quinta-feira, outubro 11, 2007

Dia do professor

Dia do Professor

“Ensinar é um exercício de imortalidade.
De alguma forma continuamos a viver, naqueles cujos olhos,
aprenderam a ver o mundo, pela magia da nossa palavra.
O professor não morrerá jamais”
Rubem Alves

quinta-feira, setembro 06, 2007

Em francês

Psique: Eros?
Eros2002: yes!
Psique: fale em francês comigo. Você sabe?
Eros2002: oui
Psique: diga algo então, acho esse idioma muito sensual
Eros2002: je vai aimé t'embrasser
Psique: traduza agora
Eros2002: dnas botre rendez-vous je te vais fasir du plaisir
Eros2002: vou adorar te abraçar
Eros2002: e no nosso encontro te dar prazer
Psique: fale mais
Eros2002: oh!
Psique: fale
Eros2002: não!
Psique: ah!
Eros2002: não escrevo há muito tempo
Eros2002: je vais te faire voir les etoiles
Psique: trate de aprender
Eros2002: de heureuz
Eros2002: reaprender
Psique: quero que sussurre em francês no meu ouvido
Eros2002: ok
Eros2002: depois
Psique: quando me telefonar
Eros2002: se você me morder todinho
Psique: pelo telefone?
Eros2002: experimentemos
Eros2002: amanhã
Eros2002: d'accord
Psique: vai ser uma delícia!
Eros2002: sim
Psique: sim
Eros2002: e como vai ser?
Psique: o quê?
Eros2002: a delícia
Psique: como?
Eros2002: você é que sabe
Psique: sim
Eros2002: como vai me deliciar?
Psique: sei lá
Eros2002: não sabe?
Eros: não
Eros2002: invente, imagine
Psique: não sei
Psique: se fosse pessoalmente ainda vá lá
Eros2002: esta acanhada agora?
Psique2002: experimente
Psique: não
Eros2002: oohhhhhhhhhhhhh
Eros2002: que pena
Eros2002: vou beber água
Psique: tá
Eros2002: então?
Psique: vou dormir boa noite
Eros2002: já?
Psique: sim, beijos

Missa em Uruguaiana

Na cidade de Uruguaiana, bem na divisa do Brasil e Argentina, a Igreja da praça Barão do Rio Branco fica cheia para a missa das 10h: argentinos, brasileiros, o prefeito, delegado, comerciantes...
O padre começa o sermão:
- Irmãos estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus...
Aquele povo desgraçado como esses argentinos que estão aqui...
- Ohhhhhhh !!!!
O maior tumulto tomou conta da igreja.
Os argentinos saíram xingando o padre, houve briga na porta da igreja. O prefeito
levou a mão à cabeça, indignado.
Acabada a confusão, o prefeito foi falar com o padre na sacristia:
- Padre, controle-se por favor, os argentinos vêm para este lado, gastam nas lojas, nos restaurantes, trazem divisas para a cidade.
Não faça mais isso.
Durante a semana a conversa entre todos era a mesma: o padre e o sermão do domingo. Aquele zum-zum-zum todo foi fazendo as pessoas ficarem curiosas e querendo saber mais sobre o que tinha acontecido.
Finalmente, chega o domingo. O prefeito chega na sacristia e fala com o padre:
- Padre, o senhor lembra do que conversamos antes, não? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?
Vem a missa e o padre começa o sermão:
- Irmãos... Estamos aqui reunidos, hoje, para falar de uma pessoa da Bíblia: Maria Madalena. Aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas argentinas que estão aqui...
Não deu outra : pancadaria na igreja, quebraram velas nos corredores, tapas, socos e algumas internações na Santa Casa da cidade.
O prefeito novamente foi ao encontro do padre: - Padre, o senhor não me disse que iria pegar leve? Padre, se o senhor não amansar, vou escrever uma carta à Congregação e pedir a sua retirada imediata.
Naquela semana, o tumulto era maior ainda. As conversas eram maiores ainda e todos não perderiam a missa do próximo domingo nem por decreto.
Na manhã do domingo, o prefeito entra na sacristia com a polícia e adverte o padre:
- Padre, pega leve desta vez, senão te levo em cana !!
A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar de tanta gente, tinha moleque vendendo água, pirulito, gente recolhendo lata de alumínio, garrafas pet, vendedores de rifas...
Começa o sermão: - Irmãos.... Estamos aqui reunidos, hoje, para falar do momento mais importante da vida de Cristo: a Santa Ceia...
O prefeito então respirou aliviado.
Jesus, naquele momento, disse aos apóstolos :"Esta noite, um de vocês irá me trair".
Então João pergunta:
- Mestre, sou eu?
E Jesus responde:
- Não, João, não é você.
Pedro pergunta:
- Mestre, sou eu?
E Cristo responde:
- Não, Pedro, não é você.
Então Judas pergunta:
Mestre, soy yo?

Mordidinhas

Eros2002: oi
Psique: oi
Eros2002: como te sentes?
Psique: estou ótima!
Eros2002: sim?
Psique: e você?
Eros2002: quer uma mordidinha?
Eros2002: eu também
Psique: você é ótimo
Eros2002: sim
Psique: tá ficando muito assanhadinho
Eros2002: vou mandar a foto
Psique: agora?
Eros2002: sim
Eros2002: recebeu?
Psique: sim
Eros2002: ok
Psique: vou lhe enviar a minha
Eros2002: ok
Eros2002: já enviou?
Psique: sim
Psique: deve estar chegando
Eros2002: vou ver
Psique: não vá se assustar
Eros2002: com o quê?
Psique: a foto
Eros2002: oh!
Eros2002: assustar por quê?
Psique: aumente o tamanho dela
Eros2002: SIM
Eros2002: mas você cresce?...rsrs
Psique: heim?
Eros2002: está ok
Eros2002: estava a ver se dobrava a saia
Psique: pensou o que?
Psique: como?
Eros2002: desabotoar
Psique: tente quem sabe você consegue... rsrs
Eros2002: ok vou tentar
Psique: sonha Eros
Eros2002: sim, com quê?
Psique: com isso
Eros2002: com a saia?
Psique: simmmmmm
Eros2002: ok
Psique: desmaiou?
Eros2002: com quê?
Psique: você sumiu
Eros2002: não, estava a ver a foto com lupa, para ver os pormenores...
Psique: o que está fazendo?
Eros2002: estava brincando
Psique: eu sei
Eros2002: estava a tirar a roupa à foto, mas não consegui
Psique: ahahahahah
Eros2002: vou buscar um cigarro
Psique: tá
Psique: traga o vinho
Eros2002: não trouxe, não vi a mensagem a tempo
Psique: que pena
Eros2002: teremos tempo
Psique: de quê?
Eros2002: de beber o vinho
Eros2002: e quero que você o beba, enfim, você sabe...
Psique: por que não?
Eros2002: claro que sim
Psique: mas hoje, beba por mim, brinde a nossa amizade
Eros2002: ok, mas queria também um pouco da sugestão
Psique: diga
Eros2002: que você o beba em mim
Eros2002: e me dê um mordidinha
Psique: com certeza, vou beber você inteirinho...
Eros2002: sim?
Eros2002: que bom!
Psique: molhar a sua boca com vinho
Eros2002: e...
Psique: e morder os seus lábios
Eros2002: sim, hummmmmmmmmmmmm
Eros2002: e...
Psique: e, chega, está muito assanhado
Eros2002: estou?
Psique: yes!
Eros2002: no!

Trocando sons por cores

- Vamos parar um pouco. Não agüento esta cor laranja!

Onde está a cor de laranja? Estamos no Trastevere, em Roma, e tudo

que vejo são os bares, as pessoas na rua neste começo de primavera

gelado, e os sinos da igreja tocando. Já é quase noite de um dia

nublado, de modo que sequer podemos culpar o sol pela ilusão de

ótica.

Caminho com uma atriz que conheço já há algum tempo, mas que nunca

antes tivemos oportunidade de conversar o suficiente. Paro como

pediu, mas apenas por educação, já que aquela mulher equilibrada,

profissional, deve ser mais louca do que eu pensava.

Entramos em um restaurante para jantar. Pedimos risoto com trufas,

e um bom vinho. Conversamos sobre a vida, e de novo um comentário

absurdo:

- Esta comida está retangular!

Ela nota minha cara de espanto. Comida retangular?

- Você deve achar que estou louca; não estou. Houve um momento de

minha vida em que pensei que era daltônica (pessoa que confunde

uma cor com outra). Fui ao médico, e descobri que tenho um

distúrbio neurológico comum.

Depois que voltei para casa e imediatamente comecei a pesquisar no

computador, fiquei surpreso com algo que jamais tinha ouvido falar

em minha vida: sinestesia. Uma condição em que um estímulo de

determinado sentido provoca a percepção em outro. A pessoa que

sofre deste tipo de distúrbio, confunde sons com cheiros, visão

com paladar, cores com tato (não necessariamente nesta lógica).

Alguns estudos científicos alegam que a visão de auras em seres

humanos nasceu daí; discordo destes estudos, penso que todos nós

temos realmente um corpo astral que pode ser visto quando

alteramos a percepção. Mas o que mais me atraiu na pesquisa foi

saber que o que percebemos através de nossos cinco sentidos não é

uma verdade absoluta. As pessoas sinestésicas têm uma noção do

mundo completamente distinta da nossa, embora isso não os impeça

de levarem uma vida relativamente normal. Minha amiga atriz

trabalha na TV italiana todos os dias, e diz que terminou por se

acostumar.

Indo mais adiante na pesquisa, descobri um estudo na revista

britânica Cognitive Neuropsychology. Uma equipe de pesquisadores

do University College de Londres, chefiada pelo Dr. Jamie Ward,

foi mais além: alguns sinestésicos podem perceber cores em

palavras carregadas de emoção, como “amor” ou “filho”. A grande

maioria deles termina associando o nome de alguém à determinada

tonalidade. Ward descreve o caso de uma moça identificada por

G.W., que simplesmente pelo fato de escutar determinados nomes,

tinha seu campo de visão inteiramente coberto por determinada cor

associada àquela palavra.

Em uma revista de arte, aprendo que as aureolas que vemos em torno

das cabeças dos santos podem ter sido criadas por algum pintor

sinestésico na antiguidade, sendo repetidas pelos outros sem que

ninguém se perguntasse à razão daquele círculo de luz. O prêmio

Nobel de Física de 1965, certa vez disse em uma entrevista:

“quando escrevo equações no quadro-negro, noto os números e as

letras em cores diferentes”.Diz um artigo que Feynman faz parte de

um grupo de pessoas para quem o número dois pode ser amarelo, a

palavra carro tem gosto de geléia de morango, e certa nota musical

evoca a imagem do círculo.

Ward diz que a sinestesia não é absolutamente uma doença: “ao

contrário dos transtornos psiquiátricos, o sinestésico não tem

nenhuma função básica comprometida, e sim um sintoma positivo,

ausente na maioria dos outros seres humanos”.O grande problema

está em crianças em idade escolar, que não conseguem entender por

que sentem as coisas de maneira diferente dos outros.

Para minha grande surpresa, alguns estudos apontam que uma em cada

300 pessoas é sinestésica (embora a maioria diga que a relação é

de uma em 2.000).

No dia seguinte telefonei para a minha amiga e perguntei que

sensação ela sempre associava comigo. “Suave” foi sua resposta.

Bem, nem sempre a sinestesia tem lógica.

Paulo Coelho

Coisas

A máscara cai

O sorriso aparece

A ironia vence



O véu se rasga

A nudez se mostra

O pecado encanta



As cortinas se abrem

O espetáculo começa

O público se espanta



A mortalha se rebela

O rosto não é mais cadavérico

A morte não convence.



Ludimar Gomes Molina



Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL
visite:
http://cplitoral.blogspot.com
http://cliquepoetico.blogspot.com

Sexo e rock roll

Eros2002: saudades?
Psique: oi?
Psique: não quer ler sobre alfabetização comigo?
Eros2002: não, desculpe
Eros2002: estou ouvindo música, rock da pesada
Psique: tenho muita coisa para ler ainda
Eros2002: Aerosmith
Psique: você?
Eros2002: sim, adoro
Psique: esse tipo de música?
Psique: não acredito!
Eros2002: pode acreditar
Psique: pensei que gostasse de Beatles
Eros2002: também
Eros2002: quando era jovem era hippie
Psique: você era hippie?
Psique: não acredito!
Eros2002: sim!
Psique: essa eu preciso saber!
Psique: conte-me
Psique: fiquei curiosa
Eros2002: sim?
Eros2002: mas é verdade
Psique: usava cabelos longos?
Eros2002: sempre usei
Eros2002: mas como são meio encaracolados
Psique: viajava de carona?
Eros2002: e barba
Eros2002: yes
Psique: com mochila?
Eros2002: yes
Psique: uauaua
Eros2002: e botas couro
Psique: que legal!
Psique: acampava?
Eros2002: claro
Psique: botas de couro?
Psique: adoraria ver
Psique: você devia ficar muito alto
Eros2002: mas trepei pouco nessa altura,as mulheres eram muito tímidas
Psique: ahahahahahaha
Psique: que azar, não?
Eros2002: alto?
Eros2002: eu era alto para a época
Eros2002: 1,95
Psique: homens altos me deixam emocionada
Eros2002: excitada quer você dizer
Psique: é...
Psique: que mais?
Psique: conte-me
Psique: estou adorando
Psique: usava drogas?
Eros2002: não
Psique: todo hippie que se preza usava
Eros2002: sempre fui contra as drogas
Eros2002: eles, os que usavam drogas eram violentos
Psique: nem que fosse a básica maconha
Eros2002: não me agradava muito
Psique: que mais
Eros2002: mais?
Psique: sim, conte-me
Psique: tinha uma turma?
Eros2002: nada mais de especial
Psique: andava de moto?
Eros2002: não, tenho e sempre tive medo
Eros2002: andei por muitos lugares de corona
Psique: adoro isso!
Psique: viajei muito de carona, mas para trabalhar
Psique: existe uma associação de andarilhos aqui, ainda quero conhecê-los
Eros2002: ia a festivais de música e concentrações do contra
Psique: que legal
Eros2002: mas agora não estou muito a fim
Psique: o que mais gosta em termos de música?
Psique2002: tudo que for bom
Psique: exemplo
Eros2002: desde Mozart ou Beethoven, a Chico ou, outros
Psique: rapaz versátil...
Eros2002: e eclético
Psique: está sozinho?
Psique: ahahaha
Psique: eclético??????
Eros2002: completamente sozinho em casa
Psique: oh!
Eros2002: por quê?
Psique: por nada
Eros2002: quer que eu telefone?
Psique: não, preciso voltar para as minhas leituras

O Jardim e a Noite

Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entra a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL
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domingo, agosto 19, 2007

Nem todos os homens são Herbert Vianna

Vaidade - HERBERT VIANNA
Cirurgia de lipoaspiração?Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração? Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.Hoje, Deus é a auto imagem.Religião, é dieta.Fé, só na estética. Ritual é malhação.Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal.Ruga é contravenção.Roubar pode, envelhecer, não.Estria é caso de polícia.Celulite é falta de educação.Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o a volta, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas... uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva."
" Cuide bem do seu amor, seja quem for " Herbert Vianna


Antigamente a gente dizia:"nossa como vc está bonita, está gorda!"Nos dias atuais, chamar alguém de gordo é quase um sacrilégio, é ofensivo.Mudam-se as épocas, mudam-se os hábitos.O que está acontecendo hoje é que simplesmente há uma indústria milionária por trás de tudo isso ganhando rios de dinheiro. E, numa sociedade capitalista, em que o ter é muito, mas muito mesmo, mais importante do que o ser, é preciso ter corpo dentro da métrica da moda, isto é, ser magra, mas ter busto grande, sem celulite de preferência e, estria nem pensar.Em contrapartida é preciso consumir todas as batatas fritas que o estômago possa aguentar, todos os sanduíches 'macs', sorvetes, chicletes e balas. Sempre com refrigerante light, claro.Há uma absoluta e total incoerência entre o que se come e o peso que o modismo exige das pessoas. E, o homens também já sofrem dessa epidemia da magreza e da burrice estética.Infelizmente, a mídia contribui e muito para essa alienaçãoda beleza e, os artistas que precisam mostrar que são "belos e saudáveis", contribuem mais ainda para míopia da beleza.E olha que não é fácil fugir de tais esteriótipos, eu que o diga, uma saudável senhora cinquentona e ...gorda. As pessoas discrimimam a gente nas lojas e, encontrar roupas para gordos quase que só em lojas especializadas. Gordo tem problemas com o banco do ônibus, para entrar no carro, é piada entre os amigos e, os homens muitas vezes 'preferem' as magras. Na verdade os objetos são feitos para magros e destros. Certa vez, um amigo - homem - me disse a seguinte pérola: "E aí casou?", respondi que não. Então ele me saiu com essa : "deve ser porque vc está muito gorda". Detalhe: somos amigos há 30 anos e ele me adora. Mas, ele tem a ótica e a estética da moda imposta pela mídia.Eu não fiz lipo ou coisas afins mas, quem não tem uma cabeça centrada, é influenciável ou, acaba mesmo se sentindo feia por causa da influência dos modismos se envolve em tratamentos estéticos que na verdade não garantem a felicidade de ninguém. Nem um casamento perfeito e sequer que não se vai nunca perder o emprego.Sem querer radicalizar, há casos em que uma lipo ou outra atividade estética é necessária. E, às vezes, é até uma questão de vaidade, mas com moderação e bom senso vai mesmo fazer a pessoa se sentir melhor.Enfim, nem todos os homens são Herbert Vianna.

Quero-te

Eros2002: oi!
Eros2002: quero-te!
Psique: oi?
Psique: ahahahahahah
Eros2002: e ri?
Psique: mas que isso, Eros?
Eros2002: o quê?
Psique: isso é coisa que se fale?
Eros2002: é
Eros2002: e sabe por quê?
Psique: diga
Eros2002: porque você tem que ser minha
Psique: oh!
Psique: será?
Eros2002: falei ontem com um amigo para ver a possibilidade de você vir morar aqui.
Psique: é mesmo?
Psique: seria maravilhoso
Eros2002: calma
Psique: tá
Eros2002: porque há o componente do seu vencimento
Psique: humm
Psique: tem que dar para eu viver aí sozinha
Eros2002: ainda não há luz verde, digamos
Eros2002: claro
Eros2002: pelo menos
Psique: senão você vai ter que me sustentar
Eros2002: leitinho não faltará
Psique: ahahahahaha
Psique: só?
Eros2002: pelo menos
Psique: vamos aguardar
Psique: é uma boa notícia
Eros2002: pois
Eros2002: é alguma coisa
Psique: um presente para o dia de hoje
Eros2002: e o desejo de te amar fará o resto
Psique: ai meus deus
Eros2002: por quê?
Psique: só por isso, Eros?
Eros2002: não lhe agrada a idéia?
Psique: sei lá
Eros2002: já não sabe?
Psique: eu posso te decepcionar
Eros2002: duvido
Eros2002: você se empenhará e eu também
Eros2002: e, além disso, será uma etapa nova nas nossas vidas
Psique: mas é só por causa de sexo?
Eros2002: claro que não
Psique: ainda bem
Eros2002: mas, também
Eros2002: e, provavelmente será o início de uma grande amizade
Psique: ahahahaha
Eros2002: ri-te?
Psique: se emende Eros
Eros2002: como?
Eros2002: comendo-te?
Psique: é bom ter alguém que goste da gente
Psique: e não é só para me comer
Psique: claro que isso é importante
Psique: mas, o amor também
Eros2002: e o meu...?
Psique: ai Eros!
Psique: o que é que tem?
Eros2002: diga!
Psique: o que quer que eu diga?
Eros2002: a idéia de..., não a seduz?
Psique: e como!
Psique: mas, posso gostar ou não
Eros2002: arranjaremos uma forma
Psique: ahahahah
Psique: você é doido mesmo
Eros2002: pelo menos uma vez vai ter de fazer
Eros2002: e se você gostar?
Psique: bem...
Psique: aí você vai ter que repetir
Eros2002: bem?
Eros2002: ok
Psique: mas me deixou contente
Eros2002: com todo o gosto
Eros2002: mas não faça já castelos no ar
Psique: vou voltar a fazer dieta
Eros2002: aguarde com calma
Psique: ok
Eros2002: não é importante
Eros2002: a dieta
Psique: você me ama mesmo, Eros?
Eros2002: amo
Psique: sinto-me feliz com isso
Eros2002: ok
Psique: preciso ter alguém
Eros2002: claro que sim
Eros2002: agora tem o meu... virtual, por enquanto

Louco!

Eros2002: oi
Eros2002: está zangada?
Psique: não, só estou escrevendo um pouco.
Eros2002: gostei muito da sua opinião sobre a violência
Psique: sim?
Eros2002: sim
Psique: é uma visão que na prática não apresenta soluções
Eros2002: há muita violência em quase tudo
Psique: onde será que está a solução?
Eros2002: sim, mas é difícil resolver o problema.
Psique: esse é o problema!
Psique: caríssimo, só procura esse caminho quem é fraco de valores.
Eros2002: ok
Eros2002: você nunca cometeu um erro?
Psique: desse tipo não
Eros2002: ainda bem
Psique: nunca vendi o meu corpo, por exemplo,
Psique: trabalhei muito na minha vida
Eros2002: sim, estou vendo.
Psique: e nunca precisei fazer nada de errado
Eros2002: certo
Psique: o pouco que consegui é fruto do meu trabalho
Eros2002: você acha então que apesar de toda a violência que há nas favelas é possível viver-se com dignidade nesses locais?
Psique: com certeza, trabalhei em favela durante muitos anos como professora.
Eros2002: ok
Psique: lá tem muita gente boa e que trabalha duro
Eros2002: certo
Psique: só segue o caminho errado quem quer
Eros2002: ok
Eros2002: entendi
Psique: às vezes o caminho poder ser difícil, mas...
Eros2002: não pode haver só histórias tristes
Psique: com certeza, e todas as histórias de luta digna e trabalho honesto são bonitas.
Eros2002: ok
Eros2002: são cinco da manhã, devo estar louco.
Psique: louco de sono?
Eros2002: sim
Psique: vá dormir então
Eros2002: pois vou
Psique: boa noite
Eros2002: boa noite
Psique: xau
Eros2002: xau
Eros2002: vou desligar
Psique: descanse

A ti Musa

Eros2002: então diga, por favor,
Psique: conte-me sobre a sua noite ontem, onde foi?
Psique: onde foi passear?
Eros2002: foi de conversa de amigos
Eros2002: a um centro comercial e a um bar
Psique: mas foi a algum lugar bonito?
Eros2002: não muito
Psique: como são os seus amigos?
Eros2002: já não estava com eles há uns tempos e eles é que marcaram o lugar
Eros2002: são financeiros
Psique: o que é isso?
Eros2002: são pessoas da área financeira, logo muito cerebrais.
Eros2002: frios de análise
Psique: racionais?
Eros2002: sim
Eros2002: mais do que isso
Eros2002: muito virados para ouvir e contarem pouco
Psique: gosta de conviver com essas pessoas?
Eros2002: mas também tem piada
Psique: ah!
Eros2002: não estavam a trabalhar
Psique: e por que se reuniram?
Eros2002: era sexta-feira à noite
Eros2002: para por as conversas em dia
Eros2002: o grupo até já foi grande, só homens, mas eram jantares divertidos
Psique: não havia mulheres?
Eros2002: não
Eros2002: não calhou
Psique: como assim?
Eros2002: são meus conhecidos do mundo dos negócios, e não há ainda muitas mulheres no setor por aqui.
Psique: é pena
Eros2002: é
Eros2002: seria bem mais divertido
Psique: aqui, quando reúnem as professoras, é só mulher
Eros2002: cá, professoras também.
Psique também faz parte desse universo?
Eros2002: não faço muito parte desse grupo
Psique: não?
Eros2002: mas estes até são boas pessoas, mas muito cerebrais
Ero2002: eu é que lhes mostro o outro lado da vida
Psique: cerebrais = racionais?
Psique: o que mostra a eles, Eros?
Eros2002: alegria, humanidade, e uma visão mais otimista.
Eros2002: e de negócios
Psique: não sabem aproveitar a vida mesmo
Eros2002: mas ontem o local era acolhedor e propício a um bom vinho
Psique: ah!
Eros2002: beber um bom vinho deve ser na companhia de uma bela musa
Psique: brindou a mim?
Eros2002: sim, claro
Psique: legal
Eros2002: poetei para mim sobre o assunto
Psique: é mesmo?
Psique: conte-me
Eros2002: sim
Eros2002: pego no copo como se pegasse em ti
Eros2002: e brindo aos teus lábios com os meus
Psique: como é que é?
Eros2002: brindo aos teus lábios com os meus
Eros2002: e bebo imaginando o teu olhar
Eros2002: e ouço o teu riso alegre
Eros2002: e pouso de novo o copo
Eros2002: e lembro oceano azul e longo
Eros2002: a ti minha musa
Eros2002: fim
Psique: obrigada, Eros
Eros2002: de nada
Eros2002: o título é “A ti musa”
Psique: até onde nós vamos com tudo isso, Eros?
Eros2002: daqui a pouco vou para a cama...
Eros2002: acho que a uma bela amizade
Eros2002: sem complexos
Psique: Eros, boa noite!
Eros2002: que aconteceu?
Psique: nada
Eros2002: sério?
Eros2002: ofendi-a?
Eros2002: não acredito!
Psique: boa noite, não me ofendeu
Eros2002: ok, boa noite
Eros2002: você fugiu assim de repente
Psique: quero ficar um pouco sozinha, é só isso. Amanhã conversaremos com certeza
Eros2002: de certeza que é só isso?
Psique: sim, Eros
Eros2002: não me parece
Psique: o que quer que eu lhe diga então?
Eros2002: nada que seja contrariada
Psique: posso ir-me?
Eros2002: ok xau
Eros2002: boa noite
Psique: boa noite
Psique: xau
Eros2002: xau

domingo, agosto 12, 2007

Ócio
















líria porto

quão bom é dormir
numa cama à toa

qual uma canoa
a alisar o rio

a nos transportar
para outra margem

a sentir no dorso
o frescor da brisa

o corpo do amado
dar-nos arrepios

a fazer-nos gratos
grávidos

espíritos

*

http://liriaporto.blogspot.com/

domingo, agosto 05, 2007

Mensagem para você

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Antoine de Saint-Exupéry

Proverbiando

Quem tudo quer tudo perde

Registrado por Mário Lamenza, em "Provérbios", parece ter origem espanhola. Pelo menos é citada em língua castelhana nesta passagem da famosa "Arte de Furtar": "Medraríamos todos se houvesse lei, que perca tudo quem abarcar tudo; e seria justa pela rega: que quien todo lo quiere todo lo pierde".-- Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL visite:http://cplitoral.blogspot.comhttp://cliquepoetico.blogspot.com

Poesia na rede caiçara

LEGADO

Valdir Alvarenga livro: Plenilúnio


Deus me deu o dom da poesia a luz da lucidez Deus me deu o entendimento do coração o silêncio da solidão e a sabedoria de se perder e se achar. Deus me deu a chave. Eu que encontre a porta!


AS GAIVOTAS

Narciso de Andrade - Santos

Ninguém interfere no destino das gaivotas. Sua vida azul é toda de altitudes e diálogos com o vento e as nuvens. Voando, elas bicam o sol e pousam suaves no espelho das marolas. Não cantam porque não querem; que sua voz se reserva para os segredos que murmuram entre si quando a tarde cai. A grande paisagem que é o mar só se completa quando as gaivotas rompem a linha do horizonte e saem do infinito com um peixe na boca. São belas, são fáceis, são lúcidas as gaivotas – ninguém interfere no seu destino.

Para Serafim

Gizelda Bassi

Guerreiro que em tantas batalhas lutastes o fiel combate, repousa tua mente, teu coração Busca em mim, tua paz.

Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL visite:http://cplitoral.blogspot.com/http://cliquepoetico.blogspot.com/

Papel (Hârtie)

Anunciou-se, creio, no apocalipse,
não me lembro muito bem,
que um grande furacão de papel
se aproxima da direção NO
e de todas as direções.

O furacão destruirá tudo no seu caminho,
convertendo tudo em papel.

As árvores se transformarão em papel,
os animais em papel,
o ouro em papel.

Os homens gritarão horrorizados,
e seus gritos
se tornarão cobras de papel.
Depois eles próprios se vão desfazer em papel:

papel de embrulho, papel de envelopes,
papel de sacos, papel de bíblia,
papel de cigarros.
E, sobretudo, de jornais.

Alguns se tornarão artigos de fundo,
outros entrarão nos problemas
industriais ou agrários,
outros passarão à página externa.
Os escritores que ainda não falharam
por falta de espaço,
falharão nos primeiros cinco quadrados.
Pra que falar em demasia:
haverá um furacão e um papel
mundial.

E no fim,
perdendo a paciência,
se entreabrirá a terra.
Engolirá tudo com apetite
e limpará a boca
com os homens que se tinham transformado
em guardanapos.

Marin Sorescu
poeta romeno

trad. Luciano Maia

Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL visite:http://cplitoral.blogspot.comhttp://cliquepoetico.blogspot.com

A mais bela

Eros2002: oi
Psique: oi
Eros2002: então a festa foi boa?
Psique: foi maravilhosa!
Eros2002: ótimo!
Psique: e eu fiz um brinde para você à mesa
Eros2002: obrigado
Psique: ontem tudo foi lindo, o baile, o jantar, tudo mesmo.
Eros2002: sim
Eros2002: e você a mais bela da sala
Psique: obrigada, você é gentil.
Eros2002: o convívio foi bom?
Psique: com os amigos?
Eros2002: sim
Eros2002: aqui também saí, e conversei até com gente que não conheço, foi muito proveitoso
Psique: ainda bem que superou o dia de ontem
Eros2002: sim, acabou bem
Eros2002: quase bem
Psique: eu hoje me sinto estranha
Eros2002: por quê?
Psique: não sei, desde cedo sinto vontade de ficar sozinha, até na praia fui caminhar só.
Eros2002: sim?
Eros2002: oh!
Eros2002: eu já te liguei três vezes hoje
Eros2002: e nada
Psique: fazia tempo que não me sentia assim
Eros2002: tive azar
Eros2002: será por causa de ontem?
Psique: é como se eu precisasse conversar comigo mesma
Eros2002: serei eu a desestabilizar?
Psique: não é você não, sou eu mesma.
Eros2002: mas o que se passa?
Psique: não sei
Eros2002: o que é que sente?
Psique: Desculpe, mas preciso atender minha amiga que chegou. Volto logo
Eros2002: ok até logo
Psique: ainda está aí, Eros?
Eros2002: oui
Psique: desculpe, mas não podia deixar a minha amiga
Eros2002: sim
Psique: e eu ganhei um chocolate
Eros2002: linda menina
Psique: ela sempre me traz algo
Eros2002: simpática
Psique: eu?
Eros2002: também
Psique: onde estávamos mesmo?
Eros2002: você se sente estranha
Psique: é, às vezes quero ficar sozinha, conversar comigo mesma
Psique: e hoje passei o dia inteiro assim
Eros2002: sim, não quer conversar comigo?
Psique: quero!

Gostosa

Eros2002: o que é para si madrugada?
Eros2002: Quatro ou 5 da manhã?
Eros2002: mas que horas?
Psique: é sobre telefonar para mim?
Eros2002: isso
Psique: me acorde uma madrugada dessas, vou adorar, use sua sensibilidade e “sinta" em que momento estarei dormindo.
Eros2002: ok, boa!
Psique: vai fazer isso?
Eros2002: sim, amanhã talvez não, mas brevemente.
Psique: não quero saber o dia, senão perde a graça.
Eros2002: ok
Eros2002: gostei muito de ouvir a sua voz
Psique: obrigada, você é muito gentil.
Eros2002: não, é verdade apenas.
Psique: fui à igreja rezar.
Eros2002: sim?
Psique: eu tinha prometido ir, achei chato faltar, estamos estudando os Atos dos Apóstolos.
Eros2002: sim, era chato.
Psique: mas agora vamos falar sério
Eros2002: de...
Psique: desculpe, mas acho que não vou dizer.
Psique: deixe para lá
Eros2002: diga
Psique: não, aquela "voz” interior disse ‘não’.
Eros2002: por que ela comanda?
Psique: é a minha intuição
Psique: às vezes eu não a ouço, mas me dano
Eros2002: não sei...
Psique: você me parece racional demais, Eros.
Psique: pelo menos me deu essa impressão
Eros2002: olhe que não, sou mesmo #open mind#
Eros2002: com limites, claro.
Psique: o que é isso?
Eros2002: mente aberta
Psique: isso é bom, e até onde vai essa sua mente aberta?
Eros2002: não sei
Eros2002: mas não é ilimitada
Psique: e quais são os seus limites?
Eros2002: não entra na área das drogas, por exemplo,
Eros2002: e os seus?
Eros2002: na violência
Psique: os meus limites são dados pelo meu coração
Psique: você ainda não sentiu isso?
Eros2002: um pouco
Psique: então,
Psique: não quero ter um homem só pela net
Eros2002: ah, ok
Psique: quero ter alguém aqui, ao vivo e em cores.
Eros2002: certo
Psique: essas nossa brincadeiras vão acabar me machucando
Eros2002: então temos de mudar o rumo
Eros2002: nunca gostei de ver alguém se machucar
Psique: pois é, já pensou se eu me apego a você?
Eros2002: você é quem sabe, eu ficaria muito triste se você se machucasse comigo.
Psique: já tem um ‘alarme’ tocando dentro de mim
Eros2002: isso não seria muito mau
Psique: por isso é que não quero mais poetar com você, por exemplo.
Psique: nós já fugimos do campo da literatura e faz tempo, concorda?
Eros2002: não a quero machucar e tudo farei para que isso não aconteça
Psique: adoro conversar com você
Eros2002: e eu com você
Psique: mas quero que nossa amizade tenha limites saudáveis
Psique: concorda?
Eros2002: sim, dentro desses princípios acho uma ótima idéia.
Eros2002: mas a idéia de você já esqueceu seu ex namorado também me agrada
Psique: gracinha...
Eros2002: é mesmo, acho você muito doce para que se amarre ao passado.
Psique: podemos nos comunicar pela net ou por telefone, mas vamos nos policiar.
Psique: você compreende o que eu quero dizer?
Eros2002: se você quiser me usar para largar o passado e conseguir partir para um futuro harmonioso, pode contar comigo.
Psique: usar você? Mas como?Nem posso tocá-lo?
Eros2002: não sei
Eros2002: mas o passado amargura-a muito
Eros2002: e acho que você não merece isso
Psique: eu ainda sofro muito por isso, mas...
Eros2002: mas...
Psique: não vou morrer por isso
Eros2002: ok
Eros2002: você é que sabe
Psique: e de um modo geral eu estou bem
Eros2002: ótimo
Psique: mas não posso amar alguém que não esteja dentro dos meus sonhos. Isto é loucura, Eros?
Eros2002: não
Eros2002: você é gostosa
Psique: eu!?
Eros2002: sim
Psique: você não sabe
Eros2002: mentalmente, e pelo que escreve é.
Eros2002: e pela voz
Psique: você me mata de rir
Eros2002: mato???
Psique: sim, me faz rir muito.
Eros2002: e é bom para a saúde
Psique: com certeza
Eros2002: então tudo bem.

Brasil - Por quem os sinos (não) dobram

Brasil - Por quem os sinos (não) dobram?
O Brasil padece sob o impacto do maior acidente aéreo da história do país, com pelo menos 200 vítimas fatais. A morte de todos nós é uma tragédia inevitável. Não tanto para quem parte, sim para quem fica. Se ao nascermos todos riem enquanto choramos, ao morrermos choram eles e nós sorrimos. É a certeza da fé. Porém, doem os laços afetivos que nos ligam àqueles que se foram. Já não mais podemos vê-los, ouvi-los, abraçá-los, partilhar com eles dificuldades e alegrias da vida. Agora restam o silêncio, a lembrança, a saudade doída. A nossa mão se estende no vazio…
Há que tratar a morte com solene seriedade. Para quem sofre a perda do outro, não é um fenômeno descartável. Em princípio, nossa sensibilidade deveria reagir toda vez que, por alguém, os sinos dobram. Se considerarmos que apenas no século XX o ser humano eliminou, pela violência, 100 milhões de semelhantes, então se pode entender por que somos insensíveis à morte alheia. Blindamos a sensibilidade para nos preservar. Já é sofrido chorar a perda do parente e do amigo; por que admitir que a morte do estranho fira o nosso coração?
A morte, no entanto, exige solene reverência. O rito de passagem precisa, de algum modo, ser celebrado: a identificação do morto, o velório, o enterro ou a incineração, as condolências, a liturgia religiosa, o luto. Caso contrário, somos condenados ao drama das famílias de desaparecidos sob a ditadura - não mudam de endereço na expectativa de que, um dia, eles reapareçam. Pois não há arbítrio capaz de enterrar a esperança de um coração materno ou paterno.
Tchekhov, no conto "Angústia", narra a triste solidão de um cocheiro que, tendo perdido o filho, não encontra nenhum ouvido disposto a escutá-lo. "Logo vai fazer uma semana que o filho morreu - diz o narrador - e ele ainda não conversou direito com ninguém... É preciso conversar com vagar, com calma... É preciso contar como o filho ficou doente, como sofreu, o que disse antes de morrer, como morreu. É preciso descrever o enterro e a viagem ao hospital para buscar a roupa do defunto".
Familiares e amigos dos passageiros e tripulantes do Airbus-A320 sentem-se como o cocheiro de Tchekhov em se tratando de nossas autoridades públicas. O cocheiro encontrou o consolo de, afinal, desabafar com a égua que lhe movia a carroça.
Mas nossas autoridades, à exceção do governador paulista e do prefeito da capital, excetuando escalões inferiores, não compareceram aos hotéis em que os familiares se hospedam em São Paulo, nem às celebrações litúrgicas, nem ao enterro de corpos identificados. Ainda que o fizessem, seria um consolo? Jamais. Porém, seria um gesto de grandeza cívica, de quem representa a nação e, em nome dela, sabe irmanar-se na dor, assim como não perde a oportunidade de irmanar-se na alegria.
E seria um gesto de que a tragédia do dia 17 de julho não se reduz a um mero acidente que exime os órgãos públicos de qualquer responsabilidade.
Quando o poder se coloca do lado das vítimas, ele aprende a mudar seu modo de proceder. E se humaniza. (Autor de "Treze contos diabólicos e um angélico", Planeta, entre outros livros).
*Frei Betto
* Frei dominicano. Escritor.