segunda-feira, fevereiro 25, 2008

As mensagens que me envia

Para Gustavo

Gosto muito das mensagens que me envia. As palavras causam efeitos às minhas emoções. Às vezes me enchem de esperança, me fazem sonhar, me deixam com coragem de ir em frente em sonhos que eu imaginava que seriam só sonhos, me deixam menos só, fico corajosa, ascendem meus desejos, ouso até sonhar que o meu amor virá até mim.
Mas tais efeitos não duram para sempre. As mensagens se desvanecem, somem no ar, minha memória as deleta. Então, a minha realidade, tão concreta se mostra novamente. Pode ser também porque, como ser humano, não vivo só de palavras, às vezes a matéria precisa de coisas mais palpáveis: do toque, do abraço, do afago.
Porém, tal como um pharmakon - droga, em grego - alguma coisa fica, algum efeito permanece: a esperança talvez, um pouco de coragem, a fé que o amor é mais forte do que qualquer outra coisa, que a razão às vezes deve prevalecer, mas, acima de tudo que não estamos sós em momento algum.
Por isso, as palavras devem ser ditas com a certeza de que passamos a alguém muito mais do que sílabas tônicas ou átonas, verbos ou pronomes. Elas possuem a energia criadora, são capazes de transformar, unir, tocar a alma, de quem as lê ou ouve.
E, felizes aqueles que possuem a sensibilidade para ler as entrelinhas, pois a leitura de uma mensagem vai além do que as palavras estão dizendo. Há também de se pensar o que o destinatário da mensagem quis nos dizer ao nos enviá-la: “era isso o que eu lhe diria”, “para lhe ajudar”, “para cessar a sangria da sua alma”, “para aquietar suas angústias”, “para que o dia de hoje seja mais feliz”.
Mas no fundo, bem no fundo, a gente quando envia uma mensagem para alguém, quer dizer para o destinatário simplesmente: “gosto de você, fique bem”.
Por isso, leio sempre as mensagens que me envia, com os olhos do coração.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Na loja de flores

A mulher caminhava por um centro comercial quando reparou no cartaz: uma nova loja de flores. Ao entrar, levou um susto; não viu nenhum vaso, nenhum arranjo, mas era Deus, em pessoa, que estava atenden­do no balcão.
- Pode pedir o que quiser - disse Deus.
- Quero ser feliz. Quero paz, dinheiro, capacidade de ser compreendida. Quero ir para o céu quando morrer. E quero que tudo isto seja também concedido aos meus amigos.
Deus abriu alguns potes que estavam na prateleira atrás dele, tirou vários grãos de dentro, e estendeu para a mulher.
- Aí estão as sementes - disse. – Comece a plantá-las, porque aqui nós não vendemos os frutos.

Paulo Coelho

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

E tudo mudou...

O rouge virou blush O pó-de-arroz virou pó-compacto O brilho virou gloss O rímel virou máscara incolor A Lycra virou stretch Anabela virou plataforma O corpete virou porta-seios Que virou sutiã Que virou lib Que virou silicone A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento A escova virou chapinha “Problemas de moça" viraram TPM Confete virou MM A crise de nervos virou estresse A chita virou viscose. A purpurina virou gliter A brilhantina virou mousse Os halteres viraram bomba A ergométrica virou spinning A tanga virou fio dental E o fio dental virou anti-séptico bucal Ninguém mais vê... Ping-Pong virou Babaloo O a-la-carte virou self-service A tristeza, depressão O espaguete virou Miojo pronto A paquera virou pegação A gafieira virou dança de salão O que era praça virou shopping A areia virou ringue A caneta virou teclado O long play virou CD A fita de vídeo é DVD O CD já é MP3 É um filho onde éramos seis O álbum de fotos agora é mostrado por email O namoro agora é virtual A cantada virou torpedo E do "não" não se tem medo O break virou street O samba, pagode O carnaval de rua virou Sapucaí O folclore brasileiro, halloween O piano agora é teclado, também O forró de sanfona ficou eletrônico Fortificante não é mais Biotônico Bicicleta virou Bis Polícia e ladrão virou counter strike Folhetins são novelas de TV Fauna e flora a desaparecer Lobato virou Paulo Coelho Caetano virou um chato Chico sumiu da FM e TV Baby se converteu RPM desapareceu Elis ressuscitou em Maria Rita ? Gal virou fênix Raul e Renato, Cássia e Cazuza, Lennon e Elvis, Todos anjos Agora só tocam lira... A AIDS virou gripe A bala antes encontrada agora é perdida A violência está coisa maldita! A maconha é calmante O professor é agora o facilitador As lições já não importam mais A guerra superou a paz E a sociedade ficou incapaz... ... De tudo. Inclusive de notar essas diferenças

Luis Fernando Veríssimo

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Gestão do fósforo



Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal:
Estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores
histórias sobre atendimento que conhecemos.
Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada,
resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar.
Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome:
Hotel Venetia.
Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado
com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou
amavelmente:
"-Bem-vindo ao Venetia!"
Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava
confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os
procedimentos: tudo muito rápido e prático.
No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente
limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente
alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais!
Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite,
começou a pensar que estava com sorte.
Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o
pedido no momento do registro).
A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha
experimentado, naquele local, até então.
Assinou a conta e retornou para quarto. Fazia frio e ele
estava ansioso pelo fogo da lareira.
Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a
ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira.
A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala
de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela!
Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho
borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar.
Simplesmente uma cafeteira ligada
por um timer automático, estava preparando o seu café e,
junto um cartão que dizia:
"Sua marca predileta de café. Bom apetite!"
Era mesmo!
Como eles podiam saber desse detalhe? De repente, lembrou-se:
no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.
Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia
um jornal. "Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?"
Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a
recepcionista Havia perguntado qual jornal ele preferia.
O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter
ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel fizera mesmo de
especial?
Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara
de café e um jornal.
Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias
de hoje.
Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no
entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito, mais desconfiado.
Mudamos o layout das lojas, pintamos as prateleiras, trocamos
as embalagens, mas esquecemos-nos das pessoas.
O valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do
relacionamento com o cliente.
Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante!
Lembrando que:
Esta mensagem vale também para nossas relações pessoais
(namoro, amizade, família, casamento) enfim pensar no outro como ser
humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe.
Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está
nos gestos mais simples de nosso dia-a-dia que na maioria das vezes
passam desapercebidos.
(autor desconhecido)

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Feliz 2008




Que em 2008
Se for para esquentar, que seja ao sol;
Se for para lutar, que seja por seus direitos;
Se for para matar, que seja a fome;
Se for para bater, que seja uma bola;
Se for para enganar, que seja o estomago;
Se for para roubar , que seja um beijo;
Se for para perder, que seja uns quilos;
Se for para esconder que seja um presente;
Se for para enfrentar , que seja o medo;
Se for para quebrar , que seja um recorde;
Se for para ser feliz , que seja o ano todo;
Feliz Ano Novo

sexta-feira, dezembro 21, 2007

O jogral de Nossa Senhora

Conta uma lenda medieval que no país que hoje conhecemos como Áustria, a família Burkhard – composta de um homem, uma mulher, e um menino - costumavam animar as feiras de natal recitando poesias, cantando baladas de antigos trovadores, e fazendo malabarismos para divertir as pessoas. Evidente que nunca sobrava dinheiro para comprar presentes, mas o homem sempre dizia a seu filho:
- Você sabe por que a sacola de Papai Noel não se esvazia nunca, embora haja tantas crianças neste mundo? Porque embora ela esteja cheia de brinquedos, às vezes existem coisas mais importantes para serem entregues, os chamados “presentes invisíveis”. Em um lar dividido, ele procura trazer harmonia e paz na noite mais santa da cristandade. Onde falta amor, ele deposita uma semente de fé no coração das crianças. Onde o futuro parece negro e incerto, ele traz esperança. No nosso caso, quando Papai Noel vem nos visitar, no dia seguinte estamos todos contentes de continuarmos vivos e fazendo nosso trabalho, que é de alegrar as pessoas. Jamais esqueça isso.
O tempo passou, o menino transformou-se em rapaz, e certo dia a família passou diante da imponente abadia de Melk, que acabara de ser construída.
- Meu pai, lembra-se que há muitos anos você me contou a história de Papai Noel e seus presentes invisíveis? Penso que certa vez recebi um destes presentes: a vocação de tornar-me padre. Embora precisassem muito da companhia do filho, a família entendeu e respeitou o desejo do filho. Bateram na porta do convento, foram acolhidos com generosidade e amor pelos monges, que aceitaram o jovem Buckhard como noviço.
Chegou a véspera do natal. E justamente naquele dia, um milagre especial aconteceu em Melk: Nossa Senhora, levando o menino Jesus nos braços, resolveu descer à Terra para visitar o mosteiro.
Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila, e cada um postava-se diante da Vigem, procurando homenagear a Mãe e o Filho. Um deles mostrou as lindas pinturas que decoravam o local, outro levou um exemplar de uma Bíblia que havia demorado cem anos para ser manuscrita e ilustrada, um terceiro disse o nome de todos os santos.
No último lugar da fila o jovem Buckhard aguardava ansioso. Seus pais eram pessoas simples, e tudo que lhe haviam ensinado era atirar bolas para cima e fazer alguns malabarismos.
Quando chegou sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens, porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer, e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si para Jesus e a Virgem.
Envergonhado, sentindo o olhar reprovador dos seus irmãos, ele tirou algumas laranjas do bolso e começou a jogá-las para cima e segurá-las com as mãos, criando um belo círculo no ar, igual ao que costumava fazer quando ele e sua família caminhavam pelas feiras da região.
Foi só neste instante que o Menino Jesus começou a bater palmas de alegria no colo de Nossa Senhora. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco a criança, que não parava de sorrir.

Paulo Coelho

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Natal não é fazer compras, nem comer e beber compulsivamente

Paz e bênçãos! Desejo a todos um FELIZ NATAL. Que o Senhor encontre lugar em vosso coração aconchego. Através de vc ele quer reeditar esse mundo, criando relações novas, onde o amor de Deus seja evidente e abundante nas relações que estabelecemos, enquanto pessoa, comunidade ou intituição.

Oração: Ó DEUS, que revelastes ao mundo o esplendor da vossa glória pelo parto virginal da Virgem Maria, dai-nos venerar com fé pura e celebrar sempre com amor sincero o mistério tão profundo da encarnação. Em nome de Jesus, o Teu Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém!
Reflexão: O Mistério da Encarnação é tão grandioso e sublime que transcende nossa capacidade humana de compreensão. O Verbo da Vida, Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus se encarna no seio da Virgem Maria. O Deus Todo-Poderoso envia um Anjo até a casa de uma simples jovem e pede licença à ela para que o Filho de Deus pudesse se encarnar.

Como entender isso: Como o Criador coloca-se diante de uma criatura e pede licença para "entrar"? Pobreza maior não há! Mistério tão sublime e grandioso. Pelo "SIM" de Maria, Jesus Cristo assume a nossa condição humana. Deus veio visitar o seu povo. Seu nome é: EMANUEL (Deus está conosco)!

Uma boa preparação para a grande Festa da Encarnação do Amor!

Um abraço

Padre Carlos

domingo, novembro 25, 2007

Depoimento

Para os que não me conhecem sou FiL, um peregrino e andarilho tolo
que foi para o Caminho de Santiago e depois para o Caminho de Roma sem quase nada,
tendo de usar mochilas, sacos de dormir e outras coisas emprestadas.
Peregrino que hoje olha para traz e vê a diferença que o Caminho
Interno propiciou em sua vida.
Andar em jejum, fazer certas práticas de contrição, buscar ouvir a
Voz do Íntimo. Sentir a Harmonia do Altíssimo Se manifestando em
tudo e em todos.
Ah, que maravilhosos Caminhos percorri!
Escrevo para dar testemunho... escrevo como um ato de adoração.
Em meio ao Caminho de Santiago, eu levava umas meias velhas e
como havia feito um voto de pobreza e humildade para percorrer o
caminho eu levava apenas cinco meias finas sociais e duas meias grossas
para calçar.
(detesto passar mal ou sofrer agruras, amo comer e beber bem, dançar
(comecei a aprender... eheh)
Mas mesmo assim fiz meus votos de pobreza, humildade e castidade.
Antes do Caminho eu tinha um medo terrível de ter bolhas, torções,
ferimentos etc.
Até que alguns peregrinos me disseram:
- "Presta atenção nos seus pés." E meu Íntimo começou a me dizer:
- "Escutai-os... Escutai vossos pés e vosso ritmo. Sinta o ritmo da
vida no seu caminhar..." Eu me perguntava:
- E o meu tempo para caminhar? Tenho os dias contados.
E minha voz íntima respondia-me:
"O ritmo do peregrino não é o ritmo do cotidiano...
Entregue-se ao Ritmo do Peregrinar e terás o Domínio do Cotidiano."
E assim eu fiz... E ainda assim hoje ocorre em minha vida.
Caminhava sempre com duas meias: a fina e a grossa... Prestava
extrema atenção a cada passo...
Parava quando sentia uma leve dobradura na meia, quando sentia ser o
momento sentava-me ao lado da estrada fosse onde fosse. Sempre
surgia alguém ou uma lição naquele lugar.
E sempre me perguntava "O que esta pessoa tem para me ensinar?”, ou
ainda, "O que eu tenho para ensinar ou vivenciar para e com esta
pessoa ou situação? ”Então, como eu dizia... eu sentava na beira da
estrada tirava as meias, massageava meus pés com uma mistura que
levei do Brasil de arnica em álcool... Sentia meu corpo e o prazer de
tocar-me... Agradecia então a oportunidade única daqueles momentos.
Muitas vezes nesses momentos entrava em uma espécie de êxtase, de
uma alegria incomensurável. Um êxtase tão puro, intenso e forte que
tornava todas as outras alegrias que tive (inclusive o nascimento
dos meus filhos), coisas menores e banais. Ficava às vezes horas
assim quando então retornava para a lide. Calçava as meias que
haviam ficado penduradas pelo avesso para tomar um "arzinho", as
calçava com calma, prestando atenção a cada detalhe... (como se fosse
fazer amor com elas e com meus pés... sem pressa, com suavidade e
atenção a cada detalhe, sentindo... apreciando... deixando aquilo ser
a coisa mais importante do mundo naquele instante. Então começava a
seguir em meu ritmo torto... Focava cada troca de pernas; e a cada
série de passos entoava mantras ou orações ou frases, ou ainda e
mais importante, a cada série de passos mergulhava em Silêncio
Profundo... auscultava meu Íntimo e dele recebia bênçãos incríveis
em forma de orientação ou esclarecimentos.
Peregrinar não é fazer um trekking de longo percurso, tão pouco é o
simples caminhar seguindo o que outros escreveram em livros e guias
(tudo isso se pode fazer no Roteiro de Santiago) mas no Caminho de
Santiago o peregrinar pode ser algo especial e único. Basta ouvirmos
nossos pés e não o nosso Ego.
Meu Ego dizia: "Para que sofrer tanto? Pega um táxi ou ônibus..."
Meu Íntimo me dizia e questionava: "Tens a capacidade de vencer a
ti mesmo? De Superar teus limites? Vencer tuas paixões?"
Fiz então meu voto de apenas andar durante todo o caminho.
E quando fazemos votos, somos neles e por eles testados (isso eu
creio). Após os votos torci e rompi os ligamentos do tornozelo... E
apenas pela oração e por tudo o que acima mencionei é que terminei
meu caminho após 48 dias...
Perdi a concessão de vendas de seguros da minha corretora.
Perdi a concessão ao me recusar a cumprir meu tempo cotidiano; ao
me recusar a pegar um táxi ou ônibus. Perdi a concessão ao me
entregar ao Caminho... Ganhei o domínio de minha vida...
Se eu tivesse quebrado meus pés, sei que mesmo assim me
arrastaria... ou no Caminho permaneceria até que nele pudesse tornar
a caminhar... O que lhes proponho não é um ato de fanatismo ou
catarse religiosa... antes é um ato interno de iniciação. quando
estivermos em nossa hora de dor e sofrimento teremos a lembrança
das lições de Caminho... caso não as tenhamos seguido e praticado e
tenhamos pegado um táxi.
Bem, então me pergunto: Qual o táxi ou atalho que pegaremos na
vida real quando o sofrimento nos atingir?
O peregrinar, como sugiro, lhes dará recursos mentais, internos e
espirituais que os ajudarão na hora da dor no cotidiano.
Superar a si mesmo não por suas forças, mas pela sintonia com o
Altíssimo é a Arte Real do Peregrino.
Falei demais, perdoem...

L.C. Filardi

sábado, novembro 03, 2007

Como escolher um nome

Uma amiga achou um papagaio perdido embaixo de uma árvore e levou o bichinho para casa. Agora está preocupada em escolher um nome para ele e, se vai ter problemas com o IBAMA. Não tenho certeza até que ponto ajudou, mas contei-lhe a história do “meu” Loro.
Aos cinco anos, ganhei do meu pai um papagaio. Foi um dos presentes mais lindos da minha vida. Loro, durou 30 anos e morreu bem velho.Como minha mãe tinha que se ocupar do trabalho doméstico, alimentar o Loro era trabalho meu.Ele chegou em casa ainda bebê e, eu tinha que dar a comida na boca, com uma pequena colher.De manhã, ele tomava sopinha de café com leite e pão.Nas outras refeições, o cardápio para ele era o mesmo da família.Lorinho, ficou tão mal acostumado que, quando a gente colocava, na gaiola, a vasilha com a sua refeição, com o biquinho, ele procurava a...mistura.Então, ele aprendeu a comer carne, verduras, enfim ,tudo.
O papagaio é um bichinho muito alegre. O meu imitava o cachorro da casa, ria como nós ríamos, chorava como as crianças choravam, assobiava e até cantava. Mas seu canto era só na língua no "tá". Como em casa me chamavam de Tata, ele não só aprendeu o meu nome, como aprendeu a cantar nessa "língua". Suas canções eram muito desafinadas e engraçadas: ta-ta-ti-tooo. Realmente era hilário.
Já adolescente fui trabalhar e, quando estava no horário de chegar em casa para almoçar, Loro gritava feito um louco: Tataaaaaaaaa. Aí minha sabia que eu estava chegando.
Ele vivia trepado no meu ombro e adorava mordiscar o lóbulo da minha orelha, mas jamais me machucou.
Anos mais tarde quando terminei a faculdade e fui trabalhar em outra cidade, Loro ficou um pouco calado, só ria quando alguém falava com ele, depois, se aquietava. Com certeza, sentia a minha falta.
Ele sempre morou em uma gaiola aberta, em forma de L. Na minha casa não se escraviza animal. Mas, suas asinhas eram cortadas regularmente para que ele não fugisse para longe.Muitas vezes, ele voava até o chão para dar um passeio.
Quando éramos pequenos, às vezes, eu brigava com o meu irmão e gritava para a minha mãe: Ô mãe, olha o Toninho aqui! Loro olhava com a cabecinha enviesada a briga e gritava: Ô mãeeeeeeeee. E depois caia na gargalhada.E quando a briga terminava em choro, primeiro Loro chorava junto, depois era só gargalhada.
Em casa sempre tivemos gato e cachorro, quando morria um, logo arrumávamos outro. Mas, nenhum animal marcou tanto a minha vida como o meu querido e amado Lorinho.
Como escolher o nome? É tão simples olhe para ele e escolha com o coração, com amor.
Quanto ao IBAMA, as últimas notícias que eu tive sobre os animais em extinção, caso do papagaio, é que o IBAMA permite que se crie em casa desde que a pessoa tenha a autorização desse Órgão.
Não custa se informar, sem dizer que já tem um em casa.
Loro nunca foi legalizado até porque nem sabíamos que algo assim existia. Ele veio para mim quando eu tinha cinco anos, hoje tenho 53. Mas uma coisa eu garanto, ele foi muito amado, muito bem cuidado. E é isso o que realmente importa.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Dia do professor

Dia do Professor

“Ensinar é um exercício de imortalidade.
De alguma forma continuamos a viver, naqueles cujos olhos,
aprenderam a ver o mundo, pela magia da nossa palavra.
O professor não morrerá jamais”
Rubem Alves

quinta-feira, setembro 06, 2007

Em francês

Psique: Eros?
Eros2002: yes!
Psique: fale em francês comigo. Você sabe?
Eros2002: oui
Psique: diga algo então, acho esse idioma muito sensual
Eros2002: je vai aimé t'embrasser
Psique: traduza agora
Eros2002: dnas botre rendez-vous je te vais fasir du plaisir
Eros2002: vou adorar te abraçar
Eros2002: e no nosso encontro te dar prazer
Psique: fale mais
Eros2002: oh!
Psique: fale
Eros2002: não!
Psique: ah!
Eros2002: não escrevo há muito tempo
Eros2002: je vais te faire voir les etoiles
Psique: trate de aprender
Eros2002: de heureuz
Eros2002: reaprender
Psique: quero que sussurre em francês no meu ouvido
Eros2002: ok
Eros2002: depois
Psique: quando me telefonar
Eros2002: se você me morder todinho
Psique: pelo telefone?
Eros2002: experimentemos
Eros2002: amanhã
Eros2002: d'accord
Psique: vai ser uma delícia!
Eros2002: sim
Psique: sim
Eros2002: e como vai ser?
Psique: o quê?
Eros2002: a delícia
Psique: como?
Eros2002: você é que sabe
Psique: sim
Eros2002: como vai me deliciar?
Psique: sei lá
Eros2002: não sabe?
Eros: não
Eros2002: invente, imagine
Psique: não sei
Psique: se fosse pessoalmente ainda vá lá
Eros2002: esta acanhada agora?
Psique2002: experimente
Psique: não
Eros2002: oohhhhhhhhhhhhh
Eros2002: que pena
Eros2002: vou beber água
Psique: tá
Eros2002: então?
Psique: vou dormir boa noite
Eros2002: já?
Psique: sim, beijos

Missa em Uruguaiana

Na cidade de Uruguaiana, bem na divisa do Brasil e Argentina, a Igreja da praça Barão do Rio Branco fica cheia para a missa das 10h: argentinos, brasileiros, o prefeito, delegado, comerciantes...
O padre começa o sermão:
- Irmãos estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus...
Aquele povo desgraçado como esses argentinos que estão aqui...
- Ohhhhhhh !!!!
O maior tumulto tomou conta da igreja.
Os argentinos saíram xingando o padre, houve briga na porta da igreja. O prefeito
levou a mão à cabeça, indignado.
Acabada a confusão, o prefeito foi falar com o padre na sacristia:
- Padre, controle-se por favor, os argentinos vêm para este lado, gastam nas lojas, nos restaurantes, trazem divisas para a cidade.
Não faça mais isso.
Durante a semana a conversa entre todos era a mesma: o padre e o sermão do domingo. Aquele zum-zum-zum todo foi fazendo as pessoas ficarem curiosas e querendo saber mais sobre o que tinha acontecido.
Finalmente, chega o domingo. O prefeito chega na sacristia e fala com o padre:
- Padre, o senhor lembra do que conversamos antes, não? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?
Vem a missa e o padre começa o sermão:
- Irmãos... Estamos aqui reunidos, hoje, para falar de uma pessoa da Bíblia: Maria Madalena. Aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas argentinas que estão aqui...
Não deu outra : pancadaria na igreja, quebraram velas nos corredores, tapas, socos e algumas internações na Santa Casa da cidade.
O prefeito novamente foi ao encontro do padre: - Padre, o senhor não me disse que iria pegar leve? Padre, se o senhor não amansar, vou escrever uma carta à Congregação e pedir a sua retirada imediata.
Naquela semana, o tumulto era maior ainda. As conversas eram maiores ainda e todos não perderiam a missa do próximo domingo nem por decreto.
Na manhã do domingo, o prefeito entra na sacristia com a polícia e adverte o padre:
- Padre, pega leve desta vez, senão te levo em cana !!
A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar de tanta gente, tinha moleque vendendo água, pirulito, gente recolhendo lata de alumínio, garrafas pet, vendedores de rifas...
Começa o sermão: - Irmãos.... Estamos aqui reunidos, hoje, para falar do momento mais importante da vida de Cristo: a Santa Ceia...
O prefeito então respirou aliviado.
Jesus, naquele momento, disse aos apóstolos :"Esta noite, um de vocês irá me trair".
Então João pergunta:
- Mestre, sou eu?
E Jesus responde:
- Não, João, não é você.
Pedro pergunta:
- Mestre, sou eu?
E Cristo responde:
- Não, Pedro, não é você.
Então Judas pergunta:
Mestre, soy yo?

Mordidinhas

Eros2002: oi
Psique: oi
Eros2002: como te sentes?
Psique: estou ótima!
Eros2002: sim?
Psique: e você?
Eros2002: quer uma mordidinha?
Eros2002: eu também
Psique: você é ótimo
Eros2002: sim
Psique: tá ficando muito assanhadinho
Eros2002: vou mandar a foto
Psique: agora?
Eros2002: sim
Eros2002: recebeu?
Psique: sim
Eros2002: ok
Psique: vou lhe enviar a minha
Eros2002: ok
Eros2002: já enviou?
Psique: sim
Psique: deve estar chegando
Eros2002: vou ver
Psique: não vá se assustar
Eros2002: com o quê?
Psique: a foto
Eros2002: oh!
Eros2002: assustar por quê?
Psique: aumente o tamanho dela
Eros2002: SIM
Eros2002: mas você cresce?...rsrs
Psique: heim?
Eros2002: está ok
Eros2002: estava a ver se dobrava a saia
Psique: pensou o que?
Psique: como?
Eros2002: desabotoar
Psique: tente quem sabe você consegue... rsrs
Eros2002: ok vou tentar
Psique: sonha Eros
Eros2002: sim, com quê?
Psique: com isso
Eros2002: com a saia?
Psique: simmmmmm
Eros2002: ok
Psique: desmaiou?
Eros2002: com quê?
Psique: você sumiu
Eros2002: não, estava a ver a foto com lupa, para ver os pormenores...
Psique: o que está fazendo?
Eros2002: estava brincando
Psique: eu sei
Eros2002: estava a tirar a roupa à foto, mas não consegui
Psique: ahahahahah
Eros2002: vou buscar um cigarro
Psique: tá
Psique: traga o vinho
Eros2002: não trouxe, não vi a mensagem a tempo
Psique: que pena
Eros2002: teremos tempo
Psique: de quê?
Eros2002: de beber o vinho
Eros2002: e quero que você o beba, enfim, você sabe...
Psique: por que não?
Eros2002: claro que sim
Psique: mas hoje, beba por mim, brinde a nossa amizade
Eros2002: ok, mas queria também um pouco da sugestão
Psique: diga
Eros2002: que você o beba em mim
Eros2002: e me dê um mordidinha
Psique: com certeza, vou beber você inteirinho...
Eros2002: sim?
Eros2002: que bom!
Psique: molhar a sua boca com vinho
Eros2002: e...
Psique: e morder os seus lábios
Eros2002: sim, hummmmmmmmmmmmm
Eros2002: e...
Psique: e, chega, está muito assanhado
Eros2002: estou?
Psique: yes!
Eros2002: no!

Trocando sons por cores

- Vamos parar um pouco. Não agüento esta cor laranja!

Onde está a cor de laranja? Estamos no Trastevere, em Roma, e tudo

que vejo são os bares, as pessoas na rua neste começo de primavera

gelado, e os sinos da igreja tocando. Já é quase noite de um dia

nublado, de modo que sequer podemos culpar o sol pela ilusão de

ótica.

Caminho com uma atriz que conheço já há algum tempo, mas que nunca

antes tivemos oportunidade de conversar o suficiente. Paro como

pediu, mas apenas por educação, já que aquela mulher equilibrada,

profissional, deve ser mais louca do que eu pensava.

Entramos em um restaurante para jantar. Pedimos risoto com trufas,

e um bom vinho. Conversamos sobre a vida, e de novo um comentário

absurdo:

- Esta comida está retangular!

Ela nota minha cara de espanto. Comida retangular?

- Você deve achar que estou louca; não estou. Houve um momento de

minha vida em que pensei que era daltônica (pessoa que confunde

uma cor com outra). Fui ao médico, e descobri que tenho um

distúrbio neurológico comum.

Depois que voltei para casa e imediatamente comecei a pesquisar no

computador, fiquei surpreso com algo que jamais tinha ouvido falar

em minha vida: sinestesia. Uma condição em que um estímulo de

determinado sentido provoca a percepção em outro. A pessoa que

sofre deste tipo de distúrbio, confunde sons com cheiros, visão

com paladar, cores com tato (não necessariamente nesta lógica).

Alguns estudos científicos alegam que a visão de auras em seres

humanos nasceu daí; discordo destes estudos, penso que todos nós

temos realmente um corpo astral que pode ser visto quando

alteramos a percepção. Mas o que mais me atraiu na pesquisa foi

saber que o que percebemos através de nossos cinco sentidos não é

uma verdade absoluta. As pessoas sinestésicas têm uma noção do

mundo completamente distinta da nossa, embora isso não os impeça

de levarem uma vida relativamente normal. Minha amiga atriz

trabalha na TV italiana todos os dias, e diz que terminou por se

acostumar.

Indo mais adiante na pesquisa, descobri um estudo na revista

britânica Cognitive Neuropsychology. Uma equipe de pesquisadores

do University College de Londres, chefiada pelo Dr. Jamie Ward,

foi mais além: alguns sinestésicos podem perceber cores em

palavras carregadas de emoção, como “amor” ou “filho”. A grande

maioria deles termina associando o nome de alguém à determinada

tonalidade. Ward descreve o caso de uma moça identificada por

G.W., que simplesmente pelo fato de escutar determinados nomes,

tinha seu campo de visão inteiramente coberto por determinada cor

associada àquela palavra.

Em uma revista de arte, aprendo que as aureolas que vemos em torno

das cabeças dos santos podem ter sido criadas por algum pintor

sinestésico na antiguidade, sendo repetidas pelos outros sem que

ninguém se perguntasse à razão daquele círculo de luz. O prêmio

Nobel de Física de 1965, certa vez disse em uma entrevista:

“quando escrevo equações no quadro-negro, noto os números e as

letras em cores diferentes”.Diz um artigo que Feynman faz parte de

um grupo de pessoas para quem o número dois pode ser amarelo, a

palavra carro tem gosto de geléia de morango, e certa nota musical

evoca a imagem do círculo.

Ward diz que a sinestesia não é absolutamente uma doença: “ao

contrário dos transtornos psiquiátricos, o sinestésico não tem

nenhuma função básica comprometida, e sim um sintoma positivo,

ausente na maioria dos outros seres humanos”.O grande problema

está em crianças em idade escolar, que não conseguem entender por

que sentem as coisas de maneira diferente dos outros.

Para minha grande surpresa, alguns estudos apontam que uma em cada

300 pessoas é sinestésica (embora a maioria diga que a relação é

de uma em 2.000).

No dia seguinte telefonei para a minha amiga e perguntei que

sensação ela sempre associava comigo. “Suave” foi sua resposta.

Bem, nem sempre a sinestesia tem lógica.

Paulo Coelho

Coisas

A máscara cai

O sorriso aparece

A ironia vence



O véu se rasga

A nudez se mostra

O pecado encanta



As cortinas se abrem

O espetáculo começa

O público se espanta



A mortalha se rebela

O rosto não é mais cadavérico

A morte não convence.



Ludimar Gomes Molina



Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL
visite:
http://cplitoral.blogspot.com
http://cliquepoetico.blogspot.com

Sexo e rock roll

Eros2002: saudades?
Psique: oi?
Psique: não quer ler sobre alfabetização comigo?
Eros2002: não, desculpe
Eros2002: estou ouvindo música, rock da pesada
Psique: tenho muita coisa para ler ainda
Eros2002: Aerosmith
Psique: você?
Eros2002: sim, adoro
Psique: esse tipo de música?
Psique: não acredito!
Eros2002: pode acreditar
Psique: pensei que gostasse de Beatles
Eros2002: também
Eros2002: quando era jovem era hippie
Psique: você era hippie?
Psique: não acredito!
Eros2002: sim!
Psique: essa eu preciso saber!
Psique: conte-me
Psique: fiquei curiosa
Eros2002: sim?
Eros2002: mas é verdade
Psique: usava cabelos longos?
Eros2002: sempre usei
Eros2002: mas como são meio encaracolados
Psique: viajava de carona?
Eros2002: e barba
Eros2002: yes
Psique: com mochila?
Eros2002: yes
Psique: uauaua
Eros2002: e botas couro
Psique: que legal!
Psique: acampava?
Eros2002: claro
Psique: botas de couro?
Psique: adoraria ver
Psique: você devia ficar muito alto
Eros2002: mas trepei pouco nessa altura,as mulheres eram muito tímidas
Psique: ahahahahahaha
Psique: que azar, não?
Eros2002: alto?
Eros2002: eu era alto para a época
Eros2002: 1,95
Psique: homens altos me deixam emocionada
Eros2002: excitada quer você dizer
Psique: é...
Psique: que mais?
Psique: conte-me
Psique: estou adorando
Psique: usava drogas?
Eros2002: não
Psique: todo hippie que se preza usava
Eros2002: sempre fui contra as drogas
Eros2002: eles, os que usavam drogas eram violentos
Psique: nem que fosse a básica maconha
Eros2002: não me agradava muito
Psique: que mais
Eros2002: mais?
Psique: sim, conte-me
Psique: tinha uma turma?
Eros2002: nada mais de especial
Psique: andava de moto?
Eros2002: não, tenho e sempre tive medo
Eros2002: andei por muitos lugares de corona
Psique: adoro isso!
Psique: viajei muito de carona, mas para trabalhar
Psique: existe uma associação de andarilhos aqui, ainda quero conhecê-los
Eros2002: ia a festivais de música e concentrações do contra
Psique: que legal
Eros2002: mas agora não estou muito a fim
Psique: o que mais gosta em termos de música?
Psique2002: tudo que for bom
Psique: exemplo
Eros2002: desde Mozart ou Beethoven, a Chico ou, outros
Psique: rapaz versátil...
Eros2002: e eclético
Psique: está sozinho?
Psique: ahahaha
Psique: eclético??????
Eros2002: completamente sozinho em casa
Psique: oh!
Eros2002: por quê?
Psique: por nada
Eros2002: quer que eu telefone?
Psique: não, preciso voltar para as minhas leituras

O Jardim e a Noite

Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entra a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Cláudia Brino - Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral - CPL
visite:
http://cplitoral.blogspot.com
http://cliquepoetico.blogspot.com

domingo, agosto 19, 2007

Nem todos os homens são Herbert Vianna

Vaidade - HERBERT VIANNA
Cirurgia de lipoaspiração?Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração? Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.Hoje, Deus é a auto imagem.Religião, é dieta.Fé, só na estética. Ritual é malhação.Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal.Ruga é contravenção.Roubar pode, envelhecer, não.Estria é caso de polícia.Celulite é falta de educação.Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o a volta, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas... uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva."
" Cuide bem do seu amor, seja quem for " Herbert Vianna


Antigamente a gente dizia:"nossa como vc está bonita, está gorda!"Nos dias atuais, chamar alguém de gordo é quase um sacrilégio, é ofensivo.Mudam-se as épocas, mudam-se os hábitos.O que está acontecendo hoje é que simplesmente há uma indústria milionária por trás de tudo isso ganhando rios de dinheiro. E, numa sociedade capitalista, em que o ter é muito, mas muito mesmo, mais importante do que o ser, é preciso ter corpo dentro da métrica da moda, isto é, ser magra, mas ter busto grande, sem celulite de preferência e, estria nem pensar.Em contrapartida é preciso consumir todas as batatas fritas que o estômago possa aguentar, todos os sanduíches 'macs', sorvetes, chicletes e balas. Sempre com refrigerante light, claro.Há uma absoluta e total incoerência entre o que se come e o peso que o modismo exige das pessoas. E, o homens também já sofrem dessa epidemia da magreza e da burrice estética.Infelizmente, a mídia contribui e muito para essa alienaçãoda beleza e, os artistas que precisam mostrar que são "belos e saudáveis", contribuem mais ainda para míopia da beleza.E olha que não é fácil fugir de tais esteriótipos, eu que o diga, uma saudável senhora cinquentona e ...gorda. As pessoas discrimimam a gente nas lojas e, encontrar roupas para gordos quase que só em lojas especializadas. Gordo tem problemas com o banco do ônibus, para entrar no carro, é piada entre os amigos e, os homens muitas vezes 'preferem' as magras. Na verdade os objetos são feitos para magros e destros. Certa vez, um amigo - homem - me disse a seguinte pérola: "E aí casou?", respondi que não. Então ele me saiu com essa : "deve ser porque vc está muito gorda". Detalhe: somos amigos há 30 anos e ele me adora. Mas, ele tem a ótica e a estética da moda imposta pela mídia.Eu não fiz lipo ou coisas afins mas, quem não tem uma cabeça centrada, é influenciável ou, acaba mesmo se sentindo feia por causa da influência dos modismos se envolve em tratamentos estéticos que na verdade não garantem a felicidade de ninguém. Nem um casamento perfeito e sequer que não se vai nunca perder o emprego.Sem querer radicalizar, há casos em que uma lipo ou outra atividade estética é necessária. E, às vezes, é até uma questão de vaidade, mas com moderação e bom senso vai mesmo fazer a pessoa se sentir melhor.Enfim, nem todos os homens são Herbert Vianna.

Quero-te

Eros2002: oi!
Eros2002: quero-te!
Psique: oi?
Psique: ahahahahahah
Eros2002: e ri?
Psique: mas que isso, Eros?
Eros2002: o quê?
Psique: isso é coisa que se fale?
Eros2002: é
Eros2002: e sabe por quê?
Psique: diga
Eros2002: porque você tem que ser minha
Psique: oh!
Psique: será?
Eros2002: falei ontem com um amigo para ver a possibilidade de você vir morar aqui.
Psique: é mesmo?
Psique: seria maravilhoso
Eros2002: calma
Psique: tá
Eros2002: porque há o componente do seu vencimento
Psique: humm
Psique: tem que dar para eu viver aí sozinha
Eros2002: ainda não há luz verde, digamos
Eros2002: claro
Eros2002: pelo menos
Psique: senão você vai ter que me sustentar
Eros2002: leitinho não faltará
Psique: ahahahahaha
Psique: só?
Eros2002: pelo menos
Psique: vamos aguardar
Psique: é uma boa notícia
Eros2002: pois
Eros2002: é alguma coisa
Psique: um presente para o dia de hoje
Eros2002: e o desejo de te amar fará o resto
Psique: ai meus deus
Eros2002: por quê?
Psique: só por isso, Eros?
Eros2002: não lhe agrada a idéia?
Psique: sei lá
Eros2002: já não sabe?
Psique: eu posso te decepcionar
Eros2002: duvido
Eros2002: você se empenhará e eu também
Eros2002: e, além disso, será uma etapa nova nas nossas vidas
Psique: mas é só por causa de sexo?
Eros2002: claro que não
Psique: ainda bem
Eros2002: mas, também
Eros2002: e, provavelmente será o início de uma grande amizade
Psique: ahahahaha
Eros2002: ri-te?
Psique: se emende Eros
Eros2002: como?
Eros2002: comendo-te?
Psique: é bom ter alguém que goste da gente
Psique: e não é só para me comer
Psique: claro que isso é importante
Psique: mas, o amor também
Eros2002: e o meu...?
Psique: ai Eros!
Psique: o que é que tem?
Eros2002: diga!
Psique: o que quer que eu diga?
Eros2002: a idéia de..., não a seduz?
Psique: e como!
Psique: mas, posso gostar ou não
Eros2002: arranjaremos uma forma
Psique: ahahahah
Psique: você é doido mesmo
Eros2002: pelo menos uma vez vai ter de fazer
Eros2002: e se você gostar?
Psique: bem...
Psique: aí você vai ter que repetir
Eros2002: bem?
Eros2002: ok
Psique: mas me deixou contente
Eros2002: com todo o gosto
Eros2002: mas não faça já castelos no ar
Psique: vou voltar a fazer dieta
Eros2002: aguarde com calma
Psique: ok
Eros2002: não é importante
Eros2002: a dieta
Psique: você me ama mesmo, Eros?
Eros2002: amo
Psique: sinto-me feliz com isso
Eros2002: ok
Psique: preciso ter alguém
Eros2002: claro que sim
Eros2002: agora tem o meu... virtual, por enquanto

Louco!

Eros2002: oi
Eros2002: está zangada?
Psique: não, só estou escrevendo um pouco.
Eros2002: gostei muito da sua opinião sobre a violência
Psique: sim?
Eros2002: sim
Psique: é uma visão que na prática não apresenta soluções
Eros2002: há muita violência em quase tudo
Psique: onde será que está a solução?
Eros2002: sim, mas é difícil resolver o problema.
Psique: esse é o problema!
Psique: caríssimo, só procura esse caminho quem é fraco de valores.
Eros2002: ok
Eros2002: você nunca cometeu um erro?
Psique: desse tipo não
Eros2002: ainda bem
Psique: nunca vendi o meu corpo, por exemplo,
Psique: trabalhei muito na minha vida
Eros2002: sim, estou vendo.
Psique: e nunca precisei fazer nada de errado
Eros2002: certo
Psique: o pouco que consegui é fruto do meu trabalho
Eros2002: você acha então que apesar de toda a violência que há nas favelas é possível viver-se com dignidade nesses locais?
Psique: com certeza, trabalhei em favela durante muitos anos como professora.
Eros2002: ok
Psique: lá tem muita gente boa e que trabalha duro
Eros2002: certo
Psique: só segue o caminho errado quem quer
Eros2002: ok
Eros2002: entendi
Psique: às vezes o caminho poder ser difícil, mas...
Eros2002: não pode haver só histórias tristes
Psique: com certeza, e todas as histórias de luta digna e trabalho honesto são bonitas.
Eros2002: ok
Eros2002: são cinco da manhã, devo estar louco.
Psique: louco de sono?
Eros2002: sim
Psique: vá dormir então
Eros2002: pois vou
Psique: boa noite
Eros2002: boa noite
Psique: xau
Eros2002: xau
Eros2002: vou desligar
Psique: descanse