quarta-feira, junho 25, 2008

Pedro Casaldáliga

Dom Pedro Casaldáliga é um bispo católico, catalão, nascido no dia dezesseis de fevereiro de mil novecentos e vinte e oito. Aos 15 anos ingressou na Congregação Claretiana, sendo sagrado sacerdote em Montjuïc, Barcelona, no dia 31 de maio de 1952. Em 1968, mudou-se para o Brasil.O Papa Paulo VI nomeou-o bispo prelado de São Félix do Araguaia, MT, no dia 27 de agosto de 1971. Adepto da teologia da libertação foi muito criticado pelos setores tradicionais da Igreja, que consideram essa corrente teológica, baseada no Marxismo, uma traição aos conceitos básicos da fé, da liturgia e do catolicismo. É poeta, autor de várias obras.Dom Pedro já foi alvo de inúmeras ameaças de morte. Em 12 de outubro de 1976, foi avisado que duas mulheres estavam sendo torturadas na delegacia da cidade. Imediatamente dirigiu-se para lá em companhia do padre jesuíta João Bosco Penido Burnier. Após discutir com os policiais, o padre Burnier foi agredido e alvejado com um tiro na nuca. Após a missa de sétimo dia, houve uma procissão até a porta da delegacia, o imóvel foi destruído e os presos libertados. No local foi construída uma igreja.Durante a ditadura militar, foi alvo de cinco processos de expulsão do Brasil. Em sua defesa, veio o arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, impedindo que tal arbitrariedade acontecesse.
Las Siete Palabras - Pedro CASALDÁLIGA
I. «Padre, perdónalos porque no saben lo que hacen»
Sabiendo o no sabiendo lo que hacemos,
sabemos que nos amas,
porque ya hemos visto tus maneras
en los ojos y en la boca de tu Hijo Jesús.
Ya no eres más para nosotros el Dios terrible.
¡Sabemos que eres Amor!
Sabemos que no sabes castigar...
Tú eres un Dios vencido en la ternura.
Tú esperas siempre, Padre, y acoges y restauras la vida
hasta de los asesinos de tu Hijo
(que somos todos nosotros).
¡Perdónalos! ¡Perdónanos!
Atiende este pedido de tu Hijo en la cruz,
prueba mayor de tu amor de Padre.
¡Y acógenos, oh Padre, oh Madre, oh cuna, oh casa
de cuantos retornamos buscando tu abrazo!
II. «En verdad te digo: hoy mismo estarás conmigo en el Paraíso»
Tu corazón sin puertas, siempre abierto,
¡qué fácil es robarte el Paraíso!
Bandidos todos nosotros,
depredadores
del Cosmos y de la Vida,
sólo podemos salvarnos
asaltándote, Cristo,
en nuestro «hoy» diario-
esa Misericordia que chorrea en tu sangre...

Tu blando silbo de Buen Pastor nos llama.
Tu corazón reclama, impaciente,
a todos los marginados,
a todos los prohibidos.
Tú nos conoces bien, y nos consientes,
hermano de cruz y cómplice de sueños,
compañero de todos los caminos,
¡Tú eres el Camino y la Llegada!
III. «Todo está consumado»
De Tu parte, ¡sí!
De nuestra parte,
nos falta aún ese largo día a día
de cada historia humana,
de toda la Humana Historia.

Tú ya lo has hecho todo, ¡Rey y Reino!
Todo está por hacer, a la luz del Reino,
en esta noche que nos cerca
(de lucro y de egoísmo,
de miedo y de mentira,
de odios y de guerras).

El Padre te dio un Cuerpo de servicio
y Tú has rendido el ciento, el infinito.
Todo está consumado,
en el Perdón y en la Gloria.
Todo puede ser Gracia, en la lucha y en el camino.

Ya has sido el Camino, Compañero.
Y eres, por fin, ¡la Llegada!
En tu Cruz se anulan
el poder del Pecado
y la sentencia de la Muerte.
Todo canta Esperanza...

Bibliografia
CASALDÁLIGA, Pedro. Sonetos neo-bíblicos, precisamente. Musa Editora, 1996.
CASALDÁLIGA, Pedro. Espiritualidade da libertação. Petrópolis: Vozes.
CASALDÁLIGA, Pedro; BARREDO, Cerezo. Murais da libertação. São Paulo: Loyola, 2005.
CASALDÁLIGA, Pedro; TIERRA, Pedro. Ameríndia, morte e vida. Petrópolis: Vozes, 2000.
CASALDÁLIGA, Pedro; TIERRA, Pedro. Orações da caminhada. Verus Editora, 2005.



Dom Pedro Casaldáliga, santo e herói
por Frei Betto
O Brasil é um país de santos e heróis, embora poucos alcancem reconhecimento público. Talvez seja efeito de nossa baixa auto-estima. Durante séculos, de costas para a América Latina, miramos no espelho dos brancos europeus e norte-americanos. O que víamos não era o nosso rosto indígena, negro, mestiço. Era a imagem paradigmática do colonizador a nos convencer de que somos atrasados, feios, improdutivos e inferiores. Abrigamos no Brasil o mais longo período de escravidão das três Américas – 358 anos – e ainda culminamos o processo da abolição com a exclusão dos negros libertos do direito de acesso a terra, entregue aos colonos europeus que aqui aportaram. Os povos indígenas, calculados numa população de cinco milhões no século XVI e, hoje, reduzidos a 700.000, foram massacrados, contaminados pelas doenças dos brancos, pela cachaça dos brancos, pela voracidade mercantil, pela ambição de minérios e madeiras dos brancos.
Restrita a nação ao convés da primeira classe, perdemos de vista nossos santos e heróis, embora proliferem entre nós tantos artistas, atletas, intelectuais, e também inventores como Santos Dumont. Não tão conhecido como mereceria, há no Brasil um santo e herói: Pedro María Casaldáliga. Santo por sua fidelidade radical (no sentido etimológico de ir às raízes) ao Evangelho, e herói pelos riscos de vida enfrentados e as adversidades sofridas. Adotou como divisa princípios que haveriam de nortear literalmente sua atividade pastoral: “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar”. No dedo, como insígnia episcopal, um anel de tucum, que se tornou símbolo da espiritualidade dos adeptos da Teologia da Libertação. São Félix é um município de Mato Grosso, situado em frente à ilha do Bananal. Na década de 1970, a ditadura militar (1964-1985) ampliou a ferro e fogo as fronteiras agropecuárias do Brasil, devastando parte da Amazônia e atraindo para ali empresas latifundiárias empenhadas em derrubar árvores para abrir pastos ao rebanho bovino. Casaldáliga, pastor de um povo sem rumo e ameaçado pelo trabalho escravo, tomou-lhe a defesa, entrando em choque com os grandes fazendeiros; as empresas agropecuárias, mineradoras e madeireiras; os políticos que, em troca de apoio financeiro e votos, acobertam a degradação do meio ambiente e legalizam a dilatação fundiária sem exigir respeito às leis trabalhistas. Dom Pedro tem sido alvo de inúmeras ameaças de morte. A mais grave em 1976, em Ribeirão Bonito, no dia 12 de outubro – festa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Ao chegar àquela localidade em companhia do missionário e indigenista jesuíta João Bosco Penido Burnier, souberam que na delegacia duas mulheres estavam sendo torturadas. Foram até lá e travaram forte discussão com os policiais militares. Quando o padre Burnier ameaçou denunciar às autoridades o que ali ocorria, um dos soldados esbofeteou-o, deu-lhe uma coronhada e, em seguida, um tiro na nuca. Nove dias depois, o povo invadiu a delegacia, soltou os presos, quebrou tudo, derrubou as paredes e pôs fogo. No local, ergue-se hoje uma igreja.
Casaldáliga amplia sua irradiação apostólica através de intensa atividade literária. Poeta renomado traz a alma sintonizada com as grandes conquistas populares na Pátria Grande latino-americana. Ergue sua pena e sua voz em protestos contra o FMI, a ingerência da Casa Branca nos países do continente, a defesa da Revolução Cubana e, anos atrás, em solidariedade à Revolução Sandinista ou para denunciar os crimes dos militares de El Salvador e da Guatemala.
Dom Pedro Casaldáliga admite que a sabedoria popular tenha sido a sua grande mestra. Indagou a um posseiro o que ele esperava para seus filhos. O homem respondeu: “Quero apenas o mais ou menos para todos”. Pedro guardou a lição, lutando por um mundo em que todos tenham direito ao “mais ou menos”. Em setembro de 1985 viajei a Cuba com os irmãos e teólogos Leonardo e Clodovis Boff. Falamos com Fidel que dom Pedro se encontrava em Manágua, participando da Jornada pela Paz, e o líder cubano insistiu para que o trouxéssemos a Havana. Tão logo desembarcou na capital de Cuba, a 11 de setembro, o bispo foi conduzido diretamente ao gabinete de Fidel. Este se mostrava interessado na literatura sobre a Teologia da Libertação. Dom Pedro observou com a sua fina ironia:
– Para a direita é preferível ter o papa contra a Teologia da Libertação do que Fidel a favor.
Em 2003, ao completar 75 anos, Casaldáliga apresentou seu pedido de renúncia à prelazia, como exige o Vaticano de todos os bispos, exceto ao de Roma, o papa. Só agora, em 2005, o Vaticano nomeou-lhe um sucessor. Antes, porém, enviou-lhe um bispo que, em nome de Roma, pediu que ele se afastasse da prelazia, de modo a não constranger o novo prelado. Dom Pedro não gostou do apelo e, coerente com o seu esforço de tornar mais democrático e transparente o processo de escolha de bispos, recusou-se a atendê-lo. O novo bispo, frei Leonardo Ulrich Steiner, pôs fim ao impasse ao declarar que dom Pedro é bem-vindo.

Missa dos Quilombos
O musical "Missa dos Quilombos", foi escrito por Milton Nascimento em parceria com Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga, em 1981.
Embora o formato da cerimônia seja realmente respeitado, o musical apresenta, no lugar da pregação religiosa, discursos sociais, principalmente sobre trabalho escravo. Não se fala somente do trabalho escravo negro, da época do Brasil Colônia e do Império. Fala-se sobre a escravidão que existe até hoje, em diversas partes do mundo."

Labirinto

A adolescência é uma fase de rápidas mudanças
biológicas, representando, em nível de desenvolvimento
psicológico, uma experiência de novas posturas e
comportamentos. Nessa fase ocorrem a separação e a individuação
do adolescente em relação à família. Nesse
movimento, a influência do grupo e a “modelagem”, isto é, a
imitação de determinados comportamento a partir de um
ídolo que é em geral o líder do grupo torna-se
especialmente importantes. Comportamentos de risco fazem
parte do processo e esses comportamentos vêm associados
a sentimentos de grandiosidade e onipotência,
freqüentemente acompanhados também de negação do potencial de
morte inerente a esses comportamentos. Portanto,
nesse contexto, temos um campo propício para o
desenvolvimento de comportamentos de risco, entre eles, o uso
abusivo do álcool. O início do uso do álcool se desenvolve
geralmente em grupos e a manutenção dele depende de quanto
mais intensa for a interação do grupo. Alguns utilizam
o álcool e as drogas inicialmente para recreação e
acabam por não desenvolver outras formas saudáveis de
recreação. Os adolescentes que tiveram prejuízos de sua
capacidades cognitivas, pelo uso excessivo do álcool, possuem
estratégias empobrecidas para lidar com os fatores
estressantes que aparecem na vida diária. Pergunta-se então,
por que o álcool é tão sedutor? Ele regula a
ansiedade tem efeito sedativo, provoca prazer, euforia e
torpor. E, devido às sensações provocadas, vai se tornando
mais freqüente e tudo é uma desculpa para o mesmo.

domingo, maio 11, 2008

No Trânsito

Somos atualmente seres motorizados. Disto não há dúvida. As rodas

praticamente substituíram nossos pés. Mas, esse achado benfazejo do

automóvel também nos trouxe uma conseqüência: a de ficarmos confinados

dentro desses invólucros de aço, dessas maravilhas mecânicas e tecnológicas

que usamos para nos locomover.

Gosto de observar o que acontece dentro dos carros, e de imaginar o que não é

possível ver. Isto me serve, pelo menos, para atenuar a chateação que podem

trazer os cada vez maiores e inevitáveis engarrafamentos.

Eis o inusitado: um menino, certamente trazido da escola pela mãe, tem na mão

um aviãozinho de papel. Seu bracinho descreve aquelas curvas no céu do sonho

com o combustível da imaginação. O menino está preso no carro, mas sua alma

com certeza voa pelo espaço, livre da lentidão do trânsito.

A bela moça, sozinha ao volante, lança olhares ao seu dileto amigo de todas as

manhãs, cúmplice de sua vaidade: o espelho retrovisor. Ajeita o cabelo, examina

a boca pintada com esmero, confere, sem dúvida, se está suficientemente bela

para mais um dia da eterna, gostosa e necessária batalha pela sedução.

Aquele engravatado se arrisca, pois, enquanto cuida das pequenas arrancadas

no pára-e-anda do trânsito lento, lê um jornal. Imagino que estará conferindo a

queda ou elevação da bolsa de valores, ou buscando, nesta e naquela página,

viradas com rapidez, alguma notícia política que vá interferir com seus negócios,

que podem já não estar indo lá muito bem.

O fumante inveterado mantém o vidro do automóvel abaixado. Prefere o risco do

assalto a sentir-se sufocado pela fumaça produzida pela própria insensatez do

vício, prazeroso mas miserável, difícil de vencer, que lhe oferece um pouco de

prazer e uma válvula de escape de suas preocupações.

O jovem de óculos escuros segue o padrão dos motoristas insensatos: a

despeito do trânsito engarrafado, tenta ser mais rápido e esperto que todo

mundo, e enfia o carro por aqui e por ali, provocando a raiva daqueles que fecha

e quase amassa com seu carro de motor possante, mas impotente nesta

lentidão inevitável do trânsito.

Carro novíssimo, recém-adquirido, sem dúvida, a mocinha morena trai, nos

gestos e na forma como conduz o automóvel, sua insegurança de motorista

novata. Seus olhos negros revelam como está assustada; as mãos crispadas

parecem querer arrancar o volante do lugar. E lá se vai, aos solavancos,

deixando o carro morrer, uma ou duas vezes, e vivenciando um sofrimento que

não tinha ao andar de ônibus, embora não tivesse também a comodidade e

sobretudo o status de agora.

O velho motorista de taxi é a própria imagem do enfado. Gordo, tem o aspecto

dos que jamais se exercitaram. Parece que foi construído ali mesmo onde está,

com a imensa barriga anatomicamente encaixada sob o volante, no qual pousa

uma única mão que gira com destreza aquela roda, que na verdade parece a

roda da sua vida. Parece indiferente a tudo; aparenta ter vivido tudo naquele

pequeno universo do seu carro, no qual viveu também, de certo modo, os

dramas e alegrias, sofreu grosserias, mereceu gentilezas ou ganhou também a

indiferença dos milhares de passageiros que transportou.

Outros, muitos outros, motoristas merecem observação: o do ônibus, cortês ou

ensandecido em relação aos motoristas dos automóveis; o da ambulância, do

carro de bombeiros ou de polícia, que furam o engarrafamento, fazendo

manobras incríveis, quase inimagináveis, verdadeiros milagres de direção

arriscada, mas necessária, com a ajuda decisiva de suas sirenes para abrir

caminho.

As vans são um caso à parte. Elas revivem, quase todas, o tempo dos lotações

– a mesma maluquice, a mesma irresponsabilidade ziguezagueante. Dentro

delas, passageiros quase sempre sobressaltados, mas que geralmente não têm

escolha, seja pelo preço mais barato, seja pela quase certeza de chegar mais

cedo, ao trabalho, ou de volta a casa, sobrando um tempinho a mais para uns

beijos nos filhos, um carinho na esposa ou no esposo, ou mesmo para não

perder de todo o capítulo da novela...

A preocupação com a segurança e com a privacidade trouxe as películas que

agora cobrem cada vez mais os vidros, dificultando essa observação por parte

da gente. Mas ali dentro, nesse micro-universo preservado, continuam a viver

pessoas que se movem com seus automóveis, que ouvem rádio, se distraindo

com músicas, ou se preocupando com as notícias. Elas, ironicamente, se

certificam, por noticiários especializados, que o trânsito está cada vez pior, que

esses nossos invólucros de aço e conforto estão cada vez mais lentos, cada vez

mais presos nessas procissões automobilísticas que se arrastam pelas ruas.

Êpa! Eu me distraí com estas reflexões e os impacientes atrás de mim já

buzinam, caro leitor.

Vamos em frente!

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J. Carino é professor universitário aposentado, consultor e escritor, sendo autor

de “Olhando a Cidade & Outros Olhares” (UniverCidade Editora, 2004), livro de

crônicas sobre os bairros do Rio de Janeiro, com apresentação de Ruy Castro.

Para conhecer mais sobre o autor visite a sua página www.jcarino.com.br

sábado, maio 10, 2008

A arte ontem e hoje sob a ótica filosófica

Friedrish Schiller foi um grande autor de peças teatrais que o tornaram, ao lado

de Henrik Ibsen, um referência do pré-romantismo alemão. Os dois dramaturgos

criaram um movimento em seu país chamado "Sturm Und Drang" que se

predispunha a elevar a arte como elemento consolidador de duas naturezas

humanas – o racional e o sensível. Schiller defendia a arte como forma de

educação de pessoas que, por determinado motivo, não possui em sua

personalidade um destes elementos. Segundo ele, o homem racional só pode

se tornar sensível quando observa o belo, ou seja, quando se torna "estético".

Baseado neste conceito, o filósofo Nietzsche aborda em seu livro "Natureza da

Tragédia" o nascimento do teatro dionisíaco na Grécia do Séc. VI a.C. e

defende a tese de que o movimento teatral surgiu da necessidade humana de

formalizar a arte através do ritual de convenções expostas no espelho teatral e

da necessidade de extravasar este mesmo formalismo através da embriagues

dionisíaca dos cultos teatrais arcaicos.

Nietzsche confrontou Kant quando este último criou a teoria do desinteresse das

obras de arte. Para Kant, a arte não pode sofrer julgamentos, pois não possui

"propósito prático". Já o filósofo Stendhal chamou o belo de "Promessa de

Felicidade", o que foi defendido por Nietzsche para a crítica e degustação da

arte.

Antes de Aristóteles, o autor de "Poética", Platão já indagava o verdadeiro valor

das obras de arte e se indagava constantemente: "Para quê pintar uvas tão

perfeitas se elas já existem no mundo real"? De certo modo o filósofo

menosprezava as obras de arte por entender que derivam da necessidade de

copiar e expor conflitos para obter audiência do público.

Não cabe a nós entender Kant, tampouco duvidar de sua retórica, mas não seria

necessidade orgânica de um artista expor sua obra a fim de conquistar o

reconhecimento do público? Esse reconhecimento não advém da

verossimilhança de sua arte em relação à natureza? Como denotar genialidade

e brilhantismo de um artista senão desta forma? Talvez os grandes surrealistas

tenham a resposta. Com a passagem dos tempos, Pablo Picasso e outros

puderam reinventar a realidade divina com a reprodução de imagens subjetivas

que denotavam o ponto de vista de um único homem. Seria essa a fórmula da

obra prima? Abraço Nietzsche quando, em defesa ao trabalho do artista, afirma

que a verdade da obra de arte reside no fato de ser ilusória e subjetiva.

Todos temos uma verdade sobre o mundo dentro de nós. Se trabalharmos os

lados racionais e sensíveis, aprendermos as técnicas de uma arte específica

com a fome dos leões, certamente compartilharemos o nosso olhar, isto é,

nossa matéria prima, com os outros irmãos de guerra, tão cegos a vagar por

este mundo de arames farpados.

João Pedro Roriz é escritor.

quinta-feira, abril 03, 2008

Obrigado, Presidente Bush

Eu escrevi a carta abaixo no dia 9 de março de 2003, dez dias antes da invasão do Iraque. É o meu texto mais lido até hoje: publicado nos maiores jornais do planeta, transformado em corrente na internet, foi lido por cerca de 500.000.000 de pessoas.

A guerra agora entra no seu sexto ano: mais de 4.000 soldados americanos perderam a vida, junto com um número indefinido de iraquianos. Segundo a CNN (24/03/2008), “estimativas colocam as mortes entre 80.000 e centenas de millhares, com 2 milhões de pessoas obrigadas a deixar o país, e mais 2,5 milhões em campos de refugiados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas”.

Grande parte das pessoas que cito já desapareceram de cena, mas a guerra continua. Não existe, no momento, nenhuma luz no final do túnel. A seguir, alguns trechos:



Obrigado, grande líder George W. Bush.

Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje.

Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o Senhor foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado.

Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do povo. Por deixar claro que tanto José María Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes.

Obrigado porque sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico".

Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo.

Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque.

Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado.

Obrigado por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia, embora essa idéia seja oposta à sua.

Obrigado porque, sem o Senhor, não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante. Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei".

Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória.

Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não esqueceremos suas palavras.

Obrigado, grande líder George W. Bush.

Muito obrigado.

Paulo Coelho

segunda-feira, março 24, 2008

Gato e Pardal

Era uma vez um pardalzinho que odiava ter de voar par o sul por causa do inverno. Ficava tão apavorado com a idéia de deixar o seu lar, que decidiu adiar a viagem até o último momento possível.Depois de despedir-se carinhosamente de todos os seus amigos pardais que partiam, voltou ao seu ninho e ficou ainda por mais quatro semanas.Finalmente, o tempo tornou-se tão desesperadamente frio, que ele não pode mais adiar.. Quando o pardalzinho partiu e iniciou seu vôo para o Sul, começou a chover. Rapidamente começou a se formar gelo sobre suas asinhas.Quase morto de frio, e exaustão, foi perdendo altura e caiu por terra num pátio de estrebaria. Quando estava exalando o que pensava ser o seu último alento, um cavalo saiu da estrebaria e, virando seu traseiro em sua direção, recobriu o pardalzinho de merda.

A principio, o pardal não podia pensar em outra coisa a não ser que aquele era um modo horrível de morrer, todo cagado.Porém, quando a merda começou a subir e penetrar em suas pernas, passou a aquecê-lo e a vida começou a voltar ao seu corpo.Ele descobriu também que tinha espaço suficiente para respirar. Subitamente, o pardalzinho sentiu-se tão feliz que começou a cantar. Naquele instante, um grande gato entrou na estrebaria e ouvindo o gorjeio do passarinho, começou a remexer o monte de merda para descobrir de onde vinha o som.

O gato finalmente, descobriu a ave e comeu-a.

Esta história tem quatro ensinamentos morais:

1º Nem sempre aquele que caga em cima de você é seu inimigo.

2º Nem sempre aquele que tira você da merda é seu amigo.

3º Desde que você se sinta quente e confortável, mesmo que esteja na merda, conserve o bico fechado

4º Quem está na merda não canta

Oração das Mulheres

Deus,
Eu vos peço...
Sabedoria para entender meu homem,
Amor para perdoá-lo,
Paciência pelos seus atos;
Porque, Deus, se eu pedir força,
Eu bato nele até matá-lo.

quarta-feira, março 19, 2008

Janela d' alma

Em pedra confidente
Com os pés descalços e o coração frio
Falo, me calo e esvazio a mente
Deixo o meu corpo cansado, à margem do rio

Meus olhos caminham pela encosta, à frente...

Montanha abraçada e sufocada pela solidão
Abandonada, em meio a tanto silêncio...lassidão

No alto, os teus olhos recebem os meus com alegria
Eles se agarram e não mais se separam, como mãe à cria

Imensas janelas são abertas, além desse horizonte
Descortinando no infinito, a água cristalina
Na beleza dessa fonte,
Que repousa em tua essência, que me alucina

Crianças brincando em tardes de sol; lembrança distante
Campos soprados por brisa em noites de luar; quanto amor
Chuva fina beijando teu corpo, doce sabor
Flores acariciadas pelo tempo, eterno amante


Em pedra confidente,
Abraçado às tuas lembranças
Adormeci, sonhando...


Juarez Florintino Dias Filho

domingo, março 09, 2008

Mulher

Mulher,

suave aurora,

rosa do rosicler;



Mulher,

fina flor,

belo florescer;



Mulher,

doce fruto

a resplandecer;



Mulher,

meiga mãe

do amanhecer;



Mulher,

toda amor,

luz do ser;



Mulher,

maravilha

do viver;



Mulher,

terna (e)ternamente

vou enaltecer...!


SIDNEY SANCTUS

sexta-feira, março 07, 2008

Será que sou de virgem?

No inicio deste ano comprei uma revista de horóscopo. Poderia justificar tal compra, dizendo que a maturidade está me deixando menos seletiva em termos de leitura. Talvez, mas não se iludam ainda não me tornei uma dogmática, até revista de signos leio com o senso crítico aguçado...
Rogo a todos os deuses do Olimpo que nenhum astrólogo tome conhecimento de minhas palavras, pois serei acusada de heresia astrológica.
Na capa da revista, há destaque para o mês de fevereiro: “mês ideal para contar com a sorte e lucrar. Pois foi exatamente nesse mês que tive o “azar” de perder o emprego e fiquei no maior “prejuízo”. E meu lado racional não perdeu tempo com a minha nova situação, a de penúria: ‘ caiu nessa, sua tonta? ’.
Na mesma capa há outra chamada: “um ano inesquecível no amor”. Bem, três meses já se passaram e eu continuo (des) amada e (des) acompanhada.
Aliás, o fato de continuar desempregada não parece motivar algum ser do sexo masculino, bem empregado e com rendimento certo no final do mês, a se aproximar de mim. De repente, eu peço a ele para compartilhar comigo, além de tórridos momentos na cama, alguns boletos bancários.
Continuo lendo a capa da revista de horóscopo: “momentos de puro prazer em julho e agosto”. Me animo, mas como ainda estamos em março, vou ter que esperar para ver se acontece mesmo.
“Previsões astrológicas quinzenais”... bem, está na hora de abrir a revista.
Na primeira página algumas características do jeito de ser dos nascidos sob o signo de virgem. Leio atentamente, analiso em quais delas me encaixo. Quero ter certeza de que sou uma virginiana de primeira linha.
“Sempre alerta! Está sempre atenta a tudo”. Eu sou assim. Ponto para mim!
“Olhos críticos, sempre abertos a cada detalhe”. Confesso, eu confesso! , sou insuportavelmente crítica. Bingo!
‘“Capacidade de análise muito grande”. Até tenho, mas às vezes, fico com preguiça de pensar e deixo a caravana seguir, sem ir atrás, claro. Meio ponto para mim!
“Sua língua parece uma lâmina de tão afiada”. Essa sou eu! E eu amo esse meu jeito de ser – virginiana porreta -, será por isso que minha mãe fica tão zangada quando discutimos? Sou dura na queda quando discuto com alguém. E, raramente a pessoa percebe que para me vencer é só não bater de frente comigo. Um belo sorriso me neutraliza mais rápido ainda. Olha eu dando ponto para o inimigo.
“Gosta de tudo organizadinho”. Até gosto, mas no meio da minha organização muita coisa está só aparentemente no lugar. Alguma desordem me dá a sensação de democracia. Alguém me entende?
“Arrogante, chata e exigente”. Será? Exigente costumo ser comigo mesma, eu me cobro muito. Sob esse aspecto me trato muito mal.
E o que é ser chato afinal? Alguém tem uma definição virginiana para isso?
Não suporto pessoas medíocres e fracas, que não sabem lutar e que não são capazes de carregar suas bandeiras. Detesto pessoas que se acomodam em um rebanho, qualquer um. Isso é ser arrogante?
“Consegue ser alegre e dar muito carinho às pessoas amadas”. Não sou alegre com todo mundo. Algumas pessoas conseguem mesmo me deixar de mau humor. Porém, a maioria me inspira – as que eu amo – me faz rir e querer dar o que eu tenho de melhor.
Sou carinhosa ao extremo: adoro abraço, beijo, toque. Adoro conversar e alisar.
“Vive observando tudo”. Nem tudo atualmente, pois às vezes, esqueço de colocar os óculos, aí já não dá para ver tudo. Mas, meu olhar continua afiado.
“Versátil, pé no chão, cautelosa, precavida”. Sei não, não me acho versátil, sou uma negação para muita coisa. Nem sei cozinhar!
Pé no chão, cem por cento não, pois vivo com a minha cabeça na lua, e o resto do corpo faz um esforço danado para se equilibrar nesse espaço.
Cautelosa sim, precavida não. Quantos pontos será que perdi agora?
Fertilidade e tradição. Sou aquela plantinha que nasceu, cresceu, mas não deu frutos. Quando eu me for dessa existência, nada de mim terá continuidade.
Tradição? Gosto da palavra.
Viro a página da revista: Amor e sexo. “Dificuldade para expressar seus sentimentos, reservada e inibida”. Mas essa não sou eu mesmo!
“Tem medo de fracassar, quer sempre que tudo saia certinho”. Pessoas normais sentem isso, eu acho.
“Dificilmente toma a iniciativa de se aproximar”. Bom, eu adoro um flerte, joguinhos e ‘acessórios’ amorosos. Gosto de sentir que estou sendo envolvida, até o momento que não consigo mais sair da teia. Bem, pouco virginiano, com certeza. Será que já estou com pontos negativos?
“Namoros tradicionais, sem ousadia”. Namorar tornou-se automaticamente algo tradicional, numa época em que se “fica” e se beija na boca até estranhos.
Ousadia? Eu seria ousada demais se tivesse que explicar...
Já estou começando a achar que sou uma virginiana sem pedigree.
Já estou quase no final da página dois: “quando se apaixona de verdade é capaz de tudo para agradar o par”. Confesso que me esforço, dou tudo de mim, é que às vezes o tiro sai pela culatra. Aí, fico pensando “poxa, ele não entendeu nada”.
“Quando a pessoa amada não age como você espera”. Esse deve ser o pior dos meus defeitos: não falar, não pedir, criar expectativas e depois, me decepcionar. Ufa! Estou virginiana de novo.
No casamento... como não me casei, sem comentários.
No sexo: “você se entrega com muita energia e sensualidade, mas sem ousadia, pois sua mania de organização...” Pera aí, organização nesses momentos não dá... deixei de ser virginiana de novo.
Viro a folha da revista, página três.
Trabalho e dinheiro... Sem comentários.

sábado, março 01, 2008

Emergência



Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada, esse ar que entra por ela.
Por isso, é que os poemas têm ritmo
- Para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Do meu amado Mário Quintana

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

As mensagens que me envia

Para Gustavo

Gosto muito das mensagens que me envia. As palavras causam efeitos às minhas emoções. Às vezes me enchem de esperança, me fazem sonhar, me deixam com coragem de ir em frente em sonhos que eu imaginava que seriam só sonhos, me deixam menos só, fico corajosa, ascendem meus desejos, ouso até sonhar que o meu amor virá até mim.
Mas tais efeitos não duram para sempre. As mensagens se desvanecem, somem no ar, minha memória as deleta. Então, a minha realidade, tão concreta se mostra novamente. Pode ser também porque, como ser humano, não vivo só de palavras, às vezes a matéria precisa de coisas mais palpáveis: do toque, do abraço, do afago.
Porém, tal como um pharmakon - droga, em grego - alguma coisa fica, algum efeito permanece: a esperança talvez, um pouco de coragem, a fé que o amor é mais forte do que qualquer outra coisa, que a razão às vezes deve prevalecer, mas, acima de tudo que não estamos sós em momento algum.
Por isso, as palavras devem ser ditas com a certeza de que passamos a alguém muito mais do que sílabas tônicas ou átonas, verbos ou pronomes. Elas possuem a energia criadora, são capazes de transformar, unir, tocar a alma, de quem as lê ou ouve.
E, felizes aqueles que possuem a sensibilidade para ler as entrelinhas, pois a leitura de uma mensagem vai além do que as palavras estão dizendo. Há também de se pensar o que o destinatário da mensagem quis nos dizer ao nos enviá-la: “era isso o que eu lhe diria”, “para lhe ajudar”, “para cessar a sangria da sua alma”, “para aquietar suas angústias”, “para que o dia de hoje seja mais feliz”.
Mas no fundo, bem no fundo, a gente quando envia uma mensagem para alguém, quer dizer para o destinatário simplesmente: “gosto de você, fique bem”.
Por isso, leio sempre as mensagens que me envia, com os olhos do coração.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Na loja de flores

A mulher caminhava por um centro comercial quando reparou no cartaz: uma nova loja de flores. Ao entrar, levou um susto; não viu nenhum vaso, nenhum arranjo, mas era Deus, em pessoa, que estava atenden­do no balcão.
- Pode pedir o que quiser - disse Deus.
- Quero ser feliz. Quero paz, dinheiro, capacidade de ser compreendida. Quero ir para o céu quando morrer. E quero que tudo isto seja também concedido aos meus amigos.
Deus abriu alguns potes que estavam na prateleira atrás dele, tirou vários grãos de dentro, e estendeu para a mulher.
- Aí estão as sementes - disse. – Comece a plantá-las, porque aqui nós não vendemos os frutos.

Paulo Coelho

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

E tudo mudou...

O rouge virou blush O pó-de-arroz virou pó-compacto O brilho virou gloss O rímel virou máscara incolor A Lycra virou stretch Anabela virou plataforma O corpete virou porta-seios Que virou sutiã Que virou lib Que virou silicone A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento A escova virou chapinha “Problemas de moça" viraram TPM Confete virou MM A crise de nervos virou estresse A chita virou viscose. A purpurina virou gliter A brilhantina virou mousse Os halteres viraram bomba A ergométrica virou spinning A tanga virou fio dental E o fio dental virou anti-séptico bucal Ninguém mais vê... Ping-Pong virou Babaloo O a-la-carte virou self-service A tristeza, depressão O espaguete virou Miojo pronto A paquera virou pegação A gafieira virou dança de salão O que era praça virou shopping A areia virou ringue A caneta virou teclado O long play virou CD A fita de vídeo é DVD O CD já é MP3 É um filho onde éramos seis O álbum de fotos agora é mostrado por email O namoro agora é virtual A cantada virou torpedo E do "não" não se tem medo O break virou street O samba, pagode O carnaval de rua virou Sapucaí O folclore brasileiro, halloween O piano agora é teclado, também O forró de sanfona ficou eletrônico Fortificante não é mais Biotônico Bicicleta virou Bis Polícia e ladrão virou counter strike Folhetins são novelas de TV Fauna e flora a desaparecer Lobato virou Paulo Coelho Caetano virou um chato Chico sumiu da FM e TV Baby se converteu RPM desapareceu Elis ressuscitou em Maria Rita ? Gal virou fênix Raul e Renato, Cássia e Cazuza, Lennon e Elvis, Todos anjos Agora só tocam lira... A AIDS virou gripe A bala antes encontrada agora é perdida A violência está coisa maldita! A maconha é calmante O professor é agora o facilitador As lições já não importam mais A guerra superou a paz E a sociedade ficou incapaz... ... De tudo. Inclusive de notar essas diferenças

Luis Fernando Veríssimo

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Gestão do fósforo



Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal:
Estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores
histórias sobre atendimento que conhecemos.
Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada,
resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar.
Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome:
Hotel Venetia.
Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado
com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou
amavelmente:
"-Bem-vindo ao Venetia!"
Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava
confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os
procedimentos: tudo muito rápido e prático.
No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente
limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente
alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais!
Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite,
começou a pensar que estava com sorte.
Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o
pedido no momento do registro).
A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha
experimentado, naquele local, até então.
Assinou a conta e retornou para quarto. Fazia frio e ele
estava ansioso pelo fogo da lareira.
Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a
ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira.
A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala
de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela!
Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho
borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar.
Simplesmente uma cafeteira ligada
por um timer automático, estava preparando o seu café e,
junto um cartão que dizia:
"Sua marca predileta de café. Bom apetite!"
Era mesmo!
Como eles podiam saber desse detalhe? De repente, lembrou-se:
no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.
Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia
um jornal. "Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?"
Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a
recepcionista Havia perguntado qual jornal ele preferia.
O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter
ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel fizera mesmo de
especial?
Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara
de café e um jornal.
Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias
de hoje.
Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no
entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito, mais desconfiado.
Mudamos o layout das lojas, pintamos as prateleiras, trocamos
as embalagens, mas esquecemos-nos das pessoas.
O valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do
relacionamento com o cliente.
Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante!
Lembrando que:
Esta mensagem vale também para nossas relações pessoais
(namoro, amizade, família, casamento) enfim pensar no outro como ser
humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe.
Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está
nos gestos mais simples de nosso dia-a-dia que na maioria das vezes
passam desapercebidos.
(autor desconhecido)

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Feliz 2008




Que em 2008
Se for para esquentar, que seja ao sol;
Se for para lutar, que seja por seus direitos;
Se for para matar, que seja a fome;
Se for para bater, que seja uma bola;
Se for para enganar, que seja o estomago;
Se for para roubar , que seja um beijo;
Se for para perder, que seja uns quilos;
Se for para esconder que seja um presente;
Se for para enfrentar , que seja o medo;
Se for para quebrar , que seja um recorde;
Se for para ser feliz , que seja o ano todo;
Feliz Ano Novo

sexta-feira, dezembro 21, 2007

O jogral de Nossa Senhora

Conta uma lenda medieval que no país que hoje conhecemos como Áustria, a família Burkhard – composta de um homem, uma mulher, e um menino - costumavam animar as feiras de natal recitando poesias, cantando baladas de antigos trovadores, e fazendo malabarismos para divertir as pessoas. Evidente que nunca sobrava dinheiro para comprar presentes, mas o homem sempre dizia a seu filho:
- Você sabe por que a sacola de Papai Noel não se esvazia nunca, embora haja tantas crianças neste mundo? Porque embora ela esteja cheia de brinquedos, às vezes existem coisas mais importantes para serem entregues, os chamados “presentes invisíveis”. Em um lar dividido, ele procura trazer harmonia e paz na noite mais santa da cristandade. Onde falta amor, ele deposita uma semente de fé no coração das crianças. Onde o futuro parece negro e incerto, ele traz esperança. No nosso caso, quando Papai Noel vem nos visitar, no dia seguinte estamos todos contentes de continuarmos vivos e fazendo nosso trabalho, que é de alegrar as pessoas. Jamais esqueça isso.
O tempo passou, o menino transformou-se em rapaz, e certo dia a família passou diante da imponente abadia de Melk, que acabara de ser construída.
- Meu pai, lembra-se que há muitos anos você me contou a história de Papai Noel e seus presentes invisíveis? Penso que certa vez recebi um destes presentes: a vocação de tornar-me padre. Embora precisassem muito da companhia do filho, a família entendeu e respeitou o desejo do filho. Bateram na porta do convento, foram acolhidos com generosidade e amor pelos monges, que aceitaram o jovem Buckhard como noviço.
Chegou a véspera do natal. E justamente naquele dia, um milagre especial aconteceu em Melk: Nossa Senhora, levando o menino Jesus nos braços, resolveu descer à Terra para visitar o mosteiro.
Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila, e cada um postava-se diante da Vigem, procurando homenagear a Mãe e o Filho. Um deles mostrou as lindas pinturas que decoravam o local, outro levou um exemplar de uma Bíblia que havia demorado cem anos para ser manuscrita e ilustrada, um terceiro disse o nome de todos os santos.
No último lugar da fila o jovem Buckhard aguardava ansioso. Seus pais eram pessoas simples, e tudo que lhe haviam ensinado era atirar bolas para cima e fazer alguns malabarismos.
Quando chegou sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens, porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer, e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si para Jesus e a Virgem.
Envergonhado, sentindo o olhar reprovador dos seus irmãos, ele tirou algumas laranjas do bolso e começou a jogá-las para cima e segurá-las com as mãos, criando um belo círculo no ar, igual ao que costumava fazer quando ele e sua família caminhavam pelas feiras da região.
Foi só neste instante que o Menino Jesus começou a bater palmas de alegria no colo de Nossa Senhora. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco a criança, que não parava de sorrir.

Paulo Coelho

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Natal não é fazer compras, nem comer e beber compulsivamente

Paz e bênçãos! Desejo a todos um FELIZ NATAL. Que o Senhor encontre lugar em vosso coração aconchego. Através de vc ele quer reeditar esse mundo, criando relações novas, onde o amor de Deus seja evidente e abundante nas relações que estabelecemos, enquanto pessoa, comunidade ou intituição.

Oração: Ó DEUS, que revelastes ao mundo o esplendor da vossa glória pelo parto virginal da Virgem Maria, dai-nos venerar com fé pura e celebrar sempre com amor sincero o mistério tão profundo da encarnação. Em nome de Jesus, o Teu Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém!
Reflexão: O Mistério da Encarnação é tão grandioso e sublime que transcende nossa capacidade humana de compreensão. O Verbo da Vida, Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus se encarna no seio da Virgem Maria. O Deus Todo-Poderoso envia um Anjo até a casa de uma simples jovem e pede licença à ela para que o Filho de Deus pudesse se encarnar.

Como entender isso: Como o Criador coloca-se diante de uma criatura e pede licença para "entrar"? Pobreza maior não há! Mistério tão sublime e grandioso. Pelo "SIM" de Maria, Jesus Cristo assume a nossa condição humana. Deus veio visitar o seu povo. Seu nome é: EMANUEL (Deus está conosco)!

Uma boa preparação para a grande Festa da Encarnação do Amor!

Um abraço

Padre Carlos

domingo, novembro 25, 2007

Depoimento

Para os que não me conhecem sou FiL, um peregrino e andarilho tolo
que foi para o Caminho de Santiago e depois para o Caminho de Roma sem quase nada,
tendo de usar mochilas, sacos de dormir e outras coisas emprestadas.
Peregrino que hoje olha para traz e vê a diferença que o Caminho
Interno propiciou em sua vida.
Andar em jejum, fazer certas práticas de contrição, buscar ouvir a
Voz do Íntimo. Sentir a Harmonia do Altíssimo Se manifestando em
tudo e em todos.
Ah, que maravilhosos Caminhos percorri!
Escrevo para dar testemunho... escrevo como um ato de adoração.
Em meio ao Caminho de Santiago, eu levava umas meias velhas e
como havia feito um voto de pobreza e humildade para percorrer o
caminho eu levava apenas cinco meias finas sociais e duas meias grossas
para calçar.
(detesto passar mal ou sofrer agruras, amo comer e beber bem, dançar
(comecei a aprender... eheh)
Mas mesmo assim fiz meus votos de pobreza, humildade e castidade.
Antes do Caminho eu tinha um medo terrível de ter bolhas, torções,
ferimentos etc.
Até que alguns peregrinos me disseram:
- "Presta atenção nos seus pés." E meu Íntimo começou a me dizer:
- "Escutai-os... Escutai vossos pés e vosso ritmo. Sinta o ritmo da
vida no seu caminhar..." Eu me perguntava:
- E o meu tempo para caminhar? Tenho os dias contados.
E minha voz íntima respondia-me:
"O ritmo do peregrino não é o ritmo do cotidiano...
Entregue-se ao Ritmo do Peregrinar e terás o Domínio do Cotidiano."
E assim eu fiz... E ainda assim hoje ocorre em minha vida.
Caminhava sempre com duas meias: a fina e a grossa... Prestava
extrema atenção a cada passo...
Parava quando sentia uma leve dobradura na meia, quando sentia ser o
momento sentava-me ao lado da estrada fosse onde fosse. Sempre
surgia alguém ou uma lição naquele lugar.
E sempre me perguntava "O que esta pessoa tem para me ensinar?”, ou
ainda, "O que eu tenho para ensinar ou vivenciar para e com esta
pessoa ou situação? ”Então, como eu dizia... eu sentava na beira da
estrada tirava as meias, massageava meus pés com uma mistura que
levei do Brasil de arnica em álcool... Sentia meu corpo e o prazer de
tocar-me... Agradecia então a oportunidade única daqueles momentos.
Muitas vezes nesses momentos entrava em uma espécie de êxtase, de
uma alegria incomensurável. Um êxtase tão puro, intenso e forte que
tornava todas as outras alegrias que tive (inclusive o nascimento
dos meus filhos), coisas menores e banais. Ficava às vezes horas
assim quando então retornava para a lide. Calçava as meias que
haviam ficado penduradas pelo avesso para tomar um "arzinho", as
calçava com calma, prestando atenção a cada detalhe... (como se fosse
fazer amor com elas e com meus pés... sem pressa, com suavidade e
atenção a cada detalhe, sentindo... apreciando... deixando aquilo ser
a coisa mais importante do mundo naquele instante. Então começava a
seguir em meu ritmo torto... Focava cada troca de pernas; e a cada
série de passos entoava mantras ou orações ou frases, ou ainda e
mais importante, a cada série de passos mergulhava em Silêncio
Profundo... auscultava meu Íntimo e dele recebia bênçãos incríveis
em forma de orientação ou esclarecimentos.
Peregrinar não é fazer um trekking de longo percurso, tão pouco é o
simples caminhar seguindo o que outros escreveram em livros e guias
(tudo isso se pode fazer no Roteiro de Santiago) mas no Caminho de
Santiago o peregrinar pode ser algo especial e único. Basta ouvirmos
nossos pés e não o nosso Ego.
Meu Ego dizia: "Para que sofrer tanto? Pega um táxi ou ônibus..."
Meu Íntimo me dizia e questionava: "Tens a capacidade de vencer a
ti mesmo? De Superar teus limites? Vencer tuas paixões?"
Fiz então meu voto de apenas andar durante todo o caminho.
E quando fazemos votos, somos neles e por eles testados (isso eu
creio). Após os votos torci e rompi os ligamentos do tornozelo... E
apenas pela oração e por tudo o que acima mencionei é que terminei
meu caminho após 48 dias...
Perdi a concessão de vendas de seguros da minha corretora.
Perdi a concessão ao me recusar a cumprir meu tempo cotidiano; ao
me recusar a pegar um táxi ou ônibus. Perdi a concessão ao me
entregar ao Caminho... Ganhei o domínio de minha vida...
Se eu tivesse quebrado meus pés, sei que mesmo assim me
arrastaria... ou no Caminho permaneceria até que nele pudesse tornar
a caminhar... O que lhes proponho não é um ato de fanatismo ou
catarse religiosa... antes é um ato interno de iniciação. quando
estivermos em nossa hora de dor e sofrimento teremos a lembrança
das lições de Caminho... caso não as tenhamos seguido e praticado e
tenhamos pegado um táxi.
Bem, então me pergunto: Qual o táxi ou atalho que pegaremos na
vida real quando o sofrimento nos atingir?
O peregrinar, como sugiro, lhes dará recursos mentais, internos e
espirituais que os ajudarão na hora da dor no cotidiano.
Superar a si mesmo não por suas forças, mas pela sintonia com o
Altíssimo é a Arte Real do Peregrino.
Falei demais, perdoem...

L.C. Filardi

sábado, novembro 03, 2007

Como escolher um nome

Uma amiga achou um papagaio perdido embaixo de uma árvore e levou o bichinho para casa. Agora está preocupada em escolher um nome para ele e, se vai ter problemas com o IBAMA. Não tenho certeza até que ponto ajudou, mas contei-lhe a história do “meu” Loro.
Aos cinco anos, ganhei do meu pai um papagaio. Foi um dos presentes mais lindos da minha vida. Loro, durou 30 anos e morreu bem velho.Como minha mãe tinha que se ocupar do trabalho doméstico, alimentar o Loro era trabalho meu.Ele chegou em casa ainda bebê e, eu tinha que dar a comida na boca, com uma pequena colher.De manhã, ele tomava sopinha de café com leite e pão.Nas outras refeições, o cardápio para ele era o mesmo da família.Lorinho, ficou tão mal acostumado que, quando a gente colocava, na gaiola, a vasilha com a sua refeição, com o biquinho, ele procurava a...mistura.Então, ele aprendeu a comer carne, verduras, enfim ,tudo.
O papagaio é um bichinho muito alegre. O meu imitava o cachorro da casa, ria como nós ríamos, chorava como as crianças choravam, assobiava e até cantava. Mas seu canto era só na língua no "tá". Como em casa me chamavam de Tata, ele não só aprendeu o meu nome, como aprendeu a cantar nessa "língua". Suas canções eram muito desafinadas e engraçadas: ta-ta-ti-tooo. Realmente era hilário.
Já adolescente fui trabalhar e, quando estava no horário de chegar em casa para almoçar, Loro gritava feito um louco: Tataaaaaaaaa. Aí minha sabia que eu estava chegando.
Ele vivia trepado no meu ombro e adorava mordiscar o lóbulo da minha orelha, mas jamais me machucou.
Anos mais tarde quando terminei a faculdade e fui trabalhar em outra cidade, Loro ficou um pouco calado, só ria quando alguém falava com ele, depois, se aquietava. Com certeza, sentia a minha falta.
Ele sempre morou em uma gaiola aberta, em forma de L. Na minha casa não se escraviza animal. Mas, suas asinhas eram cortadas regularmente para que ele não fugisse para longe.Muitas vezes, ele voava até o chão para dar um passeio.
Quando éramos pequenos, às vezes, eu brigava com o meu irmão e gritava para a minha mãe: Ô mãe, olha o Toninho aqui! Loro olhava com a cabecinha enviesada a briga e gritava: Ô mãeeeeeeeee. E depois caia na gargalhada.E quando a briga terminava em choro, primeiro Loro chorava junto, depois era só gargalhada.
Em casa sempre tivemos gato e cachorro, quando morria um, logo arrumávamos outro. Mas, nenhum animal marcou tanto a minha vida como o meu querido e amado Lorinho.
Como escolher o nome? É tão simples olhe para ele e escolha com o coração, com amor.
Quanto ao IBAMA, as últimas notícias que eu tive sobre os animais em extinção, caso do papagaio, é que o IBAMA permite que se crie em casa desde que a pessoa tenha a autorização desse Órgão.
Não custa se informar, sem dizer que já tem um em casa.
Loro nunca foi legalizado até porque nem sabíamos que algo assim existia. Ele veio para mim quando eu tinha cinco anos, hoje tenho 53. Mas uma coisa eu garanto, ele foi muito amado, muito bem cuidado. E é isso o que realmente importa.