessoas que desejam trabalhar suas relações familiares e profissionais: conflitos, angustias, ansiedades, perdas, entre outros. A Terapia Sistêmica Fenomenológica cuida de desfazer os emaranhados que envolvem as pessoas no sistema energético de suas relações. Na Constelação, os fatos ocultos, sentimentos conflitantes, são aflorados juntamente com seus reflexos negativos, na vida e na saúde das pessoas. Revelando os bloqueios que causam angústias e felicidades, pode-se trabalhar essas emoções e encontrar soluções para se libertar dos problemas.

Gizelda Bassi
Agosto/2008

terça-feira, julho 29, 2008

A visão do belo

O homem é o único ser vivo capaz de experimentar
emoções estéticas e apreciar o belo e as coisas belas sem
qualquer finalidade utilitária, apenas para
se deleitar e contentar.Será que podemos definir
claramente o que é beleza, ou será que esse conceito é
relativo, que vai depender da época, do país, das pessoas,
enfim? Em outros termos a beleza é um valor objetivo,
que pertence ao objeto e pode ser medido; ou
subjetivo, que pertence ao sujeito e que, portanto, poderá
mudar de indivíduo para indivíduo?
Outubro 2001

Nada se faz sem paixão

O homem não é apenas um animal racional,mas
também um ser emocional. À medida que ele estabelece
relação com a natureza e com os outros homens, ele
desenvolve emoções e sentimentos, isto é, reage afetivamente
aos acontecimentos.A razão é importante por
fornecer ao homem os meios para comprender a realidade,
solucionar problemas. Mas o impulso, a energia, a vibração
vem da emoção. Enquanto os atos da razão são
resultados da vontade, os sentimentos afetam o homem
independente de seu consentimento.
Outubro,2001

quinta-feira, julho 03, 2008

Juventude eterna

(Texto de Martha Medeiros)

Essa história que eu vou contar agora aconteceu com uma mulher inteligente
que estava fazendo uma palestra.
Diz ela:
'Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher.
Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as
raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui
questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível. ..
A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.
Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo
minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da
mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho?
Onde é que nós estamos?'
Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado
'juventude eterna'.
Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas
cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas
mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se mudança.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da
hora.
A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos
comportamentos, é ter disposição para guinadas.
Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa?
Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda
para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia
guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida
mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.
Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou
passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra, cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão
bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.
Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito,
os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada
na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal
juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião
a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe
plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a
gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...
--
'Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para voltar sempre inteira.'
Cecília Meireles

quarta-feira, junho 25, 2008

Pedro Casaldáliga

Dom Pedro Casaldáliga é um bispo católico, catalão, nascido no dia dezesseis de fevereiro de mil novecentos e vinte e oito. Aos 15 anos ingressou na Congregação Claretiana, sendo sagrado sacerdote em Montjuïc, Barcelona, no dia 31 de maio de 1952. Em 1968, mudou-se para o Brasil.O Papa Paulo VI nomeou-o bispo prelado de São Félix do Araguaia, MT, no dia 27 de agosto de 1971. Adepto da teologia da libertação foi muito criticado pelos setores tradicionais da Igreja, que consideram essa corrente teológica, baseada no Marxismo, uma traição aos conceitos básicos da fé, da liturgia e do catolicismo. É poeta, autor de várias obras.Dom Pedro já foi alvo de inúmeras ameaças de morte. Em 12 de outubro de 1976, foi avisado que duas mulheres estavam sendo torturadas na delegacia da cidade. Imediatamente dirigiu-se para lá em companhia do padre jesuíta João Bosco Penido Burnier. Após discutir com os policiais, o padre Burnier foi agredido e alvejado com um tiro na nuca. Após a missa de sétimo dia, houve uma procissão até a porta da delegacia, o imóvel foi destruído e os presos libertados. No local foi construída uma igreja.Durante a ditadura militar, foi alvo de cinco processos de expulsão do Brasil. Em sua defesa, veio o arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, impedindo que tal arbitrariedade acontecesse.
Las Siete Palabras - Pedro CASALDÁLIGA
I. «Padre, perdónalos porque no saben lo que hacen»
Sabiendo o no sabiendo lo que hacemos,
sabemos que nos amas,
porque ya hemos visto tus maneras
en los ojos y en la boca de tu Hijo Jesús.
Ya no eres más para nosotros el Dios terrible.
¡Sabemos que eres Amor!
Sabemos que no sabes castigar...
Tú eres un Dios vencido en la ternura.
Tú esperas siempre, Padre, y acoges y restauras la vida
hasta de los asesinos de tu Hijo
(que somos todos nosotros).
¡Perdónalos! ¡Perdónanos!
Atiende este pedido de tu Hijo en la cruz,
prueba mayor de tu amor de Padre.
¡Y acógenos, oh Padre, oh Madre, oh cuna, oh casa
de cuantos retornamos buscando tu abrazo!
II. «En verdad te digo: hoy mismo estarás conmigo en el Paraíso»
Tu corazón sin puertas, siempre abierto,
¡qué fácil es robarte el Paraíso!
Bandidos todos nosotros,
depredadores
del Cosmos y de la Vida,
sólo podemos salvarnos
asaltándote, Cristo,
en nuestro «hoy» diario-
esa Misericordia que chorrea en tu sangre...

Tu blando silbo de Buen Pastor nos llama.
Tu corazón reclama, impaciente,
a todos los marginados,
a todos los prohibidos.
Tú nos conoces bien, y nos consientes,
hermano de cruz y cómplice de sueños,
compañero de todos los caminos,
¡Tú eres el Camino y la Llegada!
III. «Todo está consumado»
De Tu parte, ¡sí!
De nuestra parte,
nos falta aún ese largo día a día
de cada historia humana,
de toda la Humana Historia.

Tú ya lo has hecho todo, ¡Rey y Reino!
Todo está por hacer, a la luz del Reino,
en esta noche que nos cerca
(de lucro y de egoísmo,
de miedo y de mentira,
de odios y de guerras).

El Padre te dio un Cuerpo de servicio
y Tú has rendido el ciento, el infinito.
Todo está consumado,
en el Perdón y en la Gloria.
Todo puede ser Gracia, en la lucha y en el camino.

Ya has sido el Camino, Compañero.
Y eres, por fin, ¡la Llegada!
En tu Cruz se anulan
el poder del Pecado
y la sentencia de la Muerte.
Todo canta Esperanza...

Bibliografia
CASALDÁLIGA, Pedro. Sonetos neo-bíblicos, precisamente. Musa Editora, 1996.
CASALDÁLIGA, Pedro. Espiritualidade da libertação. Petrópolis: Vozes.
CASALDÁLIGA, Pedro; BARREDO, Cerezo. Murais da libertação. São Paulo: Loyola, 2005.
CASALDÁLIGA, Pedro; TIERRA, Pedro. Ameríndia, morte e vida. Petrópolis: Vozes, 2000.
CASALDÁLIGA, Pedro; TIERRA, Pedro. Orações da caminhada. Verus Editora, 2005.



Dom Pedro Casaldáliga, santo e herói
por Frei Betto
O Brasil é um país de santos e heróis, embora poucos alcancem reconhecimento público. Talvez seja efeito de nossa baixa auto-estima. Durante séculos, de costas para a América Latina, miramos no espelho dos brancos europeus e norte-americanos. O que víamos não era o nosso rosto indígena, negro, mestiço. Era a imagem paradigmática do colonizador a nos convencer de que somos atrasados, feios, improdutivos e inferiores. Abrigamos no Brasil o mais longo período de escravidão das três Américas – 358 anos – e ainda culminamos o processo da abolição com a exclusão dos negros libertos do direito de acesso a terra, entregue aos colonos europeus que aqui aportaram. Os povos indígenas, calculados numa população de cinco milhões no século XVI e, hoje, reduzidos a 700.000, foram massacrados, contaminados pelas doenças dos brancos, pela cachaça dos brancos, pela voracidade mercantil, pela ambição de minérios e madeiras dos brancos.
Restrita a nação ao convés da primeira classe, perdemos de vista nossos santos e heróis, embora proliferem entre nós tantos artistas, atletas, intelectuais, e também inventores como Santos Dumont. Não tão conhecido como mereceria, há no Brasil um santo e herói: Pedro María Casaldáliga. Santo por sua fidelidade radical (no sentido etimológico de ir às raízes) ao Evangelho, e herói pelos riscos de vida enfrentados e as adversidades sofridas. Adotou como divisa princípios que haveriam de nortear literalmente sua atividade pastoral: “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar”. No dedo, como insígnia episcopal, um anel de tucum, que se tornou símbolo da espiritualidade dos adeptos da Teologia da Libertação. São Félix é um município de Mato Grosso, situado em frente à ilha do Bananal. Na década de 1970, a ditadura militar (1964-1985) ampliou a ferro e fogo as fronteiras agropecuárias do Brasil, devastando parte da Amazônia e atraindo para ali empresas latifundiárias empenhadas em derrubar árvores para abrir pastos ao rebanho bovino. Casaldáliga, pastor de um povo sem rumo e ameaçado pelo trabalho escravo, tomou-lhe a defesa, entrando em choque com os grandes fazendeiros; as empresas agropecuárias, mineradoras e madeireiras; os políticos que, em troca de apoio financeiro e votos, acobertam a degradação do meio ambiente e legalizam a dilatação fundiária sem exigir respeito às leis trabalhistas. Dom Pedro tem sido alvo de inúmeras ameaças de morte. A mais grave em 1976, em Ribeirão Bonito, no dia 12 de outubro – festa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Ao chegar àquela localidade em companhia do missionário e indigenista jesuíta João Bosco Penido Burnier, souberam que na delegacia duas mulheres estavam sendo torturadas. Foram até lá e travaram forte discussão com os policiais militares. Quando o padre Burnier ameaçou denunciar às autoridades o que ali ocorria, um dos soldados esbofeteou-o, deu-lhe uma coronhada e, em seguida, um tiro na nuca. Nove dias depois, o povo invadiu a delegacia, soltou os presos, quebrou tudo, derrubou as paredes e pôs fogo. No local, ergue-se hoje uma igreja.
Casaldáliga amplia sua irradiação apostólica através de intensa atividade literária. Poeta renomado traz a alma sintonizada com as grandes conquistas populares na Pátria Grande latino-americana. Ergue sua pena e sua voz em protestos contra o FMI, a ingerência da Casa Branca nos países do continente, a defesa da Revolução Cubana e, anos atrás, em solidariedade à Revolução Sandinista ou para denunciar os crimes dos militares de El Salvador e da Guatemala.
Dom Pedro Casaldáliga admite que a sabedoria popular tenha sido a sua grande mestra. Indagou a um posseiro o que ele esperava para seus filhos. O homem respondeu: “Quero apenas o mais ou menos para todos”. Pedro guardou a lição, lutando por um mundo em que todos tenham direito ao “mais ou menos”. Em setembro de 1985 viajei a Cuba com os irmãos e teólogos Leonardo e Clodovis Boff. Falamos com Fidel que dom Pedro se encontrava em Manágua, participando da Jornada pela Paz, e o líder cubano insistiu para que o trouxéssemos a Havana. Tão logo desembarcou na capital de Cuba, a 11 de setembro, o bispo foi conduzido diretamente ao gabinete de Fidel. Este se mostrava interessado na literatura sobre a Teologia da Libertação. Dom Pedro observou com a sua fina ironia:
– Para a direita é preferível ter o papa contra a Teologia da Libertação do que Fidel a favor.
Em 2003, ao completar 75 anos, Casaldáliga apresentou seu pedido de renúncia à prelazia, como exige o Vaticano de todos os bispos, exceto ao de Roma, o papa. Só agora, em 2005, o Vaticano nomeou-lhe um sucessor. Antes, porém, enviou-lhe um bispo que, em nome de Roma, pediu que ele se afastasse da prelazia, de modo a não constranger o novo prelado. Dom Pedro não gostou do apelo e, coerente com o seu esforço de tornar mais democrático e transparente o processo de escolha de bispos, recusou-se a atendê-lo. O novo bispo, frei Leonardo Ulrich Steiner, pôs fim ao impasse ao declarar que dom Pedro é bem-vindo.

Missa dos Quilombos
O musical "Missa dos Quilombos", foi escrito por Milton Nascimento em parceria com Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga, em 1981.
Embora o formato da cerimônia seja realmente respeitado, o musical apresenta, no lugar da pregação religiosa, discursos sociais, principalmente sobre trabalho escravo. Não se fala somente do trabalho escravo negro, da época do Brasil Colônia e do Império. Fala-se sobre a escravidão que existe até hoje, em diversas partes do mundo."

Labirinto

A adolescência é uma fase de rápidas mudanças
biológicas, representando, em nível de desenvolvimento
psicológico, uma experiência de novas posturas e
comportamentos. Nessa fase ocorrem a separação e a individuação
do adolescente em relação à família. Nesse
movimento, a influência do grupo e a “modelagem”, isto é, a
imitação de determinados comportamento a partir de um
ídolo que é em geral o líder do grupo torna-se
especialmente importantes. Comportamentos de risco fazem
parte do processo e esses comportamentos vêm associados
a sentimentos de grandiosidade e onipotência,
freqüentemente acompanhados também de negação do potencial de
morte inerente a esses comportamentos. Portanto,
nesse contexto, temos um campo propício para o
desenvolvimento de comportamentos de risco, entre eles, o uso
abusivo do álcool. O início do uso do álcool se desenvolve
geralmente em grupos e a manutenção dele depende de quanto
mais intensa for a interação do grupo. Alguns utilizam
o álcool e as drogas inicialmente para recreação e
acabam por não desenvolver outras formas saudáveis de
recreação. Os adolescentes que tiveram prejuízos de sua
capacidades cognitivas, pelo uso excessivo do álcool, possuem
estratégias empobrecidas para lidar com os fatores
estressantes que aparecem na vida diária. Pergunta-se então,
por que o álcool é tão sedutor? Ele regula a
ansiedade tem efeito sedativo, provoca prazer, euforia e
torpor. E, devido às sensações provocadas, vai se tornando
mais freqüente e tudo é uma desculpa para o mesmo.

domingo, maio 11, 2008

No Trânsito

Somos atualmente seres motorizados. Disto não há dúvida. As rodas

praticamente substituíram nossos pés. Mas, esse achado benfazejo do

automóvel também nos trouxe uma conseqüência: a de ficarmos confinados

dentro desses invólucros de aço, dessas maravilhas mecânicas e tecnológicas

que usamos para nos locomover.

Gosto de observar o que acontece dentro dos carros, e de imaginar o que não é

possível ver. Isto me serve, pelo menos, para atenuar a chateação que podem

trazer os cada vez maiores e inevitáveis engarrafamentos.

Eis o inusitado: um menino, certamente trazido da escola pela mãe, tem na mão

um aviãozinho de papel. Seu bracinho descreve aquelas curvas no céu do sonho

com o combustível da imaginação. O menino está preso no carro, mas sua alma

com certeza voa pelo espaço, livre da lentidão do trânsito.

A bela moça, sozinha ao volante, lança olhares ao seu dileto amigo de todas as

manhãs, cúmplice de sua vaidade: o espelho retrovisor. Ajeita o cabelo, examina

a boca pintada com esmero, confere, sem dúvida, se está suficientemente bela

para mais um dia da eterna, gostosa e necessária batalha pela sedução.

Aquele engravatado se arrisca, pois, enquanto cuida das pequenas arrancadas

no pára-e-anda do trânsito lento, lê um jornal. Imagino que estará conferindo a

queda ou elevação da bolsa de valores, ou buscando, nesta e naquela página,

viradas com rapidez, alguma notícia política que vá interferir com seus negócios,

que podem já não estar indo lá muito bem.

O fumante inveterado mantém o vidro do automóvel abaixado. Prefere o risco do

assalto a sentir-se sufocado pela fumaça produzida pela própria insensatez do

vício, prazeroso mas miserável, difícil de vencer, que lhe oferece um pouco de

prazer e uma válvula de escape de suas preocupações.

O jovem de óculos escuros segue o padrão dos motoristas insensatos: a

despeito do trânsito engarrafado, tenta ser mais rápido e esperto que todo

mundo, e enfia o carro por aqui e por ali, provocando a raiva daqueles que fecha

e quase amassa com seu carro de motor possante, mas impotente nesta

lentidão inevitável do trânsito.

Carro novíssimo, recém-adquirido, sem dúvida, a mocinha morena trai, nos

gestos e na forma como conduz o automóvel, sua insegurança de motorista

novata. Seus olhos negros revelam como está assustada; as mãos crispadas

parecem querer arrancar o volante do lugar. E lá se vai, aos solavancos,

deixando o carro morrer, uma ou duas vezes, e vivenciando um sofrimento que

não tinha ao andar de ônibus, embora não tivesse também a comodidade e

sobretudo o status de agora.

O velho motorista de taxi é a própria imagem do enfado. Gordo, tem o aspecto

dos que jamais se exercitaram. Parece que foi construído ali mesmo onde está,

com a imensa barriga anatomicamente encaixada sob o volante, no qual pousa

uma única mão que gira com destreza aquela roda, que na verdade parece a

roda da sua vida. Parece indiferente a tudo; aparenta ter vivido tudo naquele

pequeno universo do seu carro, no qual viveu também, de certo modo, os

dramas e alegrias, sofreu grosserias, mereceu gentilezas ou ganhou também a

indiferença dos milhares de passageiros que transportou.

Outros, muitos outros, motoristas merecem observação: o do ônibus, cortês ou

ensandecido em relação aos motoristas dos automóveis; o da ambulância, do

carro de bombeiros ou de polícia, que furam o engarrafamento, fazendo

manobras incríveis, quase inimagináveis, verdadeiros milagres de direção

arriscada, mas necessária, com a ajuda decisiva de suas sirenes para abrir

caminho.

As vans são um caso à parte. Elas revivem, quase todas, o tempo dos lotações

– a mesma maluquice, a mesma irresponsabilidade ziguezagueante. Dentro

delas, passageiros quase sempre sobressaltados, mas que geralmente não têm

escolha, seja pelo preço mais barato, seja pela quase certeza de chegar mais

cedo, ao trabalho, ou de volta a casa, sobrando um tempinho a mais para uns

beijos nos filhos, um carinho na esposa ou no esposo, ou mesmo para não

perder de todo o capítulo da novela...

A preocupação com a segurança e com a privacidade trouxe as películas que

agora cobrem cada vez mais os vidros, dificultando essa observação por parte

da gente. Mas ali dentro, nesse micro-universo preservado, continuam a viver

pessoas que se movem com seus automóveis, que ouvem rádio, se distraindo

com músicas, ou se preocupando com as notícias. Elas, ironicamente, se

certificam, por noticiários especializados, que o trânsito está cada vez pior, que

esses nossos invólucros de aço e conforto estão cada vez mais lentos, cada vez

mais presos nessas procissões automobilísticas que se arrastam pelas ruas.

Êpa! Eu me distraí com estas reflexões e os impacientes atrás de mim já

buzinam, caro leitor.

Vamos em frente!

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J. Carino é professor universitário aposentado, consultor e escritor, sendo autor

de “Olhando a Cidade & Outros Olhares” (UniverCidade Editora, 2004), livro de

crônicas sobre os bairros do Rio de Janeiro, com apresentação de Ruy Castro.

Para conhecer mais sobre o autor visite a sua página www.jcarino.com.br

sábado, maio 10, 2008

A arte ontem e hoje sob a ótica filosófica

Friedrish Schiller foi um grande autor de peças teatrais que o tornaram, ao lado

de Henrik Ibsen, um referência do pré-romantismo alemão. Os dois dramaturgos

criaram um movimento em seu país chamado "Sturm Und Drang" que se

predispunha a elevar a arte como elemento consolidador de duas naturezas

humanas – o racional e o sensível. Schiller defendia a arte como forma de

educação de pessoas que, por determinado motivo, não possui em sua

personalidade um destes elementos. Segundo ele, o homem racional só pode

se tornar sensível quando observa o belo, ou seja, quando se torna "estético".

Baseado neste conceito, o filósofo Nietzsche aborda em seu livro "Natureza da

Tragédia" o nascimento do teatro dionisíaco na Grécia do Séc. VI a.C. e

defende a tese de que o movimento teatral surgiu da necessidade humana de

formalizar a arte através do ritual de convenções expostas no espelho teatral e

da necessidade de extravasar este mesmo formalismo através da embriagues

dionisíaca dos cultos teatrais arcaicos.

Nietzsche confrontou Kant quando este último criou a teoria do desinteresse das

obras de arte. Para Kant, a arte não pode sofrer julgamentos, pois não possui

"propósito prático". Já o filósofo Stendhal chamou o belo de "Promessa de

Felicidade", o que foi defendido por Nietzsche para a crítica e degustação da

arte.

Antes de Aristóteles, o autor de "Poética", Platão já indagava o verdadeiro valor

das obras de arte e se indagava constantemente: "Para quê pintar uvas tão

perfeitas se elas já existem no mundo real"? De certo modo o filósofo

menosprezava as obras de arte por entender que derivam da necessidade de

copiar e expor conflitos para obter audiência do público.

Não cabe a nós entender Kant, tampouco duvidar de sua retórica, mas não seria

necessidade orgânica de um artista expor sua obra a fim de conquistar o

reconhecimento do público? Esse reconhecimento não advém da

verossimilhança de sua arte em relação à natureza? Como denotar genialidade

e brilhantismo de um artista senão desta forma? Talvez os grandes surrealistas

tenham a resposta. Com a passagem dos tempos, Pablo Picasso e outros

puderam reinventar a realidade divina com a reprodução de imagens subjetivas

que denotavam o ponto de vista de um único homem. Seria essa a fórmula da

obra prima? Abraço Nietzsche quando, em defesa ao trabalho do artista, afirma

que a verdade da obra de arte reside no fato de ser ilusória e subjetiva.

Todos temos uma verdade sobre o mundo dentro de nós. Se trabalharmos os

lados racionais e sensíveis, aprendermos as técnicas de uma arte específica

com a fome dos leões, certamente compartilharemos o nosso olhar, isto é,

nossa matéria prima, com os outros irmãos de guerra, tão cegos a vagar por

este mundo de arames farpados.

João Pedro Roriz é escritor.

quinta-feira, abril 03, 2008

Obrigado, Presidente Bush

Eu escrevi a carta abaixo no dia 9 de março de 2003, dez dias antes da invasão do Iraque. É o meu texto mais lido até hoje: publicado nos maiores jornais do planeta, transformado em corrente na internet, foi lido por cerca de 500.000.000 de pessoas.

A guerra agora entra no seu sexto ano: mais de 4.000 soldados americanos perderam a vida, junto com um número indefinido de iraquianos. Segundo a CNN (24/03/2008), “estimativas colocam as mortes entre 80.000 e centenas de millhares, com 2 milhões de pessoas obrigadas a deixar o país, e mais 2,5 milhões em campos de refugiados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas”.

Grande parte das pessoas que cito já desapareceram de cena, mas a guerra continua. Não existe, no momento, nenhuma luz no final do túnel. A seguir, alguns trechos:



Obrigado, grande líder George W. Bush.

Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje.

Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o Senhor foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado.

Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do povo. Por deixar claro que tanto José María Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes.

Obrigado porque sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico".

Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo.

Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque.

Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado.

Obrigado por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia, embora essa idéia seja oposta à sua.

Obrigado porque, sem o Senhor, não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante. Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei".

Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória.

Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não esqueceremos suas palavras.

Obrigado, grande líder George W. Bush.

Muito obrigado.

Paulo Coelho

segunda-feira, março 24, 2008

Gato e Pardal

Era uma vez um pardalzinho que odiava ter de voar par o sul por causa do inverno. Ficava tão apavorado com a idéia de deixar o seu lar, que decidiu adiar a viagem até o último momento possível.Depois de despedir-se carinhosamente de todos os seus amigos pardais que partiam, voltou ao seu ninho e ficou ainda por mais quatro semanas.Finalmente, o tempo tornou-se tão desesperadamente frio, que ele não pode mais adiar.. Quando o pardalzinho partiu e iniciou seu vôo para o Sul, começou a chover. Rapidamente começou a se formar gelo sobre suas asinhas.Quase morto de frio, e exaustão, foi perdendo altura e caiu por terra num pátio de estrebaria. Quando estava exalando o que pensava ser o seu último alento, um cavalo saiu da estrebaria e, virando seu traseiro em sua direção, recobriu o pardalzinho de merda.

A principio, o pardal não podia pensar em outra coisa a não ser que aquele era um modo horrível de morrer, todo cagado.Porém, quando a merda começou a subir e penetrar em suas pernas, passou a aquecê-lo e a vida começou a voltar ao seu corpo.Ele descobriu também que tinha espaço suficiente para respirar. Subitamente, o pardalzinho sentiu-se tão feliz que começou a cantar. Naquele instante, um grande gato entrou na estrebaria e ouvindo o gorjeio do passarinho, começou a remexer o monte de merda para descobrir de onde vinha o som.

O gato finalmente, descobriu a ave e comeu-a.

Esta história tem quatro ensinamentos morais:

1º Nem sempre aquele que caga em cima de você é seu inimigo.

2º Nem sempre aquele que tira você da merda é seu amigo.

3º Desde que você se sinta quente e confortável, mesmo que esteja na merda, conserve o bico fechado

4º Quem está na merda não canta

Oração das Mulheres

Deus,
Eu vos peço...
Sabedoria para entender meu homem,
Amor para perdoá-lo,
Paciência pelos seus atos;
Porque, Deus, se eu pedir força,
Eu bato nele até matá-lo.

quarta-feira, março 19, 2008

Janela d' alma

Em pedra confidente
Com os pés descalços e o coração frio
Falo, me calo e esvazio a mente
Deixo o meu corpo cansado, à margem do rio

Meus olhos caminham pela encosta, à frente...

Montanha abraçada e sufocada pela solidão
Abandonada, em meio a tanto silêncio...lassidão

No alto, os teus olhos recebem os meus com alegria
Eles se agarram e não mais se separam, como mãe à cria

Imensas janelas são abertas, além desse horizonte
Descortinando no infinito, a água cristalina
Na beleza dessa fonte,
Que repousa em tua essência, que me alucina

Crianças brincando em tardes de sol; lembrança distante
Campos soprados por brisa em noites de luar; quanto amor
Chuva fina beijando teu corpo, doce sabor
Flores acariciadas pelo tempo, eterno amante


Em pedra confidente,
Abraçado às tuas lembranças
Adormeci, sonhando...


Juarez Florintino Dias Filho

domingo, março 09, 2008

Mulher

Mulher,

suave aurora,

rosa do rosicler;



Mulher,

fina flor,

belo florescer;



Mulher,

doce fruto

a resplandecer;



Mulher,

meiga mãe

do amanhecer;



Mulher,

toda amor,

luz do ser;



Mulher,

maravilha

do viver;



Mulher,

terna (e)ternamente

vou enaltecer...!


SIDNEY SANCTUS

sexta-feira, março 07, 2008

Será que sou de virgem?

No inicio deste ano comprei uma revista de horóscopo. Poderia justificar tal compra, dizendo que a maturidade está me deixando menos seletiva em termos de leitura. Talvez, mas não se iludam ainda não me tornei uma dogmática, até revista de signos leio com o senso crítico aguçado...
Rogo a todos os deuses do Olimpo que nenhum astrólogo tome conhecimento de minhas palavras, pois serei acusada de heresia astrológica.
Na capa da revista, há destaque para o mês de fevereiro: “mês ideal para contar com a sorte e lucrar. Pois foi exatamente nesse mês que tive o “azar” de perder o emprego e fiquei no maior “prejuízo”. E meu lado racional não perdeu tempo com a minha nova situação, a de penúria: ‘ caiu nessa, sua tonta? ’.
Na mesma capa há outra chamada: “um ano inesquecível no amor”. Bem, três meses já se passaram e eu continuo (des) amada e (des) acompanhada.
Aliás, o fato de continuar desempregada não parece motivar algum ser do sexo masculino, bem empregado e com rendimento certo no final do mês, a se aproximar de mim. De repente, eu peço a ele para compartilhar comigo, além de tórridos momentos na cama, alguns boletos bancários.
Continuo lendo a capa da revista de horóscopo: “momentos de puro prazer em julho e agosto”. Me animo, mas como ainda estamos em março, vou ter que esperar para ver se acontece mesmo.
“Previsões astrológicas quinzenais”... bem, está na hora de abrir a revista.
Na primeira página algumas características do jeito de ser dos nascidos sob o signo de virgem. Leio atentamente, analiso em quais delas me encaixo. Quero ter certeza de que sou uma virginiana de primeira linha.
“Sempre alerta! Está sempre atenta a tudo”. Eu sou assim. Ponto para mim!
“Olhos críticos, sempre abertos a cada detalhe”. Confesso, eu confesso! , sou insuportavelmente crítica. Bingo!
‘“Capacidade de análise muito grande”. Até tenho, mas às vezes, fico com preguiça de pensar e deixo a caravana seguir, sem ir atrás, claro. Meio ponto para mim!
“Sua língua parece uma lâmina de tão afiada”. Essa sou eu! E eu amo esse meu jeito de ser – virginiana porreta -, será por isso que minha mãe fica tão zangada quando discutimos? Sou dura na queda quando discuto com alguém. E, raramente a pessoa percebe que para me vencer é só não bater de frente comigo. Um belo sorriso me neutraliza mais rápido ainda. Olha eu dando ponto para o inimigo.
“Gosta de tudo organizadinho”. Até gosto, mas no meio da minha organização muita coisa está só aparentemente no lugar. Alguma desordem me dá a sensação de democracia. Alguém me entende?
“Arrogante, chata e exigente”. Será? Exigente costumo ser comigo mesma, eu me cobro muito. Sob esse aspecto me trato muito mal.
E o que é ser chato afinal? Alguém tem uma definição virginiana para isso?
Não suporto pessoas medíocres e fracas, que não sabem lutar e que não são capazes de carregar suas bandeiras. Detesto pessoas que se acomodam em um rebanho, qualquer um. Isso é ser arrogante?
“Consegue ser alegre e dar muito carinho às pessoas amadas”. Não sou alegre com todo mundo. Algumas pessoas conseguem mesmo me deixar de mau humor. Porém, a maioria me inspira – as que eu amo – me faz rir e querer dar o que eu tenho de melhor.
Sou carinhosa ao extremo: adoro abraço, beijo, toque. Adoro conversar e alisar.
“Vive observando tudo”. Nem tudo atualmente, pois às vezes, esqueço de colocar os óculos, aí já não dá para ver tudo. Mas, meu olhar continua afiado.
“Versátil, pé no chão, cautelosa, precavida”. Sei não, não me acho versátil, sou uma negação para muita coisa. Nem sei cozinhar!
Pé no chão, cem por cento não, pois vivo com a minha cabeça na lua, e o resto do corpo faz um esforço danado para se equilibrar nesse espaço.
Cautelosa sim, precavida não. Quantos pontos será que perdi agora?
Fertilidade e tradição. Sou aquela plantinha que nasceu, cresceu, mas não deu frutos. Quando eu me for dessa existência, nada de mim terá continuidade.
Tradição? Gosto da palavra.
Viro a página da revista: Amor e sexo. “Dificuldade para expressar seus sentimentos, reservada e inibida”. Mas essa não sou eu mesmo!
“Tem medo de fracassar, quer sempre que tudo saia certinho”. Pessoas normais sentem isso, eu acho.
“Dificilmente toma a iniciativa de se aproximar”. Bom, eu adoro um flerte, joguinhos e ‘acessórios’ amorosos. Gosto de sentir que estou sendo envolvida, até o momento que não consigo mais sair da teia. Bem, pouco virginiano, com certeza. Será que já estou com pontos negativos?
“Namoros tradicionais, sem ousadia”. Namorar tornou-se automaticamente algo tradicional, numa época em que se “fica” e se beija na boca até estranhos.
Ousadia? Eu seria ousada demais se tivesse que explicar...
Já estou começando a achar que sou uma virginiana sem pedigree.
Já estou quase no final da página dois: “quando se apaixona de verdade é capaz de tudo para agradar o par”. Confesso que me esforço, dou tudo de mim, é que às vezes o tiro sai pela culatra. Aí, fico pensando “poxa, ele não entendeu nada”.
“Quando a pessoa amada não age como você espera”. Esse deve ser o pior dos meus defeitos: não falar, não pedir, criar expectativas e depois, me decepcionar. Ufa! Estou virginiana de novo.
No casamento... como não me casei, sem comentários.
No sexo: “você se entrega com muita energia e sensualidade, mas sem ousadia, pois sua mania de organização...” Pera aí, organização nesses momentos não dá... deixei de ser virginiana de novo.
Viro a folha da revista, página três.
Trabalho e dinheiro... Sem comentários.

sábado, março 01, 2008

Emergência



Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada, esse ar que entra por ela.
Por isso, é que os poemas têm ritmo
- Para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Do meu amado Mário Quintana

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

As mensagens que me envia

Para Gustavo

Gosto muito das mensagens que me envia. As palavras causam efeitos às minhas emoções. Às vezes me enchem de esperança, me fazem sonhar, me deixam com coragem de ir em frente em sonhos que eu imaginava que seriam só sonhos, me deixam menos só, fico corajosa, ascendem meus desejos, ouso até sonhar que o meu amor virá até mim.
Mas tais efeitos não duram para sempre. As mensagens se desvanecem, somem no ar, minha memória as deleta. Então, a minha realidade, tão concreta se mostra novamente. Pode ser também porque, como ser humano, não vivo só de palavras, às vezes a matéria precisa de coisas mais palpáveis: do toque, do abraço, do afago.
Porém, tal como um pharmakon - droga, em grego - alguma coisa fica, algum efeito permanece: a esperança talvez, um pouco de coragem, a fé que o amor é mais forte do que qualquer outra coisa, que a razão às vezes deve prevalecer, mas, acima de tudo que não estamos sós em momento algum.
Por isso, as palavras devem ser ditas com a certeza de que passamos a alguém muito mais do que sílabas tônicas ou átonas, verbos ou pronomes. Elas possuem a energia criadora, são capazes de transformar, unir, tocar a alma, de quem as lê ou ouve.
E, felizes aqueles que possuem a sensibilidade para ler as entrelinhas, pois a leitura de uma mensagem vai além do que as palavras estão dizendo. Há também de se pensar o que o destinatário da mensagem quis nos dizer ao nos enviá-la: “era isso o que eu lhe diria”, “para lhe ajudar”, “para cessar a sangria da sua alma”, “para aquietar suas angústias”, “para que o dia de hoje seja mais feliz”.
Mas no fundo, bem no fundo, a gente quando envia uma mensagem para alguém, quer dizer para o destinatário simplesmente: “gosto de você, fique bem”.
Por isso, leio sempre as mensagens que me envia, com os olhos do coração.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Na loja de flores

A mulher caminhava por um centro comercial quando reparou no cartaz: uma nova loja de flores. Ao entrar, levou um susto; não viu nenhum vaso, nenhum arranjo, mas era Deus, em pessoa, que estava atenden­do no balcão.
- Pode pedir o que quiser - disse Deus.
- Quero ser feliz. Quero paz, dinheiro, capacidade de ser compreendida. Quero ir para o céu quando morrer. E quero que tudo isto seja também concedido aos meus amigos.
Deus abriu alguns potes que estavam na prateleira atrás dele, tirou vários grãos de dentro, e estendeu para a mulher.
- Aí estão as sementes - disse. – Comece a plantá-las, porque aqui nós não vendemos os frutos.

Paulo Coelho